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São Jerônimo

São Jerônimo

Jerônimo de Estridão

pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes

Ao longo dos meus anos de estudo sobre os gigantes que moldaram o cristianismo, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de Jerônimo de Estridão.

Ele não foi um teólogo de gabinete, nem um pastor distante das lutas do seu tempo; foi, antes de tudo, um homem de paixões — apaixonado pela Palavra, pela erudição, pela vida ascética e, por vezes, pela controvérsia.

A sua vida, marcada por viagens, amizades profundas, conflitos teológicos e uma dedicação incansável ao estudo, é um testemunho de que a verdadeira santidade não é ausência de imperfeições, mas a capacidade de colocar todas as energias — até as mais tempestuosas — a serviço da verdade.

Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as obras e as curiosidades que cercam este que é, sem dúvida, o mais erudito dos Padres Latinos.

Origens e Formação

Jerônimo, cujo nome completo era Eusébio Sofrônio Jerônimo (em latimEusebius Sophronius Hieronymus), nasceu por volta de 347 d.C. na cidade de Estridão, uma localidade situada na fronteira entre a Dalmácia e a Panônia (atual Croácia ou Eslovênia). Filho de Eusébio, pertencia a uma família cristã abastada. Ainda jovem, foi enviado a Roma para completar seus estudos, onde se dedicou à gramática, à retórica e à filosofia, sob a orientação do célebre gramático Donato. Foi batizado por volta de 366, provavelmente pelo Papa Libério.

As Viagens e a Vida Ascética

Após sua formação em Roma, Jerônimo iniciou um período de viagens e experiências que moldariam sua vocação. Visitou Tréveris (atual Trier, na Alemanha), onde foi profundamente atraído pelo monasticismo. Viajou para Aquileia, onde se reuniu a um círculo de ascetas. Por volta de 373, partiu para o Oriente, estabelecendo-se como eremita no deserto da Calcedônia, na Síria, onde viveu uma vida de penitência e estudo. Foi nesse período que aprendeu hebraico, língua que seria fundamental para seu trabalho de tradução bíblica.

O Secretário do Papa e a Tradução da Vulgata

Por volta de 382, Jerônimo foi chamado a Roma pelo Papa Dâmaso I, que o nomeou seu secretário e conselheiro. Foi Dâmaso quem o incumbiu da tarefa que imortalizaria seu nome: a revisão e tradução da Bíblia para o latim. Jerônimo dedicou-se a essa obra monumental por mais de duas décadas, trabalhando a partir dos textos originais em hebraico e grego. O resultado foiVulgata, a tradução latina que se tornaria a versão oficial da Bíblia para a Igreja Católica por mais de mil anos.

O Mosteiro em Belém e os Últimos Anos

Após a morte do Papa Dâmaso em 384, Jerônimo deixou Roma e, por volta de 389, estabeleceu-se em Belém, onde fundou um mosteiro. Ali, dedicou-se à vida monástica, à direção espiritual e, sobretudo, à continuação de sua obra literária e exegética. Jerônimo faleceu em 30 de setembro de 420 em Belém. Foi sepultado próximo à gruta da Natividade; seus restos mortais foram posteriormente trasladados para a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

 Obras e Pensamento

A Vulgata

A obra mais famosa e influente de Jerônimo é a Vulgata, sua tradução da Bíblia para o latim.

Jerônimo não se limitou a revisar traduções existentes; ele voltou-se aos textos originais em hebraico e grego, produzindo uma versão que se destacava pela fidelidade e pela qualidade literária. O trabalho levou cerca de 30 anos para ser concluído e tornou-se a base da Bíblia latina por toda a Idade Média.

Comentários Bíblicos e Obras Teológicas

Além da Vulgata, Jerônimo escreveu inúmeros comentários sobre livros da Bíblia — incluindo os Evangelhos, as Epístolas de Paulo e os Profetas — e obras teológicas que defendiam a ortodoxia contra as heresias de seu tempo. Sua lista de escritos é extensa, abrangendo também biografias de santos, tratados ascéticos e uma vasta correspondência.

De Viris Illustribus

Entre suas obras históricas, destaca-se De Viris Illustribus (Sobre os Homens Ilustres), uma coletânea de biografias de escritores cristãos, inspirada na obra homônima de Suetônio sobre os autores romanos.

Curiosidades sobre Jerônimo de Estridão

  1. Doutor da Igreja: Jerônimo é um dos quatro grandes Doutores da Igreja Ocidental, ao lado de Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno.

  2. O leão de Jerônimo: A tradição conta que Jerônimo teria curado a pata de um leão ferido, e o animal tornou-se seu fiel companheiro. Por isso, ele é frequentemente representado com um leão.

  3. Patrono dos tradutores e bibliotecários: Por sua obra de tradução e erudição, Jerônimo é o santo padroeiro dos tradutores, bibliotecários, arqueólogos e estudantes.

  4. Um caráter polêmico: Conhecido por seu temperamento impetuoso, Jerônimo envolveu-se em inúmeras controvérsias teológicas e pessoais, travando debates acalorados com contemporâneos como Agostinho e Rufino de Aquileia.

  5. Aprendeu hebraico no deserto: Para realizar sua tradução, Jerônimo aprendeu hebraico com um monge judeu durante sua estadia como eremita no deserto da Calcedônia.

  6. Sua festa litúrgica: É celebrado em 30 de setembro no calendário ocidental e em 15 de junho no oriente.

  7. Nome completo: Seu nome completo, Eusébio Sofrônio Jerônimo, reflete a fusão de sua herança cristã com a cultura romana.

Legado

O legado de Jerônimo de Estridão é imenso.

Ele é, antes de tudo, o tradutor da Bíblia para o latim — um trabalho que não apenas unificou o texto sagrado para a Igreja ocidental, mas também estabeleceu um padrão de erudição e fidelidade às fontes que influenciaria a exegese bíblica por séculos.

Sua Vulgata tornou-se a versão oficial da Igreja Católica e foi a Bíblia utilizada por toda a cristandade latina durante a Idade Média e o Renascimento.

Mas seu legado vai além da tradução. Jerônimo foi um dos mais fecundos comentaristas das Escrituras, um defensor intransigente da ortodoxia, um mestre da vida ascética e um dos mais brilhantes representantes da cultura clássica a serviço da cristã.

A sua vasta correspondência revela um homem de profundas paixões — e profundas contradições —, que não hesitava em defender suas convicções com a mesma veemência com que se entregava à penitência e ao estudo.

Jerônimo nos ensina que a erudição, quando posta a serviço da verdade, não afasta de Deus, mas aproxima.

Ele mostrou que a santidade não exige a renúncia à inteligência, mas a sua consagração. E, como ele próprio demonstrou, a busca pela Palavra é uma vocação que exige toda a mente, todo o coração e toda a alma.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Referências Bibliográficas

  • Jerônimo – Wikipédia, a enciclopédia livre (pt.wikipedia.org)

  • St. Jerome | Biography, Patron Saint, Birth, Death, Feast Day, & Facts | Britannica (www.britannica.com)

  • Jerome – Wikipedia (via Wayback Machine) (webarchiveweb.wayback.bac-lac.canada.ca)

  • São Jerônimo – Vatican News (www.vaticannews.va)

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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