Quando comecei a pesquisar a figura de Elizabeth I da Inglaterra, confesso que a enxergava apenas como a rainha de gola armada e maquiagem branca que deu nome a uma época — importante, sem dúvida, mas talvez menos fascinante do que os conquistadores e imperadores que já havia estudado.
Ledo engano. Ao me aprofundar em sua história, deparei-me com uma das figuras mais extraordinárias e contraditórias de toda a realeza europeia: uma mulher que, em um século dominado por homens, governou com mão firme por 45 anos; que foi declarada bastarda aos três anos, aprisionada na Torre de Londres pela própria irmã e, no entanto, ascendeu ao trono para se tornar a monarca mais amada da história inglesa; que se autodenominou “Rainha Virgem” e, ao fazê-lo, não apenas evitou as armadilhas do casamento real, mas transformou sua própria imagem no símbolo de uma nação.
Sua história — a de uma princesa rejeitada que derrotou a Invencível Armada Espanhola, patrocinou Shakespeare, fundou o Império Britânico e criou uma das imagens públicas mais brilhantemente executadas de toda a monarquia — é, a meu ver, uma das mais inspiradoras e complexas que a história nos legou.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória dessa mulher que, mais de quatro séculos depois de sua morte, continua a ser celebrada como uma das grandes governantes da história inglesa.
Elizabeth Tudor nasceu em 7 de setembro de 1533, no Palácio de Placentia, em Greenwich, filha do rei Henrique VIII da Inglaterra e de sua segundaesposa, Ana Bolena.
Seu nascimento foi uma profunda decepção para o pai, que havia rompido com a Igreja Católica e desafiado toda a cristandade justamente para anular seu casamento com Catarina de Aragão e casar-se com Ana Bolena na esperança de gerar um herdeiro varão. A chegada de uma segunda filha foi um duro golpe que enfraqueceu perigosamente a posição da nova rainha.
Antes mesmo de completar três anos, Elizabeth viu seu mundo desmoronar. Em 1536, sua mãe, Ana Bolena, foi acusada de adultério e traição e executada na Torre de Londres.
Henrique VIII declarou a anulação de seu casamento com Ana, tornando a pequena Elizabeth ilegítima e excluindo-a da linha de sucessão ao trono. A menina, que até então era tratada como princesa, passou a ser chamada apenas como “a Senhora Elizabeth Tudor” — uma marca de humilhação que carregaria por anos.
Afastada da corte e relegada a segundoplano, Elizabeth recebeu, no entanto, uma das melhores educações disponíveis para uma mulher no século XVI.
Sob a tutela de governantas como Catherine “Kat” Ashley e do humanista Roger Ascham, Elizabeth aprendeu a falar e escrever fluentemente em francês, flamengo, italiano, espanhol, latim e grego.
No final de sua educação formal, era considerada uma das mulheres mais cultas de sua geração.
Além das línguas, Elizabeth estudou história, filosofia, retórica, teologia e literatura clássica. Mais tarde, já como rainha, surpreenderia embaixadores estrangeiros ao responder-lhes em seus próprios idiomas, sem necessidade de intérpretes.
Os Perigos Da Juventude: Sob Maria I E A Torre De Londres
Com a morte de Henrique VIII em 1547, seu único filho varão, Eduardo VI, ascendeu ao trono aos nove anos de idade. Durante seu breve reinado, Elizabeth viveu relativamente protegida.
Mas, em 1553, com a morte prematura de Eduardo, a situação se tornou explosiva.
A sucessão foi disputada, e a meia-irmã católica de Elizabeth, Maria I, assumiu o trono. Mariaera uma católica fervorosa, determinada a restaurar o catolicismo na Inglaterra e a eliminar o protestantismo, religião na qual Elizabeth havia sido criada e educada.
Em 1554, uma rebelião liderada por Thomas Wyatt contra o casamento de Maria com Filipe da Espanha levou à prisão de Elizabeth. Embora fosse pouco provável que ela tivesse participado ativamente da conspiração, alguns dos revoltosos haviam entrado em contato com ela, tornando-a suspeita aos olhos da rainha.
Elizabeth foi interrogada e depois aprisionada na Torre de Londres, o mesmo local onde sua mãe havia sido executada dezoito anos antes.
