O ladrão que tapou os ouvidos (para roubar o sino) : a autoilusão e a negação da realidade
agosto 18, 2026
O ladrão que tapou os ouvidos (para roubar o sino) : a autoilusão e a negação da realidade
1. O Resumo da Fábula
Em tempos antigos, havia um homem desonesto que, passando por uma casa rica, avistou um sino de bronze grande e valioso pendurado no portão. Imediatamente, seus olhos cobiçosos se fixaram no objeto, e ele decidiu roubá-lo.
O sino, porém, era pesado demais para ser carregado.
O ladrão, então, planejou quebrá-lo em pedaços para levar as partes. Para isso, pegou um grande martelo. Ao dar a primeira martelada no sino, um som alto e estrondoso ecoou por toda a vizinhança.
O ladrão, preocupado com o barulho, parou e pensou: “Se eu ouço o som, as outras pessoas também ouvirão! Isso vai me denunciar.”
Para resolver o problema, ele teve uma “solução brilhante”: tapou os próprios ouvidos com as mãos e retomou as marteladas.
Agora que não ouvia mais o som, acreditava que ninguém mais poderia ouvi-lo. Prosseguiu quebrando o sino com toda a força, até que os moradores da casa, despertados pelo barulho, apareceram e o prenderam em flagrante.
O ladrão, surpreso, não conseguia entender como haviam descoberto seu crime, já que ele mesmo não ouvira nada.
A moral da história é: “Tapando os próprios ouvidos, não se elimina o som que incomoda. A autoilusão não modifica a realidade; apenas torna o tolo ainda mais vulnerável à descoberta.”
2. Associação com a Maçonaria
Esta fábula é um dos mais precisos diagnósticos do autoengano e da negação da realidade — dois fenômenos psicológicos que a Maçonaria combate com a ferramenta do autoconhecimento e da verdade interior.
O ladrão que tapa os ouvidos enquanto martela o sino é a representação perfeita do profano — e, por vezes, do próprio maçom imaturo — que acredita que, ao ignorar a evidência, pode mudar os fatos do mundo.
O sino, na simbologia maçônica, pode ser lido como a Verdade, o Direito, a Lei Moral ou mesmo a Consciência. Ele é de bronze (metal nobre e resistente), pendurado no portão (lugar de acesso, de entrada e saída), e seu som é audível para todos.
O ladrão deseja apropriar-se do sino, ou seja, quer manipular a verdade em seu benefício, distorcê-la ou fragmentá-la para que sirva a seus interesses mesquinhos. Mas a verdade, como o sino de bronze, não pode ser quebrada silenciosamente; ela ressoa.
Cada martelada que o ladrão dá no sino é uma tentativa de destruir ou ocultar a verdade, e cada martelada produz um som que denuncia o agressor.
O ato de tapar os ouvidos é a mais pura expressão da negação consciente. O ladrão não é ignorante; ele sabe que o som existe, mas escolhe fingir que não existe. Essa é a raiz de todos os vícios que a Maçonaria trabalha para eliminar: a mentira para si mesmo.
O maçom que nega seus defeitos, que justifica suas paixões, que relativiza seus erros, que se convence de que sua má conduta não afeta ninguém, está agindo exatamente como o ladrão. Ele tapa os ouvidos da consciência para não ouvir o som do próprio pecado, acreditando que, se não escuta, o problema não existe.
Mas o sino continua ressoando para todos os outros — e, no final, o barulho da verdade sempre atrai a atenção da Oficina, do mundo e, sobretudo, do Grande Arquiteto.
Há uma leitura iniciática ainda mais sutil: o sino é também símbolo da palavra sagrada ou do Verbo que ressoa no Templo.
O ladrão que tenta roubá-lo e quebrá-lo é aquele que profana os mistérios, que busca o conhecimento maçônico não para se elevar, mas para usá-lo como instrumento de poder ou vaidade. Ao martelar o sino, ele está, metaforicamente, tentando fragmentar o ensinamento, reduzindo-o a pedaços que lhe sejam úteis.
Tapando os ouvidos, ele se isola da comunidade que compartilha o mesmo som — a Cadeia de União, a fraternidade que se constrói na escuta atenta. A surdez voluntária é a morte da comunhão.
A fábula também ensina que a realidade objetiva independe de nossa percepção subjetiva.
O ladrão não ouvia mais o som, mas o som continuava a existir e a ser ouvido por outros. Na Maçonaria, isso corresponde à ideia de que a Lei Moral e a Justiça não são relativas; elas são como o sino de bronze, cujo eco atinge todos, independentemente de estarem ouvindo ou não.
O maçom que tenta “tapar os ouvidos” diante de suas obrigações éticas está apenas se preparando para a vergonha da descoberta — porque, cedo ou tarde, o som da verdade chega aos ouvidos de todos.
Por fim, a fábula nos convida a cultivar a humildade de ouvir. A verdadeira iniciação começa quando o obreiro para de tapar os ouvidos e começa a escutar: escutar seus irmãos, escutar sua consciência, escutar o silêncio do Templo, escutar os sinais da natureza.
O ladrão foi preso porque não ouviu o próprio barulho; o maçom que não ouve sua própria alma é preso pelos grilhões de seus próprios vícios.
A Lição é clara: não adianta fechar os olhos para o Sol e dizer que é noite. A Luz está lá, e o trabalho do obreiro é abrir-se a ela, mesmo que isso signifique ouvir o som incômodo de suas próprias imperfeições sendo marteladas.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).