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Frederico, o Grande (1712 – 1786): O Rei Filósofo que Forjou a Prússia como Potência Europeia

Frederico o Grande (1712 – 1786) O Rei Filósofo que Forjou a Prússia como Potência Europeia

Frederico, o Grande (1712 – 1786): O Rei Filósofo que Forjou a Prússia como Potência Europeia

Introdução 

Quando comecei a pesquisar a figura de Frederico II da Prússia, confesso que esperava encontrar apenas mais um monarca absolutista do século XVIII — importante, sem dúvida, mas talvez menos fascinante do que os imperadores romanos ou os conquistadores mongóis.

Que engano. Ao longo desta investigação, deparei-me com um dos personagens mais complexos, contraditórios e fascinantes de toda a história da realeza: um rei que amava a música acima da guerra, mas que travou algumas das batalhas mais sangrentas de seu tempo; um déspota que se autodenominava “primeiro servidor do Estado“, aboliu a tortura, tolerou todas as religiões e escreveu livros de filosofia, mas que também mantinha uma rede de espiões e impunha disciplina férrea a seus súditos; um governante que introduziu a batata na Prússia, domesticou o cão da raça pastor alemão e compôs mais de cem sonatas para flauta, mas que também foi um estrategista genial cujo exemplo militar inspirou, séculos depois, tanto Napoleão Bonaparte quanto Adolf Hitler.

Sua história — a de um príncipe rebelde que tentou fugir do próprio pai, foi forçado a assistir à execução de seu melhor amante e, anos depois, ascendeu ao trono para transformar um reino menor em uma das cinco grandes potências da Europa — é, a meu ver, uma das mais extraordinárias e instigantes que a história nos legou.

Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória desse homem que, mais de dois séculos após sua morte, continua a ser celebrado, estudado e debatido como o arquétipo do “déspota esclarecido”.

Origens e Primeiros Anos: O Príncipe Rebelde

Frederico II da Prússia nasceu em 24 de janeiro de 1712, em Berlim, no palácio da cidade (Berliner Stadtschloss), filho do rei Frederico Guilherme I da Prússia e de sua esposaSofia Doroteia de Hanôver, filha do rei Jorge I da Grã-Bretanha. Pertencia à dinastia dos Hohenzollern, que governava Brandemburgo-Prússia desde o século XV.

Desde cedo, porém, ficou claro que o jovem príncipe não correspondia às expectativas de seu pai — um monarca autoritário, fanático por disciplina militar e conhecido como “o Rei Soldado”. Enquanto Frederico Guilherme I valorizava a obediência, a frugalidade e o rigor castrense, o herdeiro do trono demonstrava inclinação para a música, a literatura francesa, a filosofia e o flerte com as ideias do Iluminismo.

Frederico, o Grande, era conhecido como um amante da música, da arte e da literatura francesa. Infelizmente para ele, seu pai não compartilhava seu amor às artes e tentou moldá-lo como uma imagem de si mesmo — um grande militar.

A relação entre pai e filho deteriorou-se progressivamente. Frederico Guilherme I humilhava publicamente o herdeiro, confiscava seus livros franceses e o proibia de tocar flauta — seu instrumento predileto. O jovem príncipe, desesperado, planejou algo impensável.

A Fuga, a Prisão e a Execução de Katte

Em 1730, aos 18 anos, Frederico tentou fugir da Prússia para a Inglaterra, onde esperava encontrar refúgio na corte de seu tio materno, o rei Jorge II. Seu plano, porém, foi descoberto. Frederico foi preso e julgado por alta traição — pois desertar do exército prussiano sem autorização era crime capitão.

A punição foi cruel. O rei Frederico Guilherme I, cuja disciplina implacável não admitia fraquezas, forçou o próprio filho a assistir à decapitação de seu melhor amigo e cúmplice, o tenente Hans Hermann von Katte (que muitos historiadores acreditam ter sido também seu amante), em 6 de novembro de 1730.

O impacto psicológico foi duradouro. Frederico foi encarcerado, privado de sua condição de príncipe herdeiro por um período e, em 1733, forçado a casar-se com a princesa Isabel Cristina de Brunswick-Wolfenbüttel — uma união arranjada que, segundo rumores nunca provados, nunca teria sido consumada, alimentando as hipóteses sobre sua homossexualidade.

