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Higino Cunha

Higino Cunha: O Polímata Piauiense que Conquistou a Imortalidade nas Letras e na Maçonaria

No cenário intelectual do Piauí entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, poucos nomes brilharam com tanta intensidade quanto o de Higino Cícero da Cunha. Poliglota, filósofo, sociólogo, historiador, jurista, professor, orador, escritor, poeta, músico e maçom — esta lista de títulos, por si só, já dá a medida da extraordinária versatilidade de um homem que dedicou sua vida à construção do pensamento e das instituições de seu estado.

Biografia: Das Origens Humildes à Liderança Intelectual

Higino Cícero da Cunha nasceu em 11 de janeiro de 1858, no sítio Bacuri, então pertencente ao município maranhense de São José das Cajazeiras — hoje a cidade de Timon, bem próxima a Teresina. Filho de Luís José da Cunha e de Ludgera Maria da Conceição, iniciou os estudos na casa paterna, orientado pelos irmãos mais velhos.

Aos 12 anos, mudou-se para Teresina, onde conciliou trabalho no comércio com a formação escolar. Aos vinte anos, seguiu para São Luís, onde realizou os preparatórios para o curso jurídico entre 1878 e 1880. Em 1881, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, então um dos mais importantes centros formadores da elite intelectual brasileira, onde colaborou com o jornal Folha do Norte. Diplomou-se em 5 de outubro de 1885.

De volta ao Piauí, deu início a uma brilhante trajetória política. Após a renúncia do marechal Deodoro da Fonseca em novembro de 1891, o governador do Piauí foi deposto, e Higino Cunha integrou a junta governativa que assumiu o estado — ao lado de Clodoaldo Freitas, José Eusébio de Carvalho Oliveira, Elias Firmino de Sousa Martins e José Pereira Lopes.

Em 1895, transferiu-se para o Amazonas, onde exerceu a advocacia e o jornalismo, colaborando com A Federação e O Estado do Amazonas. Retornou ao Piauí no ano seguinte, tornando-se juiz de direito em diversas comarcas. Foi também procurador dos feitos da Fazenda estadual, cargo no qual se aposentou em 1925.

Sua atuação mais duradoura, porém, deu-se no campo das letras. Em 1917, foi um dos fundadores da Academia Piauiense de Letras (APL) , tornando-se o primeiro ocupante da Cadeira nº 7 — cujo patrono é Anísio Auto de Abreu. Presidiu a Academia por dois longos períodos: de 1919 a 1924 e de 1929 a 1943, somando cerca de vinte anos à frente da instituição.

Faleceu em 16 de novembro de 1943, em Teresina, aos 85 anos. Seus restos mortais repousam no Campo Santo São José, em Teresina.

Biografia Maçônica: O Maçom Emérito

Higino Cunha ingressou na Maçonaria em 20 de agosto de 1897, em um sábado de lua cheia, na Loja Simbólica Caridade II, em Teresina, sob a Obediência do Grande Oriente do Brasil.

Sua trajetória na Ordem foi tão notável que ele é descrito, em registros históricos, como “Maçom Emérito” — um título que reflete não apenas sua longevidade na fraternidade, mas também sua dedicação aos ideais maçônicos de liberdade, igualdade e fraternidade. Poliglota, filósofo, sociólogo, historiador, jurista, professor, orador, escritor, poeta e músico, ele personificava o ideal renascentista do homem completo — um ideal caro à Maçonaria.

Sua influência na maçonaria piauiense foi tão profunda que, décadas após sua morte, sua memória seria eternizada da forma mais significativa que uma fraternidade pode oferecer: uma loja com seu nome.

Em 9 de dezembro de 1947, foi fundada a Loja Maçônica “Higino Cunha”, a primeira loja da Grande Loja Maçônica do Piauí, com Carta Constitutiva outorgada pela Grande Loja Simbólica do Rio de Janeiro. Mais tarde, em Timon (sua cidade natal), seria fundada a Augusta e Respeitável Loja Maçônica Mestre Higino Cunha Nº 23, jurisdicionada à Grande Loja Maçônica do Estado do Maranhão.

Livros e Obras

A produção literária de Higino Cunha é vasta e multifacetada, abrangendo filosofia, história, crítica literária, direito, religião e memórias. Suas obras mais conhecidas incluem:

  • Pro Veritate (1883) — seu primeiro trabalho publicado

  • Asineide (1897)

  • O Idealismo Filosófico e o Ideal Artístico (1913)

  • Discursos Acadêmicos (1921)

  • O Teatro em Teresina (1923)

  • O Ensino Normal no Piauí (1923)

  • História das Religiões no Piauí (1924) — seu livro mais extenso, que recebeu fortes críticas por suas posições anticlericais

  • Histórias das Rebeliões no Piauí (1924)

  • Os Revolucionários no Sul do Brasil (1926)

  • O Assassínio do Juiz Federal (1928)

  • A Defesa do Professor Leopoldo Cunha (1934)

  • A Igreja Católica e a Nova Constituição da República (1934)

  • Memórias: Traços Autobiográficos (1940) — seu testamento literário

Além desses livros, produziu inúmeros artigos, discursos e ensaios publicados em jornais e revistas da época. Seu discurso Instrução e Civismo, proferido em 1910, é um dos exemplos mais notáveis de sua oratória. Sua obra Os Literatos e a República, em coautoria com Clodoaldo Freitas, alcançou sua terceira edição.

