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Richard Carlile

Richard Carlile

Richard Carlile (1790–1843): O Expositor Radical da Maçonaria Inglesa

Biografia Pessoal: Uma Vida de Lutas

A vida de Richard Carlile foi uma das mais notáveis e conturbadas do radicalismo inglês do século XIX.

Infância e Juventude: Carlile nasceu em 8 de dezembro de 1790 em Ashburton, Devonshire, filho de William Carlile, um sapateiro e professor de matemática que mais tarde se tornou alcoólatra e abandonou a família, e Elizabeth (nascida Brookings), uma devota anglicana que criou os filhos sozinha. Após uma educação elementar em escolas gratuitas, aos doze anos deixou a escola e trabalhou brevemente em uma farmácia, antes de se tornar, por influência das conexões familiares, aprendiz de funileiro (tinplate worker), ofício que exerceu pelos quinze anos seguintes.

Carreira e Ativismo: A virada política de Carlile ocorreu em meio à crise econômica de 1816. Desempregado e desesperado para sustentar a família, ele começou a vender publicações radicais nas ruas de Londres, como o Political Register de William Cobbett e The Black Dwarf de Thomas Wooler. Impressionado pelas ideias de Thomas Paine, especialmente seu panfleto Os Direitos do Homem, Carlile assumiu o controle de uma gráfica em 1817 e tornou-se um editor e publicador radical.

O Massacre de Peterloo e a Prisão: Em 16 de agosto de 1819, Carlile deveria discursar em uma manifestação por reformas em St. Peter’s Fields, Manchester, quando a cavalaria atacou a multidão desarmada, matando 15 pessoas e ferindo centenas — o evento que ficou conhecido como Massacre de Peterloo. Por publicar a cobertura do massacre e reimprimir as obras de Thomas Paine (incluindo A Era da Razão, considerada blasfema), Carlile foi preso em 1819, condenado por blasfêmia e libelo sedicioso, e sentenciado a três anos de prisão, além de uma multa de £1500. Por não conseguir pagar a multa, permaneceu encarcerado por mais dois anos, totalizando cinco anos nesta primeira sentença.

O governo, curiosamente, não impediu Carlile de continuar editando seu jornal The Republican da prisão. Sua esposa Jane assumiu a publicação, mas foi presa; sua irmã Mary assumiu e também foi presa. Ao todo, mais de 150 pessoas foram encarceradas por venderem seus escritos. Carlile foi libertado em 1825, mas foi novamente preso anos depois por se recusar a pagar multas remanescentes. No total, passou mais de nove anos atrás das grades.

Vida Pessoal e Morte: Carlile casou-se com Jane Cousins em 1813, com quem teve quatro filhos. Após a separação, viveu com a sufragista Eliza Sharples, que também foi sua parceira na militância radical. Um ateu declarado e ferrenho defensor do sufrágio universal, da liberdade de imprensa e dos direitos das mulheres, Carlile faleceu em 10 de fevereiro de 1843, em Londres, aos 52 anos.

 Biografia Maçônica: O “Irmão” que Nunca Foi Iniciado

Esta é a grande ironia da vida de Carlile em relação à Maçonaria. Não há qualquer evidência de que ele tenha sido iniciado maçom. Ele não aparece nos registros de nenhuma loja e nunca reivindicou formalmente o título de maçom.

Ele era um expositor crítico da Ordem. Em sua obra, Carlile chega a afirmar que os maçons “não têm segredo”, mas que há um segredo ligado à associação, que nem eles próprios conhecem.

Uma anedota famosa registrada em seu Manual ilustra bem sua posição ambígua: o arqueólogo e maçom Godfrey Higgins teria dito a Carlile que “havia apenas dois maçons na Inglaterra — ele mesmo e o Duque de Sussex”. Carlile, então, “reivindicou ser o terceiro”. O que Higgins quis dizer com isso permanece um mistério, mas a passagem mostra que Carlile era um conhecedor tão profundo da tradição maçônica que alguns interlocutores o consideravam um “maçom de coração”.

Encyclopedia Masonica o descreve como um “professo ateu”, um “reformador fanático” e “um homem de alguma habilidade”, cujas obras maçônicas são “intercaladas com considerável aprendizado” e curiosamente “não são tão abusivas da Ordem quanto as exposições geralmente são”.