A Vida no Castelo de Rheinsberg e o Despertar Intelectual

Após alguns meses de convivência forçada com a esposa — que ao menos lhe proporcionou algum alívio nas tensões com o pai —, Frederico foi autorizado a retirar-se para o castelo de Rheinsberg, ao norte de Berlim. Ali, pôde dedicar-se integralmente às suas verdadeiras paixões: música, filosofia, literatura e a companhia de amigos e artistas.

Foi nesse período que se consolidou ao redor de Frederico uma “mesa redonda” intelectual, na qual se reuniam filósofos, músicos, escritores e artistas que discutiam as mais recentes ideias do Iluminismo. Frederico compunha peças para flauta (seu instrumento de eleição), escrevia versos e correspondia-se com as principais mentes da Europa, preparando-se para o papel que exerceria décadas depois.

Ascensão ao Trono e Primeiras Conquistas

Em 31 de maio de 1740, Frederico Guilherme I faleceu. Frederico II, então com 28 anos, ascendeu ao trono prussiano. Imediatamente, o novo monarca demonstrou que, apesar de sua juventude passional, herdara do pai uma visão clara sobre o poder e o papel da Prússia na Europa.

Oito meses após sua ascensão, e sem qualquer declaração formal de guerra, Frederico invadiu a rica província austríaca da Silésia (outubro de 1740), um território densamente povoado e industrializado. A ação desencadeou a primeira das Guerras da Silésia (1740-1742), nas quais o recém-coroado monarca demonstrou notável habilidade tática.

Após uma série de vitórias surpreendentes (incluindo a Batalha de Mollwitz, em 1741), Frederico impôs a derrotada Áustria o Tratado de Breslávia (1742), pelo qual a Silésia foi formalmente cedida à Prússia. O impacto foi imediato: em poucos meses, Frederico transformara um reino menor em uma potência militar de primeira grandeza.

A Grande Guerra dos Sete Anos (1756-1763): O “Milagre da Casa de Brandemburgo”

A conquista da Silésia, no entanto, plantou sementes de vingança no coração da imperatriz austríaca Maria Teresa. Durante anos, ela conspirou com a Rússia e a França para esmagar a Prússia.

Em 1756, eclodiu a Guerra dos Sete Anos — considerada por muitos historiadores como a primeira guerra mundial da história (travada na Europa, na América do Norte, na Índia e nos mares). A Prússia foi atacada por uma coligação formada por Áustria, França, Rússia, Saxônia e Suécia. O país, com recursos muito menores, parecia condenado.

Frederico, porém, travou uma defesa desesperada e brilhante. Liderou pessoalmente suas tropas em batalhas sangrentas — como Rossbach (1757) e Leuthen (1757) —, infligindo derrotas esmagadoras a exércitos muito superiores em número. Contudo, as perdas eram insustentáveis. Em 1759, a Prússia estava exausta e à beira do colapso.

Em janeiro de 1762, a sorte mudou radicalmente com a morte da czarina Isabel da Rússia, inimiga ferrenha de Frederico. Seu sucessor, Pedro III, era um admirador declarado do rei prussiano e imediatamente retirou a Rússia da guerra, firmando a paz com a Prússia. Este evento ficou conhecido como o “Milagre da Casa de Brandemburgo” .

O Tratado de Hubertusburg (1763) encerrou a guerra, confirmando a posse prussiana da Silésia. A Prússia emergiu do conflito como a quinta grande potência europeia (ao lado de França, Grã-Bretanha, Áustria e Rússia), consolidando sua posição no concerto das nações europeias.

A Primeira Partição da Polônia (1772)

A estabilidade alcançada com o fim da guerra permitiu a Frederico dedicar-se a seus interesses culturais. No plano político, no entanto, ele ainda não havia concluído sua tarefa de unificar os territórios da dinastia.

Entre 1772 e 1795, ocorreram as três partições da Polônia-Lituânia. Frederico II desempenhou papel central na Primeira Partição (1772), na qual a Prússia anexou a Prússia Real (exceto Danzig e Thorn), um território que separava fisicamente Brandemburgo da Prússia Oriental. Com essa anexação, Frederico pode finalmente intitular-se Rei da Prússia (e não apenas Rei na Prússia).

O “Primeiro Servidor do Estado” e o Despotismo Esclarecido

Paralelamente às campanhas militares e políticas, Frederico implementou um ambicioso programa de reformas internas que consolidou sua reputação como o principal “déspota esclarecido” da Europa setentrional.

