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Clive Staples Lewis – O Autor que Transformou a Imaginação em Ponte para o Sagrado

Clive Staples Lewis – O Autor que Transformou a Imaginação em Ponte para o Sagrado

pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Ao longo dos meus anos de estudo sobre os autores que marcaram o século XX, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de C. S. Lewis.

Ele não foi apenas um escritor; foi um tradutor de mundos — alguém capaz de transitar com igual maestria entre a erudição acadêmica de Oxford e a fantasia infantil de Nárnia, entre a defesa racional da e a poesia da experiência religiosa.

Clive Staples Lewis, que preferia ser chamado simplesmente de “Jack”, construiu uma obra que resiste ao tempo porque toca as perguntas mais fundamentais da existência humana.

Sua trajetória, marcada pela perda, pela amizade, pela conversão e por um casamento tardio e doloroso, é um testemunho de que a verdadeira sabedoria não está na ausência de dúvidas, mas na coragem de enfrentá-las.

Origens e Formação: Da Biblioteca de Belfast aos Corredores de Oxford

Clive Staples Lewis nasceu em 29 de novembro de 1898, em Belfast, na Irlanda do Norte . Filho de Albert Lewis, um advogado, e de Florence Augusta Lewis, cresceu em uma casa repleta de livros, ao lado do irmão mais velho, Warren. A infância foi idílica — até a morte da mãe, vítima de câncer, quando Lewis tinha apenas nove ou dez anos.

A perda foi devastadora: o menino abandonou a que professava na Igreja da Irlanda e mergulhou em um ateísmo convicto que duraria mais de uma década.

Pouco tempo depois da morte da mãe, Lewis foi enviado para uma série de internatos ingleses — uma experiência que ele descreveria com horror, marcada por humilhações e castigos físicos.

Em 1917, ingressou na Universidade de Oxford, mas seus estudos foram interrompidos pela Primeira Guerra Mundial.

Serviu como oficial de infantaria na França, onde foi ferido por um estilhaço de obus em 15 de abril de 1918 e passou o restante da guerra hospitalizado.

Antes de partir para o front, fez um pacto com um companheiro soldado, Paddy Moore: se um deles morresse, o outro cuidaria da família do falecido. Paddy morreu, e Lewis cumpriu sua promessa, tornando-se amigo íntimo da mãe de Paddy, Janie Moore, até a morte dela em 1951.

De volta a Oxford em 1919, Lewis formou-se brilhantemente em Línguas e Literatura. Em 1925, foi nomeado professor de Línguas e Literatura no Magdalen College, em Oxford.

Em 1954, transferiu-se para a Universidade de Cambridge, onde ocupou a cátedra de Literatura Medieval e Renascentista até sua aposentadoria.

A Conversão: A Noite em que o Ateu se Tornou o Mais Famoso Defensor da

A conversão de Lewis é um dos episódios mais fascinantes de sua biografia.

Após anos de ateísmo, ele começou a reconsiderar a cristã por influência de três amigos: J. R. R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis), Hugo Dyson e G. K. Chesterton (cujas obras admirava desde a juventude).

A morte do pai, em 1929, aproximou-o novamente do cristianismo, e a conversão definitiva ocorreu em 1931 .

Lewis descreveu o momento final em sua autobiografia Surpreendido pela Alegria: “Fui levado até o zoológico Whipsnade numa manhã ensolarada. Quando partimos, eu não acreditava que Jesus Cristo é o Filho de Deus, e quando chegamos ao zoológico, já cria.”.

Tornou-se membro da Igreja Anglicana e dedicou o resto da vida a defender e comunicar a cristã.

O Grupo dos Inklings e a Amizade com Tolkien

Durante os anos de Oxford, Lewis integrou o The Inklings, um grupo informal de escritores que se reunia em pubs e salas de aula para ler e discutir seus trabalhos em andamento.

Foi nesse grupo que Tolkien leu partes de O Senhor dos Anéis e Lewis leu trechos de As Crônicas de Nárnia.

A amizade entre os dois foi profunda, embora marcada por divergências teológicas e literárias. Curiosamente, os dois deixaram de se falar nos últimos dez anos da vida de Lewis.

As Crônicas de Nárnia: O Mundo que Nasceu de uma Imagem

A ideia de Nárnia surgiu na mente de Lewis quando ele tinha apenas 16 anos: a imagem de um fauno carregando pacotes e um guarda-chuva em uma floresta coberta de neve.

