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Augusto Frederico, Duque de Sussex

Augusto Frederico Duque de Sussex

Augusto Frederico, Duque de Sussex: Biografia, Curiosidades e Legado Maçônico

Introdução

O nome Sussex voltou a ganhar os holofotes quando o príncipe Harry recebeu o título de Duque de Sussex em sua cerimônia de casamento em 2018. Mas poucos sabem que o primeiro detentor do título foi uma figura fascinante e rebelde do século XIX: o príncipe Augusto Frederico (Augustus Frederick), o sexto filho do rei George III.

Este artigo explora a vida intrigante deste príncipe que recusou a carreira militar, desafiou a lei real do casamento e deixou sua marca duradoura em uma das mais antigas instituições do mundo: a Maçonaria Inglesa.

Capítulo 1 – Biografia

1.1. Primeiros anos e educação

Augusto Frederico nasceu em 27 de janeiro de 1773 no Palácio de Buckingham, em Londres. Era o nono filho e sexto menino do rei George III e da rainha Carlota de Mecklenburg‑Strelitz. Foi batizado em 25 de fevereiro de 1773 na Câmara do Grande Conselho do Palácio de St. James pelo arcebispo de Canterbury.

Desde pequeno, sofria de asma e por isso não pôde acompanhar os irmãos no treino militar em Hanover. Essa limitação o afastou da tradicional carreira de oficial que os outros príncipes de sua geração abraçavam. Na verdade, ele chegou a considerar seguir a vida de clérigo na Igreja da Inglaterra.

Em 1786, foi enviado com os irmãos para a Universidade de Göttingen, na Alemanha. Esse período no continente fomentou seus interesses intelectuais e o expôs a ideias liberais que o acompanhariam por toda a vida.

1.2. Casamentos ilegais e filhos

Enquanto se recuperava do clima romano em busca de alívio para sua asma, conheceu Lady Augusta Murray, segunda filha do 4° conde de Dunmore. Em abril de 1793, os dois se casaram secretamente numa cerimônia da Igreja da Inglaterra em Roma, repetindo o ato em dezembro do mesmo ano na famosa igreja de St. George, Hanover Square, em Londres – sem jamais revelar suas verdadeiras identidades.

A união, no entanto, infringia a Royal Marriages Act de 1772, que exigia o consentimento do soberano. O rei George III anulou o casamento em agosto de 1794. O príncipe também teve um romance extraconjugal com uma certa Mrs. Bugge e foi apontado como amante da famosa Emma Hamilton, a cortesã associada a Lord Nelson.

Do primeiro casamento nasceram dois filhos:

  • Augusto Frederico d’Este (1794‑1848) – oficial do exército que mais tarde se tornou a primeira pessoa na história com diagnóstico definitivo de esclerose múltipla.

  • Augusta Emma d’Este (1801‑1866) – casou-se com Sir Thomas Wilde, primeiro Barão Truro e lorde‑chanceler da Inglaterra.

Como o casamento foi declarado nulo, os dois filhos foram considerados ilegítimos e nunca puderam herdar os títulos do pai. Em 1806, Lady Augusta recebeu permissão real para usar o sobrenome D’Ameland em vez de Murray, e as crianças adotaram o nome de família d’Este.

1.3. Ducado e atividades públicas

Em 27 de novembro de 1801, Augusto Frederico foi formalmente criado Barão de Arklow, Conde de Inverness e Duque de Sussex. Contudo, suas opiniões políticas progressistas – defesa da emancipação católica, abolição da escravatura, reforma parlamentar e fim das restrições civis a judeus e dissidentes – o afastaram cada vez mais do pai e da corte.

Foi eleito presidente da Society of Arts em 1816 e ocupou a presidência da Royal Society entre 1830 e 1838. Construiu uma impressionante biblioteca pessoal de mais de 50.000 volumes, incluindo cerca de 1.000 edições da Bíblia e inúmeros manuscritos antigos – em hebraico e outras línguas.

Apesar de casado com Lady Augusta Murray, o duque tornou‑se amante de Lady Cecília Letícia Buggin, filha do 2° conde de Arran. Em 1831, um ano após a morte de Lady Augusta, casou‑se novamente, novamente sem a autorização real. Lady Cecília nunca pôde usar o título de Duquesa de Sussex, mas a rainha Vitória a criou Duquesa de Inverness em 1840.

1.4. Morte e testamento

Após uma vida plena de contrastes, Augusto Frederico faleceu em 21 de abril de 1843 no Palácio de Kensington, vítima de erisipela (uma infecção bacteriana da pele). Tinha 70 anos.

No seu testamento, expressou o desejo de não ser enterrado junto aos demais membros da família real. Em consequência, foi sepultado no Cemitério de Kensal Green, em Londres, num jazigo em frente à capela principalThe Times, em seu obituário, registrou que “nenhuma morte na família real, a não ser o falecimento de um soberano, poderia ter provocado um sentimento mais forte de perda”.

Como o duque não deixou herdeiros legítimos, o ducado de Sussex ficou vago até ser reativado pela rainha Elizabeth II em 2018 para o príncipe Harry.

Capítulo 2 – Curiosidades

2.1. O “príncipe rebelde” da família real

Augusto Frederico foi o único filho sobrevivente de George III que não seguiu carreira militar nem naval. Sua asma o tornava inadequado para as duras campanhas de Hanover, e sua personalidade independente o transformou num Whig convicto, defendendo reformas que a corte absolutista abominava.

