Quando comecei a pesquisar a figura de Frederico II da Prússia, confesso que esperava encontrar apenas mais um monarca absolutista do século XVIII — importante, sem dúvida, mas talvez menos fascinante do que os imperadores romanos ou os conquistadores mongóis.
Que engano. Ao longo desta investigação, deparei-me com um dos personagens mais complexos, contraditórios e fascinantes de toda a história da realeza: um rei que amava a música acima da guerra, mas que travou algumas das batalhas mais sangrentas de seu tempo; um déspota que se autodenominava “primeiro servidor do Estado“, aboliu a tortura, tolerou todas as religiões e escreveu livros de filosofia, mas que também mantinha uma rede de espiões e impunha disciplina férrea a seus súditos; um governante que introduziu a batata na Prússia, domesticou o cão da raça pastor alemão e compôs mais de cem sonatas para flauta, mas que também foium estrategista genial cujo exemplo militar inspirou, séculos depois, tanto Napoleão Bonaparte quanto Adolf Hitler.
Sua história — a de umpríncipe rebelde que tentou fugir do próprio pai, foi forçado a assistir à execução de seu melhor amante e, anos depois, ascendeu ao trono para transformar umreino menor em uma das cincograndes potências da Europa — é, a meu ver, uma das mais extraordinárias e instigantes que a história nos legou.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória desse homem que, mais de doisséculos após sua morte, continua a ser celebrado, estudado e debatido como o arquétipo do “déspota esclarecido”.
Frederico II da Prússia nasceu em 24 de janeiro de 1712, em Berlim, no palácio da cidade (Berliner Stadtschloss), filho do rei FredericoGuilherme I da Prússia e de sua esposa, Sofia Doroteia de Hanôver, filha do rei Jorge I da Grã-Bretanha.Pertencia à dinastia dos Hohenzollern, que governava Brandemburgo-Prússia desde o século XV.
Desde cedo, porém, ficou claro que o jovem príncipe não correspondia às expectativas de seu pai — um monarca autoritário, fanático por disciplina militar e conhecido como “o Rei Soldado”. Enquanto FredericoGuilherme I valorizava a obediência, a frugalidade e o rigor castrense, o herdeiro do trono demonstrava inclinação para a música, a literatura francesa, a filosofia e o flerte com as ideias do Iluminismo.
Frederico, o Grande, era conhecido como um amante da música, da arte e da literatura francesa. Infelizmente para ele, seu pai não compartilhava seu amor às artes e tentou moldá-lo como uma imagem de si mesmo — umgrande militar.
A relação entre pai e filho deteriorou-se progressivamente. FredericoGuilherme I humilhava publicamente o herdeiro, confiscava seus livros franceses e o proibia de tocar flauta — seu instrumento predileto. O jovem príncipe, desesperado, planejou algo impensável.
A Fuga, a Prisão e a Execução de Katte
Em 1730, aos 18 anos, Frederico tentou fugir da Prússia para a Inglaterra, onde esperava encontrar refúgio na corte de seu tio materno, o rei Jorge II. Seu plano, porém, foi descoberto. Fredericofoi preso e julgado por alta traição — pois desertar do exército prussiano sem autorização era crime capitão.
A punição foi cruel. O rei FredericoGuilherme I, cuja disciplina implacável não admitia fraquezas, forçou o próprio filho a assistir à decapitação de seu melhor amigo e cúmplice, o tenente Hans Hermann von Katte (que muitos historiadores acreditam ter sido também seu amante), em 6 de novembro de 1730.
O impacto psicológico foi duradouro. Fredericofoi encarcerado, privado de sua condição de príncipe herdeiro por um período e, em 1733, forçado a casar-se com a princesa Isabel Cristina de Brunswick-Wolfenbüttel — uma união arranjada que, segundo rumores nunca provados, nunca teria sido consumada, alimentando as hipóteses sobre sua homossexualidade.
A Vida no Castelo de Rheinsberg e o Despertar Intelectual
Após alguns meses de convivência forçada com a esposa — que ao menos lhe proporcionou algum alívio nas tensões com o pai —, Fredericofoi autorizado a retirar-se para o castelo de Rheinsberg, ao norte de Berlim. Ali, pôde dedicar-se integralmente às suas verdadeiras paixões: música, filosofia, literatura e a companhia de amigos e artistas.