 Principais Obras: A Manual of the Three First Degrees of Freemasonry

A obra que tornaria Carlile famoso (ou infame) no mundo maçônico foi sua compilação e exposição dos rituais ingleses.

Publicação Original: A exposição foi originalmente publicada em instalações seriadas em seu jornal radical The Republican em 1825, enquanto ele ainda estava na Prisão de Dorchester. A primeira versão em livro foi lançada em 1831, com edições posteriores (1836, 1845) e uma consolidação póstuma em 1845 sob o título A Manual of Freemasonry .

Estrutura e Conteúdo: O Manual é dividido em três partes principais. A Parte I contém os rituais dos três graus da Loja Azul (Aprendiz Entrado, Companheiro e Mestre Maçom), precedidos por uma “Introductory Key-Stone to the Royal Arch”. A Parte II cobre o Real Arco, a Instalação do Venerável Mestre (Past Master) e os Cavaleiros Templários. A Parte III inclui os graus de Mark Master e Mark Man, além de uma “tabela de alguns nomes das Sagradas Escrituras”.

Uma curiosidade fascinante é que o livro foi usado por muitas lojas maçônicas inglesas do século XIX e início do século XX como fonte para aprender o ritual. Ele apresenta uma versão do ritual de Emulação, mas com palavras e frases arcaicas que não sobreviveram em outras versões. Isso demonstra que, apesar de sua intenção original ser a de “expor” ou “revelar” segredos (posição inicial de Carlile, que partia de um ponto de vista materialista e antirreligioso, denunciando a influência da Fraternidade como “perniciosa”), Carlile percebeu que havia criado involuntariamente um monitor útil para os próprios maçons.

 Curiosidades e Contexto

  • A Evolução de seu Pensamento: Ao longo das sucessivas edições, o pensamento de Carlile sobre a Maçonaria evoluiu significativamente. Inicialmente atacando-a como uma instituição perniciosa, suas visões posteriores passaram a refletir a ideia de que a Maçonaria derivava de antigos cultos solares, uma tese popular na época, influenciada por autores como Jacob Bryant e Godfrey Higgins. Sob a influência de Robert Taylor (um ex-clérigo anglicano apelidado de “O Capelão do Diabo”, com quem Carlile se associou após sua libertação em 1825), suas últimas edições passaram a enfatizar os ensinamentos morais e uma interpretação astronômica da simbologia.

  • “The Key-Stone” como Manifesto: Na introdução de sua obra, Carlile declarou audaciosamente: “A questão surge razoavelmente: por que deveria ser um segredo? Dos maçons, digo abertamente que eles não têm segredo; mas há um segredo ligado à sua associação, e eles não o conheceram. … O segredo agora está fora. Eu clarificarei a dúvida e a dificuldade, e ensinarei a Maçonaria aos Maçons”. Este trecho sintetiza sua missão autoproclamada de “iluminar” tanto maçons quanto profanos.

  • Símbolos e Influências: Carlile interpreta a Maçonagem em termos de culto solar, como a adoração ao Sol (Hiram) como fonte de luz e conhecimento. O Templo de Salomão é visto não como uma estrutura histórica literal, mas como “nada mais do que uma alegoria relacionada ao mistério da física em geral e à cultura moral da mente humana”.

  • Influências Literárias: Os rituais e escritos maçônicos de Carlile foram influenciados por várias fontes, incluindo a exposição inicial Jachin and Boaz, as obras maçônicas de William Finch, o Ensaio sobre a Franco-Maçonaria de Thomas Paine (que Carlile republicou), e Thomas De Quincey**.

Conclusão: Um Expositor que se Tornou Referência

Richard Carlile foi, acima de tudo, um radical que defendia a liberdade de expressão e o acesso ao conhecimento. Sua “Manual of Freemasonry” foi o produto mais famoso dessa convicção. Apesar de não ser maçom e inicialmente pretender denegrir a instituição, sua obra acabou por se tornar um valioso registro histórico dos rituais ingleses do início do século XIX, uma ponte entre o radicalismo político e a tradição iniciática, e um testemunho da complexa relação entre um ateu radical e a sociedade secreta que ele tentou, sem sucesso, desmascarar.

📚Autor e pesquisa Ivair Ximenes Lopes

Fontes

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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