A experiência foi traumática. Elizabeth permaneceu na Torre por dois meses, sob ameaçaconstante de execução. Apenas a intercessão de Filipe da Espanha e a falta de provas concretas salvaram sua vida.
Foi transferida para prisão domiciliar em Woodstock, onde viveu sob vigilância até a morte de Maria I.
Em 17 de novembro de 1558, Maria I morreu aos 42 anos, sem deixar herdeiros.
Elizabeth, então com 25 anos, foi proclamada rainha da Inglaterra e Irlanda. A notícia foi recebida com grande entusiasmo pelo povo e pela nobreza, que viam na nova soberana a esperança de um governo mais conciliador e estável.
Sua coroação ocorreu em 15 de janeiro de 1559, na Abadia de Westminster, em meio a celebrações suntuosas que marcaram o início de um novo capítulo na história inglesa.
O Assentamento Religioso E O Protestantismo Moderado
Uma das primeiras e mais importantes tarefas de Elizabeth foi resolver a questão religiosa que dividia seu reino.
O país estava dilacerado entre católicos e protestantes, e os reinados anteriores haviam oscilado violentamente entre as duas fés.
Em 1559, Elizabeth aprovou o Ato de Supremacia, que a declarava “Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra”, em vez de “Chefe”, uma formulação mais cuidadosa que evitava ofender os católicos, mas restabelecia firmemente a autoridade real sobre a Igreja.
O Acordo Religioso Elisabetano procurou restaurar o protestantismo como religião oficial, mas com certatolerância para com os católicos, a fim de evitar a violência sectária que havia marcado o reinado de sua meia-irmã.
Elizabeth buscou uma via de moderação — um meio-termo entre o catolicismoromano e o protestantismo radical dos puritanos.
A Igreja Anglicana que emergiu desse arranjo mantinha bispos e arcebispos e conservava muitas características do catolicismo, mas rejeitava a autoridade papal.
Desde o início de seu reinado, Elizabeth enfrentou intensas pressões para se casar.
Seus conselheiros temiam que a ausência de um herdeiro levasse a Inglaterra à instabilidade, e o Parlamento insistia que uma mulher, sozinha, não poderia comandar um país.
Entre os pretendentes mais assíduos estava Robert Dudley, Conde de Leicester, amigo de infância da rainha, que manteve uma proximidade incomum com a soberana durante décadas.
Em 1560, a morte suspeita da esposa de Dudley, Amy Robsart, em uma queda escandalosa, gerou boatos de que ele teria assassinado a esposa para se casar com a rainha — embora nunca tenha sido comprovado.
Apesar de sua afeição genuína por Dudley — a quem chamava carinhosamente de “meus olhos” —, Elizabeth recusou-se a se casar com ele ou com qualquer outro pretendente.
Em 1559, em resposta aos parlamentares que a pressionavam, declarou: “Já estou ligada a um marido que é o reino da Inglaterra”.
Mais tarde, afirmaria que uma pedra de mármore declararia que uma rainha “viveu e morreu virgem”.
As razões para sua recusa ao casamento eram múltiplas:
Traumas de infância: A execução de sua mãe, a morte suspeita de madrastas e as traições constantes na corte de Henrique VIII a haviam deixado com profunda desconfiança em relação aos homens e ao casamento.
Medo do parto: O parto era extremamente perigoso no século XVI, e Elizabeth testemunhou a morte de várias mulheres em decorrência do parto, incluindo sua avó e uma madrasta.
Perda de poder: O casamento significaria submeter-se à autoridade de um marido — uma ideia que a rainha, que certa vez declarou “I will have here but one mistress and no master” (“Aqui haverá apenas uma senhora e nenhum mestre”), abominava.
Diplomacia: Manter-se solteira permitia-lhe usar sua mão como moeda de barganha com as grandes potências europeias — França, Espanha e SacroImpério — mantendo-as em expectativa por anos.
O “Culto à Virgindade” foi uma construção gradual, cuidadosamente planejada por Elizabeth e seus conselheiros, que transformou sua recusa pessoal ao casamento em um símbolo poderoso de devoção à Inglaterra.
A imagem da “Rainha Virgem” — a esposa mística da nação — tornou-se o centro de uma elaborada propaganda monárquica que legitimava seu governo em um mundo dominado por homens.