Foi nesse período que se consolidou ao redor de Frederico uma “mesa redonda” intelectual, na qual se reuniam filósofos, músicos, escritores e artistas que discutiam as mais recentes ideias do Iluminismo.Frederico compunha peças para flauta (seu instrumento de eleição), escrevia versos e correspondia-se com as principais mentes da Europa, preparando-se para o papel que exerceria décadas depois.
Em 31 de maio de 1740, FredericoGuilherme I faleceu. Frederico II, então com 28 anos, ascendeu ao trono prussiano. Imediatamente, o novo monarca demonstrou que, apesar de sua juventude passional, herdara do pai uma visão clara sobre o poder e o papel da Prússia na Europa.
Oito meses após sua ascensão, e sem qualquer declaração formal de guerra, Frederico invadiu a rica província austríaca da Silésia (outubro de 1740), um território densamente povoado e industrializado.A ação desencadeou a primeira das Guerras da Silésia (1740-1742), nas quais o recém-coroado monarca demonstrou notável habilidade tática.
Após uma série de vitórias surpreendentes (incluindo a Batalha de Mollwitz, em 1741), Frederico impôs a derrotada Áustria o Tratado de Breslávia (1742), pelo qual a Silésia foi formalmente cedida à Prússia. O impacto foi imediato: em poucos meses, Frederico transformara umreino menor em uma potência militar de primeira grandeza.
A conquista da Silésia, no entanto, plantou sementes de vingança no coração da imperatriz austríaca Maria Teresa. Durante anos, ela conspirou com a Rússia e a França para esmagar a Prússia.
Em 1756, eclodiu a Guerra dos SeteAnos — considerada por muitos historiadores como a primeiraguerra mundial da história (travada na Europa, na América do Norte, na Índia e nos mares). A Prússiafoi atacada por uma coligação formada por Áustria, França, Rússia, Saxônia e Suécia. O país, com recursos muito menores, parecia condenado.
Frederico, porém, travou uma defesa desesperada e brilhante. Liderou pessoalmente suas tropas em batalhas sangrentas — como Rossbach (1757) e Leuthen (1757) —, infligindo derrotas esmagadoras a exércitos muito superiores em número. Contudo, as perdas eram insustentáveis. Em 1759, a Prússia estava exausta e à beira do colapso.
Em janeiro de 1762, a sorte mudou radicalmente com a morte da czarina Isabel da Rússia, inimiga ferrenha de Frederico. Seu sucessor, Pedro III, eraum admirador declarado do rei prussiano e imediatamente retirou a Rússia da guerra, firmando a paz com a Prússia. Este evento ficou conhecido como o “Milagre da Casa de Brandemburgo” .
O Tratado de Hubertusburg (1763) encerrou a guerra, confirmando a posse prussiana da Silésia. A Prússia emergiu do conflito como a quintagrande potência europeia (ao lado de França, Grã-Bretanha, Áustria e Rússia), consolidando sua posição no concerto das nações europeias.
A estabilidade alcançada com o fim da guerra permitiu a Frederico dedicar-se a seus interesses culturais. No plano político, no entanto, ele ainda não havia concluído sua tarefa de unificar os territórios da dinastia.
Entre 1772 e 1795, ocorreram as três partições da Polônia-Lituânia. Frederico II desempenhou papel central na Primeira Partição (1772), na qual a Prússia anexou a Prússia Real (exceto Danzig e Thorn), um território que separava fisicamente Brandemburgo da PrússiaOriental. Com essa anexação, Frederico pode finalmente intitular-se Rei da Prússia (e não apenas Rei na Prússia).
O “Primeiro Servidor do Estado” e o Despotismo Esclarecido
Paralelamente às campanhas militares e políticas, Frederico implementou um ambicioso programa de reformas internas que consolidou sua reputação como o principal “déspota esclarecido” da Europa setentrional.
O próprio Frederico definia o papel do soberano como “o primeiro servidor do Estado” , uma formulação que expressava com precisão sua visão da função real.Nas palavras de Frederico, o objetivo do governo era o bem comum, a preocupação com os interesses, a felicidade e o bem-estar da população.
Abolição da tortura (1754): Frederico ordenou a eliminação da tortura como meio de obtenção de provas ou confissões — um dos primeiros soberanos europeus a fazê-lo.
Reforma do sistema judiciário: Frederico tornou possível que homens de baixa condição social se tornassem juízes e altos burocratas, rompendo com o privilégio aristocrático hereditário.