O próprio Frederico definia o papel do soberano como “o primeiro servidor do Estado” , uma formulação que expressava com precisão sua visão da função real. Nas palavras de Frederico, o objetivo do governo era o bem comum, a preocupação com os interesses, a felicidade e o bem-estar da população.

Entre suas principais reformas, destacaram-se:

  • Abolição da tortura (1754): Frederico ordenou a eliminação da tortura como meio de obtenção de provas ou confissões — um dos primeiros soberanos europeus a fazê-lo.

  • Tolerância religiosa: Embora protestante, Frederico acolheu católicos, judeus e membros de outras confissões, declarando que “todos os caminhos para o céu são igualmente válidos”.

  • Reforma do sistema judiciário: Frederico tornou possível que homens de baixa condição social se tornassem juízes e altos burocratas, rompendo com o privilégio aristocrático hereditário.

  • Imigração e colonização: Frederico incentivou a imigração de camponeses e artesãos (especialmente protestantes expulsos da Áustria e da França), povoando áreas despovoadas da Prússia Oriental e desenvolvendo a agricultura.

  • Introdução da batata: Em meio a fomes e escassez, Frederico ordenou o cultivo da batata — planta até então vista com desconfiança — e distribuiu sementes gratuitamente aos camponeses. A medida ajudou a combater crises de abastecimento e transformou a batata em alimento básico da dieta alemã.

O Castelo de Sanssouci: O “Versalhes Prussiano”

Após o fim das guerras, Frederico dedicou-se com entusiasmo à construção e embelezamento de seu refúgio pessoal: o palácio de Sanssouci (do francês “sem preocupações”), construído em Potsdam entre 1745 e 1747.

Frederico mandou construir um palácio de estilo rococó, inspirado em Versalhes, mas mais íntimo e pessoal. A obra foi financiada pelo rei, não pelo erário público, e foi projetada segundo instruções minuciosas do próprio soberano.

Nos jardins de Sanssouci, Frederico mandou construir o Templo da Amizade, em homenagem à sua irmã mais velha, Guilhermina, e o “Moinho Histórico” , que teria sido preservado por ordem do próprio rei, após o moleiro reivindicar seu direito perante os tribunais (a lenda do “Moinho de Sanssouci” tornou-se emblemática da independência do judiciário prussiano).

Relação com Voltaire e Intelectuais

Um dos aspectos mais singulares do reinado de Frederico foi seu entusiasmo pelo Iluminismo francês e seu patrocínio aos sábios e filósofos de seu tempo.

O rei convidou Voltaire para viver em sua corte, onde o filósofo permaneceu de 1750 a 1753. Frederico e Voltaire mantiveram uma intensa correspondência ao longo de décadas, e o rei era um leitor entusiasta das obras do filósofo.

Além de Voltaire, Frederico atraiu para a Prússia as melhores mentes da ciência, da arte e da cultura de seu tempo. O filósofo, historiador e escritor francês ocupava lugar de prestígio na corte de Frederico, que apreciava sua eloquência e mordacidade.

O rei reformou a Academia de Ciências da Prússia, trazendo para Berlim matemáticos de renome como Leonhard Euler (que, no entanto, teve uma relação difícil com o monarca, considerado incapaz de aplicar a geometria às necessidades práticas do reino — Frederico certa vez queixou-se de que Euler havia calculado mal um chafariz, que “não conseguia erguer nem um gole de água”).

Morte e Sepultamento

Frederico, o Grande, faleceu em 17 de agosto de 1786, aos 74 anos, no palácio de Sanssouci, em Potsdam, sentado em uma poltrona. A causa da morte foi uma infecção pulmonar, agravada por sua saúde frágil nos últimos anos.

Em seu testamento, Frederico deixou expressa a vontade de ser sepultado nos jardins de Sanssouci, em uma cripta modesta, ao lado de seus 11 cães galgos (a raça italiana levrieri, de que era particularmente afeiçoado).

Seu sucessor, Frederico Guilherme II, ignorou o testamento e ordenou o sepultamento do pai na Catedral de Potsdam, ao lado de outros soberanos Hohenzollern.

Foi somente em 17 de agosto de 1991 — exatos 205 anos após sua morte — que o corpo de Frederico foi finalmente trasladado para os jardins de Sanssouci, conforme seu desejo. O caixão do rei foi depositado na cripta que ele mesmo projetara, em local discreto, com uma placa que diz simplesmente: “Friedrich der Große” . Ao seu lado, repousam os corpos de seus galgos favoritos.

