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Eduardo, Duque de Kent e Strathearn

Eduardo Duque de Kent e Strathearn

Eduardo, Duque de Kent e Strathearn: Biografia, Curiosidades e o Legado Maçônico

Introdução

Este artigo busca resgatar a figura de Eduardo, Duque de Kent e Strathearn, mostrando-o como um príncipe militar, um pai cuja única filha se tornaria uma das monarcas mais importantes da história e, sobretudo, um maçom cuja ação, ao lado do irmão Duque de Sussex, foi essencial para a unificação da Maçonaria inglesa. Um homem de contrastes, cuja vida pessoal e pública continua a fascinar historiadores e maçons até hoje.

Quando pensamos na rainha Vitória, poucos recordam a figura complexa que foi seu pai: o príncipe Eduardo Augusto, o primeiro Duque de Kent e Strathearn. Quarto filho do rei Jorge III e pai da monarca que deu nome a toda uma era, Eduardo teve uma vida marcada por contradições: um militar de disciplina férrea que vivia endividado, um regente ausente que nunca ascendeu ao trono, mas cuja única filha legítima acabou governando o maior império do mundo.

Para além da coroa, sua trajetória também se entrelaçou de forma decisiva com a Maçonaria, contribuindo para a unificação da maçonaria inglesa em 1813. Este artigo explora a vida, as curiosidades e o legado maçônico deste príncipe frequentemente negligenciado pela história.

Capítulo 1 – Biografia

1.1. Nascimento e primeiros anos

Eduardo Augusto nasceu em 2 de novembro de 1767 no Palácio de Buckingham, em Londres, sendo o quarto filho e quinto filho do rei Jorge III e da rainha Carlota de Mecklenburg‑Strelitz. Recebeu o tratamento de Sua Alteza Real desde o nascimento e foi o quarto na linha de sucessão ao trono. Seu nome completo, Eduardo Augusto, foi uma homenagem ao tio predileto do rei, cujo sepultamento ocorrera no dia seguinte ao seu nascimento.

A educação do príncipe foi inicialmente confiada ao reverendo John Fisher, futuro bispo de Exeter e Salisbury. Aos 18 anos, em 1785, foi enviado a Luneburgo para estudar a carreira das armas sob o barão Wangenheim – experiência que ele descreveria como “uma parada interminável”. Em Hanôver, seus hábitos foram submetidos a uma “contemptible system of espionage” e suas cartas eram interceptadas, com o príncipe frequentemente retratado como extravagante para o pai.

1.2. Carreira militar

Eduardo entrou para o serviço militar aos 17 anos, galgando postos de forma acelerada:

  • 30 de maio de 1786 – nomeado coronel.

  • Abril de 1789 – coronel do 7.º Regimento de Infantaria (Royal Fusiliers).

  • Outubro de 1793 – major-general.

  • Setembro de 1805 – marechal-de-campo por antiguidade.

Tornou-se conhecido como disciplinador rigoroso, chegando a parodiar a guarnição de Halifax todas as manhãs às cinco horas. Por outro lado, demonstrava atos notáveis de humanidade para com os soldados e iniciou um ambicioso programa de reconstrução das fortificações de Halifax – incluindo uma nova cidadela, torres e um sistema de sinalização.

Sua passagem por Gibraltar (maio de 1802 a primavera de 1803) foi curta e problemática, encerrando-se com a sua recall devido a rumores de disciplina severa. A partir daí, sua carreira ativa praticamente chegou ao fim.

1.3. Criação do Ducado e nomeações

Em março de 1799, o Parlamento concedeu-lhe uma renda anual de £12.000. No dia 23 de abril de 1799, foi criado Duque de Kent e Strathearn e Conde de Dublin. Poucas semanas depois, foi promovido a general e nomeado comandante-em-chefe das forças britânicas na América do Norte britânica. A dupla denominação do título – um ducado inglês (Kent) e um escocês (Strathearn) – seguia a prática hanoveriana de enfatizar a união dos reinos.

1.4. Casamentos e descendência

Por 27 anos, Eduardo viveu com sua amante, Thérèse-Bernardine Montgenet, conhecida como Julie de Saint‑Laurent, que o acompanhou em Gibraltar, Quebec, Halifax e finalmente em Bruxelas. Acredita-se que possam ter tido filhos, mas a rainha Vitória, sua filha, sempre se esforçou para suprimir esses rumores.

A morte da princesa Carlota de Gales, única neta legítima de Jorge III, em 1817, desencadeou uma crise sucessória. Os filhos solteiros do rei – os duques de Clarence (futuro Guilherme IV), Kent e Cambridge – apressaram-se em casar e produzir um herdeiro.

Em 29 de maio de 1818, em Coburgo, Eduardo casou-se com a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, viúva do príncipe de Leiningen e irmã do príncipe Leopoldo. Da união nasceu, em 24 de maio de 1819, a futura rainha Vitória.

1.5. Morte e extinção do título

No final de 1819, o duque levou a família para uma casa de campo em Sidmouth, Devon, onde contraiu pneumonia. Faleceu em 23 de janeiro de 1820, com apenas 52 anos, sendo sepultado na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor. Como não deixou herdeiros legítimos do sexo masculino, o ducado de Kent e Strathearn foi extinto. O título só seria revivido mais de 170 anos depois, em 1934, para o príncipe Jorge, quarto filho do rei Jorge V.

Capítulo 2 – Curiosidades sobre o Duque de Kent

2.1. O primeiro príncipe britânico a residir na América do Norte

Eduardo foi o primeiro membro da família real britânica a viver por um período prolongado na América do Norte. Colonos britânicos, em agradecimento, batizaram ruas, pubs e até mesmo a província canadense de Ilha do Príncipe Eduardo em sua homenagem.