Imigração e colonização: Frederico incentivou a imigração de camponeses e artesãos (especialmente protestantes expulsos da Áustria e da França), povoando áreas despovoadas da PrússiaOriental e desenvolvendo a agricultura.
Introdução da batata: Em meio a fomes e escassez, Frederico ordenou o cultivo da batata — planta até então vista com desconfiança — e distribuiu sementes gratuitamente aos camponeses. A medida ajudou a combater crises de abastecimento e transformou a batata em alimento básico da dieta alemã.
O Castelo de Sanssouci: O “Versalhes Prussiano”
Após o fim das guerras, Frederico dedicou-se com entusiasmo à construção e embelezamento de seu refúgio pessoal: o palácio de Sanssouci (do francês “sem preocupações”), construído em Potsdam entre 1745 e 1747.
Frederico mandou construir um palácio de estilo rococó, inspirado em Versalhes, mas mais íntimo e pessoal. A obrafoi financiada pelo rei, não pelo erário público, e foi projetada segundo instruções minuciosas do próprio soberano.
Nos jardins de Sanssouci, Frederico mandou construir o Templo da Amizade, em homenagem à sua irmã mais velha, Guilhermina, e o “Moinho Histórico” , que teria sido preservado por ordem do próprio rei, após o moleiro reivindicar seu direito perante os tribunais (a lenda do “Moinho de Sanssouci” tornou-se emblemática da independência do judiciário prussiano).
Um dos aspectos mais singulares do reinado de Fredericofoi seu entusiasmo pelo Iluminismo francês e seu patrocínio aos sábios e filósofos de seu tempo.
O rei convidou Voltaire para viver em sua corte, onde o filósofo permaneceu de 1750 a 1753.Frederico e Voltaire mantiveram uma intensa correspondência ao longo de décadas, e o rei eraum leitor entusiasta das obras do filósofo.
Além de Voltaire, Frederico atraiu para a Prússia as melhores mentes da ciência, da arte e da cultura de seu tempo. O filósofo, historiador e escritor francês ocupava lugar de prestígio na corte de Frederico, que apreciava sua eloquência e mordacidade.
O rei reformou a Academia de Ciências da Prússia, trazendo para Berlim matemáticos de renome como Leonhard Euler (que, no entanto, teve uma relação difícil com o monarca, considerado incapaz de aplicar a geometria às necessidades práticas do reino — Fredericocerta vez queixou-se de que Euler havia calculado mal um chafariz, que “não conseguia erguer nem um gole de água”).
Frederico, o Grande, faleceu em 17 de agosto de 1786, aos 74 anos, no palácio de Sanssouci, em Potsdam, sentado em uma poltrona. A causa da mortefoi uma infecção pulmonar, agravada por sua saúde frágil nos últimosanos.
Em seu testamento, Frederico deixou expressa a vontade de ser sepultado nos jardins de Sanssouci, em uma cripta modesta, ao lado de seus 11 cães galgos (a raça italiana levrieri, de que era particularmente afeiçoado).
Seu sucessor, FredericoGuilherme II, ignorou o testamento e ordenou o sepultamento do pai na Catedral de Potsdam, ao lado de outros soberanos Hohenzollern.
Foi somente em 17 de agosto de 1991 — exatos 205 anos após sua morte — que o corpo de Fredericofoi finalmente trasladado para os jardins de Sanssouci, conforme seu desejo. O caixão do rei foi depositado na cripta que ele mesmo projetara, em local discreto, com uma placa que diz simplesmente: “Friedrich der Große” . Ao seu lado, repousam os corpos de seus galgos favoritos.
Uma das questões mais debatidas entre os historiadores modernos diz respeito à orientação sexual de Frederico. Embora Frederico tenha sido casado — e existam registros de relações heterossexuais em sua juventude —, a maioria dos historiadores contemporâneos concorda que Frederico II era predominantemente homossexual.
As evidências incluem o forte vínculo emocional que manteve com Hans Hermann von Katte (seu amigo de juventude executado por ordem do pai), sua amizade íntima com oficiais como o general Hans Karl von Winterfeldt, sua relação com o irmão mais novo, Henrique da Prússia (cuja personalidade efeminada e gosto pela cultura refinada contrastavam com as expectativas militares), e a presençaconstante, em sua corte, de figuras como o conde Francesco Algarotti, um refinado intelectual homossexual que desfrutava da amizade íntima do rei.
