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Princípio da Verificabilidade (ou Falseabilidade) – Uma proposição só tem significado cognitivo se puder ser verificada (ou falseada) empiricamente
maio 28, 2026
Princípio da Verificabilidade (ou Falseabilidade) – Uma proposição só tem significado cognitivo se puder ser verificada (ou falseada) empiricamente
O debate entre verificabilidade e falseabilidade configura um dos episódios mais importantes da filosofia da ciência do século XX. Ambos os princípios pretendem estabelecer umcritério de demarcação – ou seja, um instrumento capaz de distinguir a ciência genuína da pseudociência, da metafísica especulativa ou das crenças meramente subjetivas.
O Princípio da Verificabilidade foi formulado pelos integrantes do Círculo de Viena (também conhecidos como positivistas lógicos ou empiristas lógicos), grupo de filósofos e cientistas que se reunia na Universidade de Viena entre os anos de 1922 e 1936. Entre seus principais expoentes estavam Moritz Schlick, Rudolf Carnap, Otto Neurath e Hans Hahn.
O princípio estabelece, em sua formulação canônica, que uma proposição sintética (isto é, não puramente lógica ou matemática) só possui significado cognitivo se for empiricamente verificável.
Em outras palavras, para que uma asserção sobre o mundo tenha sentido, é necessário que se possa descrever, ao menos em princípio, as condições empíricas que a tornariam verdadeira. Se nenhum procedimento observacional puder, nem teoricamente, determinar sua verdade ou falsidade, a proposição é considerada cognitivamente sem sentido – não é falsa, mas simplesmente vazia, como se estivesse a dizer nada sobre o mundo.
A consequência desse princípio foi, como é sabido, a rejeição sumária de vastas áreas da filosofia tradicional – metafísica, teologia natural, ética normativa – como carentes de significado cognitivo. O programa de unificação da ciência (o chamado Encyclopedism) e a construção de uma linguagem fisicalista unificada foram empreendimentos centrais desse movimento.
Todavia, o princípio da verificabilidade logo se mostrou problemático. Enunciados universais (como “todos os corvos são pretos”) não são diretamente verificáveis, pois verificar tal afirmação exigiria a observação de todos os corvos do universo – tarefa impossível na prática. Além disso, o próprio princípio da verificabilidade não parece ser empiricamente verificável, o que lançaria sobre ele sua própria acusação de falta de sentido.
Essas e outras dificuldades levaram Carnap a formular versões mais brandas (o princípio da confirmabilidade), mas o projeto original não resistiu às críticas.
O filósofo austríaco Karl Popper, em obras como A Lógica da Pesquisa Científica (1934), propôs uma reviravolta na compreensão do critério de demarcação. Popper rejeitou a verificabilidade como critério adequado, argumentando que o que caracteriza a ciência não é a possibilidade de verificação, mas a possibilidade de falseamento (ou refutabilidade).
Para Popper, uma proposição ou teoria é científica se, e somente se, existe pelo menos uma observação ou experimento factível que, se realizado, pudesse mostrar que a proposição é falsa. Em sua própria formulação: a falseabilidade é a propriedade de uma asserção, ideia, hipótese ou teoria poder ser mostrada falsa.
Por exemplo, a asserção “todos os corvos são pretos” é científica porque pode ser falseada pela observação de um único corvo vermelho. Em contraste, uma teoria como a psicanálise (na interpretação popperiana) seria não falseável, pois qualquer comportamento humano pode ser reinterpretado a posteriori como confirmação de suas hipóteses, sem que jamais se possa conceber um fato que a contradissesse.
Popper propôs a falseabilidade como solução para o problema da indução, que Hume havia demonstrado ser insolúvel: não podemos validar indutivamente enunciados universais por mais observações favoráveis que realizemos.
Em vez de tentar verificar teorias (o que é logicamente impossível), os cientistas devem se esforçar por refutá‑las – submeter suas hipóteses a testes rigorosos e, se elas resistirem às tentativas de falseamento, considerá-las corroboradas (mas jamais definitivamente confirmadas). A ciência, nessa perspectiva, progride por tentativa e erro, por conjecturas ousadas e refutações severas.
O critério da falseabilidade é amplamente utilizado hoje como um dos instrumentos para distinguir a ciência empírica de outras formas de discurso. No entanto, também recebe críticas: a história da ciência mostra que teorias científicas bem‑sucedidas frequentemente inicialmente contrariam a evidência disponível (sem que por isso sejam abandonadas), e a falseabilidade em sentido estrito deixaria de classificar como científica a maior parte das teorias científicas reais, que dependem de hipóteses auxiliares para reconciliar observações contraditórias.
A pesquisa que reuni, a respeito do tema e prezando por uma interpretação bem ordinária, sem conclusões precipitadas ou inovadoras, com base em sólida documentação e textos de redação consistentes, espero ter abordado o assunto com a clareza e a humildade que ele exige. Não pretendi esgotar as questões, tampouco entregar respostas definitivas.
O que ofereço é um percurso documentado – filosófico, teológico, humanístico e maçônico – que respeita as fontes e evita voos retóricos desnecessários. Cada leitor, à sua maneira, poderá aprofundar ou discordar. A mim coube apenas organizar o que outros, mais sábios, já pensaram e escreveram, acrescentando o testemunho honesto de quem, ao longo dos anos, aprendeu que viver, morrer e esperar o além são mistérios que se mostram mais na prática do que na teoria. Que este trabalho sirva não como ponto de chegada, mas como convite à reflexão pessoal.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
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