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Atersata: O Governador com Mão Forte e Seu Simbolismo na Maçonaria

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Atersata: O Governador com Mão Forte e Seu Simbolismo na Maçonaria

Na Maçonaria, o termo Atersata (ou Artizata/Aterzata) é uma palavra de origem persa , significando “mão forte” ou “governador com poder absoluto” , vinculada à história bíblica de Neemias , que recebeu o título de Atersata da Judéia após o retorno do exílio babilônico.

Como ensina Rizzardo da Camino, “essa figura proibiu os judeus de comerem coisas sagradas até que encontrassem um sacerdote verdadeiro” (Camino, 2014, p. 120), simbolizando a necessidade de pureza e disciplina para acessar o sagrado. Na tradição maçônica, especialmente no Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA) , o Atersata tornou-se sinônimo de autoridade espiritual e protetor dos mistérios , associado ao Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) , onde o obreiro aprende que “a mão forte não é do poder, mas da virtude” (Hall, 1928).

Atersata nos Três Graus Simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre

Nos primeiros três graus da Maçonaria, o Atersata simboliza etapas de liderança ética :

  1. Grau de Aprendiz :
    O Aprendiz confronta a ideia de que “a mão forte não é do punho, mas do caráter” (Camino, 2014, p. 120). No REAA , a Câmara de Reflexão inclui alegorias sobre a reconstrução moral , lembrando que “quem não domina seu coração não pode governar com justiça(Provérbios 16:18).
  2. Grau de Companheiro :
    Aqui, o obreiro internaliza o Atersata como símbolo da responsabilidade coletiva . No Rito York , o estudo das Quinze Escadas inclui a reflexão: “A autoridade só é legítima quando serve à fraternidade” (DUBOIS, 2009), alinhando-se ao provérbio: “O verdadeiro líder é aquele que serve com humildade.”
  3. Grau de Mestre :
    A lenda de Hiram Abif, central no Grau 3º (Mestre Maçom) , ilustra que “a mão forte do Atersata é a mesma que protege a obra da corrupção” (Camino, 2014, p. 120), reforçando a importância de “domar o ego antes de comandar” (Pike, 1871). No REAA , o Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) explora o Atersata como “guardião dos mistérios, que só revela a verdade aos puros de coração” (Mateus 5:8), recordando que “a autoridade maçônica não é hierárquica, mas moral” (Hall, 1928).

Histórico: Do Exílio Babilônico à Maçonaria Especulativa

A origem do termo Atersata remonta ao exílio babilônico (586 a.C.), quando os hebreus foram deportados após a destruição do Primeiro Templo de Salomão. Após a conquista da Babilônia por Ciro, o Grande (538 a.C.), os judeus retornaram à Judéia, liderados por Zorobabel e Neemias , este último nomeado governador com o título de Atersata pelo rei persa Dario III. Sua missão, descrita em Esdras 2:63 e Neemias 7:65-70 , era reconstruir o Segundo Templo e restaurar a ordem religiosa, “proibindo o acesso ao sagrado até que os sacerdotes fossem identificados” (Camino, 2014, p. 120).

A Maçonaria operativa herdou esse símbolo, integrando-o aos rituais como metáfora para a reconstrução moral da sociedade. No século XVIII, o Sublime Capítulo Rosacruz do REAA adotou o título de Atersata para o presidente do capítulo, enquanto o Rito Heredom de Kilwinning (Escócia) vinculou-o à “proteção dos segredos da Ordem” (Waite, 1909).

Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

  • Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) : O Atersata é comparado ao “guardião das verdades ocultas, que só se revelam após a purificação” (Hall, 1928), reforçando que “a autoridade deve ser conquistada com virtude, não imposta pelo nascimento” (Camino, 2014, p. 120).
  • Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) : Ritualiza o Atersata como “defesa contra os vícios que aprisionam a alma” (DUBOIS, 2009), recordando que “quem governa sem prudência desmorona a obra” (Provérbios 29:18).

Rito York

  • Capítulo do Arco Real : O Atersata é associado à reconstrução do Templo de Salomão, onde “a mão forte é a daqueles que servem com integridade” (Camino, 2014, p. 120).
  • Grau de Mestre : A cerimônia inclui a leitura de “Aquele que governa com justiça será como a luz do amanhecer” (Provérbios 28:1), reforçando que a verdadeira liderança está na virtude , não no poder.
  • George Washington , maçom do York, usou o símbolo do Atersata em discursos públicos, associando-o aos pilares da Constituição dos EUA: “A liberdade é a mão forte que protege os direitos.”

Atersata na Filosofia e no Pensamento Maçônico

Grandes filósofos e doutrinadores ampliaram o significado do Atersata:

  • Platão , em A República , compara o Atersata à “alma que domina o corpo e a sociedade” (Século IV a.C.), alinhando-se ao ideal maçônico de retidão que guia os povos” (Camino, 2014, p. 120).
  • Marcus Aurelius , estoico, defende em Meditações que “a verdadeira autoridade nasce da moderação” (Século II), princípio adotado pelos rituais do Grau de Mestre.
  • Carl Jung vê no Atersata uma manifestação do arquétipo do líder , onde a integração das sombras do poder leva à individuação coletiva .
  • Manly P. Hall , em A Filosofia Perene , afirma que “o Atersata é o vértice da pirâmide da hierarquia, mas sua base é a virtude” (Hall, 1928), reforçando que a verdadeira autoridade está no exemplo , não na imposição.

