Ao longo desta pesquisa, confesso que me surpreendi com a figura de D. Pedro I, o primeiroimperador do Brasil — um personagem que a história, por vezes, reduz a um grito solitário às margens do Ipiranga.
No entanto, ao mergulhar em sua biografia, deparei-me com umhomem muito mais complexo e contraditório.
Pedrofoi o príncipe que, aos nove anos, chegou ao Brasil fugindo das tropas napoleônicas e, aos 23, tornou-se o líder de uma nação recém-independente, a primeiramonarquia constitucional das Américas.
Foi o soberano que outorgou uma Constituição liberal, mas dissolveu a Assembleia Constituinte; que defendeu a liberdade de imprensa, mas exilou jornalistas opositores.
Sua história, que vai do “Grito do Ipiranga” à Guerra Civil em Portugal, onde lutou ao lado da filha para defender o trono contra o próprio irmão, é, a meu ver, uma das mais épicas e humanas da história das Américas.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória desse homem que, mais de 150 anos após sua morte, ainda é celebrado como o “Soldado da Independência”.
Em 1807, com a invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, a família real portuguesa fugiu para o Brasil, sob a proteção da marinha inglesa.
Pedro, então com nove anos, chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, acompanhando seus pais. Cresceu na corte brasileira, recebendo uma educação esmerada, com ênfase em história, geografia, matemática, línguas, religião e equitação.
Tornou-se fluente em português, francês, inglês e italiano. Também demonstrou talento para a música, sendo um exímio tocador de violoncelo e compositor — sua composição mais famosa, a “Música para o Hino da Independência” , seria utilizada posteriormente com letra de Evaristo da Veiga.
A Revolução Liberal do Porto (1820), porém, obrigou o rei a retornar a Portugal, deixando D. Pedro como Príncipe Regente do Brasil em 22 de abril de 1821. Antes de partir, D. João VI teria dito ao filho: “Pedro, o Brasil há de ser a tua glória e a nossa perdição”.
As Cortes portuguesas, dominadas por liberais radicais, passaram a pressionar o regente a retornar a Portugal e a recolocar o Brasil na condição de mera colônia, o que gerou forte reação na elite local. Em janeiro de 1822, D. Pedro declarou: “Fico” , após ser informado das exigências das Cortes e de uma conspiração que pretendia obrigá-lo a partir.
Em 12 de outubro de 1822, foi aclamado imperador constitucional do Brasil e, em 1º de dezembro, sagrado e coroado na Igreja da Sé, no Rio de Janeiro, como D. Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
O reconhecimento da independência pela Coroa portuguesa veio em 1825, mediante o pagamento de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas.
O reinado de D. Pedro Ifoi marcado por profundas contradições. Homem de ideias liberais, promulgou a Constituição de 1824, uma das mais avançadas da época, que estabelecia os três poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) e criava o chamado “Poder Moderador”, atribuído exclusivamente ao imperador para garantir a independência e o equilíbrio dos demais poderes.
Contudo, seu governo foi abalado por revoltas separatistas (Confederação do Equador, 1824), pressões das elites agrárias insatisfeitas e uma imprensa cada vez mais crítica.
Em 1826, com a morte de D. João VI, D. Pedro herdou o trono português como D. Pedro IV, mas abdicou imediatamente em favor de sua filha mais velha, D. Maria II (Maria da Glória), com a condição de que ela casasse com seu irmão D. Miguel, que aceitasse a Carta Constitucional portuguesa.
O acordo, porém, foi violado por D. Miguel, que se autoproclamou rei absoluto, levando à Guerra Civil portuguesa (1828-1834).
Após abdicar, D. Pedro retornou a Portugal, onde comandou as tropas liberais contra o absolutismo do irmão, D. Miguel. Em 1832, desembarcou no Porto e, após doisanos de guerra, venceu a Batalha da Asseiceira (1834), forçando D. Miguel a abdicar. Restaurou a filha no trono e promulgou a Carta Constitucional.
Exausto e doente, D. Pedro faleceu em 24 de setembro de 1834, no Palácio de Queluz, aos 35 anos de idade, vítima de tuberculose. Em seu leito de morte, pediu que fosse sepultado de forma simples, e que seu coração fosse enviado ao Porto, em gratidão pela lealdade da cidade durante a guerra.
Seus restos mortais repousam no Monumento à Independência, em São Paulo. Seu coração está na Igreja da Lapa, no Porto.
Legado simbólico: O 7 de setembro tornou-se o Dia da Independência do Brasil, e o “Grito do Ipiranga” é um dos episódios mais emblemáticos da história nacional.
O nome completo mais longo da realeza: Seu nome completo é ainda mais extenso do que o de seu filho, contando com 14 nomes que evocam a santíssima trindade e os arcanjos.
O “grito” foi uma atuação: Não se sabe exatamente como foi o Grito do Ipiranga. Testemunhas oculares contaram versões diferentes, e a cena foi romantizada por pintores como PedroAmérico.
O coração em duas pátrias: O coração de D. Pedro Ifoi separado do corpo após sua morte, a seu pedido, e enviado ao Porto. O monumento funerário em São Paulo contém apenas o esqueleto.
O rei que nunca quis ser rei: D. Pedro herdou o trono português como D. Pedro IV, mas abdicou poucos meses depois, preferindo concentrar-se no Brasil. A decisão dividiu a opinião pública e alimentou as guerras liberais.
“Modinha”: Pequenas canções para canto e piano, no estilo popular da época.
“Abertura para Orquestra”: Composição orquestral preservada na Biblioteca Nacional do Brasil.
Correspondência
Cartas e documentos oficiais: A vasta correspondência de D. Pedro I, incluindo cartas a sua esposa, filhos e ministros, é uma fonte primária importante para o estudo de seu pensamento e de seu governo.
Documentos Históricos
Constituição de 1824: Embora não tenha sido redigida exclusivamente por ele, foi promulgada por sua iniciativa e reflete suas ideias políticas.
Sua maior ironia talvez seja esta: o imperador que mais lutou pela independência do Brasil teve seu coração sepultado em Portugal. O soberano que tanto fez para consolidar a unidade nacional morreu no exílio, longe da terra que ajudara a criar.
No entanto, seu legado permanece: o “Grito do Ipiranga” ainda ecoa como um dos momentos mais emocionantes da história pátria, e sua imagem, montada em um cavalo branco, ainda preside o monumento que celebra a liberdade.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).