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Samuel Pritchard (Prichard): O Expositor Inglês do Século XVIII

Samuel Pritchard

Samuel Pritchard (Prichard): O Expositor Inglês do Século XVIII

Biografia Pessoal: Um Autor Misterioso

Os detalhes concretos das origens de Samuel Pritchard (seu sobrenome é frequentemente grafado alternativamente como Prichard) estão envoltos em uma incerteza que o próprio tempo já não consegue dissipar. A data de seu nascimento e do seu falecimento não foram registradas pela História, representando grande desafio para historiadores que tentam reconstruir sua trajetória. Sabe-se, contudo, que era possivelmente um londrino e pertencia aos extratos mais baixos da sociedade inglesa do século XVIII, o que o definia socialmente e explicava, em parte, seus motivos financeiros para publicar o livro que o imortalizou. Foi descrito por Oliver, o grande historiador maçônico do século XIX, como um “Irmão sem princípios e necessitado”, e por outros, como um homem que buscou, por meio da pena, remediar suas dificuldades pessoais, aliando suas necessidades a um ato de grande repercussão que abalou a recém-criada Maçonaria Especulativa. A despeito de pesquisas recentes, as informações biográficas permanecem escassas e fragmentadas.

 Biografia Maçônica: Membro, Depois “Apóstata”

A biografia maçônica de Samuel Pritchard, sobretudo sobre sua iniciação, filiações e atividades na Ordem, é o ponto mais obscuro e, ainda assim, o mais intrigante de sua vida. Sabe-se que foi, como ele mesmo se autodenominava, um “antigo membro de uma Loja constituída”. Essa condição lhe permitiu ter acesso direto aos segredos e aos rituais que, mais tarde, decidiu revelar ao público. A partir de fontes secundárias, particularmente as da época, identifica-se que ele era membro de uma das lojas que se reunia em uma taverna de Londres, local que sediava as reuniões maçônicas em um período em que a primeira Grande Loja da Inglaterra ainda engatinhava.

A informação mais precisa sobre sua atividade nas lojas surge em 1728, quando, segundo historiadores, teria sido membro da Loja A la Tête d’Henry VIII e visitante da Loja Le Cygne et la Coupe, identificadas pelos nomes das hospedarias que então abrigavam as reuniões maçônicas. No entanto, por volta de outubro de 1730, ano da publicação de Masonry Dissected, ele já não pertencia mais à Ordem. Essa condição de ex-membro foi decisiva: ele se sentiu liberto do juramento de sigilo e publicou os segredos que aprendera, como forma de se defender daqueles que, dentro da Ordem, poderiam ter-lhe causado algum dano ou, simplesmente, como uma forma de ganhar dinheiro, como registrado na sua “Vindicação” anexada à obra. Sua ação foi imediatamente vista pelos maçons como uma traição, o que fez com que seu nome se tornasse sinônimo de apóstata dentro da Fraternidade por muitos anos.

 Principais Obras Publicadas

A produção literária de Samuel Pritchard, embora não seja enorme em volume, é de uma relevância histórica ímpar, pois forneceu a primeira visão detalhada do funcionamento da Maçonaria especulativa inglesa. As obras, repletas de informações factuais e, algumas vezes, de imprecisões, foram impressas como panfletos baratos e de grande circulação, que se espalharam rapidamente pela Inglaterra e pelo continente europeu. Entre seus escritos mais conhecidos, destacam-se:

  • Masonry Dissected (1730): Considerada a sua obra‑prima e uma das mais importantes de toda a literatura maçônica do século XVIII. Publicada em outubro de 1730, foi a primeira exposição sistemática do ritual completo da Maçonaria, compreendendo os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. A obra, que passou por várias edições consecutivas poucos dias após seu lançamento, incluía uma “Vindicação do Autor”, na qual ele tentava se justificar perante os maçons, e um Juramento prestado perante um Vereador, atestando que o seu relato era verdadeiro. A repercussão foi imediata, causando grande tumulto nas lojas e forçando a Grande Loja de Londres a tomar medidas para modificar partes do ritual então vigente. O livro foi traduzido para vários idiomas, incluindo francês, alemão e holandês, tornando-se a base para as exposições posteriores, como Tubal-Kain e Jachin and Boaz.

  • Tubal-Kain (s.d. / 1730?): Trata‑se da segunda parte de Masonry Dissected, ou uma continuação do mesmo trabalho. Sob o título completo Tubal-Kain: Being the Second part of Solomon in all his glory, or master mason: Containing an universal and genuine description of all its branches, este livro detalhava ainda mais os rituais do grau de Mestre.

  • Jachin and Boaz (1762?): Obra essencialmente centrada no simbolismo dos dois pilares que ladeavam a entrada do Templo de Salomão. Representa um aprofundamento dos temas expostos nas obras anteriores.

  • The Three Distinct Knocks (1760): Obra que descrevia, de modo detalhado, os três toques distintos na porta da Loja, que correspondem, por sua vez, à estrutura dos três graus da Maçonaria. Este texto também foi amplamente difundido durante o período.

 Curiosidades e Detalhes Relevantes

  • Resposta Oficial: A publicação de Masonry Dissected foi tão impactante que a própria Grande Loja de Londres, na pessoa do Irmão Martin Clare, redigiu uma “Defesa da Maçonaria” em resposta ao livro. Embora essa resposta não atacasse Pritchard diretamente, procurava refutar as imprecisões e apresentar um significado simbólico para os rituais expostos.

  • Lenda Negra sobre sua Morte: O abade Larudan, em seu livro Franc-Maçons écrasés, chegou a divulgar uma lenda macabra sobre a morte de Pritchard. Segundo essa versão fantasiosa, ele teria sido conduzido à força à Grande Loja de Londres, executado, e seu corpo queimado até virar cinzas, numa demonstração da suposta vingança maçônica. A Enciclopédia Maçônica, no entanto, classifica a história como uma “narrativa inventada” e ridiculariza a credulidade do abade, afirmando que isso “apenas prova o quanto o caluniador francês da Maçonaria era fértil em inventar ou em confiar em boatos”.

  • Influência Duradoura: Apesar de toda a rejeição que sofreu por parte dos maçons, a importância de Pritchard para a história da Maçonaria é inegável. Seus escritos serviram, durante décadas, como o único registro disponível para o público em geral sobre os primeiros rituais da Ordem, e os historiadores os usam até hoje para reconstituir a prática maçônica do início do século XVIII.

  • Grafia do Nome: A variação na ortografia do sobrenome (Pritchard ou Prichard) é recorrente nos catálogos e fontes primárias, mas os historiadores costumam tratá‑las como referentes à mesma pessoa, Samuel, sendo Pritchard a forma mais comum em português.

📚Autor e pesquisa Ivair Ximenes Lopes

Fontes

  • “Samuel Prichard (Prichard, Samuel, active 1730)” – Library of Congress Authorities.

  • “PRICHARD, SAMUEL” – Encyclopedia Masonica, universalfreemasonry.org.

  • “Miscellanea Macionica: Sait-on qui était Samuel Prichard?” – GADLU.INFO – Web Maçonnique, 30 nov. 2014.

  • “Un aperçu historique de la franc-maçonnerie au XVIIIe siècle” (descrição de livro na Amazon.fr).

  • “Tubal-Kain” – Eighteenth Century Collections Online (ECCO).

  • “Jachin and Boaz” – The Square Magazine (introdução ao livro).

  • “The Freemasons’ Quarterly Review”, 30 de junho de 1851, página 16.

  • Harry CarrThe Freemason at Work (referência à membresia de Prichard em 1728).

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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