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Rei Jaime III da Inglaterra e VIII da Escócia

Rei Jaime III da Inglaterra e VIII da Escócia Jaime Francisco Eduardo Stuart

Rei Jaime III da Inglaterra e VIII da Escócia – Jaime Francisco Eduardo Stuart

A história da monarquia inglesa guarda uma figura singular: um homem que foi rei apenas no título e na esperança de seus partidários. Jaime Francisco Eduardo Stuart, conhecido pelos apoiantes jacobitas como Rei Jaime III da Inglaterra e VIII da Escócia, teve seu destino selado antes mesmo de completar um ano de vida.

A convulsão política que o lançou no exílio, suas tentativas frustradas de recuperar a coroa e a vida de uma corte real deslocada para a Itália fazem de sua trajetória um dos capítulos mais fascinantes e melancólicos da história britânica. Este artigo examina em profundidade a vida e o legado do “Velho Pretendente“, um soberano sem trono cuja causa ecoou por gerações.

O Nascimento em Meio à Tormenta: Jaime III, um Rei Antes do Tempo

Jaime Francisco Eduardo nasceu em 10 de junho de 1688 no Palácio de St. James, em Londres. Ele era o filho do rei católico Jaime II de Inglaterra e VII da Escócia e sua segunda esposa, Maria de Módena. Seu nascimento foi um evento explosivo na já tensa política inglesa, pois garantia uma linhagem católica para o trono, o que era inaceitável para a maioria protestante do Parlamento.

Apenas alguns meses depois, na chamada Revolução Gloriosa, seu pai foi deposto, e o trono foi oferecido à sua meia-irmã protestante, Maria II, e ao marido dela, Guilherme III de Orange.

Pouco após a fuga do rei para a França, o pequeno Jaime foi levado para o continente, crescendo na corte exilada de seu pai no Castelo de St-Germain-en-Laye, nos arredores de Paris. Sua vida seria definida por essa perda original: a herança de um reino ao qual jamais conseguiria pôr os pés como monarca reinante.

“Rei sobre as Águas”: O Pretendente e o Reconhecimento Internacional

Com a morte de seu pai em setembro de 1701, Jaime foi imediatamente proclamado rei como Jaime III da Inglaterra e VIII da Escócia por seus seguidores jacobitas (do latim Jacobus, para James).

O rei Luís XIV da França, seu primo, reconheceu publicamente sua reivindicação, oferecendo-lhe abrigo e apoio. Este gesto, no entanto, foi um tiro pela culatra, pois o Parlamento inglês, furioso com a interferência francesa, aprovou uma lei de attainder (declaração de ilegalidade e perda de direitos civis) contra ele e, no Ato de Estabelecimento de 1701, excluiu definitivamente qualquer católico da sucessão ao trono britânico.

Apesar disso, para muitos católicos na Grã-Bretanha e no continente, Jaime III era o verdadeiro rei. Ele foi reconhecido como o monarca legítimo não só pela França, mas também pela Espanha e pelo Papa. Seus partidários o apelidaram carinhosamente de “Rei sobre as Águas” (King over the Water), uma referência ao seu exílio através do Canal da Mancha.

A Busca Armada pelo Trono: O Fiasco de 1708 e o Levante de 1715

A crença na restauração Stuart não era mera fantasia. Jaime liderou ou inspirou duas grandes tentativas militares para recuperar o reino. A primeira, em 1708, foi uma expedição anfíbia francesa que chegou ao estuário do rio Forth, na Escócia, mas foi frustrada pela marinha britânica e forçada a recuar sem jamais desembarcar.

O momento de maior esperança veio em 1715, com a morte da rainha Ana, a última monarca Stuart protestante. Temendo a ascensão do distante eleitor de Hanôver, Jorge I, os jacobitas escoceses iniciaram um grande levante.

Embora Jaime tenha demorado a deixar a França, quando finalmente desembarcou na Escócia em dezembro de 1715, a rebelião já estava em colapso, tendo sido derrotada nas batalhas de Sheriffmuir e Preston. Sua chegada tardia foi um desastre. Ele estabeleceu uma corte em Scone, mas, com as forças governamentais se aproximando, fugiu secretamente para a França em fevereiro de 1716, abandonando seus aliados escoceses e granjeando enorme ressentimento.

