Sob seu comando, o “Exército Libertador”– composto por 2.500 homens divididos em quatro terços liderados por João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e AntônioFilipe Camarão – venceu os holandeses nas memoráveis Batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649.
Por essas vitórias, recebeu o título de “Restaurador de Pernambuco”. Após a guerra, governou Pernambuco e, mais tarde, o Brasil.
Este artigo, fruto de uma pesquisa que percorreu arquivos e crônicas da Restauração Pernambucana, convida o autor e o leitor a redescobrirem Francisco Barreto de Meneses como o estrategista que uniu colonos, negros livres e indígenas em um exército vitorioso – umherói cuja memória, inscrita no Livro dos Heróis da Pátria, ainda nos ensina que a coragem e a conciliação são armas mais poderosas que a espada.
Francisco Barreto de Meneses nasceu em 1616, no Vice-Reino do Peru (atual território do Peru), durante o período da União Ibérica (1580-1640), quando as coroas de Portugal e Espanha estavam unidas sob o mesmo monarca.
Seu pai, também chamado Francisco Barreto, eraum militar português e comandante da Praça de Callao, no litoral peruano.
Apesar de ter nascido em território espanhol, Barreto de Meneses era filho de português e sempre serviu à Coroa de Portugal, sendo classificado como um administrador colonial luso-brasileiro.
Pouco se sabe sobre sua infância e juventude. O que a história registra é que Francisco Barreto seguiu a carreira militar do pai. Antes mesmo de vir ao Brasil, teve uma breve passagem como governador da colônia de São Tomé e Príncipe, na costa africana, no ano de 1632.
Em algum momento, regressou a Portugal para participar da Guerra da Restauração (1640-1668), o conflito que consolidou a independência de Portugal em relação à Espanha. Lá, assumiu responsabilidades como capitão-de-cavalos na defesa da região do Alentejo. Essa experiência lhe deu a base militar que seria decisiva em sua atuação no Brasil.
Em 1647, Francisco Barreto de Meneses chegou ao Brasil enviado pela Coroa portuguesa com a missão de assumir o comando das forças que lutavam contra os holandeses em Pernambuco. No entanto, sua chegada não foi tranquila: foi preso logo ao desembarcar, mas conseguiu escapar. As circunstâncias dessa prisão e fuga permanecem obscuras, mas o episódio revela o clima de instabilidade e desconfiança que marcava a guerra no Nordeste.
2.2. O “Exército Libertador”
Após livrar-se da prisão, Barreto de Meneses assumiu o posto de “Mestre-de-Campo-General” , o mais alto posto militar do exército português na colônia. Sob seu comando, o chamado “Exército Libertador ou Patriota” foi organizado. As fontes divergem quanto ao efetivo: algumas mencionam 2,5 mil homens, enquanto outras registram 25 mil. A disparidade sugere que o número pode ter variado ao longo do conflito ou que uma das fontes incluiu milícias e auxiliares.
3.1. A Primeira Batalha (18 e 19 de abril de 1648)
Na primeiraBatalha dos Guararapes, Barreto de Meneses já estava no comando das operações. Embora a liderança tática no campo tenha sido exercida por outros comandantes, como Vidal de Negreiros e Henrique Dias, coube a Barreto a coordenação estratégica e a responsabilidade final pelo desfecho da batalha.
Barreto reuniu seus comandantes e, em conjunto, definiu a estratégia: bloquear o eixo central da colina principal e atrair o inimigo para a zona pantanosa. No dia 19 de fevereiro, aguardou o momento exato para ordenar o ataque. Os holandeses, confiantes em sua artilharia, avançaram pelo terreno instável e foram surpreendidos pelo contra-ataque coordenado.
A manobra holandesa se desfez sob fogo cruzado, e a vitória consolidou-se como umtriunfo de comando e sincronia. Foi a partir desse momento que a derrota holandesa se tornou inevitável.
4. Governador de Pernambuco e Governador-Geral do Brasil
4.1. Governador de Pernambuco
Após a rendição dos holandeses em 1654, Francisco Barreto de Meneses assumiu o governo da capitania de Pernambuco, cargo que ocupou de 1654 a 1657. Como governador, enfrentou a tarefa de reconstruir a economia açucareira e pacificar a região após anos de guerra.