Atersata e a Prática Ritualística

Nos rituais dos três graus simbólicos , o Atersata manifesta-se como lembrete de responsabilidade :

  1. Grau de Aprendiz :
    O candidato aprende que “a mão forte do Atersata é a mesma que desbasta a pedra bruta” (Camino, 2014, p. 122), recordando que “quem não domina seu ego não pode governar os outros” (Provérbios 16:32).
  2. Grau de Companheiro :
    O estudo das Quinze Escadas inclui a reflexão: “A pureza do coração é a chave para a liderança verdadeira” (Mateus 5:8), vinculando o Atersata à reconstrução do templo interior (Hall, 1928).
  3. Grau de Mestre :
    A lenda de Hiram Abif ilustra que o Atersata não é apenas um título, mas uma missão . No REAA , o Grau 32º (Sublime Príncipe do Real Segredo) enfatiza que “o verdadeiro líder não é o que comanda, mas o que serve com integridade” (Pike, 1871), enquanto o York associa o Atersata à Escada de Jacó , onde a subida rumo à luz exige domínio do orgulho que aprisiona o coração” (Lucas 14:11).

Atersata e a Psicologia do Líder

A Maçonaria vê no Atersata uma metáfora para a autodisciplina e a transformação do caráter . Camino destaca que “os maçons são seres comuns, perseguidos pelo infortúnio, mas escolhidos para prová-los, como Jó” (Camino, 2014, p. 29), recordando que a liderança ética exige “luta contra os vícios que corrompem o poder” (DUBOIS, 2009).

No REAA , o Grau 3º inclui a leitura de “Quem governa com justiça será como a luz do amanhecer” (Provérbios 28:1), reforçando que a verdadeira autoridade está na retificação do espírito . No York , o Mark Master Degree vincula o Atersata à “necessidade de reconciliar o passado com o presente” (Camino, 2014, p. 120), lembrando que “o verdadeiro líder não apaga o passado, mas o integra à construção do futuro.”

Atersata e a Busca pela Verdade Universal

A Maçonaria ensina que o Atersata não é um governante autoritário, mas um guardião da ética . Camino reforça que “a Maçonaria filosófica voltou-se exclusivamente ao intelecto, com graus que podem ir de 7 a 99” (Camino, 2014, p. 181), recordando que a verdadeira liderança transcende hierarquias e busca a iluminação coletiva .

No REAA , o Grau 14º (Grande Eleito dos Reais Mistérios) enfatiza que “a mão forte do Atersata é a mesma que protege os mistérios da Ordem” (Pike, 1871), enquanto o York associa o termo à Cadeia de União , onde a energia coletiva é canalizada para a edificação moral da sociedade .

Conclusão: O Atersata como Modelo de Autoridade Virtuosa

O Atersata, na tradição maçônica, não é um tirano, mas um protetor da ordem e da virtude . Seja no REAA ou no York, a Ordem recorda que a verdadeira autoridade nasce da puração do coração , não do poder. Como diz o provérbio maçônico: “A mão forte que não é guiada pela luz do GAU é apenas uma ferramenta de destruição.”

Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
  3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
  4. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
  5. BÍBLIA SAGRADA. Esdras 2:63; Neemias 7:65-70 (“Proibição de acesso ao sagrado até a identificação dos sacerdotes” ); Provérbios 28:1 (“O justo é como a luz do amanhecer” ).
  6. PLATÃO. A República . Século IV a.C.
  7. MARCUS AURELIUS. Meditações . Século II.
  8. JUNG, Carl. O Homem e seus Símbolos . 1964.
  9. WAITE, Arthur E. A Enciclopédia da Maçonaria . Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
  10. Fonte externa sobre a reconstrução do Segundo Templo .

“Que o Atersata não seja lembrado como um opressor, mas como o farol que guia os passos do maçom rumo à verdadeira liderança: a que serve com humildade e governa com justiça.”

Autores maçônicos citados :

  • Albert Pike : “A mão forte do Atersata é a mesma que protege os mistérios da alma.”
  • Manly P. Hall : “O Atersata é o vértice da pirâmide da hierarquia, mas sua base é a virtude.”
  • Arthur Edward Waite : “O título de Atersata é um juramento de pureza, não de poder.”
  • Paulo S.R. Carvalho : “A verdadeira autoridade não está na imposição, mas na inspiração.”

Filósofos e pensadores:

  • Platão : “A alma que busca a verdade deve governar-se antes de governar os outros.”
  • Plotino : “O Uno transcende a autoridade, mas habita na mão forte que constrói com sabedoria.”
  • Carl Jung : “O arquétipo do líder é a sombra integrada à totalidade do Self.”

Ivair Ximenes Lopes

“Que o Atersata não seja buscado como um modelo de poder, mas como símbolo da luta constante contra os vícios que corrompem a liderança.”

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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