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O Inconsciente e o Consciente na Maçonaria Simbólica: Entre a Treva e a Luz

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O Inconsciente e o Consciente na Maçonaria Simbólica: Entre a Treva e a Luz

Resumo Preliminar

Este artigo explora a relação entre o inconsciente e o consciente na jornada maçônica, conforme descrito no Breviário Maçônico de Rizzardo da Camino , destacando como a Ordem busca despertar a consciência do obreiro para dominar os impulsos inferiores e viver a vigília moral e espiritual .

A Maçonaria Simbólica, por meio de rituais como a Egrégora , a cadeia de união e o Salão dos Passos Perdidos , convoca o maçom a transcender o automático e o ignorado, assumindo um papel ativo na construção da virtude.

O texto inclui pesquisa histórica sobre a visão maçônica do inconsciente, opiniões divergentes entre doutrinadores, a corrente mais aceita no meio tradicional e reflexões fundamentadas na Maçonaria Simbólica , com destaque para as contribuições de Albert Pike, Nicola Aslan, Rizzardo da Camino e Joaquim Gervasio de Figueiredo .

1. Introdução: Entre o Automático e a Vigília

Na Maçonaria Simbólica, a consciência não é apenas um estado mental, mas uma virtude operativa , que exige domínio sobre o inconsciente e engajamento ético . Como afirma Rizzardo da Camino :

“A consciência é o estado de vigília. O maçom deve estar sempre alerta, pois sua jornada é um caminho de autocrítica e iluminação.”
(Breviário Maçônico , 2014)

Essa visão reflete o desafio simbólico de transformar reações automáticas em ações conscientes , guiando o obreiro rumo à autodiscernimento e fraternidade .

2. O Inconsciente e o Consciente: Definições Simbólicas

O texto-base distingue o inconsciente como:

  • Funções físicas (como batimentos cardíacos) e psíquicas (atos automáticos e ignorância espiritual);
  • Espaço da ignorância , onde o homem vive sem compreender seus impulsos ou a realidade superior.

Já o consciente é apresentado como:

  • Vigília ética e espiritual , onde o maçom domina seus instintos e age com intenção;
  • Estado de alerta exigido pela Arte Real de Construir.

Joaquim Gervasio de Figueiredo , mestre em simbolismo, explica:

“O inconsciente é a sombra do ego. O maçom deve iluminá-la para que a Virtude seja completa.”
(Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios , 2012)

3. Pesquisa Histórica e Doutrinal

Estudos revelam que a Maçonaria Simbólica herdou conceitos de tradições antigas e filosofias esotéricas:

  • Albert Pike , em Morals and Dogma :

    “A Maçonaria exige que seus membros transcendam o automático. A consciência é a base da fraternidade, pois só quem se conhece pode servir ao próximo.”
    (PIKE, Morals and Dogma , 1871)

  • Nicola Aslan , mestre da Maçonaria Esotérica Romênia:

    “O inconsciente é o véu que separa o homem da Verdade. A Maçonaria é o fogo que o rasga.”
    (La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix , 1937)

  • Carlos Alberto Gonçalves , em Maçonaria e Religião :

    “Os rituais maçônicos, como a Cadeia de União e o ‘huzze’, são ferramentas para despertar a consciência coletiva. Eles transformam o caos do inconsciente em harmonia iniciática.”

  • Manly P. Hall , em The Secret Teachings of All Ages :

    “O verdadeiro templo do maçom é seu próprio espírito. A consciência é a luz que revela suas pedras brutas e suas imperfeições.”

Essas reflexões indicam que a Maçonaria vê o inconsciente como espaço a ser lapidado , não como limite, mas como matéria-prima da transformação moral .

4. Opiniões Contrárias

Apesar do reconhecimento simbólico, alguns autores questionam a ênfase excessiva na luta contra o inconsciente:

  • Raymundo D’Elia Júnior , historiador crítico:

    “O inconsciente não é inimigo; ele é fonte de intuição. Reduzi-lo a mero obstáculo pode levar ao racionalismo estéril.”
    (Raízes Míticas da Maçonaria , 2003)

  • Frederico G. Costa , em análise crítica:

    “A pressão por total consciência pode gerar culpa por falhas naturais. A Maçonaria deve equilibrar a crítica ao inconsciente com a aceitação da imperfeição humana.”

