Especulações a Respeito das Iniciações no Futuro
Se projetarmos nossa mente para daqui a cem anos — utilizando a especulação, a imaginação e os conhecimentos que temos no presente sobre a evolução da ciência e o avanço do pensamento humano —, podemos imaginar um futuro em que ocorram profundas alterações de valores éticos e morais, mudanças nos costumes, reavaliações de princípios, e em que o homem consiga vencer os monstros do seu subconsciente, tornando-se bom, e, enfim, souber gozar todo o maravilhoso progresso alcançado nos últimos dois séculos.
Diante desse cenário, muitas perguntas nos vêm à cabeça:
- Existirão igrejas?
- Sobreviverão tantas denominações religiosas quanto as que temos hoje?
- Haverá necessidade de templos?
- Qual será a moderna concepção do GADU?
- A Maçonaria sobreviverá se não mudar e não se adaptar?
- As mulheres farão parte da Maçonaria Tradicional? Quando?
- Existirão doenças incuráveis?
- E as guerras — continuarão a ser um dos flagelos da humanidade?
- Como se comportará a mente humana?
- Haverá mais amor, mais perdão, mais tolerância nos corações dos homens?
- E o paranormal — conseguirá transpor facilmente a barreira dos cinco sentidos?
O Avanço Tecnológico e a Mudança de Paradigmas
Se a civilização, nos últimos cem anos, à mercê de um avanço tecnológico incrível e fantástico, de invenções que mudaram a história da humanidade, com maior liberdade de expressão e de pensamento, alcançou a posição atual, houve pelo menos uma pálida coerência entre a ciência e a humanidade — ainda que esta continue a aceitar os princípios cartesianos, que valorizam o racionalismo e o dualismo metafísico.
A ciência clássica não estuda um fenômeno como um todo, mas isoladamente. Hoje, porém, já se fala na Teoria Holística, onde tudo faz parte de um todo interconectado.
Com o advento da Informática, da Internet, da Realidade Virtual e de outras invenções maravilhosas que surgem a cada dia, o futuro parece ter escapado das previsões humanas. O cartesianismo já não consegue mais explicar os fatos. Neste momento, estamos usando a imaginação.
Se analisarmos a revolução provocada pelo mundo digital em rede mundial, não temos condições de prever o que acontecerá daqui a dez anos — quanto mais daqui a cem!
Atualmente, já é realidade a projeção, através de chips, de holografias em qualquer superfície. Já existe um grupo de cientistas, chamado Terceira Cultura (The Third Culture), que se dedica a refletir e estudar modelos coerentes para a sociedade do futuro. Deveria haver, também, um grupo de maçons fazendo o mesmo em relação à Ordem. Afinal, como será o seu porvir?
A Nova Física e a Consciência Humana
Parece que, após a moderna concepção da Teoria da Relatividade e da Física Quântica — cujos princípios já estão sendo aplicados, por analogia, a outros segmentos da humanidade além da física subatômica —, vivemos um momento de maior confusão.
Esses princípios lidam com fenômenos não visíveis, onde tudo é um todo interconectado, como uma rede da qual o ser humano faz parte. Uma das características da mecânica quântica é que devemos esperar o fenômeno acontecer para depois explicá-lo. É crucial a maneira como o observador vê e sente o fenômeno.
Essa ideia se assemelha muito à realidade virtual, onde a percepção subjetiva molda a experiência.
O Maçom e a Informática: Um Encontro Inevitável
Como será a parceria do maçom com a Informática, se ele está acostumado a aceitar ensinamentos que há mais de um século não sofreram atualização adequada? Agora, querendo ou não, terá à sua disposição um volume inimaginável de informações.
O que fazer com elas? Como diferenciá-las e usá-las para o seu próprio bem? Essa situação nunca foi cogitada no passado. E ainda mais considerando que a maioria dos maçons atuais não está muito interessada na Informática?
Como Serão as Iniciações no Futuro?
Sabemos que já existem recintos cibernéticos onde o indivíduo é introduzido, podendo mover-se livremente — sem capacete ou luvas — usando apenas óculos polarizados com visão de 360 graus e vários projetores posicionados estrategicamente. Ele tem uma experiência tridimensional totalmente virtual, conectada a um programa.