Curiosidades

  1. A Primeira Loja do Piauí: A Loja Maçônica “Higino Cunha”, fundada em 1947, foi a primeira loja da Grande Loja Maçônica do Piauí. A homenagem a um homem que já havia falecido há quatro anos demonstra o respeito duradouro que sua figura inspirava na fraternidade.

  2. Iniciação em Lua Cheia: Higino Cunha foi iniciado na Maçonaria em 20 de agosto de 1897, em um sábado de lua cheia — um detalhe poético que os registros históricos preservaram.

  3. Vinte Anos na Presidência da APL: Higino Cunha presidiu a Academia Piauiense de Letras por dois mandatos não consecutivos que somaram cerca de vinte anos (1919-1924 e 1929-1943), o que atesta sua liderança intelectual incontestável.

  4. Poliglota e Polímata: Era descrito como poliglota, filósofo, sociólogo, historiador, jurista, bibliotecário, professor, orador, escritor, poeta, músico e maçom emérito — uma lista que poucos intelectuais brasileiros de sua época poderiam igualar.

  5. Obras que Causaram Polêmica: Seu livro História das Religiões no Piauí (1924) recebeu fortes críticas por suas ideias anticlericais, refletindo o embate entre o pensamento laico e a ortodoxia católica que marcou o início da República.

  6. Homenagens Urbanas: Uma importante avenida em Teresina leva seu nome, assim como uma rua em Duque de Caxias (RJ). Há também um viaduto com seu nome na capital piauiense.

  7. Jazigo Restaurado por Maçons: Seu túmulo no Campo Santo São José, em Teresina, foi restaurado por iniciativa de maçons da loja que leva seu nome — Ossyan Coelho e José Antônio Cavalcante. A lápide traz uma inscrição que resume sua vida: “Higino Cunha aqui jaz, Na terra os restos mortais, Que o tempo apagará. A indelével memória E o registro na história Este jamais morrerá”.

  8. A Primeira Loja de Timon: A Loja Maçônica Mestre Higino Cunha Nº 23, em Timon (sua cidade natal), foi a primeira loja maçônica da cidade, consolidando a ligação eterna entre o ilustre filho da terra e a fraternidade que tanto honrou.

  9. O Legado nas Letras Piauienses: Sua atuação como fundador e presidente da Academia Piauiense de Letras o colocou no centro da vida cultural do estado por mais de duas décadas, sendo descrito como um dos nomes “estruturantes da vida intelectual e institucional do Piauí”.

Conclusão

Higino Cunha foi, acima de tudo, um construtor — de instituições, de ideias e de memória. Como juiz, deu forma ao direito; como político, ajudou a governar seu estado em momentos de transição; como acadêmico, fundou e presidiu a mais importante instituição literária do Piauí; como maçom, personificou os ideais de aperfeiçoamento moral e intelectual que a Ordem propõe.

Sua vida, que se estendeu de 1858 a 1943, atravessou o Império e a República, testemunhando transformações profundas na sociedade brasileira. Em todas elas, Higino Cunha esteve presente — não como mero espectador, mas como ator e narrador de seu tempo.

Hoje, seu nome vive não apenas nos livros que escreveu, mas nas instituições que fundou, nas ruas que o homenageiam e, de forma particularmente significativa, nas lojas maçônicas que perpetuam sua memória — um testemunho de que, para aqueles que dedicam sua vida ao conhecimento e ao serviço, a imortalidade é mais do que uma promessa: é uma realidade construída dia após dia.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes

  • Wikipédia, verbete “Higino Cunha” — biografia geral e lista de obras
  • Academia Piauiense de Letras, “Higino Cunha: palavra, república e fundação da consciência intelectual do Piauí” (2026)

  • 180graus.com, “História da Grande Loja Maçônica do Piauí – Lojas Fundadoras” — biografia maçônica e fundação da loja

  • ANPUH, “Sobre política, ciência e arte: Higino Cunha e as controvérsias de seu tempo” (2011) — análise da trajetória intelectual

  • goepi.org.br, “Memória & História” — dados biográficos

  • Facebook / CURIOSIDADES DA MAÇONARIA — referência à condição de maçom

  • UFPI / leg.ufpi.br — lista de obras

  • Revista Fenix — referências a obras e atuação intelectual

  • 30porcento.com.br — História das Religiões no Piauí

  • core.ac.uk — críticas ao livro História das Religiões no Piauí

  • Trip.com — localização da Loja Mestre Higino Cunha Nº 23

  • Portalr10.com — referência à Loja Mestre Higino Cunha Nº 23

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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