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Antoine Fabre d’Olivet

Antoine Fabre d’Olivet: O Filólogo que Criou uma Nova Maçonaria

No limiar entre o Iluminismo e o esoterismo moderno, poucas figuras são tão fascinantes e enigmáticas quanto Antoine Fabre d’Olivet. Filólogo, poeta, compositor, ocultista e visionário, ele foi um homem de múltiplos talentos que, ao longo de sua vida, transitou com desenvoltura entre a política revolucionária, a filologia comparada, a música e o ocultismo.

Sua maior contribuição — e também sua maior controvérsia — foi a criação de um sistema de iniciação próprio, a “Verdadeira Maçonaria”, que ele opunha à Maçonaria de sua época. Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, a obra e o legado de um dos pensadores mais originais e influentes do esoterismo francês do século XIX.

Biografia

Antoine Fabre d’Olivet, cujo nome de batismo era simplesmente Antoine Fabre, nasceu em 8 de dezembro de 1767 na pequena cidade de Ganges, no Languedoc, sul da França. Filho de uma abastada família protestante, cresceu em uma região de língua occitana, falando provençal com sua mãe até os dez anos de idade — uma experiência que mais tarde influenciaria seu amor pela poesia trovadoresca.

Aos onze ou doze anos, foi enviado a Paris para receber uma boa educação e auxiliar nos negócios da família, que atuava no comércio internacional de seda. Na capital, aprendeu latim, grego e inglês. Em 1786, viajou como vendedor para a empresa do pai, aprendendo alemão no caminho, mas com pouco sucesso comercial.

A Revolução Francesa de 1789 mudou o curso de sua vida. Fabre d’Olivet envolveu-se ativamente no movimento revolucionário, tornando-se jacobino e membro do Diretório. Foi autor de peças patrióticas como Le Quatorze de juillet 1789 (1790) e Toulon soumis (1794).

Em 1799, conseguiu um cargo de funcionário no Ministério da Guerra, confirmado durante o Primeiro Consulado de Bonaparte.

Sua vida pessoal foi marcada por tragédias. Seus pais, ambos protestantes, foram vítimas de perseguições, e sua mãe foi encarcerada na famosa Torre de Constança. Mais tarde, tornou-se amante de uma jovem que se suicidou; Fabre afirmou que ela lhe apareceu em visões sobrenaturais, orientando suas teorias sobre a imortalidade da alma e a Providência.

Fabre d’Olivet faleceu em 25 de março de 1825 em Paris, e está sepultado no cemitério do Père-Lachaise.

Fabre d’Olivet e a Maçonaria: Uma Relação Complexa

A relação de Fabre d’Olivet com a Maçonaria é, no mínimo, peculiar. Ele nunca foi iniciado na Maçonaria regular. Não há qualquer prova de que tenha pertencido a uma loja maçônica.

No entanto, isso não o impediu de se tornar uma das figuras mais influentes no pensamento maçônico esotérico. Fabre d’Olivet acreditava que a Maçonaria de sua época havia perdido seu significado original e seus ensinamentos mais profundos. Insatisfeito com a instituição, ele decidiu criar sua própria versão da Ordem.

Pouco antes de sua morte, fundou uma seita com estrutura maçônica, que chamou de “A Verdadeira Maçonaria” (La Vraie Maçonnerie). Essa nova ordem, também conhecida como “Culto Celeste” (Céleste Culture), tinha uma estrutura de três graus, inspirada na tradição pitagórica e na iniciação egípcia:

  1. Primeiro Grau do Pórtico (Aspirante)

  2. Segundo Grau do Pórtico (Lavrador)

  3. Terceiro Grau do Pórtico (Cultivador)

O símbolo sagrado para os três graus era Hermes, e o sinal de admissão geral consistia em colocar um dedo da mão direita sobre a boca, expressando o silêncio exigido pelos mistérios.

Embora não fosse maçom, Fabre d’Olivet exerceu uma influência profunda sobre o pensamento maçônico esotérico. Suas obras foram estudadas por ocultistas como Eliphas Lévi, Gérard Encausse (Papus) e René Guénon, que incorporaram muitas de suas ideias em suas próprias sínteses.

 Obras Principais

A produção literária de Fabre d’Olivet é vasta e diversificada, abrangendo filologia, história, música e ocultismo. Suas obras mais conhecidas são:

  • A Língua Hebraica Restaurada (La Langue Hébraïque Restituée, 1815-1816): Sua obra mais famosa, na qual ele propõe uma análise radical das raízes hebraicas, defendendo que o hebraico é uma língua sagrada cujas palavras carregam significados ocultos. O linguista B. L. Whorf ficou fascinado por sua obra e o chamou de “um dos mais poderosos intelectos de todos os tempos”.

