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Templo de Hatshepsut em Deir el-Bahari

O Templo de Hatshepsut em Deir el Bahari

Templo de Hatshepsut em Deir el-Bahari

Quando percorremos a margem oeste do Nilo, em frente à cidade de Luxor, há um monumento que, para mim, sempre representou a ousadia e a visão de uma das governantes mais extraordinárias da história.

O Templo de Hatshepsut, cravado nos penhascos de Deir el-Bahari, é muito mais do que um edifício funerário; é uma declaração de poder, uma obra-prima arquitetônica que desafia a própria paisagem e uma testemunha silenciosa da luta de uma mulher para ser reconhecida como faraó em um mundo de homens.

Diferente de qualquer outro templo egípcio, ele não se impõe pelo tamanho ou pela força bruta, mas pela harmonia com o ambiente — como se tivesse nascido da própria rocha. Suas três imponentes colunatas escalonadas sobem em direção ao céu, e seus relevos contam uma história de legitimidade divina, de expedições a terras distantes e de um reinado que marcou o Egito para sempre. Neste artigo, convido o leitor a percorrer comigo a história, a arquitetura e o legado desse que é, sem dúvida, um dos mais belos e inovadores templos do Antigo Egito.

O Nome e o Significado: “O Sublime dos Sublimes”

O nome egípcio original do templo era Djeser-Djeseru (Ḏsr-ḏsrw), que significa “O Sublime dos Sublimes” , “A Maravilha das Maravilhas” ou “O Santo dos Santos” . O nome refletia a grandiosidade do monumento e sua função como o mais sagrado dos espaços dedicados à faraó e ao deus Amon.

O local é conhecido hoje como Deir el-Bahari (ou Deir Elbari), um nome árabe que significa “O Mosteiro do Norte” , em referência a um mosteiro copta construído no local no século VII d.C. . Na antiguidade, a área era chamada de “A Montanha Sagrada” , pois os egípcios acreditavam que ali se encontrava o local de nascimento e renascimento dos deuses.

A Mulher que se Fez Faraó: Hatshepsut

Quem foi Hatshepsut?

Hatshepsut governou o Egito durante a XVIII Dinastia, por volta de 1479 a.C. a 1458 a.C. . Seu nome significa “A Primeira das Damas Nobres” ou “A Principal das Damas Nobres” . Ela foi a quinta soberana da dinastia e a segunda mulher a assumir o trono como faraó .

Filha do faraó Tutmés I e da rainha Ahmose, Hatshepsut inicialmente assumiu o poder como regente de seu enteado e sobrinho, Tutmés III, que era muito jovem para governar . No entanto, ela rapidamente consolidou seu poder e se autoproclamou faraó, adotando todos os regalia e insígnias reais  — incluindo a barba postiça, o cetro e o nemes (o cocar listrado dos faraós).

A Luta pela Legitimidade

Como mulher num cargo tradicionalmente masculino, Hatshepsut precisou justificar sua ascensão. Para isso, ela recorreu à propaganda religiosa. Nos relevos do templo, ela é apresentada como tendo sido gerada pelo próprio deus Amon, que teria assumido a forma de Tutmés I para fecundar a rainha Ahmose . Essa “narrativa do nascimento divino” está registrada na chamada “Colunata do Nascimento” . Além disso, ela afirmava que seu pai, Tutmés I, a havia designado como sua herdeira .

Hatshepsut governou por cerca de 22 anos, um dos períodos mais prósperos e estáveis da história egípcia antiga, marcado por grandes realizações arquitetônicas, expedições comerciais bem-sucedidas e um período de paz e estabilidade .

Arquitetura: A Obra-Prima de Senenmut

O Templo de Hatshepsut foi projetado pelo arquiteto Senenmut, o “supervisor das obras reais” e um dos mais confiáveis oficiais da rainha — possivelmente seu amante . A construção teve início no 7º ano do reinado de Hatshepsut e foi concluída entre o 20º e o 22º ano . Foram necessários cerca de 15 anos de trabalho.

A Inspiração e a Inovação

Senenmut inspirou-se no templo funerário vizinho do faraó Mentuotepe II (c. 2009–1959 a.C.), que também apresentava uma estrutura em terraços . No entanto, ele introduziu inovações que tornaram o templo de Hatshepsut único.

A Estrutura em Três Níveis

O templo é composto por três níveis ou terraços que se elevam gradualmente em direção aos penhascos de calcário . Cada nível é conectado por rampas que formam uma via processional . As dimensões do complexo são impressionantes: 273,5 metros de comprimento e 105 metros de largura, com uma altura de 24,5 metros.

  • Primeiro Nível (Terreiro Inferior): O visitante é recebido por um amplo pátio com colunatas. Originalmente, havia um jardim com árvores exóticas e duas piscinas, simbolizando o pântano primordial da criação egípcia. As colunas ostentam estátuas osiríacas de Hatshepsut — representações da rainha como Osíris, o deus dos mortos .