Essa visão persistiu por décadas até se transformar no primeiro livro da série, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950).

Os sete volumes das Crônicas de Nárnia (1950–1956) tornaram-se um dos maiores clássicos da literatura infantil e fantasy de todos os tempos.

Lewis, no entanto, abominava a ideia de uma versão cinematográfica de Nárnia: “Os personagens animais antropomórficos, sacados da narrativa e levados ao visual, sempre se transformam em chistes ou em pesadelos”.

O Apologista: A Voz que Falava aos Céticos

Durante a Segunda Guerra Mundial, Lewis tornou-se conhecido nacionalmente por suas palestras transmitidas pela rádio BBC entre 1941 e 1944, que mais tarde foram compiladas no livro Cristianismo Puro e Simples (Mere Christianity, 1952).

Seu objetivo era apresentar os fundamentos da cristã de forma acessível a todos, independentemente da denominação religiosa.

Lewis enviou cópias do manuscrito a quatro clérigos — um anglicano, um metodista, um presbiteriano e um católico romano — e todos concordaram que o conteúdo era útil e aceitável para todos os cristãos.

O Time magazine o homenageou em 1947, chamando-o de “um dos mais influentes porta-vozes do cristianismo no mundo de língua inglesa” . Seus livros nunca saíram de catálogo desde a primeira publicação.

O Casamento e a Dor: A Jornada através do Luto

Em 1956, Lewis casou-se com a poetisa americana Joy Davidman, uma mulher divorciada que fugira de um casamento abusivo.

O casamento foi inicialmente uma cerimônia civil para permitir que Joy e seus dois filhos permanecessem na Inglaterra; a cerimônia religiosa veio depois, quando descobriram que Joy tinha câncer.

Lewis percebeu então que a amava. Joy viveu mais quatro anos ao lado dele antes de falecer em 1960.

A experiência do luto inspirou Lewis a escrever A Anatomia de um Luto (A Grief Observed, 1961), um dos relatos mais honestos e dolorosos já escritos sobre a perda de um ente amado.

A Morte e a Coincidência Histórica

C. S. Lewis faleceu em 22 de novembro de 1963, em Oxford, Inglaterra, aos 64 anos.

Sua morte, no entanto, foi ofuscada pelos noticiários mundiais porque ocorreu no mesmo dia do assassinato do presidente John F. Kennedy e da morte do escritor Aldous Huxley.

Essa coincidência serviu de inspiração para o livro O Diálogo, de Peter Kreeft, onde os três personagens — representando o teísmo ocidental (Lewis), o humanismo ocidental (Kennedy) e o panteísmo oriental (Huxley) — debatem sobre religião e cristianismo após a morte.

Curiosidades sobre C. S. Lewis

O apelido “Jack”
Com apenas três ou quatro anos de idade, Lewis decidiu que não gostava do seu nome e anunciou que queria ser chamado de “Jack”nome de um cachorro de estimação. A família e os amigos o chamaram assim pelo resto da vida .

O reino de Boxen
Na infância, Lewis e seu irmão Warren criaram Boxen, um mundo imaginário habitado por animais falantes, cada um com sua própria linguagem .

A recusa do título de cavaleiro
O primeiro-ministro britânico Winston Churchill ofereceu a Lewis o título de cavaleiro (Sir), mas ele recusou .

O irmão companheiro de toda a vida
Warren Lewis foi seu companheiro mais próximo desde a infância até a morte, vivendo com ele na casa “The Kilns” .

O professor mais querido de Oxford
Suas palestras eram sempre lotadas e agendadas com antecedência .

O trauma dos internatos
Lewis descreveu seus anos em colégios internos ingleses com horror mais intenso do que suas experiências na Primeira Guerra Mundial.

Considerações Finais

C. S. Lewis foi, como procurei mostrar, uma das mentes mais versáteis e influentes do século XX. Ele transitou da erudição acadêmica à fantasia infantil, do ateísmo militante à defesa apaixonada da cristã, da solidão intelectual ao casamento tardio e doloroso.

Sua obra continua a vender milhões de exemplares por ano e a moldar a imaginação e a de leitores em todo o mundo.

Mais do que um autor, Lewis foi um tradutor — alguém que tornou acessível o que parecia distante, que iluminou o que parecia obscuro, e que nos lembrou que a alegria, mesmo quando fugaz, é um vislumbre do que nos espera para além das sombras.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes
Referências Bibliográficas

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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