Filósofo de formação e apologeta por vocação, ele foi o primeiro pensador cristão a construir uma ponte sistemática entre a filosofia grega e a fé cristã, demonstrando que a razão humana, quandobem conduzida, aponta para a Verdade revelada em JesusCristo.
Sua vida — marcada pela busca incansável pelo conhecimento, pela conversão radical e pelo martírio — e sua obra — que inclui as primeirasgrandes defesas escritas do cristianismo — fazem dele uma das figuras mais importantes do século II e um dos Padres da Igreja mais venerados.
Justino nasceu por volta do ano 100 d.C. em Flávia Neápolis (atual Nablus, na Cisjordânia), uma cidade de língua grega na província romana da Judeia.
Filho de pais pagãos — seu pai chamava-se Prisco e seu avô, Bráquio —, recebeu uma educação que incluía retórica, poesia e história.
Desde jovem, Justino dedicou-se à filosofia, que ele descrevia como “o maior dos bens”.
Percorreu sucessivamente as escolas do estoicismo, do peripateticismo (aristotelismo) e do pitagorismo, mas em nenhuma delas encontrou a satisfação plena que buscava. Finalmente, chegou ao platonismo, cuja visão de ummundo transcendente e da imortalidade da alma despertou nele grande entusiasmo.
A Conversão
O momento decisivo de sua vida ocorreu em Éfeso, quando, ainda dedicado à filosofia platônica, encontrou-se com umhomemidoso à beira-mar.Em uma longa conversa, o ancião demonstrou a insuficiência da filosofia humana para alcançar o conhecimento pleno de Deus e apontou-lhe os profetas do Antigo Testamento, cujas profecias sobre o Messias se cumpriram em JesusCristo.
Justino descreveu assim o impacto desse encontro:
“Meu espíritofoi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e para aqueles que são amigos de Cristo tomou conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil.”
A conversão de Justino ocorreu por volta do ano 132 d.C.. A partir de então, ele se consagrou totalmente à expansão e defesa da religião cristã.
Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo e abriu uma escola em Roma, onde ensinou seus discípulos.Sua atividade em defesa do cristianismo chamou a atenção das autoridades romanas.
Por volta do ano 165, durante o governo do prefeito Quinto Júnio Rústico, Justino foi preso junto com seiscompanheiros.Convocado a sacrificar aos deuses romanos, recusou-se terminantemente, declarando sua fé em JesusCristo.Foi então condenado à decapitação, consumando seu martírio em Roma.
As Atas do Martírio de Justino, umdocumento que preserva o relato de seu julgamento, são consideradas autênticas e constituem um dos mais valiosos registros da Igreja primitiva.
Obras
Embora a maioria dos escritos de Justino tenha se perdido ao longo do tempo, três obras importantes chegaram até nós, além de fragmentos de outras.
Mais curta que a primeira, a Segunda Apologiafoi escrita como um complemento à anterior e dirigida ao Senado Romano.Seu objetivo principal era expor a irracionalidade das perseguições aos cristãos e revelar as verdadeiras motivações por trás delas.Justino relata, entre outros episódios, a história de uma mulher cristã que, por sua conversão, sofreu perseguição do marido, o que desencadeou uma onda de violência contra os cristãos em Roma.
Diálogo com Trifão
Esta obra, datada entre 155 e 160 d.C., é um extenso debate entre Justino e Trifão, um rabino judeu.O cenário é apresentado como um encontro casual em Éfeso.No Diálogo, Justino:
Argumenta que os cristãos são o “verdadeiro” povo de Deus;
Defende que a nova aliança em Cristo supera a antiga aliança.
A identidade de Trifão é incerta — alguns estudiosos sugerem que ele seria o rabino Tarfon, mas muitos consideram que se trata de um personagem fictício criado por Justino para fins literários.
Obras Perdidas
Justino escreveu pelo menos outras cinco obras, hoje perdidas, incluindo um tratado Contra os Pagãos, outro Contra os Judeus e uma obraSobre a Ressurreição.
O Filósofo que nunca deixou a capa: Mesmo após sua conversão, Justino continuou vestindo a capa de filósofo (pallium), símbolo de sua vocação intelectual.Para ele, o cristianismoera a “única filosofia segura e útil” — e ele fazia questão de demonstrá-lo.
As “sementes do Logos” (Logos spermatikós): Justino desenvolveu a doutrina de que todo serhumano participa do Logos — a Razão divina — e que, portanto, os filósofos gregos, ao viverem “conforme o Logos”, podem ser considerados, em certamedida, cristãos antes de Cristo. Para ele, Sócrates e Heráclito, por exemplo, participavam do Logos, ainda que de modo parcial.
O primeiro apologeta cristão: Justino é reconhecido como o primeiro apologeta cristão a escrever em defesa da fé.Suas obras inauguraram um gênero literário que seria continuado por Tertuliano, Orígenes e tantos outros.
Uma fonte preciosa sobre a liturgia primitiva: A Primeira Apologia contém uma das mais antigas descrições da celebração da Eucaristia e do batismo no cristianismo primitivo, oferecendo aos historiadores um testemunho inestimável das práticas da Igreja do século II.
Desconhecimento dos evangelhos canônicos?: Justino cita frequentemente os evangelhos, mas não os menciona pelos nomes de Mateus, Marcos, Lucas e João. Em vez disso, refere-se a eles como “Memória dos apóstolos”. Isso levou alguns estudiosos a sugerir que ele desconhecia a divisão em quatro evangelhos canônicos — embora seja mais provável que ele utilizasse umnome genérico para o conjunto.
Venerado por múltiplas tradições cristãs: Justino é venerado como santo pela IgrejaCatólica, pela Igreja Ortodoxa e pelas Igrejas Luteranas.Sua festa é celebrada em 1º de junho.
O martírio documentado: Diferentemente de muitos mártires antigos, cujas mortes são cercadas de lendas, o martírio de Justino está registrado em umdocumentohistórico confiável — as Atas de Justino — que preserva o diálogo entre o filósofo e o prefeito Rústico antes de sua execução.
Como escreveu o próprio Justino, aqueles que viveram “conforme o Logos” são cristãos, ainda que não tenham conhecido Cristo pelo nome. Nessa visão generosa e intelectualmente ousada, ele lançou as bases para o diálogo entre fé e cultura que marcaria toda a tradição cristã ocidental. Sua vida e obra permanecem um testemunho eloquente de que a busca pela verdade e o compromisso com a fé não apenas podem coexistir, mas se fecundam mutuamente.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).