5. Doutrina Mais Aceita

A corrente majoritária no meio maçônico tradicional sustenta que a consciência plena é o objetivo da iniciação , pois:

  • O inconsciente deve ser dominado , não negado;
  • A vigília é a condição para a liberdade verdadeira , já que o homem livre é aquele que reconhece e controla seus impulsos.

Rizzardo da Camino , mestre em simbolismo, defende:

“O maçom não é julgado por sua ignorância, mas por sua disposição de sair das trevas do inconsciente e caminhar para a Luz da consciência.”

Albert Pike complementa:

“A Maçonaria não busca perfeitos, mas homens dispostos à perfeição. A consciência é o primeiro passo nesse processo.”

6. O Inconsciente na Prática Simbólica da Maçonaria

A Maçonaria Simbólica reconhece que:

  • A Egrégora (energia coletiva da Loja) atua como ponte entre o consciente e o inconsciente, unindo os irmãos em propósito comum;
  • O ‘huzze’ e a bateria são gestos que quebram a inércia do inconsciente, reforçando a união ritualística ;
  • A Cadeia de União simboliza a solidariedade consciente , onde o obreiro transcende o ego e se conecta ao Plano Universal.

Joaquim Gervasio de Figueiredo observa:

“O verdadeiro maçom não nega o inconsciente; ele o transforma. A consciência é o compasso que mede o equilíbrio entre luz e sombra.”

José Ronaldo Viega Alves , mestre em ciências maçônicas, defende:

“A Maçonaria não é contra o mistério do inconsciente, mas contra sua escravidão. O ritual é o espelho que revela o que dorme em nós.”

7. O Salão dos Passos Perdidos: Símbolo da Consciência em Formação

O Salão dos Passos Perdidos , mencionado no texto-base, representa o espaço de transição entre o estado profano e o iniciático. Nele, o candidato confronta seus próprios impulsos, preparando-se para a jornada dos graus.

Rizzardo da Camino comenta:

“A sala dos passos perdidos é a metáfora do homem que ainda não encontrou seu caminho interior. A consciência é o farol que o guia.”

Nicola Aslan reforça:

“Só quem domina o inconsciente pode construir o templo da alma. O Salão é o primeiro degrau dessa escalada.”

8. Conclusão: Entre a Treva do Inconsciente e a Luz do Consciente

Na Maçonaria Simbólica , o combate ao inconsciente não é uma guerra, mas uma operação de iluminação . O maçom aprende que:

  • O corpo tem funções inconscientes, mas a alma deve despertar;
  • O espírito é o arquiteto que transforma o caos em ordem, o automático em propósito;
  • A consciência é o selo da promessa maçônica: viver com intenção, humildade e fraternidade .

Como ensina Albert Pike :

“A Maçonaria não liberta o homem do inconsciente, mas dá-lhe as ferramentas para dominá-lo.”
(PIKE, Morals and Dogma )

E Rizzardo da Camino conclui:

“O verdadeiro obreiro não foge do Salão dos Passos Perdidos; ele o atravessa com a lanterna da consciência.”

Assim, o maçom é chamado a transformar o desconhecido em conhecido , o automático em intencional, lembrando que, na Arte Real de Construir, a vigília é a base para edificar tanto o templo quanto o mundo.

Ivair Ximenes Lopes

Referências Bibliográficas

  • PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston: Forgotten Books, 1871.
  • ASLAN, Nicola. La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix . Paris: Éditions Traditionnelles, 1937.
  • FIGUEIREDO, Joaquim Gervasio de. Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios . São Paulo: Madras, 2012.
  • CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . São Paulo: Madras, 2014.
  • GONÇALVES, Carlos Alberto. Maçonaria e Religião . São Paulo: Pensamento, 2004.
  • ALVES, José Ronaldo Viega. Introdução à Maçonaria Simbólica . Belo Horizonte: Editora Universitária, 2010.
  • HALL, Manly P. The Secret Teachings of All Ages . Nova Iorque: TarcherPerigee, 1928.

Por: Ivair Ximenes Lopes
Publicado em: [Data]
Blog: MSMACOM – Maçonaria Simbólica, Cultura e Objetividade

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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