Em 18 de junho de 1657, Barreto de Meneses foi elevado ao cargo de Governador-Geral do Brasil, sucedendo ao Conde de Atouguia, D. Jerônimo de Ataíde. Exerceu a função até 1663, com sede em Salvador, na Bahia.
Durante seu governo-geral, uma de suas principais atribuições foi organizar e arrecadar fundos para pagar a indenização de quatro milhões de cruzados devida aos holandeses pelo Tratado de Haia (1661). O pagamento deveria ser feito em 16 anos, em dinheiro, açúcar, sal ou tabaco. Foi umesforço financeiro imenso para a colônia, e Barreto demonstrou habilidade política e administrativa para conduzi-lo.
Por sua atuação decisiva nas Batalhas dos Guararapes, Francisco Barreto de Meneses recebeu o título de “Restaurador de Pernambuco”. O título consagrava sua posição como o principal responsável militar pela expulsão dos holandeses.
Em 6 de agosto de 2012, Francisco Barreto de Meneses foi declarado Herói da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 12.701, tendo seu nome inscrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria” (conhecido como “Livro de Aço”), no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.
Após as vitórias nos Guararapes, Francisco Barreto de Meneses mandou erguer uma capela em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres no local das batalhas, como forma de agradecimento. A imagem da padroeira foi doada por ele aos monges que cuidavam do templo.
Barreto de Meneses foi um dos fundadores da Venerável Irmandade do Senhor BomJesus dos Passos do Recife, considerada a mais antiga do Brasil. A irmandade, de caráter religioso e assistencial, existe até hoje e é uma das tradições mais enraizadas da cidade.
Uma das curiosidades mais marcantes de sua biografia é que Francisco Barreto de Meneses, apesar de ter nascido no Peru e ter servido em colônias africanas, é celebrado como um dos maiores heróis da históriabrasileira. Sua trajetória revela a complexidade do Império Português, no qual umhomem podia nascer em um continente, lutar em outro e ser imortalizado em um terceiro.
O testamento de Francisco Barreto de Meneses é umdocumentohistórico de grandevalor. Nele, ele instituiu seu patrimônio como morgado (um vínculo jurídico que preservava os bens na família). Comparado a outros líderes da Insurreição, como João Fernandes Vieira, que possuía dezesseis engenhos, o patrimônio de Barreto era mais modesto. Isso sugere que, diferentemente de outros “restauradores”, ele não fez da guerra uma oportunidade para enriquecimento pessoal.
Conclusão
Francisco Barreto de Meneses foi o arquiteto militar da vitória que expulsou os holandeses do Brasil. Sua genialidade não esteve apenas na estratégia de batalha, mas na capacidade de unir portugueses reinóis, luso-brasileiros, negros livres e indígenas em torno de um objetivo comum. Ele compreendeu que a diversidade do “Exército Libertador” não era uma fraqueza, mas uma força, e soube transformá-la em coesão militar.
Mais do que um general, foi umconciliador entre Lisboa e Pernambuco, um administrador que enfrentou os desafios do pós-guerra e umhomem de fé que ergueu uma igreja para agradecer pela vitória. Nascido no Peru, morto em Portugal, mas imortalizado no Brasil, Francisco Barreto de Meneses permanece como um dos grandes nomes da história colonial brasileira — o “Restaurador de Pernambuco” que, ao comandar um exército de heróis, ajudou a forjar a nação.
BRASILHIS. Francisco Barreto de Meneses. Base de Dados BRASILHIS: Redes pessoais e circulação no Brasil durante o período da Monarquia Hispânica (1580-1640). Disponível em: brasilhis.usal.es.
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WIKIPÉDIA. Francisco Barreto de Meneses (em inglês). Disponível em: en.wikipedia.org.
E-PUBLICAÇÕES UERJ. Morgadios coloniais entre a nobilitação e o mercado: Trajetória e patrimônio de Francisco Barreto de Menezes, restaurador do Recife. Disponível em: e-publicacoes.uerj.br.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).