Nas pesquisas que realizei sobre o período regencialbrasileiro, as Revoltas Regenciais (1831-1840) sempre me surgiram como um laboratório das tensões que moldaram o Império.
A RevoluçãoFarroupilha (1835-1845), o mais longo dos conflitos do período, não foi umfenômeno isolado, mas o ponto mais visível de ummovimento mais amplo de resistência ao poder central, que se manifestou em diversas províncias com intensidades e motivações próprias.
Como advertiu Sérgio Buarque de Holanda, “a regência foi o momento em que o Brasil ensaiou os seus primeirospassos de nação” – passos que foram dados em meio a convulsões que revelavam a fragilidade da unidade nacional.
Como observou o historiador César Augusto Barcellos Guazzelli, “os farrapos não lutavam apenas contra a Corte, mas contra ummodelo de Estado que os excluía“.
Compreender essas revoltas é compreender as raízes do federalismo e do republicanismo no Brasil.
Este artigo, fruto de uma pesquisa que percorreu as crónicas e a historiografia das Revoltas Regenciais, convida o autor e o leitor a redescobrirem como a RevoluçãoFarroupilha e os demaismovimentos do período forjaram a identidade política do Brasil.
Como ensinou João Manoel Pereira da Silva, “a história das revoltas é a história da nação em formação” – e, nela, encontramos os dilemas que ainda nos interpelam sobre a relação entre centro e periferia, entre unidade e diversidade.
Que esta leitura nos inspire a olhar para o passado com olhos de justiça e para o presente com a consciência das lutas que nos constituíram.
Ela foi uma das chamadas Revoltas Regenciais, um conjunto de rebeliões que sacudiram o país entre 1831 e 1840, durante o período em que o Brasilera governado por regentes no lugar do imperadorD. Pedro II, que era menor de idade.
Essas revoltas foram alimentadas pelo descontentamento com o poder central, que era visto como autoritário e distante, e refletiam anseios regionais por mais autonomia.
Algumas delas eclodiram exatamente nos mesmos anos em que a guerra civil varria o RioGrande do Sul, enquanto outras se seguiram pouco depois, num contexto de profunda instabilidade nacional.
Abaixo estão as principais revoltas que ocorreram durante o período da RevoluçãoFarroupilha ou que se relacionam com esse contexto conturbado.
A Cabanagem foi uma revolta popular que ocorreu na província do Grão-Pará (atual Pará), simultaneamente ao início da RevoluçãoFarroupilha. Foi uma das revoltas mais violentas do período regencial, e seu nomevem das humildes cabanas onde viviam os indígenas, mestiços e negros que lideraram o movimento.
Causas: A extrema pobreza da população local, o abandono do governo central e a insatisfação com a elite provincial.
Desdobramentos: Os rebeldes chegaram a tomar o poder na região, mas foram duramente reprimidos pelas forças imperiais. A repressão foi brutal e dizimou grandeparte da população da província.
A Sabinada foi uma revolta de caráter separatista que ocorreu na província da Bahia, especialmente na cidade de Salvador.
Causas: Insatisfação com as autoridades nomeadas pelo governo regencial e o desejo de maior autonomia para a província.
Desdobramentos: Os rebeldes proclamaram a “República Bahiense” e controlaram a capital por alguns meses. O movimento foi sufocado pelas forças imperiais em março de 1838.
A Balaiada foi uma revolta popular que ocorreu na província do Maranhão, estendendo-se também para o vizinho Piauí.
Causas: A profunda desigualdade social e a miséria da população pobre da região.
Desdobramentos: O movimento recebeu esse nome por causa do apelido de um de seus líderes, que era fabricante de balaios (cestos). A revolta foi controlada pelas forças imperiais, com a participação do então jovem oficialLuís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias.
A Revolta dos Malês foi uma rebelião de escravizados muçulmanos que ocorreu na cidade de Salvador, na Bahia, no início de 1835.
Causas: A revolta foi uma das mais importantes insurreições de escravizados da história do Brasil, motivada pela opressão da escravidão e pela fé islâmica de seus líderes.
Desdobramentos: O movimento foi violentamente reprimido pelas autoridades, e seus líderes foram executados ou deportados.
Embora a RevoluçãoFarroupilha tenha terminado em 1845, a Revolução Praieira, ocorrida em Pernambuco entre 1848 e 1850, é um desdobramento importante do mesmo ciclo de revoltas regionais que marcaram o Império.
Causas: Conflitos entre facções políticas locais (os “praieiros” e os “guabirus”) e insatisfação com o governo central.
Desdobramentos: Foi a última das grandes revoltas provinciais do Império, sendo também duramente reprimida.
Além das revoltas em outras províncias, a própria RevoluçãoFarroupilha foi marcada por tensões e dissidências internas entre seus líderes. Apesar de não serem revoltas independentes, esses conflitos enfraqueceram o movimento republicano:
A traição de Porongos: O Massacre de Porongos, em 1844, é o exemplo mais trágico dessas tensões, onde líderes farroupilhas foram acusados de trair seus próprios soldados negros (os Lanceiros Negros) em um acordo com as forças imperiais para selar a paz.
Essas revoltas, somadas à Farroupilha, revelam umBrasil do século XIX fragmentado, onde as elites regionais e as populações locais frequentemente se rebelavam contra o poder central, num processo doloroso e violento de construção da identidade nacional.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).