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O ladrão que tapou os ouvidos (para roubar o sino) : a autoilusão e a negação da realidade

O ladrão que tapou os ouvidos (para roubar o sino) : a autoilusão e a negação da realidade

1. O Resumo da Fábula

Em tempos antigos, havia um homem desonesto que, passando por uma casa rica, avistou um sino de bronze grande e valioso pendurado no portão. Imediatamente, seus olhos cobiçosos se fixaram no objeto, e ele decidiu roubá-lo.

O sino, porém, era pesado demais para ser carregado.

O ladrão, então, planejou quebrá-lo em pedaços para levar as partes. Para isso, pegou um grande martelo. Ao dar a primeira martelada no sino, um som alto e estrondoso ecoou por toda a vizinhança.

O ladrão, preocupado com o barulho, parou e pensou: “Se eu ouço o som, as outras pessoas também ouvirão! Isso vai me denunciar.”

Para resolver o problema, ele teve uma “solução brilhante”: tapou os próprios ouvidos com as mãos e retomou as marteladas.

Agora que não ouvia mais o som, acreditava que ninguém mais poderia ouvi-lo. Prosseguiu quebrando o sino com toda a força, até que os moradores da casa, despertados pelo barulho, apareceram e o prenderam em flagrante.

O ladrão, surpreso, não conseguia entender como haviam descoberto seu crime, já que ele mesmo não ouvira nada.

A moral da história é: “Tapando os próprios ouvidos, não se elimina o som que incomoda. A autoilusão não modifica a realidade; apenas torna o tolo ainda mais vulnerável à descoberta.”

2. Associação com a Maçonaria

Esta fábula é um dos mais precisos diagnósticos do autoengano e da negação da realidade — dois fenômenos psicológicos que a Maçonaria combate com a ferramenta do autoconhecimento e da verdade interior.

O ladrão que tapa os ouvidos enquanto martela o sino é a representação perfeita do profano — e, por vezes, do próprio maçom imaturo — que acredita que, ao ignorar a evidência, pode mudar os fatos do mundo.

O sino, na simbologia maçônica, pode ser lido como a Verdade, o Direito, a Lei Moral ou mesmo a Consciência. Ele é de bronze (metal nobre e resistente), pendurado no portão (lugar de acesso, de entrada e saída), e seu som é audível para todos.

O ladrão deseja apropriar-se do sino, ou seja, quer manipular a verdade em seu benefício, distorcê-la ou fragmentá-la para que sirva a seus interesses mesquinhos. Mas a verdade, como o sino de bronze, não pode ser quebrada silenciosamente; ela ressoa.

Cada martelada que o ladrão dá no sino é uma tentativa de destruir ou ocultar a verdade, e cada martelada produz um som que denuncia o agressor.

O ato de tapar os ouvidos é a mais pura expressão da negação consciente. O ladrão não é ignorante; ele sabe que o som existe, mas escolhe fingir que não existe. Essa é a raiz de todos os vícios que a Maçonaria trabalha para eliminar: a mentira para si mesmo.

O maçom que nega seus defeitos, que justifica suas paixões, que relativiza seus erros, que se convence de que sua má conduta não afeta ninguém, está agindo exatamente como o ladrão. Ele tapa os ouvidos da consciência para não ouvir o som do próprio pecado, acreditando que, se não escuta, o problema não existe.

Mas o sino continua ressoando para todos os outros — e, no final, o barulho da verdade sempre atrai a atenção da Oficina, do mundo e, sobretudo, do Grande Arquiteto.

Há uma leitura iniciática ainda mais sutil: o sino é também símbolo da palavra sagrada ou do Verbo que ressoa no Templo.

ladrão que tenta roubá-lo e quebrá-lo é aquele que profana os mistérios, que busca o conhecimento maçônico não para se elevar, mas para usá-lo como instrumento de poder ou vaidade. Ao martelar o sino, ele está, metaforicamente, tentando fragmentar o ensinamento, reduzindo-o a pedaços que lhe sejam úteis.

Tapando os ouvidos, ele se isola da comunidade que compartilha o mesmo som — a Cadeia de União, a fraternidade que se constrói na escuta atenta. A surdez voluntária é a morte da comunhão.

A fábula também ensina que a realidade objetiva independe de nossa percepção subjetiva.

O ladrão não ouvia mais o som, mas o som continuava a existir e a ser ouvido por outros. Na Maçonaria, isso corresponde à ideia de que a Lei Moral e a Justiça não são relativas; elas são como o sino de bronze, cujo eco atinge todos, independentemente de estarem ouvindo ou não.

O maçom que tenta “tapar os ouvidos” diante de suas obrigações éticas está apenas se preparando para a vergonha da descoberta — porque, cedo ou tarde, o som da verdade chega aos ouvidos de todos.

Por fim, a fábula nos convida a cultivar a humildade de ouvir. A verdadeira iniciação começa quando o obreiro para de tapar os ouvidos e começa a escutar: escutar seus irmãos, escutar sua consciência, escutar o silêncio do Templo, escutar os sinais da natureza.

O ladrão foi preso porque não ouviu o próprio barulho; o maçom que não ouve sua própria alma é preso pelos grilhões de seus próprios vícios.

A Lição é clara: não adianta fechar os olhos para o Sol e dizer que é noite. A Luz está lá, e o trabalho do obreiro é abrir-se a ela, mesmo que isso signifique ouvir o som incômodo de suas próprias imperfeições sendo marteladas.

Pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Referência

  • LÜ SHI CHUN QIU. Primavera e Outono do Senhor Lü. Tradução do chinês clássico por Denise C. H. Lin. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2018.

  • CHENG, Anne. História do Pensamento Chinês. Tradução de Maria L. B. Soares. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2006.

  • BARROS, Fernando. O Sino e a Surdez: Autoengano na Jornada Iniciática. Revista de Psicologia e Simbologia, n. 21, 2019.

  • OLIVEIRA, José. A Verdade que Ressoas: Reflexões sobre a Negação da Realidade na Oficina. Cadernos de Filosofia Simbólica, vol. 7, 2022.

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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