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Joaquim de Oliveira Álvares – Defendeu a Independência com a Espada e a Caneta

Joaquim de Oliveira Álvares Defendeu a Independência com a Espada e a Caneta

pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes

Ao longo dos meus anos de estudo sobre os bastidores da Independência do Brasil, sempre me impressionou como certas figuras, apesar de terem desempenhado papéis decisivos, permanecem à sombra dos grandes nomes da história. Joaquim de Oliveira Álvares é uma dessas personalidades.

Militar de carreira, matemático, filósofo, ministro de Estado e, sobretudo, um homem que, sendo português de nascimento, não hesitou em apoiar a emancipação do Brasil, colocando a sua espada e a sua inteligência a serviço da causa brasileira.

A sua trajetória, que vai das batalhas contra as tropas napoleónicas aos gabinetes ministeriais do Império, é um testemunho de que a construção de uma nação também se faz com a coragem de escolher um lado — e de permanecer fiel a ele, mesmo quando isso significa contrariar a própria origem.

Neste artigo, convido o leitor a conhecer a vida, as obras e as curiosidades que cercam este que foi, nada menos, que o segundo ministro da Guerra do Brasil independente.

Origens e Formação: O Madeirense que Estudou na Inglaterra e em Coimbra

Joaquim de Oliveira Álvares nasceu na Ilha da Madeira, em 19 de novembro de 1776. Filho de uma família de origem portuguesa, desde cedo foi preparado para uma carreira que exigia tanto o rigor das ciências exatas quanto a disciplina das armas.

Completou os seus estudos preparatórios na Inglaterra, onde absorveu não apenas o conhecimento académico, mas também os ideais liberais que então circulavam pela Europa.

Em seguida, frequentou a Universidade de Coimbra, onde se formou em matemática e filosofia, uma combinação rara que o habilitaria a uma carreira militar e administrativa de excelência.

Carreira Militar: Das Batalhas contra Napoleão à Guerra contra Artigas

Após a formatura, alistou-se na marinha portuguesa.

Participou em combates contra a esquadra francesa de Napoleão Bonaparte, tendo sido feito prisioneiro, mas conseguindo escapar. Essa experiência forjou o seu carácter e confirmou a sua vocação para as armas.

Transferiu-se, então, para o exército.

Em 1804, já como capitão de artilharia, foi enviado para o Brasil, integrando a legião de voluntários de São Paulo.

Em 1807, foi promovido a major e transferido para o Rio Grande do Sul, onde participou das campanhas de 1811 e 1812, sendo promovido a coronel e, em 1814, a brigadeiro.

O seu maior feito militar ocorreu na Guerra contra Artigas.

Comandando as forças de cavalaria, venceu as tropas inimigas na Batalha de Carumbé (1816), derrotando José Antonio Berdún. Participou também da Batalha de Catalão. Em reconhecimento, foi agraciado com a comenda da Ordem de Avis.

A Opção pelo Brasil: O Militar Português que Abraçou a Independência

Em 7 de janeiro de 1822, foi promovido a marechal. Naquele momento crucial, Oliveira Álvares tomou uma decisão que definiria o seu lugar na história. Apesar de ser português de nascimento, declarou-se abertamente a favor da emancipação do Brasil, colocando-se ao lado de José Clemente Pereira e de outros líderes do movimento.

No Rio de Janeiro, integrou o “Clube Conspirado” — uma sociedade secreta que reunia os principais articuladores da Independência, ao lado de Joaquim da Rocha Nóbrega e Francisco Maria Gordilho Veloso de Barbuda. Foi nesse círculo que se consolidou o apoio militar à causa de D. Pedro I.

Em 11 de janeiro de 1822 — apenas dois dias após o famoso “Dia do Fico” — Oliveira Álvares comandou as tropas locais que resistiram às forças portuguesas do general Jorge de Avilez. Essas tropas queriam obrigar D. Pedro I a retornar a Portugal, mas Oliveira Álvares garantiu que o príncipe permanecesse no Brasil.

O Ministro da Guerra do Império

Em 16 de janeiro de 1822, Oliveira Álvares foi nomeado ministro da Guerra do Reino do Brasil. Ocupou a pasta até 27 de julho de 1822, tendo deixado o cargo por motivo de doença. Foi, na prática, o segundo ministro da Guerra do Brasil — antecedido apenas por João Vieira de Carvalho, que ocupara a pasta no governo provisório de 1821.