A Questão da Homossexualidade

Uma das questões mais debatidas entre os historiadores modernos diz respeito à orientação sexual de Frederico. Embora Frederico tenha sido casado — e existam registros de relações heterossexuais em sua juventude —, a maioria dos historiadores contemporâneos concorda que Frederico II era predominantemente homossexual.

As evidências incluem o forte vínculo emocional que manteve com Hans Hermann von Katte (seu amigo de juventude executado por ordem do pai), sua amizade íntima com oficiais como o general Hans Karl von Winterfeldt, sua relação com o irmão mais novo, Henrique da Prússia (cuja personalidade efeminada e gosto pela cultura refinada contrastavam com as expectativas militares), e a presença constante, em sua corte, de figuras como o conde Francesco Algarotti, um refinado intelectual homossexual que desfrutava da amizade íntima do rei.

Como escreveu o historiador alemão Johannes Kunisch, “Frederico jamais se casou por amor; seu casamento com Isabel Cristina de Brunswick foi uma imposição paterna e nunca se transformou em uma união afetiva”. A rainha viveu separada do marido a maior parte da vida e, após a ascensão de Frederico, raramente foi vista em público.

Feitos e Conquistas

O legado de Frederico, o Grande, é vasto e transformador, consolidando-o como um dos monarcas mais influentes da história europeia:

  1. Elevação da Prússia a grande potência europeia: Ao final de seu reinado, a Prússia tornou-se a quinta maior potência europeia (ao lado da França, Grã-Bretanha, Áustria e Rússia), status que manteria pelos séculos seguintes.

  2. Conquista e consolidação da Silésia: A anexação da rica província austríaca (1742) praticamente duplicou a população e a capacidade industrial da Prússia, consolidando sua economia.

  3. Reforma do Exército Prussiano: Frederico reorganizou o exército, introduziu novas táticas (a famosa “ordem oblíqua”, que concentrava forças em um flanco do inimigo) e transformou a máquina militar prussiana em modelo para toda a Europa.

  4. Vencedor da Guerra dos Sete Anos (1756-1763): A despeito da desproporção de forças, Frederico conseguiu manter a Prússia intacta e sair vitorioso, consolidando-a como potência militar incontornável.

  5. Primeira Partição da Polônia (1772): A anexação da Prússia Real uniu territorialmente os domínios da dinastia Hohenzollern e permitiu a Frederico intitular-se “Rei da Prússia”.

  6. Abolição da tortura e reforma judiciária: Frederico foi um dos primeiros soberanos europeus a abolir a tortura (1754) e a tornar possível o acesso de não-nobres aos cargos judiciais e burocráticos.

  7. Tolerância religiosa: Em um século marcado por perseguições religiosas, Frederico declarou que “todos os caminhos para o céu são igualmente válidos”, atraindo imigrantes de todas as confissões.

  8. Mecenato das artes e do Iluminismo: Frederico foi um dos maiores patronos da música, da literatura e da filosofia de seu tempo, atraindo para Berlim as melhores mentes da Europa.

  9. Introdução da batata na Prússia: A medida, aparentemente banal, combateu a fome e transformou a dieta da população.

  10. Construção de Sanssouci: O palácio rococó de Potsdam tornou-se o símbolo do “Versalhes prussiano” e o refúgio pessoal do monarca iluminado.

Curiosidades

  1. O apelido “Velho Fritz”: Após décadas de reinado, Frederico tornou-se conhecido em alemão como der Alte Fritz (“o Velho Fritz”) — um apelido afetuoso que contrasta com a imagem do monarca absolutista.

  2. A “marcha real” da Espanha: Uma curiosa lenda atribui a Frederico, o Grande, a composição da Marcha Real, o hino nacional da Espanha. A história afirma que Frederico teria composto a melodia e presenteado um militar espanhol enviado à sua corte pelo rei Carlos III para aprender táticas prussianas.

  3. O “moinho de Sanssouci”: A lenda afirma que Frederico quis demolir um moinho de vento que atrapalhava a vista de Sanssouci. O moleiro, porém, recorreu aos tribunais e venceu o rei, obrigando-o a manter a construção. A história tornou-se emblemática da independência do judiciário na Prússia — embora sua veracidade histórica seja questionada.

  4. Euler o “ciclope”: Frederico tinha uma relação difícil com o matemático Leonhard Euler. Em suas correspondências, o rei referia-se a Euler como “o ciclope” — uma brincadeira cruel com o fato de Euler ter perdido a visão de um olho.