Como escreveu o historiador alemão Johannes Kunisch, “Frederico jamais se casou por amor; seu casamento com Isabel Cristina de Brunswick foi uma imposição paterna e nunca se transformou em uma união afetiva”. A rainha viveu separada do marido a maior parte da vida e, após a ascensão de Frederico, raramente foi vista em público.
Feitos e Conquistas
O legado de Frederico, o Grande, é vasto e transformador, consolidando-o como um dos monarcas mais influentes da história europeia:
Conquista e consolidação da Silésia: A anexação da rica província austríaca (1742) praticamente duplicou a população e a capacidade industrial da Prússia, consolidando sua economia.
Reforma do Exército Prussiano: Frederico reorganizou o exército, introduziu novas táticas (a famosa “ordem oblíqua”, que concentrava forças em um flanco do inimigo) e transformou a máquina militar prussiana em modelo para toda a Europa.
Vencedor da Guerra dos SeteAnos (1756-1763): A despeito da desproporção de forças, Frederico conseguiu manter a Prússia intacta e sair vitorioso, consolidando-a como potência militar incontornável.
Abolição da tortura e reforma judiciária: Fredericofoium dos primeiros soberanos europeus a abolir a tortura (1754) e a tornar possível o acesso de não-nobres aos cargos judiciais e burocráticos.
Tolerância religiosa: Em um século marcado por perseguições religiosas, Frederico declarou que “todos os caminhos para o céusão igualmente válidos”, atraindo imigrantes de todas as confissões.
Mecenato das artes e do Iluminismo: Fredericofoium dos maiores patronos da música, da literatura e da filosofia de seu tempo, atraindo para Berlim as melhores mentes da Europa.
Introdução da batata na Prússia: A medida, aparentemente banal, combateu a fome e transformou a dieta da população.
Construção de Sanssouci: O palácio rococó de Potsdam tornou-se o símbolo do “Versalhes prussiano” e o refúgio pessoal do monarca iluminado.
O apelido “Velho Fritz”: Após décadas de reinado, Frederico tornou-se conhecido em alemão como der Alte Fritz (“o Velho Fritz”) — um apelido afetuoso que contrasta com a imagem do monarca absolutista.
O “moinho de Sanssouci”: A lenda afirma que Frederico quis demolir ummoinho de vento que atrapalhava a vista de Sanssouci. O moleiro, porém, recorreu aos tribunais e venceu o rei, obrigando-o a manter a construção. A história tornou-se emblemática da independência do judiciário na Prússia — embora sua veracidade histórica seja questionada.
Euler o “ciclope”: Frederico tinha uma relação difícil com o matemático Leonhard Euler.Em suas correspondências, o rei referia-se a Euler como “o ciclope” — uma brincadeira cruel com o fato de Euler ter perdido a visão de um olho.
A batata forçada: Frederico ordenou que os camponeses plantassem batatas e distribuiu sementes gratuitamente, mas a população desconfiava do tubérculo. A lenda afirma que Frederico plantou batatas em campos vigiados, criando a ilusão de que eram muito valiosas, fazendo com que os camponeses as “roubassem” e começassem a plantá-las por conta própria.
Os galgos de Frederico: Fredericoeraum apaixonado pela raça de cães galgos italianos (levrieri). Chegou a ter até 11 deles, e sua afeição por eles era tão grande que, em seu testamento, pediu para ser sepultado ao lado deles.
O rei que não falava alemão na corte: Frederico falava alemão apenas com o pai e com os soldados. Em sua corte, a língua de comunicação era o francês, idioma que ele dominava fluentemente e no qual escrevia a maior parte de suas obras.
A flauta de Frederico: O rei eraum exímio flautista e compositor. Compôs mais de 100 sonatas para flauta, além de sinfonias e concertos. Sua música ainda é executada e gravada por conjuntos de música antiga.
O legado nazista: Adolf Hitler admirava abertamente Frederico, o Grande, e explorou sua imagem para legitimar o regime nazista.Os nazistas transformaram a figura do rei em umsímbolo de disciplina militar e poder expansionista — uma apropriação que, segundo historiadores como Christopher Clark, contrasta violentamente com o “personagem sutil, francófono, de sexualidade ambígua e intérprete de flauta que Frederico realmente era”.