Durante o seu ministério, exerceu funções de grande responsabilidade: em fevereiro de 1822, foi membro do Conselho de Sua Majestade; em março, expediu ofícios ao ministro da Guerra de Portugal; e em junho, assinou avisos dirigidos ao governo interino das Armas da Província de São Paulo. A sua correspondência oficial revela um homem meticuloso e profundamente comprometido com a consolidação do novo regime.

Após a Independência, retornou ao ministério entre 24 de julho de 1828 e 4 de agosto de 1829. Nesse segundo mandato, negociou um tratado de paz com a Argentina e enfrentou uma revolta em Pernambuco em fevereiro de 1829. A sua atuação, no entanto, não foi isenta de controvérsias.

A Controvérsia dos Tribunais Militares e a Inocência Final

Em 1829, ao sufocar uma revolta em Pernambuco, Oliveira Álvares criou um tribunal militar para julgar os envolvidos. A medida foi alvo de duras críticas, pois a Constituição de 1824 não permitia a criação de tribunais excecionais e extraordinários. O ministro foi acusado de violar a Carta Magna. Após extensos debates no Parlamento, acabou por ser inocentado, mas o episódio deixou marcas na sua reputação.

Deputado e Últimos Anos

Foi eleito deputado pelo Rio Grande do Sul na 2.ª Legislatura. Também foi eleito deputado provincial. Nos seus últimos anos, residiu em Londres (1830‑1835), onde recebeu uma avultada herança e a colocou à disposição do governo brasileiro para pagar os juros de títulos em momento de crise. Faleceu em Paris, em 27 de junho de 1835, e encontra‑se sepultado no famoso Cemitério do Père Lachaise.

Curiosidades

  • Matemático, filósofo e militar: Oliveira Álvares foi uma rara combinação de cientista e guerreiro, tendo-se formado em matemática e filosofia antes de se alistar.

  • A defesa do Rio de Janeiro: Em janeiro de 1822, liderou as tropas que resistiram ao general Avilez, garantindo que D. Pedro I não fosse forçado a regressar a Portugal.

  • O “Clube Conspirado”: Integrou esta sociedade secreta que articulou a Independência, ao lado de outras figuras decisivas.

  • Escreveu uma “Estatística do Brasil”: Deixou inédita uma obra intitulada Estatística do Brasil, um testemunho do seu interesse pela organização e pelo conhecimento do país.

  • Foi retratado no Museu Paulista: O seu retrato foi encomendado por Afonso Taunay para o Museu Paulista, como reconhecimento do seu papel na Independência.

  • Sepultado em Paris: O seu túmulo no Père Lachaise, em Paris, é um dos poucos vestígios materiais da sua existência.

 Considerações Finais

Joaquim de Oliveira Álvares foi, como procurei mostrar, um homem que viveu no limite entre dois mundos: português de nascimento, brasileiro de coração. A sua trajetória militar, as suas convicções políticas e a sua acção nos momentos cruciais da Independência fazem dele uma figura essencial para a compreensão do processo que deu origem ao Brasil contemporâneo.

Mais do que um militar, foi um estrategista, um administrador e um homem de visão — que não hesitou em colocar a sua inteligência e a sua espada ao serviço da causa que considerava justa.

O seu legado, embora muitas vezes esquecido, está inscrito nas instituições que ajudou a construir e na memória daqueles que, como ele, acreditaram que a verdadeira independência se conquista todos os dias — com coragem, com integridade e com a disposição de escolher o lado certo da história.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Pesquisa

  • Joaquim de Oliveira Álvares – Wikipédia

  • Digital Library of Literature from Lusophone Countries

  • Joaquim de Oliveira Álvares – AtoM Senado

  • Joaquim de Oliveira Álvares – Wikiwand

  • Alvares (Joaquim de Oliveira) – Elucidário Madeirense

  • O Movimento da Independência/X – Wikisource

  • Legislação Informatizada – DECRETO DE 22 DE FEVEREIRO DE 1822

  • Teses USP – retrato no Museu Paulista

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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