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 A Perda do Velho Sai (O Cavalo Perdido): A Imprevisibilidade do destino e a serenidade diante do Imprevisto

A Perda do Velho Sai O Cavalo Perdido A Imprevisibilidade do destino e a serenidade diante do Imprevisto

 A Perda do Velho Sai (O Cavalo Perdido): A Imprevisibilidade do destino e a serenidade diante do Imprevisto

1. O Resumo da Fábula

Em uma aldeia na fronteira da China antiga, vivia um velho chamado Sai, conhecido por sua sabedoria e por sua capacidade de não se abalar com as vicissitudes da vida. Certo dia, seu cavalo, o único bem de valor que possuía, fugiu para o território dos bárbaros, além da fronteira.

Os vizinhos vieram consolá-lo, dizendo: “Que infelicidade terrível! Você perdeu seu cavalo!”

O velho Sai, porém, respondeu com calma: “Quem sabe se isso não é uma bênção?” Dias depois, o cavalo voltou, trazendo consigo um belo cavalo selvagem dos bárbaros.

Os vizinhos, maravilhados, disseram: “Que sorte maravilhosa! Agora você tem dois cavalos!”

E o velho respondeu: “Quem sabe se isso não é uma desgraça?”

Algum tempo depois, seu filho, que gostava de montar, caiu do novo cavalo e quebrou a perna, ficando manco. Os vizinhos lamentaram: “Que tragédia! Seu filho ficou aleijado!”

E o velho, mais uma vez: “Quem sabe se isso não é uma bênção?” Passados alguns meses, uma guerra eclodiu e todos os jovens da aldeia foram convocados para o exército, sendo a maioria morta em batalha.

O filho do velho Sai, porém, foi dispensado por causa de sua perna quebrada, e sobreviveu. A aldeia inteira reconheceu, então, que a sabedoria do velho estava além da compreensão comum: o que parece perda pode ser ganho, e o que parece ganho pode ser perda.

A moral da história é: “A vida é tecida de altos e baixos que nem sempre são o que parecem. A verdadeira sabedoria consiste em não se alegrar excessivamente com a fortuna nem se desesperar com a adversidade, pois o tempo revela o que os olhos do presente não conseguem ver.”

2. Associação com a Maçonaria

Esta fábula é, sem dúvida, uma das mais profundas e consoladoras para a caminhada iniciática, pois ela toca no coração da paciência, da confiança no Grande Arquiteto e da visão de longo prazo que distingue o verdadeiro maçom do homem comum. O velho Sai é a personificação do Mestre que já compreendeu que o mundo profano é regido por aparências enganosas, e que a verdadeira serenidade vem da aceitação dos desígnios superiores.

O cavalo que foge, no simbolismo maçônico, pode representar as perdas que o obreiro sofre ao longo de sua vida: um irmão que se afasta, um cargo que não é conquistado, uma compreensão que parece escapar, um momento de crise espiritual. Os vizinhos que lamentam são o mundo que julga pela superfície, que chora o que parece irremediavelmente perdido.

O velho Sai, porém, não se deixa levar pelo desespero imediato; ele confia que a Cadeia do Destino tem elos que ele ainda não vê. Essa é a do maçom: a certeza de que, mesmo na noite escura da alma, há uma Luz que se prepara para brilhar, e que o que parece ruína pode ser o alicerce de uma construção maior.

O retorno do cavalo com um selvagem a reboque representa as bênçãos inesperadas que surgem quando menos se espera. Na vida da Oficina, isso acontece quando uma dificuldade aparente se transforma em oportunidade de aprendizado, quando uma frustração leva a um novo caminho, quando a perda de um amigo se converte no encontro com outro.

O velho Sai, porém, não se deixa enganar pela euforia da sorte; ele sabe que a roda do destino continua girando.

O maçom também sabe que os momentos de glória são passageiros e que a verdadeira obra não depende dos altos e baixos da fortuna, mas da constância do trabalho interior.

A queda do filho e a quebra da perna são um símbolo das provações iniciáticas que todo obreiro deve enfrentar. Na Maçonaria, as dificuldades são vistas como cinzeis que lapidam a pedra bruta. O filho se torna manco, mas essa limitação física é justamente o que o salva da guerra.

Quantas vezes, na vida do maçom, um revés aparente — uma enfermidade, uma perda financeira, uma desilusão amorosa, um conflito com um irmão — acaba sendo o instrumento que o desvia de um mal maior ou o prepara para uma missão mais elevada? O velho Sai não chora a perna quebrada do filho porque ele vê além do osso fraturado; ele vê a vida poupada.

O maçom, diante de suas próprias “pernas quebradas” — seus fracassos e limitações — é chamado a enxergar a mão do Grande Arquiteto que, de maneira misteriosa, está tecendo um bem maior.

A guerra que convoca os jovens e mata a maioria é o tributo do tempo, a prova coletiva que todo grupo humano inevitavelmente enfrenta. O filho do velho Sai sobrevive porque sua limitação o tornou inútil para a guerra, mas útil para a vida.

Essa é uma lição poderosa sobreinversão dos valores: na Maçonaria, o que o mundo chama de fraqueza — a humildade, a simplicidade, a paciência — muitas vezes é a maior das forças.

O jovem que não foi para a guerra porque mancava pôde viver para dar continuidade à linhagem; o obreiro que não busca o poder nem a fama pode dedicar-se à verdadeira obra do espírito.

A fábula também nos ensina sobrenão-apego, uma virtude que a Maçonaria cultiva em silêncio. O velho Sai não se apega ao cavalo que perde, nem ao cavalo que ganha, nem à perna do filho, nem à vida do filho. Ele aceita o fluxo dos acontecimentos com a serenidade de quem sabe que tudo está nas mãos do Criador. O maçom, ao longo de sua jornada, vai aprendendo a soltar as amarras do desejo e do medo, a não fazer do sucesso uma âncora e do fracasso uma prisão. Ele trabalha, mas não se angustia com os resultados; ele planta, mas não se desespera se a colheita demora.

Por fim, a fábula é um convite à releitura da própria história. Ao final da vida, quando olhamos para trás, muitas das coisas que nos pareceram desastres revelam-se bênçãos, e muitas das que nos pareceram triunfos revelam-se ilusões.

O maçom, que percorre o caminho do autoconhecimento, é exatamente aquele que aprende a olhar o passado com essa sabedoria de Sai: “Quem sabe se isso não é uma bênção?” Ele não nega a dor, mas transcende a dor; não ignora a alegria, mas não se escraviza a ela. E assim, firme na certeza de que o tempo é o tecelão de todas as coisas, ele constrói seu Templo interior com a paciência de quem sabe que a pedra que hoje parece deslocada, amanhã será a pedra angular.

Pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Referência

  • HUAI NAN ZI. O Livro do Mestre de Huainan. Tradução do chinês clássico por Paulo R. B. da Silva. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2015.

  • WU, Y. C. Provérbios e Parábolas Chinesas: A Sabedoria Popular. Organização e comentários. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2006.

  • SILVA, Roberto. O Velho Sai e a Roda do Destino: Serenidade e Confiança na Jornada Iniciática. Anais do Simpósio de Filosofia e Simbologia, 2020.

  • LIMA, EduardoA Inversão dos Valores na Vida do Obreiro: Reflexões sobre o 塞翁失马. Cadernos de Filosofia Maçônica, vol. 14, 2023

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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