Maria, uma católica devota, era considerada por muitos católicos europeus como a verdadeira herdeira do trono inglês, e seu nome foi envolvido em várias conspirações para depor Elizabeth.
Em vez disso, foi mantida em cativeiro por 19 anos. Durante esse período, sucessivas conspirações — a Rebelião do Norte (1569), a Conspiração de Ridolfi (1571) e a Conspiração de Babington (1586) — buscaram colocá-la no trono.
A última delas, a Conspiração de Babington, forneceu provas do envolvimento de Maria em um plano para assassinar Elizabeth.
Relutante em executar uma rainha ungida — especialmente sua prima e parente —, Elizabeth resistiu por meses, mas a pressão de seus conselheiros e do Parlamento foi decisiva.
Em 8 de fevereiro de 1587, Maria, Rainha dos Escoceses, foi decapitada no Castelo de Fotheringhay.
A Invencível Armada: 1588
A execução de Maria foi a gota d’água para Filipe II da Espanha, o monarca católico mais poderoso da Europa.
Determinado a depor Elizabeth e restaurar o catolicismo na Inglaterra, Filipe preparou uma enorme frota naval conhecida como a “Invencível Armada Espanhola”.
Em julho de 1588, a Armada — cerca de 130 navios e 30.000 homens — velejou em direção ao Canal da Mancha.
A Inglaterra, embora numericamente inferior em navios, possuía uma frota mais manobrável e canhões de maior alcance.
A batalha naval que se seguiu foi uma das mais famosas da história. Os navios ingleses, comandados por almirantes como Francis Drake e Charles Howard, atacaram a Armada repetidamente, infligindo danos significativos.
Em agosto, os espanhóis foram forçados a recuar pelo norte da Escócia. Tempestades violentas no Mar do Norte destruíram ou dispersaram os navios restantes. Menos da metade da Armada retornou à Espanha.
Elizabeth cavalgou até o acampamento militar em Tilbury, vestiu armadura — sobre um vestido branco de aparência frágil — e proferiu um dos discursos mais célebres da história:
“Sei que tenho o corpo de uma mulher fraca e frágil, mas tenho o coração e o estômago de um rei — e de um rei da Inglaterra também.”
A derrota da Armada consolidou a Inglaterra como uma potência naval emergente e elevou Elizabeth ao status de ícone nacional.
Na cultura, a corte de Elizabeth tornou-se um centro de arte e inovação.
A rainha patrocinou dramaturgos, poetas, músicos e pintores. O mais célebre deles, WilliamShakespeare, escreveu suas obras-primas durante seu reinado — e a própria rainha assistiu a muitas de suas peças.
Christopher Marlowe, Ben Jonson, Edmund Spenser e outros grandes nomes da literatura inglesa floresceram nesse período.
Na exploração e no comércio, Elizabeth encorajou viagens de descoberta e pirataria patrocinada pelo Estado contra os navios espanhóis.
Francis Drake tornou-se o primeiro inglês a circunavegar o globo (1577–1580) e foi condecorado por Elizabeth a bordo de seu navio.
Walter Raleigh estabeleceu as primeiras colônias inglesas na América do Norte, embora tenham fracassado.
Em 1600, Elizabeth concedeu uma Carta Real à Companhia Britânica das Índias Orientais, que se tornaria um importante instrumento do comércio inglês com a Ásia e parte fundamental da expansão imperial posterior.
Economia E Administração
Na economia, o reinado de Elizabeth testemunhou um crescimento significativo do comércio.
A rainha manteve políticas fiscais prudentes, reduziu a dívida nacional e restaurou o valor da moeda inglesa.
Os últimosanos de Elizabeth foram marcados por tragédias pessoais e declínio físico.
A rainha perdeu seus conselheiros mais próximos, incluindo William Cecil, Lord Burghley, em 1598, e seu último grande favorito, Robert Devereux, Conde de Essex, que se rebelou contra ela em 1601 e foi executado — um acontecimento que a afetou profundamente.
No outono de 1602, Elizabeth entrou em um período de profunda melancolia. A morte da Condessa de Nottingham, Catherine Carey, foi outro golpe importante.
Segundo relatos, a rainha mergulhou em uma “melancolia assentada e irremovível”.