Imagine que esse programa seja uma Iniciação Maçônica.
Os maçons atuais já pensaram nisso?
Cada dia surgem novidades no mundo digital, e descobertas ainda mais incríveis estão por vir.
Imaginem a integração com os elementos da natureza, com os mundos e com o infinito. O neófito viverá uma experiência tão intensa que se identificará com tudo. Sua aproximação com Deus, ou com uma Força Criadora, será muito maior.
Templos ou Centros Cibernéticos de Iniciação?
Teremos templos ou centros cibernéticos de iniciações?
A aproximação com o Uno não será muito maior e mais rápida?
Será que o tempo necessário para se chegar à verdadeira iniciação — real ou virtual — será mais breve?
Será que a Iniciação virtual não se tornará mais real do que a iniciação que hoje consideramos real?
Será que a iniciação virtual não será quase instantânea?
Ficam estas indagações na mente de cada um.
Uma Analogia com o Vinho: Tradição vs. Tecnologia
Os enólogos afirmam que o vinho, fabricado ritualisticamente pelos europeus há milênios — com segredos de produção passados de geração em geração e envelhecido em tonéis de madeira durante anos — sofreu um avanço tecnológico extraordinário por parte das vinícolas americanas.
Hoje, os americanos usam tonéis de alumínio, adaptados pela tecnologia moderna, capazes de envelhecer o vinho em poucas horas. E a qualidade dos vinhos americanos é boa e aceitável.
Imagine um velho vinicultor europeu, que aprendeu com seus antepassados a produzir vinho artesanalmente, aceitando essa mudança. Ele jamais aceitará. Para ele, é uma questão cultural.
No entanto, o processo moderno de envelhecimento rápido é uma realidade incontestável.
Usamos essa analogia para explicar como os maçons que insistem em ignorar a Internet ficarão para trás. A Internet veio para ficar. Trouxe um avanço equivalente a vários séculos para a nossa civilização.
Estamos, no momento, perdidos — porque ela está fora do nosso controle. Não sabemos exatamente o que irá acontecer. Teremos que esperar e ver.
Lojas Virtuais: Uma Realidade Já Presente
Já existem Lojas Virtuais.
- A Inglaterra foi o primeiro país a fundar uma Loja Virtual: a Internet Lodge nº 9659, em 29 de janeiro de 1998.
- Vale lembrar que foi também na Inglaterra, em 1884, que foi fundada a primeira Loja de Pesquisas: a Quatuor Coronati Lodge nº 2076, que na época foi combatida por desafiar mitos, aberrações, erros e crendices. Os ingleses estavam errados? Hoje, são reconhecidos como pioneiros.
No Brasil, temos conhecimento de duas Lojas:
- Loja “Futura”, fundada em 20 de setembro de 1999, em Recife (Pernambuco). Reúne-se a cada dois meses em loja física e quinzenalmente via Internet. Pertence ao Grande Oriente Independente de Pernambuco.
- Loja “Cavaleiros da Luz”, fundada pelo saudoso Irmão José Castellani em 13 de maio de 2000. Após um período de inatividade, ressurgiu em Florianópolis. As reuniões são realizadas na sala “Loja Virtual”, acessível apenas a Irmãos pré-cadastrados.
- Importante: esta Loja não realiza iniciações.
- Participam Irmãos de várias partes do mundo, desde que pertençam a Obediências consideradas regulares.
Serão as Lojas Virtuais Totalmente Virtuais?
Serão completamente virtuais, ou precisarão de um suporte físico?
Serão híbridas?
Atualmente, já estão sendo planejados e construídos aparelhos capazes de projetar hologramas e enviá-los para qualquer lugar — inclusive em qualquer superfície.
Imaginemos hologramas de Irmãos projetados em um espaço virtual (uma “loja”), onde todos os cargos estariam ocupados e todos se enxergariam como em uma loja real.
Impossível? Por que não sonhar?
Ética e Moral na Internet: O Desafio Digital
Por outro lado, se existem Irmãos internautas sérios, será que a maioria dos maçons na Internet está usando corretamente a ética e a moral que acreditamos terem aprendido em suas Lojas-Mãe?