  5. A batata forçada: Frederico ordenou que os camponeses plantassem batatas e distribuiu sementes gratuitamente, mas a população desconfiava do tubérculo. A lenda afirma que Frederico plantou batatas em campos vigiados, criando a ilusão de que eram muito valiosas, fazendo com que os camponeses as “roubassem” e começassem a plantá-las por conta própria.

  6. Os galgos de Frederico: Frederico era um apaixonado pela raça de cães galgos italianos (levrieri). Chegou a ter até 11 deles, e sua afeição por eles era tão grande que, em seu testamento, pediu para ser sepultado ao lado deles.

  7. O rei que não falava alemão na corte: Frederico falava alemão apenas com o pai e com os soldados. Em sua corte, a língua de comunicação era o francês, idioma que ele dominava fluentemente e no qual escrevia a maior parte de suas obras.

  8. A flauta de Frederico: O rei era um exímio flautista e compositor. Compôs mais de 100 sonatas para flauta, além de sinfonias e concertos. Sua música ainda é executada e gravada por conjuntos de música antiga.

  9. O “Anti-Maquiavel”: A primeira obra filosófica de Frederico (1739) foi uma refutação direta de O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, na qual Frederico defendia que um soberano devia ser virtuoso e justo, não cruel e calculista.

  10. O legado nazista: Adolf Hitler admirava abertamente Frederico, o Grande, e explorou sua imagem para legitimar o regime nazista. Os nazistas transformaram a figura do rei em um símbolo de disciplina militar e poder expansionista — uma apropriação que, segundo historiadores como Christopher Clark, contrasta violentamente com o “personagem sutil, francófono, de sexualidade ambígua e intérprete de flauta que Frederico realmente era”.

Obras de Frederico, o Grande

Obras Escritas pelo Monarca

Frederico foi um escritor prolífico. Embora reinasse sobre um reino de língua alemã, ele escreveu quase exclusivamente em francês, a língua da cultura e da diplomacia europeia no século XVIII.

  • Anti-Machiavel, ou Estudo do Príncipe de Maquiavel (1739): Sua obra filosófica mais famosa, escrita antes mesmo de ascender ao trono. Frederico refuta ponto a ponto O Príncipe, de Maquiavel, defendendo que o soberano deve ser virtuoso, justo e “o primeiro servidor do Estado”. A obra foi publicada com uma introdução elogiosa de Voltaire.

  • Oeuvres du Philosophe de Sans Souci (1750): A primeira edição das obras selecionadas de Frederico, impressa na própria prensa particular do rei no palácio de Sanssouci. Contém poemas, epístolas, cartas e prosas, incluindo o poema épico burlesco Le Palladion.

  • História da Minha Época (Histoire de mon temps): Relato histórico do reinado de Frederico e das guerras que travou.

  • Dissertação sobre a Inocência dos Erros da Mente: Ensaio filosófico sobre a liberdade de pensamento e a tolerância religiosa.

  • Ensaio sobre as Formas de Governo e os Deveres dos Soberanos: Tratado de teoria política em que Frederico desenvolve sua visão do despotismo esclarecido.

  • Correspondência com Voltaire: Frederico manteve uma vasta correspondência com o filósofo francês ao longo de décadas, discutindo desde questões políticas e militares até filosofia, literatura e assuntos pessoais.

  • Poemas e odes: Frederico escreveu dezenas de poemas e odes, muitos deles preservados nos volumes de suas Obras Completas.

Obras Musicais

Frederico foi um compositor talentoso. Sua produção musical inclui:

  • Mais de 100 sonatas para flauta (com acompanhamento de cravo ou orquestra)

  • 4 sinfonias

  • Vários concertos para flauta

  • Árias e peças para conjunto de câmara

Obras Inspiradas em Frederico, o Grande

  • Frederick the Great (série de TV, 1960-1963): Produção alemã de 13 episódios estrelada por Heinz Rühmann.

  • Der Alte Fritz (série de filmes alemães da década de 1920): Filmes de propaganda nacionalista que construíram a lenda do “Velho Fritz” como arquétipo do líder militar.

  • Friedrich der Große (film series, 2002): Documentário televisivo alemão sobre sua vida.

  • Sans Souci Palace (documentários e livros de história da arte): O palácio e seus jardins são estudados como obra-prima do rococó e como expressão da personalidade do monarca.