2.2. O lago em forma de coração

Enquanto vivia em Halifax com Julie de Saint‑Laurent, o duque mandou construir um lago em forma de coração na sua propriedade, como uma romântica homenagem à amada. O local é hoje o Hemlock Ravine Park e o lago continua sendo uma atração turística.

2.3. Um arquiteto apaixonado por construções circulares

Eduardo tinha uma forte preferência pela arquitetura palladiana e, em especial, por edifícios circulares. Em Halifax, foi responsável por encomendar a Igreja Redonda de São Jorge, as torres Martello no Point Pleasant e a rotunda Music Room, único remanescente do Prince’s Lodge.

2.4. Dívidas, amantes e uma filha ilegítima

Além de Julie de Saint‑Laurent, o duque teve um caso com Adelaide Dubus, com quem pode ter tido uma filha ilegítima, Adelaide Augusta Victoria Dubus, que faleceu com apenas um ano de idade. Sua fama de acumular amantes e dívidas irritava profundamente o rei Jorge III.

2.5. Uma biblioteca valiosa e o interesse pelas ideias socialistas

Apesar das dificuldades financeiras, Eduardo construiu uma impressionante biblioteca pessoal e, nos seus anos de retiro, tornou-se benfeitor de inúmeras instituições de caridade e interessou-se vivamente pelas doutrinas socialistas de Robert Owen.

2.6. Ajuda financeira aos filhos do duque de Orleães

Em 1815, durante o exílio da família real francesa, Eduardo acolheu os três filhos exilados do duque de Orleães, emprestando-lhes dinheiro do seu já escasso peculio.

Capítulo 3 – Biografia Maçônica

3.1. Iniciação e primeiros passos na Maçonaria

O príncipe Eduardo foi iniciado na Maçonaria em 5 de agosto de 1789 na loja l’Union des Coeurs em Genebra, sendo passado a companheiro em 8 de outubro e elevado a mestre em 4 de novembro do mesmo ano. A cerimônia ocorreu sob a presidência do Irmão Vernet, Grão-Mestre do Grande Oriente Nacional. Logo após, foi eleito Guardião Júnior e membro do Colégio de Oficiais.

3.2. Provincial Grand Master em Gibraltar

Assim que sua transferência para Gibraltar foi confirmada, Eduardo foi nomeado Grão-Mestre Provincial para Gibraltar e Andaluzia em 26 de janeiro de 1790, com o anúncio sendo feito na Grande Loja dos “Moderns” em 10 de fevereiro. Ele ocupou esse cargo até 1800, supervisionando as lojas que então funcionavam em Gibraltar.

3.3. O papel na unificação da Maçonaria inglesa

No início do século XIX, a Maçonaria inglesa estava dividida entre a Grande Loja Premier (os “Modernos”) e a Grande Loja dos Antigos (Atholl). Em janeiro de 1813, o irmão de Eduardo, Augusto Frederico, Duque de Sussex, tornou-se Grão-Mestre dos Modernos. Em dezembro do mesmo ano, Eduardo foi eleito Grão-Mestre dos Antigos.

Aproveitando a presença de ambos os irmãos nos cargos máximos das duas obediências, as comissões nomeadas em 1811 conseguiram negociar os Artigos da União. Em 25 de novembro de 1813, os dois Grão-Mestres assinaram os artigos, que foram ratificados por cada constituição em 1º de dezembro.

Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) foi oficialmente constituída em 27 de dezembro de 1813 no Freemasons’ Hall, em Londres, com o Duque de Sussex como seu primeiro Grão-Mestre. Uma Loja da Reconciliação foi formada para unificar os rituais praticados pelas duas antigas Grandes LojasEduardo, Duque de Kent, foi o único Grão-Mestre real dos Antigos, e sua posição foi fundamental para viabilizar o acordo.

3.4. Legado maçônico

Embora seu mandato como Grão-Mestre dos Antigos tenha durado menos de um mês, Eduardo de Kent deixou uma marca duradoura na história da Maçonaria inglesa:

  • Unificação da Maçonaria inglesa – ao lado do irmão Duque de Sussex, foi um dos arquitetos da UGLE, que perdura até hoje.

  • Modelo de tolerância religiosa – sua visão inclusiva, acolhendo maçons de diferentes crenças, antecipou a abertura da Maçonaria a judeus, muçulmanos e cristãos de todas as denominações.

  • Referência histórica – um busto de mármore de Eduardo como Grão-Mestre dos Antigos, esculpido por John Francis em 1833, encontra‑se no Museu da Maçonaria em Londres, registrando sua posição única na história da instituição.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes

Príncipe Eduardo, Duque de Kent e Strathearn – Wikipédia (PT)
Prince Edward, Duke of Kent and Strathearn – Wikipedia (EN)
Duke of Kent and Strathearn – Wikipedia
EDWARD AUGUSTUS, Duke of KENT and STRATHEARN – Dictionary of Canadian Biography
Halifax’s Own Royal: Prince Edward, Duke of Kent – Halifax Public Libraries
Datos sobre Eduardo de Kent (1767-1820) para niños – Kiddle
The Sceptre and the Trowel – Museum of Freemasonry
HRH Edward (1767–1820), Duke of Kent and Strathearn, Grand Master of the Antients (1813) – Art UK
H.R.H. Prince Edward Augustus, Duke of Kent and his Canadian Masonic Career – PDF
Buckinghamshire Provincial Grand Lodge – The History of Freemasonry

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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