Jerry B. Harvey: O Guru que Revelou a Loucura das Decisões em Grupo
Introdução
Você já participou de uma reunião em que ninguém queria realmente seguir determinado caminho, mas todos concordaram — e depois ninguém soube explicar por quê? Esse fenômeno tem nome: o Paradoxo de Abilene.
E quem o identificou, batizou e dedicou sua carreira a desvendá-lo foi Jerry B. Harvey, um professor de gestão que se tornou uma das vozes mais originais e irreverentes da teoria organizacional.
Com uma abordagem que misturava humor afiado, honestidade brutal e uma pitada de filosofia, Harvey nos ensinou que o maior problema nas organizações muitas vezes não é o conflito, mas exatamente o oposto: o “consenso mal administrado”.
Sua obra continua viva e relevante, especialmente em um mundo corporativo cada vez mais sujeito a dinâmicas de grupo silenciosas e decisões coletivas duvidosas.
Nascimento e Formação
Jerry B. Harvey nasceu em 14 de novembro de 1935, em Austin, Texas — cidade que, ironicamente, daria nome ao seu mais famoso paradoxo.Filho do coração do Texas, permaneceu um ávido fã dos Texas Longhorns, o time de futebol americano da Universidade do Texas, por toda a vida.
Obteve seus títulos de graduação e pós-graduação na Universidade do Texas, onde construiu as bases de sua carreira acadêmica.Mais tarde, tornou-se professor de ciências da gestão (management science) na Universidade George Washington, em Washington, D.C., onde lecionou por muitos anos e alcançou o título de Professor Emérito de Gestão.
Vida Pessoal
Em 4 de agosto de 1962, Harvey casou-se com sua amada esposa, Beth.O casal teve doisfilhos: ScottHarvey e Suzanne Harvey, que infelizmente faleceu antes do pai.Harvey viveu em McLean, Virgínia, e era membro da McLean Baptist Church.
Falecimento
Jerry B. Harvey faleceu em 1º de agosto de 2015, aos 79 anos, em decorrência de complicações da doença de Parkinson e insuficiência cardíaca congestiva. Seu legado, no entanto, permanece vivo por meio de seus escritos, vídeos e do impacto duradouro que teve sobre gerações de estudantes, executivos e consultores organizacionais.
Obras
Harvey foi autor de aproximadamente cinquenta artigos profissionais e de dois livros que se tornaram referências na área de comportamento organizacional.
1. The Abilene Paradox and Other Meditations on Management (1988)
Publicado originalmente em 1988 pela Jossey-Bass, este é o livro mais famoso de Harvey. Reúne uma série de “meditações” — textos ao mesmo tempo hilários e profundos — sobre a loucura do dia a dia nas organizações. O ponto de partida é justamente o artigo que deu origem ao livro: “The Abilene Paradox: The Management of Agreement”, publicado em 1974.
O Paradoxo de Abilene descreve uma situação em que um grupo de pessoas concorda coletivamente com um curso de ação que nenhum dos membros, individualmente, deseja seguir.Harvey chamou isso de um “fracasso na gestão do acordo” — e não um fracasso na gestão do conflito, como seria mais intuitivo.
A história que batiza o paradoxo é simples e genial:
Numa tarde quente no Texas, um casal e os pais da esposa estão sentados na varanda, tomando limonada e se refrescando. O sogro sugere uma viagem a Abilene, a cerca de 80 km dali, para comer algo. A esposa diz que “parece uma boa ideia”, o marido concorda relutantemente, e a sogra também. A viagem é longa, abafada e desconfortável. No retorno, já exaustos, descobrem que nenhum deles queria realmente ir — cada um apenas concordou porque achou que os outros queriam.
A lição: o paradoxo não é sobre conflito, mas sobre o medo de se opor. As pessoas silenciam suas verdadeiras opiniões por medo de rejeição, exclusão ou punição, e o grupo acaba tomando decisões que ninguém de fato endossa.
Harvey descreveu o fenômeno como “uma forma pervasiva de doença mental organizacional” — uma afirmação forte, mas que ecoa na experiência de qualquer um que já tenha participado de reuniões intermináveis onde decisões ruins foram tomadas por “consenso”.