  • Segundo Nível: Este é o mais rico em decoração. A colunata da esquerda retrata a famosa expedição ao País de Punt (atual Eritreia ou Somália), uma viagem marítima que trouxe ao Egito incenso, mirra, ébano, ouro e animais exóticos . A colunata da direita exibe a “Colunata do Nascimento” , que narra a origem divina de Hatshepsut .

  • Terceiro Nível: O mais sagrado, abriga o santuário de Amon- — uma câmara escavada diretamente na rocha viva . Ali, a estátua do deus era guardada, e apenas os sacerdotes mais graduados podiam entrar. Também há capelas dedicadas a Anúbis (deus funerário) e a Hathor (deusa do amor e da maternidade) .

A Decoração e os Relevos

As paredes do templo são cobertas por belos relevos pintados que retratam rituais do templo, festivais religiosos e o transporte de obeliscos da pedreira até Karnak . O templo não foi cercado por muralhas , permitindo que o povo o contemplasse.

 Curiosidades sobre o Templo de Hatshepsut

  1. A Tentativa de Apagamento: Após a morte de Hatshepsut, seu sucessor Tutmés III ordenou que seu nome e imagem fossem riscados dos monumentos, numa tentativa de apagá-la da história . Muitas estátuas foram destruídas e seus cartuchos foram substituídos pelos de Tutmés I, II e III. Apesar disso, seu legado sobreviveu.

  2. A Expedição ao País de Punt: O templo preserva um dos mais detalhados registros de uma expedição comercial do Egito Antigo. Os relevos mostram o trajeto da viagem, os produtos trazidos (incluindo a famosa árvore de incenso) e até as casas sobre palafitas dos habitantes de Punt .

  3. O “Mosteiro do Norte”: O nome atual, Deir el-Bahari, deriva de um mosteiro copta construído sobre as ruínas do templo no século VII d.C. . Os monges viveram ali por séculos, adaptando as antigas estruturas para suas necessidades.

  4. O Arquiteto que se Tornou Tutor: Senenmut, o arquiteto do templo, também foi o tutor da princesa Neferu- (filha de Hatshepsut). Ele foi um dos homens mais poderosos do Egito durante o reinado da rainha.

  5. As Estátuas Osiríacas: As colunas do templo são adornadas com estátuas de Hatshepsut na pose de Osíris — de braços cruzados sobre o peito, segurando o cetro e o mangual, símbolos do poder real .

  6. Um Altar a Céu Aberto: No terraço superior, havia um altar dedicado ao culto do deus solar Ra-Horakhty, aberto ao céu e ao sol .

  7. Patrimônio Mundial da UNESCO: O Templo de Hatshepsut, juntamente com toda a antiga Tebas e suas necrópoles, foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1979 .

  8. A Múmia de Hatshepsut: Em 2007, a múmia de Hatshepsut foi identificada no Museu Egípcio do Cairo. Ela foi encontrada em um túmulo no Vale dos Reis (KV60), mas seu corpo provavelmente foi movido para lá por seu tutor, Senenmut, para protegê-la .

 Legado do Templo de Hatshepsut

O legado do Templo de Hatshepsut é múltiplo e profundo.

Na Arquitetura, o templo é considerado uma das obras-primas da arquitetura antiga. Sua integração harmoniosa com a paisagem, sua estrutura em terraços e sua decoração refinada influenciaram a arquitetura de templos por séculos. É um dos exemplos mais perfeitos da capacidade egípcia de unir o edifício construído ao envolvimento natural .

Na História e na Política, o templo é um testemunho do poder e da visão de uma das primeiras líderes femininas do mundo. Hatshepsut desafiou as convenções de seu tempo e governou com autoridade e competência, deixando uma marca indelével na sociedade egípcia .

Na Memória Coletiva, o Templo de Hatshepsut permanece como um símbolo da ousadia e da resiliência. A tentativa de Tutmés III de apagar sua memória fracassou, e hoje o templo é um dos destinos turísticos mais procurados do Egito. Ele nos lembra que a grandeza, quando verdadeira, transcende o tempo e as tentativas de silenciamento.

O Templo de Hatshepsut, esculpido na pedra viva de Deir el-Bahari, repousa entre o deserto e a falésia  — testemunha silenciosa de uma rainha que ousou ser faraó e de um arquiteto que soube transformar a rocha em poesia.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes

  • Wikipédia, a enciclopédia livre – Templo mortuário de Hatshepsut

  • Wikipédia, a enciclopédia livre – Hatshepsut (diferenças entre revisões)

  • Cruzeiros Rio Nilo – Templo da Rainha Hatshepsut

  • Egymonuments.gov.eg – Hatshepsut Temple

  • Infopédia – Templo de Hatshepsut

  • National Geographic España – Deir el-Bahari

  • Wikipedia, la enciclopedia libre – Templo funerario de Hatshepsut

  • Wikipedia, the free encyclopedia – Mortuary temple of Hatshepsut

  • Historia National Geographic – Deir el-Bahari (edição impressa)

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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