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D. Pedro I do Brasil (1798–1834): O Rei-Soldado que Gritou ‘Independência ou Morte’ e Fundou o Primeiro Império Americano

D Pedro I do Brasil (1798–1834)

D. Pedro I do Brasil (1798–1834): O Rei-Soldado que Gritou ‘Independência ou Morte’ e Fundou o Primeiro Império Americano

Introdução

Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon

Ao longo desta pesquisa, confesso que me surpreendi com a figura de D. Pedro I, o primeiro imperador do Brasil — um personagem que a história, por vezes, reduz a um grito solitário às margens do Ipiranga. No entanto, ao mergulhar em sua biografia, deparei-me com um homem muito mais complexo e contraditório.

Pedro foi o príncipe que, aos nove anos, chegou ao Brasil fugindo das tropas napoleônicas e, aos 23, tornou-se o líder de uma nação recém-independente, a primeira monarquia constitucional das Américas.

Foi o soberano que outorgou uma Constituição liberal, mas dissolveu a Assembleia Constituinte; que defendeu a liberdade de imprensa, mas exilou jornalistas opositores. Foi o marido que, após perder a esposa, casou-se com uma princesa que mal conhecia. E foi o pai que, ao abdicar do trono brasileiro, deixou o filho de cinco anos como imperador — o mesmo que mais tarde seria conhecido como D. Pedro II, o Magnânimo.

Sua história, que vai do “Grito do Ipiranga” à Guerra Civil em Portugal, onde lutou ao lado da filha para defender o trono contra o próprio irmão, é, a meu ver, uma das mais épicas e humanas da história das Américas.

Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória desse homem que, mais de 150 anos após sua morte, ainda é celebrado como o “Soldado da Independência”.

Biografia

Origens e Primeiros Anos

D. Pedro I nasceu com o nome de Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon em 12 de outubro de 1798, no Palácio Real de Queluz, em Portugal. Era o segundo filho varão do príncipe regente D. João (futuro rei D. João VI) e de D. Carlota Joaquina de Bourbon, filha do rei Carlos IV da Espanha. Seu irmão mais velho, D. Francisco Antônio, Príncipe da Beira, faleceu prematuramente, o que tornou Pedro o herdeiro aparente do trono português.

Em 1807, com a invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, a família real portuguesa fugiu para o Brasil, sob a proteção da marinha inglesa. Pedro, então com nove anos, chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, acompanhando seus pais. Cresceu na corte brasileira, recebendo uma educação esmerada, com ênfase em história, geografia, matemática, línguas, religião e equitação. Tornou-se fluente em português, francês, inglês e italiano. Também demonstrou talento para a música, sendo um exímio tocador de violoncelo e compositor — sua composição mais famosa, a “Música para o Hino da Independência” , seria utilizada posteriormente com letra de Evaristo da Veiga.

A Ascensão ao Trono e a Independência do Brasil

Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido com Portugal e Algarves. Com a morte da rainha D. Maria I, em 1816, D. João VI tornou-se rei de Portugal e do Reino Unido. A Revolução Liberal do Porto (1820), porém, obrigou o rei a retornar a Portugal, deixando D. Pedro como Príncipe Regente do Brasil em 22 de abril de 1821. Antes de partir, D. João VI teria dito ao filho: “Pedro, o Brasil há de ser a tua glória e a nossa perdição”.

As Cortes portuguesas, dominadas por liberais radicais, passaram a pressionar o regente a retornar a Portugal e a recolocar o Brasil na condição de mera colônia, o que gerou forte reação na elite local. Em janeiro de 1822, D. Pedro declarou: “Fico” , após ser informado das exigências das Cortes e de uma conspiração que pretendia obrigá-lo a partir. A independência foi proclamada em 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga, no atual município de São Paulo, com o famoso grito: “Independência ou Morte!”

Em 12 de outubro de 1822, foi aclamado imperador constitucional do Brasil e, em 1º de dezembro, sagrado e coroado na Igreja da Sé, no Rio de Janeiro, como D. Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. O reconhecimento da independência pela Coroa portuguesa veio em 1825, mediante o pagamento de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas.

O Reinado: Constituição, Guerras e Contradições

O reinado de D. Pedro I foi marcado por profundas contradições. Homem de ideias liberais, promulgou a Constituição de 1824, uma das mais avançadas da época, que estabelecia os três poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) e criava o chamado “Poder Moderador”, atribuído exclusivamente ao imperador para garantir a independência e o equilíbrio dos demais poderes. A Constituição também garantia liberdade de culto, imprensa e ensino primário gratuito.