2.2. Capacete‑à‑senhorita e três oitavas de voz

Além de ser muito alto – mais de 1,90m –, o duque possuía uma voz extremamente extensa. Certa vez gabou‑se: “Tenho a voz mais maravilhosa que já se ouviu – três oitavas – e eu entendo de música”. Colecionava pássaros cantores, relógios e era apaixonado por ópera.

2.3. A biblioteca “Monstra” e as Bíblias

Sua coleção particular era tão notável que mereceu um catálogo próprio, o Bibliotheca Sussexiana. Entre os tesouros estavam um Pentateuco manuscrito de 1272, uma cópia da Bíblia de Gutenberg em papel e a Bíblia de 1462 em vitela. Muitos desses volumes foram doados ou vendidos após sua morte, mas a coleção permanece um marco bibliográfico.

2.4. “Tio favorito” da rainha Vitória

Ainda que fosse filho de George III, Augusto Frederico gozava de grande afeição por parte de sua sobrinha, a rainha Vitória. Foi ele quem levou Vitória ao altar em seu casamento com o príncipe Alberto, em 1840.

2.5. Um título renascido 175 anos depois

Quando o príncipe Harry recebeu o título de Duque de Sussex em maio de 2018, tornou‑se o primeiro Duque de Sussex em 175 anos. Meghan Markle, sua esposa, por sua vez, é a primeira Duquesa de Sussex da história – pois as esposas anteriores nunca puderam usar o título em razão da ilegalidade dos casamentos.

Capítulo 3 – Biografia Maçônica

3.1. Iniciação na Europa

Ainda jovem, enquanto vivia na Holanda austríaca, Augusto Frederico foi iniciado na maçonaria no final do século XVIII, num rito escocês próximo à Estrita Observância Templária. Mais tarde, ele declararia que essa iniciação foi um dos momentos mais importantes de sua vida.

3.2. Subida ao trono maçônico

Em 12 de fevereiro de 1812, o príncipe regente (futuro George IV) nomeou o duque de Sussex Grão‑Mestre Adjunto da Premier Grand Lodge of England. Em janeiro de 1813, ele assumiu o cargo máximo, tornando‑se Grão‑Mestre da Premier Grand Lodge. Sendo último Grão-Mestre da Grande Loja dos Modernos.

Naquela época, a maçonaria inglesa vivia uma divisão de mais de 40 anos entre os “Antigos” e os “Modernos”. Em 27 de dezembro de 1813, as duas facções reuniram‑se no Freemasons’ Hall de Londres para criar a United Grand Lodge of England (UGLE), e o duque de Sussex foi aclamado como seu primeiro Grão‑Mestre.

3.3. Unificação e os “Graus Laterais”

O duque trabalhou incansavelmente para conciliar as práticas rivais. Criou a Loja de Reconciliação, que funcionou de 1813 a 1816 e produziu rituais unificados. A principal controvérsia foi o status do Real Arco de Jerusalém – no final, ficou definido como parte integrante da “Maçonaria Pura e Antiga” de três graus.

Quanto aos chamados “Altos Graus” (como Cavaleiros Templários e Rito Antigo e Aceito), o duque, sem proibi‑los formalmente, desencorajou suas atividades, considerando‑os incompatíveis com a maçonaria unificada.

3.4. A “descristianização” dos rituais

Uma das marcas mais originais de seu magistério foi o processo de “descristianização” dos rituais. Educado no cristianismo, o duque aprendeu hebraico, frequentou a Grande Sinagoga de Londres e quis que a maçonaria acolhesse judeus, cristãos (de qualquer denominação) e muçulmanos, todos unidos pela referência ao Antigo Testamento. Ele trabalhou para eliminar referências explicitamente cristãs que pudessem excluir os não‑cristãos, sem, contudo, promover um secularismo antirreligioso.

3.5. Legado maçônico

  • Em 1842, fundou a Royal Masonic Benevolent Institution, destinada a amparar maçons idosos e suas viúvas – instituição que ainda hoje cuida de mais de mil pessoas na Inglaterra e no País de Gales.

  • Seu mandato como Grão‑Mestre durou de 1813 até a sua morte em 1843, totalizando 30 anos de liderança – um dos mais longos da história da UGLE.

  • No Museu da Maçonaria, em Londres, encontra‑se um busto de mármore do duque, esculpido por Francis Chantrey, com a inscrição: *“HRH THE DUKE OF SUSSEX / ELECTED GRAND MASTER OF FREE MASONS 1813”*.

  • O maçom e historiador George Oliver dedicou ao duque sua obra “Signs and Symbols Illustrated and Explained in a Course of Twelve Lectures on Freemasonry” (1837).

Ao falecer, o duque de Sussex era reconhecido como a face da maçonaria inglesa da primeira metade do século XIX e o homem que, mais do que qualquer outro, forjou a Grande Loja Unida da Inglaterra tal como a conhecemos hoje.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes

Wikipedia – Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex
History Hit – Rebel Royal: Who Was Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex?
Victorian Web – Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex (1773–1843)
Wikisource – Dictionary of National Biography, 1885‑1900 (Augustus Frederick)
Wikipedia – Augusto Frederico, Duque de Sussex (em português)
Museum of Freemasonry – The Sceptre and the Trowel
BBC News – First Duke of Sussex unlucky in love after marriage rows
O Prumo de Hirão – O Grão‑Mestre Duque de Sussex (1813‑1843) e a descristianização dos rituais ingleses
Art UK – Augustus Frederick (1773–1843), Duke of Sussex (pintura e informações maçônicas)
Wikipedia – Augustus d’Este (filho do duque)
Royal Masonic Benevolent Institution (fundada pelo duque)

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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