 Amor, Exílio Dourado e uma Corte sem Reino

A vida pessoal de Jaime III foi tão dramática quanto sua carreira política. Em 1719, casou-se com a princesa polonesa Maria Clementina Sobieska, neta do famoso rei João III Sobieski da Polônia. O casamento foi um evento quase cinematográfico: a noiva estava mantida sob custódia pelo imperador na Áustria, e um espetacular resgate foi orquestrado por partidários jacobitas, libertando-a e levando-a para a Itália, onde o casamento foi celebrado.

O Papa Clemente XI ofereceu-lhes asilo em Roma. Lá, Jaime e Clementina viveram como reis de fato, com uma corte no exílio, uma guarda papal e uma substancial pensão anual do tesouro papal. Para seus súditos britânicos que visitavam a Itália no “Grand Tour”, a corte Stuart em Roma era uma parada obrigatória, um microcosmo de uma monarquia desaparecida.

O casal teve dois filhosCarlos Eduardo Stuart (1720-1788), o lendário “Bonnie Prince Charlie”, e Henrique Benedito Stuart (1725-1807). No entanto, o casamento foi infeliz, e a princesa Clementina, percebendo que jamais seria rainha de fato, deixou Jaime e se retirou para um convento em 1725, embora mais tarde tenha retornado antes de sua morte em 1735.

Morte e Legado: O Fim de uma Esperança

Jaime Francisco Eduardo Stuart faleceu em Roma em 1º de janeiro de 1766, aos 77 anos. O Papa concedeu-lhe a honra incomum de um funeral de Estado na Basílica de São Pedro, onde seu corpo foi sepultado na cripta. Em 1819, os restos mortais de seus dois filhos foram transferidos para junto do seu, e o escultor Antonio Canova foi comissionado para criar um magnífico monumento funerário em sua homenagem, um tributo ao que se tornou conhecido como um “monumento à esperança morta”.

O título de Jaime III passou para seu filho mais velho, Carlos Eduardo, e depois para Henrique, o Cardeal Duque de York. Com a morte de Henrique em 1807, a linha direta dos Stuarts se extinguiu. A causa jacobita, que por quase seis décadas animou as esperanças de católicos e descontentes na Grã-Bretanha, morreu silenciosamente. Jaime III é, assim, uma figura trágica: um rei que nunca reinou, cujo maior legado foi inspirar a paixão de um punhado de seguidores e a vida romântica e aventureira de seu filho, o “Bonnie Prince Charlie”.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

📚 Fontes e Referências

  • Jaime Francisco Eduardo Stuart – Wikipédia, a enciclopédia livre (informações biográficas gerais, datas e locais de nascimento e morte, título de pretendente)

  • James Francis Edward Stuart – Wikipedia (detalhes sobre seu nascimento, fuga da família, proclamação como rei e apelidos “Old Pretender” e “King over the Water”)

  • James Francis Edward Stuart, styled James VIII and III – University of Nottingham (biografia concisa cobrindo seu nascimento, educação na França, tentativas de invasão e exílio em Roma)

  • 1911 Encyclopædia Britannica/James (the Pretender) – Wikisource (detalhada sobre a controvérsia do seu nascimento, a proclamação por Luís XIV, a expedição de 1708 e o casamento com Maria Clementina Sobieska)

  • James III of Scotland – Wikipedia (esclarece a existência de um rei Jaime III da Escócia, distinto do pretendente inglês)

  • Britannica – James III (king of Scotland) (detalha a figura do rei Jaime III da Escócia, que reinou no século XV)

  • Jacobite rising of 1715 – Wikipedia (cobre os eventos da rebelião de 1715, a chegada tardia de Jaime e seu subsequente abandono da Escócia)

  • Maria Clementina Sobieska – Wikipedia (detalhes sobre sua linhagem, casamento e fuga para um convento)

  • Monument to the Stuarts – St Peter’s basilica – Vatican (informações sobre o túmulo de Jaime III e seus filhos na Basílica de São Pedro)

  • Edward Corp (ed.) – The Stuart court in Rome : the legacy of exile (obra acadêmica sobre a corte exilada dos Stuarts em Roma e seu papel cultural e social)

  • Edward T. Corp – Jacobites at Urbino: an exiled court in transition (estudo sobre a corte de Jaime III em Urbino antes de se estabelecer em Roma)

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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