Elizabeth faleceu em 24 de março de 1603, no Palácio de Richmond, entre as duas e as três horas da madrugada, aos 69 anos de idade, após 45 anos de reinado.
Morreu sem herdeiro e sem marido. Com ela, extinguiu-se a dinastia Tudor, que governara a Inglaterra por 118 anos.
Sepultamento E Sucessão
Seu corpo foi sepultado na Abadia de Westminster, ao lado de seu irmão Eduardo VI.
O legado de Elizabeth I da Inglaterra é vasto e transformador, consolidando sua importância na história da monarquia inglesa.
Estabelecimento da Igreja Anglicana e moderação religiosa: Elizabeth restaurou o protestantismo na Inglaterra, mas com uma “via média” que procurou evitar os extremos tanto do catolicismo quanto do puritanismo.
Derrota da Invencível Armada Espanhola (1588): O triunfo inglês consolidou a Inglaterra como potência naval emergente.
Criação da Era de Ouro Elisabetana: O florescimento cultural do período, com Shakespeare, Marlowe, Spenser e outros grandes nomes, está entre os legados mais duradouros da época.
Expansão do comércio e exploração marítima: Elizabeth encorajou a exploração e concedeu a Carta Real à Companhia Britânica das Índias Orientais em 1600, lançando bases importantes para a expansão comercial inglesa.
Consolidação da identidade nacional inglesa: Por meio da imagem cuidadosamente construída como “Rainha Virgem” e “esposa da nação”, Elizabeth criou uma poderosa representação simbólica da monarquia.
Governança e administração: Elizabeth contou com conselheiros como William Cecil e SirFrancis Walsingham e utilizou amplamente a diplomacia nas relações com as potências europeias.
Patrocínio das artes e da educação: Sua corte atraiu importantes talentos artísticos e literários de seu tempo.
“Rainha Virgem”: O epíteto pelo qual Elizabeth é mais conhecida foi uma construção cuidadosamente elaborada e intensamente cultivada durante seu reinado.
A verdadeira altura da rainha: Os retratos de Elizabeth frequentemente a mostram como uma figura imponente e, segundo a tradição apresentada nas fontes, ela media cerca de 1,73 metro.
Poliglota: Além do inglês, Elizabeth dominava francês, flamengo, italiano, espanhol, latim e grego, havendo também relatos sobre seu conhecimento de galês.
Traduções e escritos: Elizabeth foi uma tradutora talentosa e produziu traduções de autores clássicos e textos religiosos, além de cartas políticas e pessoais.
O “Cavaleiro de Bronze”: Elizabeth apreciava cavalgar e, segundo relatos, era uma amazona habilidosa. O famoso retrato “Rainha Elizabeth I no Cavalo Branco” registra essa faceta de sua personalidade.
O discurso de Tilbury: Embora seja um dos discursos mais famosos associados a Elizabeth, existem dúvidas sobre a autenticidade textual da versão que chegou até a posteridade.
Maquiagem mortal: Elizabeth utilizava um cosmético conhecido como “Venetian Ceruse”, à base de chumbo e vinagre, associado à aparência branca característica de seus retratos.
A teoria da conspiração sobre seu gênero:Existe uma teoria marginal segundo a qual Elizabeth I teria sido, na realidade, um homem. Essa hipótese não é aceita pela historiografia convencional.
Patrona das artes do teatro: Elizabeth assistiu a apresentações teatrais e apoiou companhias importantes da época.
“Good Queen Bess”: Além de “Rainha Virgem”, Elizabeth também era conhecida por epítetos como “Boa Rainha Bess” e “Gloriana”, este último associado à obra de Edmund Spenser.
Embora não seja tão conhecida como escritora quanto alguns de seus contemporâneos, Elizabeth deixou uma produção literária notável.
Traduções e cartas: Elizabeth traduziu textos de autores clássicos e religiosos e escreveu cartas políticas e pessoais que constituem importantes fontes históricas.
Elizabeth I: Collected Works (2000): Reunião moderna de sua produção literária, incluindo cartas, discursos, poemas e traduções.
Poemas: Entre os poemas atribuídos a Elizabeth estão On Monsieur’s Departure e The Doubt of Future Foes.
