Frederico II, conhecido como Frederico, o Grande, é uma daquelas figuras históricas que parecem condensar em si as mais vívidas contradições do seu século. Foi o rei-soldado que transformou a Prússia numa potência militar, mas também o intelectual que encarnou o espírito do Iluminismo, compondo música ao piano em Sanssouci enquanto forjava um estado militarizado.
A sua vida pública é bem conhecida, mas as suas idiossincrasias, a célebre amizade e posterior rutura com Voltaire e a relação com a Maçonaria são facetas que revelam uma personalidade complexa. A seguir, apresento uma investigaçãosobre a sua vida, as suas contradições e as suas crenças, incluindo a verdadesobre o seu envolvimento maçónico.
Frederico II (Friedrich II) nasceu em Berlim, a 24 de janeiro de 1712, filho do rei FredericoGuilherme I, um monarca militarista e austero conhecido como o “Rei Sargento”, e de Sofia Doroteia de Hanôver, irmã do rei britânico Jorge II. Desde cedo, a sua personalidade chocou com a do pai. Frederico preferia a música, a literatura e a filosofiafrancesa (a sua preferida) às cavalgadas e exercícios militares. Esta inclinação levou a uma relação tempestuosa com o pai.
Aos 18 anos, a tensão atingiu o seu auge. Após anos de abusos verbais e físicos, Frederico arquitetou uma fuga para a Inglaterra com o seu amigo e confidente, o tenente Hans Hermann von Katte. O plano foi descoberto, e o rei decidiu darum exemplo cruel. Frederico foi preso na fortaleza de Küstrin e forçado a testemunhar a decapitação de von Katte, uma tragédia que o marcou para o resto da vida.
Após este episódio, Frederico foi “reeducado” e submetido à disciplina militar. Casou-se com a princesa Isabel Cristina de Brunswick-Bevern em 1733, umcasamento por conveniência política que nunca consumou e de que se manteve afastado. Com a morte do pai em 1740, Frederico II subiu ao trono da Prússia.
O seu reinado, de 46 anos, é dos mais longos da históriaalemã. Conhecido como o “Rei-Filósofo” por Voltaire, encarnou o despotismo esclarecido, umsistema que conciliava o poder absoluto do monarca com os ideais iluministas.
Em termos militares, foi um génio: as suas vitórias na Guerra de Sucessão Austríaca (pela anexação da Silésia) e na Guerra dos SeteAnos (1756-1763) elevaram a Prússia ao estatuto de grande potência europeia. Eraum monarca que se considerava “o primeiro servo do Estado” e que pregava que o governante era o servo, não o senhor, do povo.
Para além da guerra, Frederico foi um reformador incansável, influenciado pelos ideais do Século das Luzes. As suas principais realizações incluem:
Reformas Jurídicas e Abolição da Tortura: Proibiu a tortura como método de inquérito judicial e estabeleceu umsistema de leis mais racional e unificado, permitindo que homens sem nobreza se tornassem juízes e burocratas.
Tolerância Religiosa e Laicização: Adotou políticas de tolerância religiosa, acolhendo refugiados franceses e promovendo a laicização do Estado. A sua famosa frase, “Em meu estado, cada um pode encontrar a sua própria salvação”, resumia esta visão.
Reformas Agrárias: Aboliu as corveias feudais (obrigatoriedade de trabalho camponês) e incentivou a imigração e o assentamento de colonos, modernizando a agricultura prussiana.
Incentivo às Artes, Ciências e Educação: Proporcionou a criação do primeiro código escolar prussiano, que tratava do direito e da obrigatoriedade de ensino para todos, responsabilizando os tutores em caso de descumprimento. A sua corte atraiu intelectuais de toda a Europa, e a Academia de Ciências da Prússia floresceu sob o seu patrocínio.
O Rei Flautista e Músico:Fredericoeraum exímio flautista e compositor, tendo composto mais de 100 sonatas para flauta e quatro sinfonias. A sua paixão pela música era tão grande que convidou Johann Sebastian Bach a visitar a sua corte em Potsdam em 1747.
O Rei e a Batata: Ele é amplamente creditado por introduzir a batata na dieta prussiana para combater a fome. A lenda conta que, para vencer a resistência dos camponeses, Frederico mandou plantar batatas num campo real e ordenou que fossem guardadas, criando a ilusão de que eram um alimento valioso e proibido, o que levou os camponeses a roubarem e a plantarem-nas.
O Palácio de Sanssouci: Construiu o seu refúgio em Potsdam, um palácio rococó de verão que chamou Sanssouci (do francês “sem preocupações”). Era ali que se dedicava aos seus amados livros e concertos de flauta, longe das cerimónias da corte e das agruras da guerra.
A Amizade e a Ruptura com Voltaire:Frederico admirou Voltaire desde jovem. A sua correspondência inicial, a partir de 1736, foi de grande admiração mútua. Em 1750, Frederico convenceu o filósofo a viver na sua corte, mas a lua de mel durou pouco. Voltaire sentiu-se sufocado e menosprezado pelo protocolo real, enquanto Frederico se cansou das intrigas e do sarcasmo do filósofo. A relação terminou em rompimento amargo, com trocas de insultos, mas reconciliaram-se à distância nos últimosanos.
A Sua Sexualidade: A sua orientação sexual é um tema amplamente debatido. Nunca consumou o seu casamento, não teve filhos e manteve relações exclusivamente platónicas com a sua esposa. A historiografia mais aceite, embora sem provas definitivas, sugere que era homossexual ou, no mínimo, assexuado, tendo sido a execução de von Katte uma tentativa brutal do seu pai de “corrigir” essas tendências.
Influências e o “Rei-Filósofo”
Frederico foi um discípulo de Montesquieu, Voltaire e dos enciclopedistas franceses e encarnou o ideal do “rei-filósofo” tão caro a Platão. Embora tenha abraçado os princípios iluministas de razão, progresso e tolerância, recusou-se a abdicar da sua autoridade absoluta.
O seu governo é o exemplo perfeito do despotismo esclarecido: “Tudo para o povo, mas nada pelo povo“. Foi um governante pragmático que usou as ideias iluministas para modernizar o Estado, fortalecer o exército e consolidar o seu poder. A sua admiração por Voltaireera tanta que insistiu em tê-lo como conselheiro, mas a sua personalidade autoritária não permitia qualquer verdadeira partilha de poder.
O que é historicamente aceito é que Frederico, quando ainda erapríncipe herdeiro, foi iniciado na Maçonaria em 1738, numa loja em Brunswick, contra a vontade do seu pai, que via na instituição uma invenção inglesa de tendência irreligiosa. Esta iniciaçãoeraum ato de rebeldia juvenil e uma forma de se ligar aos ideais progressistas e iluministas que a Maçonaria, então emergente, representava.
A Realidade Histórica: Esta narrativa é amplamente contestada por historiadores maçónicos sérios (como Kloss, Rebold, Findel e Folger). Estudos demonstram que Frederico não esteve envolvido na criação do REAA e que a famosa “Carta de Frederico, o Grande” (a “Carta de Charleston”) é uma falsificação histórica. O REAA foi desenvolvido em Charleston, na Carolina do Sul, por maçons franceses emigrados, que atribuíram retroativamente o seu patrocínio a Frederico para conferir maior prestígio e legitimidade ao novo rito.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem(REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).