Suposta Saída da GLESP da CMSB
Ao longo dos meus anos de estudo sobre a história e a estrutura da Maçonaria brasileira, sempre me impressionou como as relações institucionais, embora fundamentais para a coesão da Ordem, podem ser reorganizadas sem que isso afete a essência da fraternidade.
Confesso que, no início, a notícia do pedido de desligamento da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo (GLESP) da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB) soou-me como mais um episódio de tensão – algo que, à primeira vista, parecia ecoar as antigas cisões que marcaram nossa história.
Mas, à medida que aprofundei minha compreensão sobre a natureza jurídica e administrativadessas instituições, fui percebendo que este movimento, longe de representar uma ruptura ou um conflito, é antes um ajuste que reafirma a soberania de cada Grande Loja e a natureza associativa – e não hierárquica – da CMSB.
Ao mergulhar nos estatutos e nas normas que regem as relações entre as potências maçônicas regulares, compreendi que a autonomia das Grandes Lojas não é uma concessão, mas um princípio estruturante da Maçonaria brasileira, consagrado pela tradição e pela própria história da nossa organização.
Diferentemente dos movimentos de cisão que, no passado, nasceram de divergências doutrinárias ou políticas profundas, a decisão da GLESP de se desligar da CMSB insere-se num contexto de readequação administrativa, onde cada obediência exerce o seu legítimo direito de avaliar os termos da sua participação em entidades de coordenação.
Foi surpreendente constatar como este episódio, apesar de seu impacto simbólico, não altera os laços de regularidade, reconhecimento mútuo e fraternidade que unem as Grandes Lojas – laços que não dependem de filiações a confederações, mas de princípios maçônicos universais.
Neste artigo, compartilho os resultados dessa minha investigação sobre a "suposta saída" da GLESP da CMSB – uma análise que me levou a compreender os contornos administrativos, os significados jurídicos e as implicações práticas dessa decisão para a Maçonaria brasileira e universal.
Convido o leitor a acompanhar-me nessa reflexão, pois compreender este movimento é entender que, na Maçonaria, a força de uma instituição não se mede pela sua capacidade de manter todos sob o mesmo teto, mas pela maturidade de reconhecer que a autonomia de cada parte é o que torna o todo verdadeiramente sólido – e que, por vezes, a maior demonstração de fraternidade está em respeitar a decisão do irmão que escolhe seguir um caminho diferente, ainda que sob a mesma bandeira dos mesmos ideais.

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