Obras Inspiradas Em Elizabeth I
A vida da rainha gerou uma vasta produção literária, cinematográfica e artística.
A Rainha das Fadas (The Faerie Queene), de Edmund Spenser (1590–1596): poema épico no qual a rainha é celebrada sob o nome de “Gloriana”.
Elizabeth R (minissérie da BBC, 1971): Produção estrelada por Glenda Jackson, retratando a vida de Elizabeth desde a ascensão ao trono até a morte.
Elizabeth (filme de 1998): Filme dirigido por Shekhar Kapur e estrelado por Cate Blanchett.
Elizabeth: A Era de Ouro (2007): Sequência do filme de 1998, concentrada no confronto com a Armada Espanhola.
Elizabeth I (minissérie de 2005): Produção estrelada por Helen Mirren e dedicada especialmente aos últimosanos da rainha.
Becoming Elizabeth (série de 2022): Série dedicada à juventude de Elizabeth Tudor, antes de sua ascensão ao trono.
Vida Privada de Elizabeth e Essex (The Private Lives of Elizabeth and Essex, 1939): Filme estrelado por Bette Davis e Errol Flynn.
Fire Over England (1937): Filme relacionado às tensões entre Inglaterra e Espanha durante o período elisabetano.
The Virgin Queen (2005): Minissérie da BBC sobre a juventude e os primeirosanos do reinado de Elizabeth.
Orlando (1992): Filme de Sally Potter, baseado no romance de Virginia Woolf, que apresenta Elizabeth I em sua narrativa inicial.
Shakespeare in Love (1998): Filme vencedor do Oscar que apresenta uma versão ficcional da rainha Elizabeth, interpretada por Judi Dench.
Mary Queen of Scots (2018): Filme que explora a relação entre MariaStuart e Elizabeth I.
Elizabeth and Essex: A Tragic History: Romance histórico de Lytton Strachey sobre a relação entre Elizabeth e o Conde de Essex.
Elizabeth the Great: Biografia de Elizabeth Jenkins, publicada originalmente em 1958.
The Life of Elizabeth I: Biografia de Alison Weir, publicada em 1998.
Elizabeth: The Struggle for the Throne: Biografia de David Starkey, publicada em 2001.
The Crown: Série centrada em Elizabeth II que também apresenta referências históricas à Elizabeth I.
Ao final desta pesquisa, fica evidente que Elizabeth I da Inglaterra foi uma das figuras mais extraordinárias, complexas e influentes da história da realeza.
Em um século dominado por homens, ela não apenas sobreviveu — prosperou, governou por 45 anos e transformou seu reinado em um dos períodos mais marcantes da história inglesa.
Foi a princesa que nasceu e foi posteriormente declarada bastarda pelo próprio pai, mas que se tornou rainha da Inglaterra. Foi a “Rainha Virgem” que nunca se casou — mas que cultivou relacionamentos intensos com homens como Robert Dudley.
Foi uma governante protestante que executou sua prima católica, mas que também procurou estabelecer uma organização religiosa capaz de administrar as profundas divisões existentes na Inglaterra.
Foi uma mulher que, em Tilbury, declarou ter “o coração e o estômago de um rei”, mas que, no final da vida, enfrentou a solidão de uma existência sem filhos nem marido.
Sua maior obra talvez tenha sido a criação de si mesma: a construção de uma imagem pública cuidadosamente elaborada que transformou características que poderiam ser vistas como fragilidades — gênero, solteirice e ausência de herdeiro — em elementos de uma poderosa representação monárquica.
Sua morte, em 1603, marcou o fim da dinastia Tudor, mas não o fim de seu legado.
Shakespeare, que floresceu durante esse período, continua sendo encenado em todo o mundo. A Companhia Britânica das Índias Orientais, criada por Carta Real durante o reinado de Elizabeth, tornou-se posteriormente um instrumento central da expansão comercial inglesa na Ásia.
Sua imagem — a da RainhaVirgem, a esposa da nação e a Gloriana — continua a despertar interesse histórico e cultural mais de quatro séculos após sua morte.
Como escreveu o historiador J. E. Neale, “Elizabeth I foi a maior de todos os monarcas ingleses, não porque nunca tenha cometido erros, mas porque, ao longo de 45 anos, ela fez muito mais acertos do que erros”.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).