Contudo, seu governo foi abalado por revoltas separatistas (Confederação do Equador, 1824), pressões das elites agrárias insatisfeitas e uma imprensa cada vez mais crítica. Em 1826, com a morte de D. João VI, D. Pedro herdou o trono português como D. Pedro IV, mas abdicou imediatamente em favor de sua filha mais velha, D. Maria II (Maria da Glória), com a condição de que ela casasse com seu irmão D. Miguel, que aceitasse a Carta Constitucional portuguesa. O acordo, porém, foi violado por D. Miguel, que se autoproclamou rei absoluto, levando à Guerra Civil portuguesa (1828-1834).

Diante da crise, da falta de apoio político e do desgaste de sua imagem, D. Pedro I abdicou do trono brasileiro em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho de cinco anos, D. Pedro de Alcântara (futuro D. Pedro II). Em seu discurso de abdicação, declarou: “Dou ao Brasil a minha liberdade, mas quero a felicidade geral e a independência do país.”

A Guerra Civil em Portugal e a Morte

Após abdicar, D. Pedro retornou a Portugal, onde comandou as tropas liberais contra o absolutismo do irmão, D. Miguel. Em 1832, desembarcou no Porto e, após dois anos de guerra, venceu a Batalha da Asseiceira (1834), forçando D. Miguel a abdicar. Restaurou a filha no trono e promulgou a Carta Constitucional.

Exausto e doente, D. Pedro faleceu em 24 de setembro de 1834, no Palácio de Queluz, aos 35 anos de idade, vítima de tuberculose. Em seu leito de morte, pediu que fosse sepultado de forma simples, e que seu coração fosse enviado ao Porto, em gratidão pela lealdade da cidade durante a guerra. Seus restos mortais repousam no Monumento à Independência, em São Paulo. Seu coração está na Igreja da Lapa, no Porto.

Feitos e Conquistas

O legado de D. Pedro I é imenso para o Brasil e para Portugal:

  1. Proclamação da Independência do Brasil (1822): Libertou o Brasil do domínio português, criando o primeiro império independente das Américas.

  2. Outorga da Constituição de 1824: Estabeleceu um regime constitucional e monárquico no Brasil, que duraria até 1889.

  3. Reconhecimento da Independência (1825): Negociou o tratado de reconhecimento com Portugal, mediante pagamento de indenização.

  4. Consolidação da unidade territorial: Enfrentou e reprimiu revoltas separatistas, como a Confederação do Equador.

  5. Defesa da liberdade e da monarquia constitucional em Portugal: Regressou a Portugal e liderou a guerra contra o absolutismo, restaurando a filha no trono.

  6. Patrono da educação e da cultura: Incentivou a criação de escolas de direito e medicina, e protegeu as artes e as letras.

  7. Legado simbólico: O 7 de setembro tornou-se o Dia da Independência do Brasil, e o “Grito do Ipiranga” é um dos episódios mais emblemáticos da história nacional.

Curiosidades

  1. O nome completo mais longo da realeza: Seu nome completo é ainda mais extenso do que o de seu filho, contando com 14 nomes que evocam a santíssima trindade e os arcanjos.

  2. O imperador que compunha música: D. Pedro I foi autor de várias obras musicais, incluindo o Hino da Independência (com letra de Evaristo da Veiga). A música do hino ainda é executada em cerimônias oficiais.

  3. O “grito” foi uma atuação: Não se sabe exatamente como foi o Grito do Ipiranga. Testemunhas oculares contaram versões diferentes, e a cena foi romantizada por pintores como Pedro Américo.

  4. O coração em duas pátrias: O coração de D. Pedro I foi separado do corpo após sua morte, a seu pedido, e enviado ao Porto. O monumento funerário em São Paulo contém apenas o esqueleto.

  5. O imperador da lua de mel: Casou-se duas vezes: a primeira com D. Maria Leopoldina da Áustria, filha do imperador Francisco I, que teve oito filhos; a segunda com Amélia de Leuchtenberg, com quem teve uma filha.

  6. O rei que nunca quis ser rei: D. Pedro herdou o trono português como D. Pedro IV, mas abdicou poucos meses depois, preferindo concentrar-se no Brasil. A decisão dividiu a opinião pública e alimentou as guerras liberais.

  7. A paixão pela maçonaria: D. Pedro I foi um maçom atuante, tendo fundado lojas maçônicas no Brasil e em Portugal. Seu ideário liberal foi fortemente influenciado pelos princípios maçônicos.

  8. O amante de viagens: Durante sua vida, viajou extensamente pelo Brasil, visitando províncias e consolidando o poder central.

  9. O monumento a Dom Pedro I em São Paulo: A estátua equestre no Parque da Independência, inaugurada em 1956, é uma das mais importantes da cidade.