  • Frederick the Great: A Life in Deed and Letters (biografia de Giles MacDonogh, 1999): Uma das biografias mais completas em inglês.

  • Frederick the Great: The Magnificent Enigma (biografia de Robert B. Asprey, 1986): Biografia acessível e popular.

  • Frederick the Great: A Military History (biografia de Dennis Showalter, 2013): Foco nas campanhas militares e na genialidade estratégica do monarca.

Considerações Finais

Ao final desta pesquisa, fica evidente que Frederico, o Grande, foi uma das figuras mais complexas e paradoxais da história da realeza. Ele foi, ao mesmo tempo, um guerreiro sanguinário que liderou pessoalmente suas tropas nas cargas de cavalaria e um músico sensível que compunha sonatas para flauta; um déspota que impunha disciplina férrea a seus súditos, mas que aboliu a tortura, tolerou todas as religiões e escreveu tratados filosóficos sobre a liberdade de pensamento; um monarca que expandiu a Prússia à força das armas, mas que se autodenominava “o primeiro servidor do Estado”.

Sua principal contradição talvez resida no fato de que, tendo demonstrado desde a juventude repulsa pela brutalidade militar e pelo autoritarismo de seu pai, tenha se tornado, uma vez no trono, um dos mais eficientes estrategistas militares da história europeia — e um dos governantes mais absolutistas de seu tempo. Mas, ao contrário de seu pai, Frederico impôs disciplina e centralização política não por mero capricho, mas movido por uma clara visão de Estado: a de que a Prússia, para sobreviver e prosperar no concerto das grandes potências, precisava ser forte, unificada e eficiente.

Sua maior obra foi, precisamente, ter conseguido conciliar essas duas facetas — o príncipe das artes e o comandante das armas — e tê-las transformado em instrumentos de uma mesma política de grandeza nacional. Sem o “déspota esclarecido” Frederico, não haveria a Prússia unificada e poderosa que, décadas depois, sob Otto von Bismarck, lideraria o processo de unificação alemã. Sem o músico e filósofo Sans-Souci, Berlim jamais teria se tornado o polo cultural e intelectual que foi no século XVIII.

Como escreveu o historiador Jürgen Luh, “Frederico, o Grande foi realmente um ‘grande’, alguém acima da média em todas as áreas. Ele escreveu poesias, era filósofo e músico, deixou um legado de obras de arte e castelos. E foi também o maior relações-públicas de seu tempo”.

E é assim que a história o registra: não como um santo nem como um herói sem mácula, mas como um homem de seu tempo — com suas virtudes e seus vícios — cujo gênio multifacetado, cuja capacidade de síntese entre cultura e guerra, entre razão e poder, o elevaram à categoria de mito. Como concluiu o historiador inglês John Marriott: “Frederico, o Grande, foi o fundador da grandeza prussiana e, através dela, o avô espiritual da Alemanha moderna.”

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Pesquisa

Wikipédia, a enciclopédia livre. “Frederico II da Prússia”. [pt.wikipedia.org]
Wikipédia, la enciclopedia libre. “Federico II el Grande”. [es.wikipedia.org]
Deutsche Welle. “Há 300 anos nascia Frederico, o Grande, rei da Prússia”. 25 de janeiro de 2012. [dw.com]
Deutsche Welle. “Frederico, o Grande, um astro do cinema alemão”. 21 de fevereiro de 2012. [dw.com]
Vanguardia (México) . “Federico el Grande, un enigma de 300 años”. 29 de setembro de 2015. [vanguardia.com.mx]
Folha de S.Paulo (Marcelo Viana) . “Euler e o rei da Prússia”. 10 de março de 2021. [www1.folha.uol.com.br]
Britannica. “Frederick II | Biography, Accomplishments, Wars, & Facts”. [www.britannica.com]
Frederick the Great. Wikipedia (inglês) . [en.wikipedia.org]
Friedrich II. (Preußen). Wikipedia (alemão) . [de.wikipedia.org]
Deutsche Biographie. “Friedrich II. der Große”. [www.deutsche-biographie.de]
Frederick the Great’s Philosophical Writings. Princeton University Press, 2020. Editado por Avi Lifschitz. [books.google.com]
Library of Congress. “Frederick the Great’s ‘The Works of the Philosopher of Sans Souci.’ Volumes I-III”. [lccn.loc.gov]
University of Melbourne Library. “Frederick the Great’s Philosophical Writings”. [unimelb.library.link]

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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