Oeuvres du Philosophe de Sans Souci (1750): A primeira edição das obras selecionadas de Frederico, impressa na própria prensa particular do rei no palácio de Sanssouci.Contém poemas, epístolas, cartas e prosas, incluindo o poema épico burlesco Le Palladion.
Ensaio sobre as Formas de Governo e os Deveres dos Soberanos: Tratado de teoria política em que Frederico desenvolve sua visão do despotismo esclarecido.
Correspondência com Voltaire: Frederico manteve uma vasta correspondência com o filósofo francês ao longo de décadas, discutindo desde questões políticas e militares até filosofia, literatura e assuntos pessoais.
Poemas e odes: Frederico escreveu dezenas de poemas e odes, muitos deles preservados nos volumes de suas Obras Completas.
Obras Musicais
Fredericofoium compositor talentoso. Sua produção musical inclui:
Mais de 100 sonatas para flauta (com acompanhamento de cravo ou orquestra)
Frederickthe Great (série de TV, 1960-1963): Produção alemã de 13 episódios estrelada por Heinz Rühmann.
Der Alte Fritz (série de filmes alemães da década de 1920): Filmes de propaganda nacionalista que construíram a lenda do “Velho Fritz” como arquétipo do líder militar.
Friedrich der Große (film series, 2002): Documentário televisivo alemão sobre sua vida.
Sans Souci Palace (documentários e livros de história da arte): O palácio e seus jardins são estudados como obra-prima do rococó e como expressão da personalidade do monarca.
Frederickthe Great: A Life in Deed and Letters (biografia de Giles MacDonogh, 1999): Uma das biografias mais completas em inglês.
Frederickthe Great: The Magnificent Enigma (biografia de Robert B. Asprey, 1986): Biografia acessível e popular.
Frederickthe Great: A Military History (biografia de Dennis Showalter, 2013): Foco nas campanhas militares e na genialidade estratégica do monarca.
Ao final desta pesquisa, fica evidente que Frederico, o Grande, foi uma das figuras mais complexas e paradoxais da história da realeza. Ele foi, ao mesmo tempo, um guerreiro sanguinário que liderou pessoalmente suas tropas nas cargas de cavalaria e um músico sensível que compunha sonatas para flauta; um déspota que impunha disciplina férrea a seus súditos, mas que aboliu a tortura, tolerou todas as religiões e escreveu tratados filosóficos sobrea liberdade de pensamento; um monarca que expandiu a Prússia à força das armas, mas que se autodenominava “o primeiro servidor do Estado”.
Sua principal contradição talvez resida no fato de que, tendo demonstrado desde a juventude repulsa pela brutalidade militar e pelo autoritarismo de seu pai, tenha se tornado, uma vez no trono, um dos mais eficientes estrategistas militares da história europeia — e um dos governantes mais absolutistas de seu tempo. Mas, ao contrário de seu pai, Frederico impôs disciplina e centralização política não por mero capricho, mas movido por uma clara visão de Estado: a de que a Prússia, para sobreviver e prosperar no concerto das grandes potências, precisava ser forte, unificada e eficiente.
Sua maior obrafoi, precisamente, ter conseguido conciliar essas duas facetas — o príncipe das artes e o comandante das armas — e tê-las transformado em instrumentos de uma mesma política de grandeza nacional. Sem o “déspota esclarecido” Frederico, não haveria a Prússia unificada e poderosa que, décadas depois, sob Otto von Bismarck, lideraria o processo de unificação alemã. Sem o músico e filósofo Sans-Souci, Berlim jamais teria se tornado o polo cultural e intelectual que foi no século XVIII.
Como escreveu o historiador Jürgen Luh, “Frederico, o Grandefoi realmente um ‘grande’, alguém acima da média em todas as áreas. Ele escreveu poesias, era filósofo e músico, deixou um legado de obras de arte e castelos. E foi também o maior relações-públicas de seu tempo”.
E é assim que a história o registra: não como umsanto nem como umherói sem mácula, mas como umhomem de seu tempo — com suas virtudes e seus vícios — cujo gênio multifacetado, cuja capacidade de síntese entre cultura e guerra, entre razão e poder, o elevaram à categoria de mito. Como concluiu o historiador inglês John Marriott: “Frederico, o Grande, foi o fundador da grandeza prussiana e, através dela, o avô espiritual da Alemanha moderna.”
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MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).