  • Os Versos Dourados de Pitágoras (Les Vers Dorés de Pythagore, 1813): Tradução e comentário dos ensinamentos atribuídos a Pitágoras, que iniciou um renascimento do neopitagorismo.

  • História Filosófica do Gênero Humano (Histoire Philosophique du Genre Humain, 1824): Um tratado sobre a evolução da humanidade, combinando história, filosofia e teologia.

  • A Verdadeira Maçonaria e a Cultura Celeste (La Vraie Maçonnerie et la Céleste Culture): Publicado postumamente, este livro contém os rituais e ensinamentos de sua própria ordem maçônica.

  • A Música Explicada como Ciência e como Arte (La Musique Expliquée comme Science et comme Art): Uma obra sobre a teoria musical e sua dimensão espiritual.

Além disso, escreveu peças de teatro, óperas e poesia occitana, sendo considerado um precursor do movimento de revitalização da língua provençal (o felibrismo).

 Curiosidades

  1. O sobrenome composto: Ele nasceu como Antoine Fabre e acrescentou “d’Olivet” posteriormente, adotando o sobrenome de sua mãe.

  2. A cura de um surdo-mudo: Fabre d’Olivet afirmou ter curado um menino de quinze anos, surdo-mudo de nascença, devolvendo-lhe a audição e a fala. Ele usou esse feito como prova de suas teorias sobre a ciência oculta.

  3. Um santuário misterioso: Em sua casa em Paris, criou um santuário secreto onde realizava experiências de magnetismo, hipnotismo e necromancia.

  4. Condenado por Napoleão e pelo Papa: Suas ideias foram tão controversas que ele foi condenado tanto por Napoleão Bonaparte quanto pelo Papa.

  5. Fundador de uma religião: Em seus últimos anos, instituiu uma religião sincrética chamada Teodosia Universal, da qual apenas fragmentos sobreviveram.

  6. Precursor do espiritismo: Suas práticas de comunicação com os mortos e suas teorias sobre a imortalidade da alma o tornaram um precursor do espiritismo moderno.

  7. Poliglota: Além do francês, dominava o provençal, latim, grego, inglês, alemão, hebraico, sânscrito, árabe e chinês.

  8. Influência sobre o New Age: Seu interesse pelo pitagorismo e pela cabala influenciou profundamente os movimentos espiritualistas do século XX, incluindo o New Age.

 Legado

O legado de Fabre d’Olivet é complexo e multifacetado. Para a filologia, ele foi um dos primeiros a defender a teoria fonossemântica — a ideia de que os sons das palavras carregam significado intrínseco. Embora criticado por muitos linguistas, sua abordagem influenciou pensadores tão diversos quanto o antropólogo Benjamin Lee Whorf.

Para o esoterismo, Fabre d’Olivet é uma figura fundacional. Sua obra sobre os Versos Dourados de Pitágoras iniciou um renascimento do neopitagorismo que influenciaria Eliphas Lévi, Papus e todo o movimento ocultista do século XIX. Sua História Filosófica do Gênero Humano tornou-se uma referência para os estudiosos do simbolismo e da tradição.

Para a Maçonaria, sua contribuição é paradoxal: embora nunca tenha sido maçom, ele criou uma “Verdadeira Maçonaria” que, para muitos, representava uma crítica à decadência da Ordem regular e um chamado ao retorno às suas raízes espirituais. Sua obra A Verdadeira Maçonaria e a Cultura Celeste continua a ser estudada por maçons esotéricos até hoje.

Fabre d’Olivet foi, em suma, um visionário que, insatisfeito com as tradições de sua época, ousou criar as suas próprias. Sua vida e obra são um testemunho da busca incansável pelo conhecimento oculto que caracteriza os grandes espíritos de todas as épocas.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

Referências Bibliográficas e consultas

  • Antoine Fabre d’Olivet – Wikipédia, a enciclopédia livre (pt.wikipedia.org)

  • Fabre d’Olivet – Wikipedia (it.wikipedia.org)

  • Antoine Fabre d’Olivet – Wikipedia (es.dbpedia.org)

  • BIOGRAFÍA: FABRE D’OLIVET – Ecovisiones (ecovisiones.cl)

  • Fabre d’Olivet (1767-1825) – Stanford University (exhibits.stanford.edu)

  • Biographie d’ANTOINE FABRE D’OLIVET – Universalis (universalis.fr)

  • Antoine Fabre d’Olivet – Alchetron (alchetron.com)

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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