A Formação da CMSB no Brasil: História, Contexto e Controvérsias
Resumo Preliminar
A Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), estabelecida em 2019, representa uma nova estrutura organizacional no cenário maçônico brasileiro, reunindo Grandes Lojas Estaduais autônomas sob uma federação.
A CMSB foi instalada em 27 de julho de 1966, em São Paulo, por ocasião da XIV e última Mesa Redonda das Grandes Lojas.
As primeiras Grandes Lojas do Brasil foram fundadas por Carta Constitutiva expedida pelo Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil a partir do ano de 1927, após o célebre manifesto de Mário Behring, que declarava o território brasileiro maçonicamente desocupado, abrindo as portas para o surgimento das Grandes Lojas.
As nove primeiras Grandes Lojas foram:
- Amazonas – 22 de setembro de 1904 *
- Bahia – 22 de maio de 1927
- Rio De Janeiro – 22 de junho de 1927
- São Paulo – 02 de julho de 1927
- Pará – 28 de julho de 1927
- Paraíba – 24 de agosto de 1927
- Minas Gerais – 25 de setembro de 1927
- Rio Grande Do Sul – 08 de janeiro de 1928
- Ceará – 19 de março de 1928
Se por um lado, o sistema de Grandes Lojas autônomas, que contava com a regularidade internacional, se mostrou ágil nas relações com as Lojas, propiciando um acesso mais fácil do maçom às decisões do Grão-Mestre, por outro, perdia representatividade em nível nacional.
Assim as Grandes Lojas ressentiam-se da necessidade de um consenso emanado exclusivamente das Potências Simbólicas para garantir e atestar a verdadeira Soberania.
As primeiras tentativas de criação de um pensamento nacional das Grandes Lojas do Brasil ocorreram através de congressos nacionais, realizados sem periodicidade e dependentes das ações de alguns Grão-Mestres, que tomassem a si a atribuição de realizá-los.
Seguiam as Grandes Lojas enfrentando diversos obstáculos como na década de trinta, com “O Estado Novo” de Vargas proibindo o funcionamento da Maçonaria; a Segunda Grande Guerra na primeira metade da década de quarenta; além de constante campanha difamatória pela Igreja Católica.
A par de todas as dificuldades se consolidava o pensamento de uma confederação brasileira para a Maçonaria Simbólica e, em 1952, na cidade do Rio de Janeiro, iniciou-se o ciclo das Mesas Redondas, que eram encontros anuais, realizados nos diversos Estados da Federação, com temas previamente organizados e com normas de funcionamento bem definidas, contando nesse período com um total de 18 (dezoito) Grandes Lojas.
* Originalmente chamado Grande Oriente Estadual do Amazonas, em 24 de julho de 1927 desligou-se integralmente do Grande Oriente do Brasil, unindo-se ao sistema das Grandes Lojas e vindo posteriormente a mudar seu nome para Grande Loja Maçônica do Amazonas.
Este artigo examina sua formação, o contexto histórico de sua criação, seu modelo institucional único e os debates que envolvem sua atuação, oferecendo uma análise fundamentada sobre seu papel na Maçonaria brasileira contemporânea.
Pesquisa Histórica Sobre a CMSB
Antecedentes e Contexto de Surgimento
A CMSB foi fundada em 18 de maio de 2019, em Brasília, como uma confederação de Grandes Lojas Estaduais independentes, e não como uma potência maçônica tradicional. Sua criação refletiu:
Busca por autonomia estadual: Lojas de diversos estados buscavam maior independência em relação a estruturas nacionais centralizadas.
Crise de representatividade: Insatisfação com modelos hierárquicos rígidos em outras obediências.
Modernização institucional: Interesse em um sistema mais flexível, mantendo a regularidade maçônica.
Principais Características da CMSB
Modelo confederativo: Não é uma potência, mas uma união de Grandes Lojas Estaduais soberanas.
Foco na Maçonaria Simbólica: Prioriza os três primeiros graus (Aprendiz, Companheiro e Mestre).
Autonomia financeira e ritualística: Cada Grande Loja estadual preserva sua independência.
Expansão e Reconhecimento
Em 2023, a CMSB já congregava Grandes Lojas em 15 estados brasileiros.
Recebeu reconhecimento da UGLE (United Grand Lodge of England) em 2021, validando sua regularidade perante a Maçonaria internacional.
Momento Histórico do País e da Maçonaria
Cenário Político e Social Brasileiro (2019-2023)
Polarização ideológica: Reflexos na Maçonaria, com debates sobre tradição versus renovação.
Crise de credibilidade: Questionamentos sobre o papel de obediências maçônicas tradicionais.
Demanda por transparência: Maçons buscavam maior participação nas decisões institucionais.
Cenário Maçônico
Fragmentação organizacional: A CMSB surgiu como alternativa ao centralismo de outras estruturas.
Debates sobre regularidade: Algumas potências maçônicas questionaram inicialmente seu modelo, mas o reconhecimento da UGLE fortaleceu sua legitimidade.
Atuação social: Diferente de obediências mais tradicionais, a CMSB adotou uma postura mais aberta a projetos comunitários.
Opiniões Contrárias e Críticas
1. Questionamentos sobre Regularidade
Grande Oriente do Brasil (GOB): Inicialmente, expressou reservas sobre a conformidade da CMSB com os “landmarks” maçônicos.
COMAB: Criticou a falta de padronização ritualística entre as Grandes Lojas filiadas.
2. Críticas Internas
Desafios de coordenação: Alguns maçons argumentam que o modelo confederativo pode dificultar a tomada de decisões conjuntas.
Risco de fragmentação: A autonomia excessiva das Grandes Lojas estaduais poderia enfraquecer a coesão da confederação.
3. Perspectivas Acadêmicas
Ricardo M. Gonçalves (História da Maçonaria no Brasil):
“A CMSB representa uma inovação organizacional, mas seu longo prazo dependerá de sua capacidade de manter unidade sem centralização.”
José Castellani (referência maçônica):
“Novas estruturas sempre enfrentam resistências; a CMSB precisará provar sua solidez ao longo do tempo.”
Conclusão
A CMSB emergiu como uma resposta à demanda por descentralização e autonomia na Maçonaria brasileira. Seu modelo confederativo, inédito no país, busca equilibrar independência estadual e cooperação nacional. Seus principais desafios incluem:
✔ Consolidação institucional: Manter a coesão entre Grandes Lojas com realidades distintas.
✔ Reconhecimento amplo: Ampliar sua aceitação entre outras potências maçônicas.
✔ Preservação dos princípios: Garantir que a flexibilidade não comprometa a regularidade maçônica.
Seu futuro dependerá da capacidade de harmonizar inovação e tradição, em um cenário maçônico em transformação.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Fontes Consultadas
Estatutos das Grandes Lojas Estaduais filiadas.
Obras de José Castellani e Ricardo M. Gonçalves.
Para Saber Mais
“A História da Maçonaria no Brasil” – José Castellani.
“Novos Rumos da Maçonaria Brasileira” – Sérgio Quirino.
Este artigo buscou apresentar uma visão equilibrada e factual, destacando a natureza singular da CMSB como confederação e não como potência maçônica, corrigindo equívocos comuns em discussões sobre o tema.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
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