Ao longo dos meus anos de estudosobre os processos que forjaram a identidade nacional, sempre me impressionou como a históriaoficial, por vezes, oculta a mão feminina que teceu os fios da emancipação. Maria Leopoldina é a personificação dessa memória silenciada.
Mais do que a “Mãe dos Brasileiros”, ela foi a verdadeira arquiteta política do 7 de Setembro — a mulher que, a 2 de setembro de 1822, assinou o decreto da Independência e enviou a Dom Pedro a frase que ecoaria na história: “O pomo está maduro, colhe‑o já, senão apodrece”.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as obras, as curiosidades e o legado desta que é, sem dúvida, uma das figuras mais fascinantes e, ao mesmo tempo, mais esquecidas do BrasilImpério.
A Infância entre Poder e Perda
Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo‑Lorena nasceu no Palácio de Schönbrunn, em Viena, no dia22 de janeiro de 1797. Filha do imperadorFrancisco I da Áustria e de Maria Teresa de Bourbon‑Nápoles, era a quinta filha de uma das dinastias mais antigas e poderosas da Europa. Aos oito anos, perdeu a mãe.
Foi criada pela madrasta, Maria Luísa, que lhe incutiu o amor pela literatura, pelas ciências naturais e pela música.
A sua educação foi exemplar e fortemente influenciada pelo príncipe Metternich e por Goethe. Fluente em seis idiomas — alemão, francês, italiano, inglês, português e latim —, tinha especial interesse por mineralogia, botânica, física, geometria e numismática.
Ao longo da infância, acompanhou os conflitos entre a Áustria e a França napoleónica, testemunhando a fuga da família real quando as tropas francesas chegaram a poucos quilómetros de Viena.
Em 1816, após as negociações do Congresso de Viena, a arquiduquesa foi escolhida para esposa de Dom Pedro, príncipe herdeiro de Portugal. O casamento por procuração celebrou‑se em 13 de maio de 1817, em Viena, com Dom Pedro representado por Carlos, tio da noiva.
A jovem, então com 20 anos, partiu para o Brasil em 15 de agosto, acompanhada por uma comitiva de 28 pessoas, incluindo os naturalistas Carl von Martius e Johann von Spix.
Desembarcou no Rio de Janeiro em 5 de novembro de 1817 e, no dia seguinte, recebeu a bênção nupcial na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. A corte brasileira ficou surpreendida com a sua inteligência e conhecimento político. Assumiu então o nome de Maria Leopoldina.
O papel de Leopoldina na Independência do Brasil é muito mais do que o de uma consorte passiva. Enquanto Dom Pedro viajava a São Paulo, ela atuou como princesa regente interina, presidindo o Conselho de Ministros.
Em 2 de setembro de 1822, Leopoldina presidiu o Conselho de Estado e assinou a declaração de Independência, redigida por José Bonifácio. Enviou então mensageiros a cavalo com cartas para Dom Pedro, nas quais escreveu:
“O Brasil será em vossas mãos umgrande país, o Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará sua separação. O pomo está maduro, colhe‑o já, senão apodrece.”
Estas cartas foram o “pontapé final” para a ruptura. Foi Leopoldina, e não Dom Pedro, quem decretou formalmente a separação. Ela convenceu José Bonifácio a aceitar a nomeação como ministro e foi uma articuladora hábil nos bastidores, mediando conflitos e consolidando a monarquiabrasileira.
Após uma grave doença, faleceu no Rio de Janeiro, no dia11 de dezembro de 1826, com apenas 29 anos.
A causa exacta da morte permanece incerta: alguns apontam uma infecção generalizada; outros, complicações de um aborto espontâneo, possivelmente provocado por agressões.
Fluente em seis idiomas Dominava alemão, francês, italiano, inglês, português e latim.
Trouxe cientistas para o Brasil A sua comitiva incluía os naturalistas Spix e Martius, que realizaram importantes estudossobre a flora e fauna brasileiras.
Apaixonada por botânica e mineralogia Leopoldina mantinha uma coleção de minerais e plantas.
Afastou-se da política nos últimos meses Após as humilhações públicas, dedicou‑se à vida privada.
O legado de Leopoldina foi durante muito tempo obscurecido pela narrativa heroica de Dom Pedro. As suas cartas, repletas de análise política, só recentemente foram estudadas com a profundidade que merecem. Em 2022, ano do bicentenário da Independência, a sua imagem foi resgatada em livros, artigos e documentários.
Em 2024, foi aprovado o projeto de lei que inscreve Maria Leopoldina no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A sua memória ultrapassa o episódio de 1822: ela foi a primeira mulher a presidir um conselho de ministros no Brasil, a primeira imperatriz consorte e a principal responsável pela consolidação da monarquiabrasileira.
O filme “Leopoldina – A Imperatriz do Brasil” (2023) e diversas exposições no Museu Nacional, no Paço Imperial e no Palácio de Schönbrunn, em Viena, têm contribuído para reavivar a sua memória.
Maria Leopoldina foi, como poucos reconhecem, a primeira grande estratégica política do Brasil independente. Sem a sua habilidade diplomática, a sua coragem para assinar o decreto e a sua lucidez para perceber que “o pomo estava maduro”, o 7 de Setembro poderia ter sido adiado ou, pior, jamais concretizado.
A sua curta vida, marcada pela dor e pela grandeza, ensina‑nos que a liberdade, muitas vezes, nasce no silêncio dos palácios antes de ecoar nas margens dos rios.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).