Muitos Irmãos não percebem que a Internet é um verdadeiro santuário do saber, um inconsciente coletivo cibernético da humanidade. No entanto, enviam mensagens pornográficas, piadas indecorosas, em vez de trocar mensagens inteligentes ou informações sobre a Ordem.
Uma Iniciação daqui a Cem Anos: O Sonho do Futuro
Sonhando, imaginemos uma iniciação daqui a cem anos, raciocinando dentro da nossa concepção atual, na qual a Maçonaria ainda existirá como a imaginamos hoje.
Acreditamos, em princípio, que a Ordem sobreviverá. Por quê?
Porque ela sempre foi um corredor iluminado de toda a essência filosófica de todos os tempos. Sempre soube selecionar o melhor da sabedoria humana. Sempre teve uma ala progressista muito forte, que impediu sua extinção — apesar dos retrógrados que se dizem tradicionalistas, mas que não entendem a Essência da Ordem.
A Ordem passou por todas as crises imagináveis e sobreviveu. Não irá sucumbir agora, no século XXI.
Joguemos nossa mente no futuro. Ninguém pode nos impedir de sonhar, especular ou imaginar.
Suponhamos que, nesse tempo vindouro, quinhentos candidatos que responderam a um anúncio na Internet decidam tornar-se maçons.
Por que decidiriam isso?
Ainda haverá resquícios de religiões, mas muitos homens livres-pensadores do futuro buscarão uma sociedade onde o desenvolvimento espiritual não dependa do sentimento religioso, mas da razão e do estudo — para chegar ao mesmo fim: o GADU.
Acreditamos que não haverá mais necessidade de sindicância. Ao responder ao anúncio da loja — ou do Centro Cibernético Maçônico —, o perfil do candidato será imediatamente cadastrado, analisado e aprovado ou rejeitado. Todo cidadão será um número.
O Rito da Iniciação Futura
Como seria essa iniciação?
Certamente, não seguirá os moldes tradicionais atuais. Provavelmente durará apenas alguns minutos, talvez segundos — ou será quase instantânea.
Talvez, nessa época, nem exista mais a palavra “Iniciação”. O termo poderá ser “Expansão da Mente Maçônica” ou outro adequado ao tempo.
O candidato receberá um medicamento — uma pílula, uma psicodroga — que não causará efeitos colaterais, cuja ação terminará assim que ele vivenciar o programa instalado.
Esse medicamento provocará uma expansão da mente, mais precisamente por meio das ondas alfa, seguidas pelas ondas beta.
Dentro do recinto — totalmente virtual —, a fantástica experiência impregnará a mente do iniciando de tal forma que ele viverá uma integração total com a natureza e com o próprio GADU.
Ele sentirá que a natureza é ele mesmo.
Será fogo, ar, água, terra, plasma — o quinto estado da matéria.
Nessa aventura, nas profundezas da mente, se sentirá uma partícula consciente do GADU.
Andará pelo Universo.
Caminhará entre as estrelas.
Visitará galáxias distantes.
Entrará no átomo.
Sentir-se-á no âmago de uma folha verde.
Será uma formiga, uma bactéria.
Aprenderá com os Sábios.
Encontrará o Conhecimento.
Tudo isso acontecerá em poucos minutos — ou segundos.
Ele será o dono, o senhor da Essência da vida e da própria alma, criação inequívoca do GADU.
Será o maçom triunfante do futuro.
Pena que eu não esteja lá. Nasci antes desse tempo. Resta-me apenas o direito de imaginar.
Mas gostaria de estar lá quando algo semelhante ao que vislumbro acontecer.
Coisas da imaginação.
Conclusão: O Direito de Sonhar
Resta-me, pois, apenas o tímido — ainda que ousado — consolo de sonhar com a Maçonaria do futuro.
Não digo que ela será exatamente como a imagino, mas que continuará grandiosa — disso não tenho dúvidas.
Teremos novos paradigmas.
E a Ordem, como sempre, saberá reinventar-se.
Autor: Hercule Spoladore
Publicado em: 6 de agosto de 2018
Fonte: JB News

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











