Félix Guattari (1930‑1992): O Militante da Esquizoanálise
janeiro 22, 2026
Félix Guattari (1930‑1992): O Militante da Esquizoanálise
Félix Guattari (1930–1992) foi um filósofo, psicanalista, psiquiatra e militante político francês, reconhecido como um dos mais originais pensadores da segunda metade do século XX. Sua obra situa-se na interseção entre psicanálise, filosofia, política, psiquiatria, semiótica, estética e ecologia, tendo exercido profunda influênciasobre as ciências humanas, os estudos políticos e a teoria social contemporânea.
Guattari nasceu em 30 de abril de 1930, em Villeneuve-les-Sablons, na França. Desde jovem envolveu-se com questões políticas e sociais, aproximando-se de movimentos de esquerda e de experiências de transformação institucional. Sua formação intelectual ocorreu em um período marcado pela SegundaGuerra Mundial, pela reconstrução europeia, pela emergência dos movimentos anticoloniais e pelas intensas disputas políticas e filosóficas que caracterizaram a França do pós-guerra.
Guattari estudou farmácia e posteriormente medicina, direcionando sua trajetória para a psiquiatria e a psicanálise. Entretanto, desde cedo demonstrou insatisfação com os modelos tradicionais de tratamento da doença mental.
Sua experiência profissional seria particularmente marcada pelo trabalho na Clínica de La Borde, instituição psiquiátrica fundada por Jean Oury, em 1953. Guattari ingressou na instituição em 1955 e permaneceu profundamente ligado a ela durante décadas.
La Borde tornou-se um importante laboratório de experiências de psiquiatria institucional, buscando superar o modelo tradicional do hospital psiquiátrico baseado na hierarquia rígida entre médicos, funcionários e pacientes.
Nesse contexto, Guattari passou a defender a ideia de que o sofrimento psíquico não poderia ser compreendido exclusivamente como umfenômeno individual. As relações sociais, familiares, institucionais, econômicas e políticas também participariam da produção da subjetividade.
Guattari tornou-se um dos principais representantes da chamada psicoterapia institucional e, posteriormente, da psiquiatria institucional.
Seu pensamento procurava transformar não apenas o indivíduo considerado “doente”, mas também as próprias estruturas institucionais responsáveis pelo tratamento.
Para Guattari, uma instituição poderia produzir formas de alienação semelhantes às encontradas no interior da própria sociedade. Por isso, a transformação da saúde mental deveria envolver uma transformação das relações institucionais.
Essa perspectiva o levou a questionar a separação rígida entre:
A clínica, para Guattari, deveria tornar-se também umespaço de produção de autonomia e transformação coletiva.
Militância política
A trajetória intelectual de Guattari esteve profundamente vinculada à militância política.
Durante as décadas de 1950 e 1960, participou de organizações e movimentos da esquerda francesa, envolvendo-se em questões relacionadas ao anticolonialismo, à luta contra a Guerra da Argélia, aos movimentos estudantis e às transformações sociais.
Participou também de movimentos ligados à extrema esquerda francesa e manteve intensa atividade política durante os acontecimentos de Maio de 1968.
Para Guattari, política não deveria ser compreendida apenas como disputa pelo controle do Estado. Existiriam também relações de poder presentes na família, na escola, na fábrica, no hospital, na sexualidade, na linguagem e nas relações cotidianas.
Essa percepção conduziu-o à ideia de que a transformação política deveria ocorrer também no nível da subjetividade.
o desejo não é simplesmente algo que o indivíduo possui; ele participa da própria produção da realidade.
Guattari e Deleuze também desenvolveram uma crítica ao capitalismo. Segundo os autores, o capitalismo possui uma capacidade extraordinária de incorporar, reorganizar e direcionar os fluxos de desejo.
A análise da sociedade deveria, portanto, considerar simultaneamente economia, política, desejo e subjetividade.
Mil Platôs
Em 1980 foi publicado Mil Platôs, segundo volume do projeto Capitalismo e Esquizofrenia.
A obra abandonou ainda mais explicitamente os modelos tradicionais de pensamento hierárquico.
Entre os conceitos desenvolvidos ou aprofundados por Deleuze e Guattari encontram-se:
O conceito de rizoma tornou-se particularmente conhecido.
Em oposição a uma estrutura hierárquica, centralizada e linear — semelhante à imagem de uma árvore com raiz, tronco e ramificações — o rizoma representa uma estruturadescentralizada, múltipla e conectiva, na qual diferentes pontos podem estabelecer relações entre si.
O conceito passou a influenciar áreas tão diversas quanto filosofia, sociologia, geografia, arquitetura, antropologia, teoria política, literatura e estudos culturais.
Guattari e a crítica ao sujeito individual
Uma das características fundamentais do pensamento de Guattari é a crítica à ideia de que o sujeito seria uma entidade isolada e autônoma.
Para ele, a subjetividade é produzida por múltiplos componentes:
Ele passa a atribuir grande importância à arte, à estética e à criatividade como instrumentos capazes de produzir novas formas de existência.
A criação artística não seria apenas uma atividade estética, mas poderia constituir uma forma de resistência à padronização da subjetividade produzida pelas instituições e pelo capitalismo.
A crítica ao capitalismo
Guattari desenvolveu uma concepção particularmente ampla do capitalismo.
Para ele, o capitalismo não controla somente o trabalho ou os meios de produção.
A mídia e, posteriormente, as tecnologias de comunicação teriam papel importante nesse processo.
Por isso, combater formas de dominação exigiria mais do que uma transformação econômica: seria necessário criar novas formas de subjetividade e novas maneiras de viver.
Félix Guattari morreu em 29 de agosto de 1992, aos 62 anos, em La Borde, na França, vítima de um ataque cardíaco.
Sua morte ocorreu pouco depois da publicação de Caosmose, uma das obras que sintetizam sua preocupação com a subjetividade, a criação e a transformação social.
Legado intelectual
O legado de Guattari é particularmente amplo porque sua obra não pertence exclusivamente a uma disciplina.
Sua contribuição mais profunda talvez esteja na tentativa de superar determinadas separações tradicionais entre indivíduo e sociedade, psíquico e político, natureza e cultura, clínica e política.
Guattari concebeu a subjetividade como um processo coletivo e histórico, permanentemente atravessado por instituições, relações sociais, tecnologias, economia, linguagem e desejo.
Sua obra permanece particularmente relevante para compreender fenômenos contemporâneos relacionados à produção de subjetividade, comunicação de massa, capitalismo, redes sociais, crise ambiental, movimentos sociais e novas formas de poder.
Guattari não concebia o indivíduo como uma unidade isolada diante da sociedade. O sujeito seria produzido dentro de uma complexa rede de relações, forças, instituições e acontecimentos.
É nesse ponto que sua filosofia adquire caráter eminentemente político: transformar a sociedadesignifica também transformar os modos pelos quais os indivíduos produzem seus desejos, suas relações e suas próprias formas de existênci
WIKIPÉDIA (espanhol). Félix Guattari.
PSICOLOGIA E MENTE. Félix Guattari: biografía de este filósofo y psicoanalista. 2019.
ERRATA NATURAE. Félix Guattari.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
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Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).