2. How Come Every Time I Get Stabbed in the Back, My Fingerprints Are on the Knife? (1999)
Publicado em 1999 pela Jossey-Bass, o título já revela o estilo provocador e bem-humorado de Harvey.O livro explora os dilemas éticos, morais e espirituais que todos enfrentamos no mundo moderno do trabalho.
Com uma abordagem pouco convencional — que mescla humor, filosofia e percepção aguda — Harvey nos faz rir, pensar e examinar o comportamento organizacional sob uma nova luz. O título em si é uma provocação: quantas vezes, ao sermos prejudicados por uma situação, descobrimos que, de alguma forma, contribuímos para ela? É uma reflexão sobre responsabilidade pessoal e autoconhecimento no ambiente corporativo.
Produção Audiovisual
Além dos livros, Harvey também é lembrado por sua participação em vídeos e curtas-metragenssobre comportamento organizacional. Entre os títulos mais conhecidos estão:
“The Abilene Paradox” — o curta que popularizou o conceito
“The Asoh Defense” — sobre a arte de assumir responsabilidade por erros
“The Gunsmoke Phenomenon” — uma reflexão sobre como as organizações lidam (ou deixam de lidar) com informações desconfortáveis
Curiosidades
1. “Dar uma volta a Abilene” virou metáfora mundial
A expressão “taking a trip to Abilene” tornou-se um termo reconhecido internacionalmente para descrever decisões de grupo que ninguém realmente queria tomar. É usada em manuais de gestão, treinamentos corporativos e até em discussões sobre política e tomada de decisão coletiva.
2. A deficiência não o impediu
Harvey sofria da doença de Parkinson, o que não o impediu de manter uma carreira ativa e produtiva até seus últimos anos. Sua luta contra a doença é um testemunho silencioso de sua determinação.
3. A honestidade como princípio fundamental
Quem o conheceu destaca que Harvey vivia o que pregava. Seu obituário no The Washington Post afirma que suas realizações “eram todas baseadas em um alicerce de honestidade”.Ele defendia “dizer a verdade a todos (especialmente a si mesmo)” — e praticava isso com uma “mistura única de humor e compaixão”.
4. Consultor de organizações religiosas e militares
Harvey não se limitou ao mundo corporativo. Durante sua carreira, atuou como consultor para uma ampla variedade de organizações: industriais, governamentais, religiosas, militares, educacionais e filantrópicas. Essa diversidade de experiências enriqueceu sua visão sobre o comportamento humano em grupo.
Relatos de ex-alunos e colegas destacam seu impacto como mentor. Um de seus orientados de mestrado na George Washington University recorda: “Ele expandiu minha visão sobre pesquisa original, o que me serviu bem ao longo dos anos, e me impressionou com sua honestidade e maneira agradável de trabalhar”.
6. O Paradoxo de Abilene na política e além
Embora tenha sido concebido para o ambiente organizacional, o Paradoxo de Abilene é frequentemente citado em contextos mais amplos — desde decisões de gabinete governamental até escolhas em relações internacionais. Afinal, o medo de se opor ao grupo é umfenômenohumano universal, não restrito a salas de reunião.
Conclusão
Jerry B. Harvey foi muito mais do que um professor de gestão. Foi um observador arguto da condição humana, um contador de histórias talentoso e um provocador intelectual que nos convidou a encarar a verdade — por mais desconfortável que ela fosse. Seu legado mais duradouro, o Paradoxo de Abilene, continua tão relevante hoje quanto em 1974.
Em um mundo onde as organizações valorizam cada vez mais o consenso e a harmonia, a obra de Harvey nos lembra de um alerta fundamental: o maior perigo muitas vezes não é o conflito aberto, mas o silêncio cúmplice. Quantas “viagens a Abilene” estamos fazendo neste exato momento — em nossas empresas, em nossos governos, em nossas vidas — simplesmente porque ninguém quer ser o primeiro a dizer: “Espera, isso não é uma boa ideia”?
Como Harvey nos ensinou, a coragem de dizer a verdade — especialmente a verdade incômoda — é o antídoto para a loucura organizacional. E, como ele mesmo demonstrou ao longo de sua vida, é possível fazê-lo com humor, com compaixão e, acima de tudo, com honestidade.
Legacy.com. “JERRY HARVEY Obituary (1935 – 2015) – Mc Lean, VA – The Washington Post.” Disponível em: www.legacy.com
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MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).