Sempre me fascinou como alguns pensadoresantigos conseguiam transcender os limites da filosofia, habitando confortavelmente o território da ciência, da política, da poesia e até da magia. Empédocles de Agrigento foi, para mim, a personificação mais vívida desse ideal renascentista avant la lettre.
Ao estudá-lo, não encontro apenas um “pré-socrático” abstrato, mas umhomem que acreditava piamente que podia controlar as tempestades, curar os enfermos, dialogar com os deuses e, quem sabe, ao final, fundir-se com o fogo divino do vulcão.
A sua vida foi uma teia de paradoxos: foi o pai da teoria dos quatro elementos, que dominou a ciência por mais de dois milénios; foi o defensor do amor cósmico, que escreveu hinos à paz, mas também o político que combateu tiranos; foi um místico que condenava o derramamento de sangue e um visionário que, segundo a lenda, tentou enganar a morte com um salto na cratera do Etna. É esta figura multifacetada, este “xamã filosófico”, que convido o leitor a conhecer.
O nome completo do filósofo é Empédocles de Agrigento (em grego clássico: Ἐμπεδοκλῆς ὁ Ἀκραγαντῖνος). As datas do seu nascimento e morte são imprecisas, mas fixam-se geralmente entre 495/492 a.C. e 430 a.C., o que lhe daria cerca de 65 anos de vida.
Nasceu em Agrigento (chamada pelos gregos de Acragas), uma próspera colónia grega situada na costa sul da Sicília, então parte da chamada MagnaGrécia. Proveniente de uma família rica e da mais alta aristocracia local, o seu avô homónimo foi um celebrado vencedor de corridas de cavalos nos Jogos Olímpicos.
A Vida Pública e a Luta pela Democracia
O seu pai, Meto, participou ativamente na derrocada do regime tirânico que governava Agrigento por volta de 470 a.C.. Empédocles deu continuidade a esta tradição política, tornando-se um ferrenho defensor do sistema democrático e um combatente da oligarquia. Dedicou-se a ajudar os mais desfavorecidos, oferecendo dotes para raparigas pobres e servindo como legislador.
O Filósofo Viajante e a Sua Aparência Excêntrica
Orador brilhante, destacou-se pela sua aparência excêntrica e ostentatória, que incluía um longo manto púrpura, uma cintura de ouro, uma grinalda de louros délficos e sandálias de bronze, o que tornava a sua presença majestática e inconfundível.
A sua contribuição mais marcante e duradoura foi a sistematização da teoria das quatro raízes (rhizōmata) de todas as coisas: o fogo, o ar, a água e a terra. Ao contrário de outros pré-socráticos que procuravam um único princípio primordial (a arché), Empédocles defendeu que estes elementos são eternos, imutáveis e indestrutíveis.
A diversidade do mundosurge das diferentes proporções em que se misturam, permitindo a Empédocles explicar a mudança sem cair no monismo estático de Parménides.
O Amor e o Ódio: As Forças Cósmicas
Para que estes elementos se unissem e se separassem, Empédocles postulou a existência de duas forças antagónicas de âmbito cósmico: o Amor (Philia), que atrai e une os elementos, e o Ódio (Neikos), que os repele e separa.
A realidade não é estática, mas sim umciclo eterno onde estas duas forças se alternam no domíniosobre as quatro raízes. Quando o Amor prevalece, tudo se une numa harmonia perfeita, o Esfero (um estado de unidade divina); quando o Ódio domina, regressa o caos da separação completa. O nosso mundo, segundo a sua visão, existe precisamente nesse período de transição entre os dois extremos.
Empédocles foi um escritor prolífico, autor dos longos poemas filosóficos “Sobre a Natureza” e “Purificações”. Aristóteles, impressionado com a sua habilidade, considerou-o o pai da retórica, comparando‑o a Homero. Para ele, a poesia não era apenas uma forma de arte, mas o veículo ideal para transmitir os mais elevados mistérios filosóficos.
Este é um dos aspectos mais surpreendentes do seu pensamento. Profundamente influenciado pela tradição pitagórica, Empédocles acreditava na transmigração das almas (metempsicose), afirmando que a sua própria almaeraumdaimōn (uma divindade ou ser divino), banida do reino dos deuses por um período de “três incontáveis vezes dez mil anos” por ter cometido o pecado de comer carne.
Consequentemente, tornou-se um defensor radical do vegetarianismo, condenando o derramamento de sangue dos animais como uma “impureza” e um crime contra a vida. Este conhecimento e domíniosobre a natureza fizeram dele, aos olhos dos contemporâneos, um verdadeiro profeta e mago, a quem se atribuíam poderes miraculosos, como controlar os ventos, trazer chuva, curar doenças e até ressuscitar mortos.
O Rei da Púrpura: Para além da sua roupa, a cor púrpura tinha um duplo significado: eraum sinal de riqueza e poder, mas também uma alusão à sua origem em Agrigento, cidade famosa pelo comércio de corante de púrpura extraído de moluscos.
O Avô Olímpico: O seu avô, também chamado Empédocles, foi um atleta olímpico, tendo-se sagrado vencedor em corridas de cavalos nos Jogos de 496 a.C.. A família, portanto, já tinha tradição na busca da areté (excelência).
A Lenda do Vulcão Etna: A sua morte é envolta numa das lendas mais coloridas da história da filosofia. Cansado e desejoso de ser venerado como umdeus, teria subido ao vulcão Etna e lançado o seu corpo na cratera ardente. No entanto, a farsa foi descoberta quando o vulcão “vomitou” uma das suas sandálias de bronze. Hoje, há historiadores que especulam que ele terá falecido no Peloponeso, sendo a lenda uma construção romântica posterior.
Legado de Empédocles
O legado de Empédocles é talvez mais relevante e vasto do que à primeira vista parece.
O Precursor do Pluralismo e do Atomismo: Ao afirmar que o universo é composto por múltiplas substâncias imutáveis, Empédocles rompeu com o monismo de Parménides e abriu caminho para as filosofias pluralistas, influenciando diretamente os atomistas Leucipo e Demócrito.
O Pai do Vegetarianismo Ético: Mais do que uma dieta, as suas ideias sobre a sensibilidade animal e a proibição do derramamento de sangue, baseadas na crença da transmigração das almas, constituem um dos primeiros e mais sistemáticos tratados de ética animal da história.
Influência na Arte e na Literatura: A sua lenda, em particular a sua morte no Etna, inspirou poetas como Matthew Arnold (no poema “Empédocles no Etna”), dramaturgos e filósofos do século XX, como o próprio Gaston Bachelard.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).