  10. O padroeiro dos bombeiros? Não, mas sua imagem está associada à liberdade e à independência. D. Pedro I e D. Leopoldina são patronos do Exército Brasileiro.

Obras de D. Pedro I

D. Pedro I não foi um autor literário, mas deixou um legado musical e uma vasta correspondência:

Obras Musicais

  • “Hino da Independência do Brasil (1822): Música composta por D. Pedro I para letra de Evaristo da Veiga. A música é uma marcha vibrante que celebra a liberdade conquistada.

  • “Marcha Triunfal” : Peça para piano, composta para celebrar a vitória na Guerra da Independência.

  • “Modinha”: Pequenas canções para canto e piano, no estilo popular da época.

  • “Abertura para Orquestra”: Composição orquestral preservada na Biblioteca Nacional do Brasil.

Correspondência

  • Cartas e documentos oficiais: A vasta correspondência de D. Pedro I, incluindo cartas a sua esposa, filhos e ministros, é uma fonte primária importante para o estudo de seu pensamento e de seu governo.

Documentos Históricos

  • Constituição de 1824: Embora não tenha sido redigida exclusivamente por ele, foi promulgada por sua iniciativa e reflete suas ideias políticas.

Obras Inspiradas em D. Pedro I

  • Independência ou Morte (quadro de Pedro Américo, 1888): A mais famosa representação do Grito do Ipiranga, pintada a pedido do governo imperial. A obra retrata D. Pedro I em um cavalo branco, com a espada erguida, cercado por uma comitiva.

  • D. Pedro I: O Herdeiro Aparente (biografia de Octávio Tarquínio de Sousa, 1952): Obra fundamental da historiografia brasileira, parte da coleção “Os Fundadores do Império”.

  • O Grito do Ipiranga (filme, 1917): Primeiro longa-metragem brasileiro sobre a independência, dirigido por Antonio Leal.

  • Independência do Brasil (minissérie da Globo, 1972): Dramatização do processo de independência, exibida em 1972.

  • O Golpe da Maioridade (programa de TV, 2019): Aborda a ascensão de D. Pedro II, com breve menção ao pai.

  • D. Pedro I e a Construção do Brasil (documentário da TV Câmara, 2009): Produção que narra a vida e o legado do imperador.

  • A Independência do Brasil (série do History Channel, 2022): Documentário sobre o processo de independência, centrado na figura de D. Pedro I.

Considerações Finais

Ao final desta pesquisa, fica evidente que D. Pedro I foi uma das figuras mais complexas e decisivas da história do Brasil e de Portugal. Um homem de ação, que com o gesto simbólico do Ipiranga, libertou o Brasil do domínio colonial. Um estadista que, ao outorgar a primeira Constituição brasileira, estabeleceu as bases do regime monárquico que duraria quase 70 anos. Um soldado que, ao abdicar do trono brasileiro, partiu para defender a liberdade em Portugal e restaurar a filha no trono.

Sua maior ironia talvez seja esta: o imperador que mais lutou pela independência do Brasil teve seu coração sepultado em Portugal. O soberano que tanto fez para consolidar a unidade nacional morreu no exílio, longe da terra que ajudara a criar. No entanto, seu legado permanece: o “Grito do Ipiranga” ainda ecoa como um dos momentos mais emocionantes da história pátria, e sua imagem, montada em um cavalo branco, ainda preside o monumento que celebra a liberdade.

Como escreveu o historiador Octávio Tarquínio de Sousa: “D. Pedro I foi o verdadeiro fundador do Brasil. Não o Brasil dos limites, mas o Brasil da nacionalidade, da consciência de ser um povo, uma nação.”

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Pesquisa

Wikipédia, a enciclopédia livre. “Pedro I do Brasil”. [pt.wikipedia.org]
Brasil Escola. “Dom Pedro I”. [brasilescola.uol.com.br]
eBiografia. “D. Pedro I, primeiro imperador do Brasil”. [www.ebiografia.com]
Aventuras na História. “D. Pedro I: o primeiro imperador do Brasil”. [aventurasnahistoria.com.br]
BNDigital. “Dom Pedro I (1798-1834)”. [bndigital.bn.gov.br]
BBC News Brasil. “D. Pedro I: o imperador que não suportava formalidades”. [www.bbc.com]
Academia Brasileira de Música. “D. Pedro I, compositor”.
Monumento à Independência (Museu Paulista) . “O Museu do Ipiranga”.
Infopédia. “Pedro I de Portugal (IV de Portugal)”.
História Hoje. “D. Pedro I, o fundador do Império”.

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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