Ao longo dos meus anos de estudo sobre a filosofia política contemporânea, poucos pensadores me provocaram uma reflexão tão profunda quanto Will Kymlicka.
Ele não é um filósofo de torre de marfim, nem um teórico distante das realidades do mundo; é, antes de tudo, umconstrutor de pontes — alguém que dedicou sua vida a conciliar dois valores que, para muitos, parecem irreconciliáveis: o liberalismo e o multiculturalismo.
A sua obra, que abrange desde a teoria da justiça até os direitos dos animais, é um testemunho de que a diversidade não é uma ameaça à democracia, mas a sua condição de possibilidade.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as ideias e o legado deste que é justamente considerado um dos mais influentes filósofos políticos do nosso tempo.
Origens e Formação
Will Kymlicka (nome completo: William Kymlicka) nasceu em 1962 em Londres, Ontário, no Canadá. Cresceu em um país marcado pela diversidade linguística e cultural — o Canadá é oficialmente bilíngue e abriga uma significativa população de imigrantes e minorias nacionais, como os quebequenses e os povos indígenas. Esse ambiente plural certamente influenciou suas preocupações filosóficas.
Obteve seu Bacharelado (B.A.) em filosofia e política pela Queen’s University em 1984. Prosseguiu seus estudos na Universidade de Oxford, onde concluiu seu Doutorado (D.Phil.) em filosofia em 1987, sob a orientação de G. A. Cohen, um dos mais importantes filósofos políticos marxistas do século XX.
Carreira Acadêmica
Após o doutorado, Kymlicka lecionou em diversas universidades canadenses, americanas e europeias antes de se estabelecer definitivamente na Queen’s University. Em 1998, ingressou no corpo docente do Departamento de Filosofia da Queen’s University, em Kingston, Ontário, onde ocupa a Canada Research Chair in Political Philosophy.
Além de sua posição na Queen’s, é Professor Visitante Recorrente no programa de Estudossobre Nacionalismo da Central European University, em Budapeste, Hungria.
Kymlicka é casado com a autora e ativista dos direitos dos animais Sue Donaldson, com quem coescreveu obras fundamentais sobre ética animal. É vegano há mais de 20 anos.
Kymlicka é o principal arquiteto e defensor do multiculturalismo liberal — a visão de que leis e políticas que reconhecem, dão suporte e oferecem direitos a grupos etnoculturais são consistentes com os valores liberais fundamentais de liberdade e igualdade.
Kymlicka argumenta que o liberalismo convencional é uma teoria insuficiente, pois ignora que os indivíduos não existem no vácuo: eles são moldados por suas culturas sociais. Para ele, a cultura não é um mero ornamento da vida humana; ela é o “contexto de escolha” que torna possível uma vida significativa. Sem uma cultura societal — definida como uma cultura que proporciona aos seus membros modos de vida significativos em toda a gama de atividades humanas — os indivíduos não têm condições de fazer escolhas autênticas sobre suas vidas.
Minorias Nacionais: grupos que foram historicamente incorporados a um Estado maior, mas que possuem uma cultura, uma língua e uma história próprias — como os quebequenses no Canadá, os catalães na Espanha e os povos indígenas nas Américas.
Grupos Poliétnicos: imigrantes que se estabeleceram em um novo país e buscam preservar sua cultura, mas que, ao contrário das minorias nacionais, não reivindicam autogoverno.
Para Kymlicka, esses dois tipos de grupos têm direitos distintos: as minorias nacionais têm direito a direitos de autogoverno (como a criação de instituições políticas próprias), enquanto os grupos poliétnicos têm direito a direitos poliétnicos (como isenções de leis que entram em conflito com suas práticas culturais).
A Cidadania Multicultural
Em sua obra mais famosa, Multicultural Citizenship: A Liberal Theory of Minority Rights (1995), Kymlicka desenvolve uma teoria abrangente dos direitos das minorias dentro de um quadro liberal. A obra foi premiada com o Macpherson Prize da Canadian Political Science Association e o Bunche Award da American Political Science Association.
📚 Principais Obras
Kymlicka é autor de oito livros publicados pela Oxford University Press e mais de 200 artigos, traduzidos para 34 idiomas. Entre suas obras mais importantes, destacam-se:
1. Liberalism, Community, and Culture (1989)
Seu primeiro livro, no qual realiza duas tarefas principais: primeiro, defende uma concepção liberal de justiça contra as críticas comunitaristas; segundo, argumenta que os direitos das minorias culturais são compatíveis com os princípios liberais.
2. Multicultural Citizenship: A Liberal Theory of Minority Rights (1995)
Sua obra mais influente, na qual apresenta uma teoria abrangente dos direitos das minorias dentro de um quadro liberal. O livro defende que certos direitos coletivos são necessários para garantir a igualdade de oportunidades para membros de grupos minoritários.
3. Contemporary Political Philosophy: An Introduction (1990; 2ª ed. 2002)
Uma introdução crítica às principais correntes da filosofia política contemporânea, incluindo o utilitarismo, o liberalismo igualitário, o marxismo, o comunitarismo e o feminismo. O livro foi traduzido para 17 idiomas.
4. Finding Our Way: Rethinking Ethnocultural Relations in Canada (1998)
Uma aplicação de suas teorias ao contexto canadense.
5. Politics in the Vernacular: Nationalism, Multiculturalism and Citizenship (2001)
6. Multicultural Odysseys: Navigating the New International Politics of Diversity (2007)
Uma análise da difusão internacional das políticas multiculturalistas. Recebeu o Book Award da North American Society for Social Philosophy.
7. Zoopolis: A Political Theory of Animal Rights (2011, com Sue Donaldson)
Uma obra inovadora que estende a teoria política aos direitos dos animais. O livro argumenta que os animais não devem ser vistos apenas como objetos de compaixão, mas como cidadãos de comunidades políticas. Recebeu o Biennial Book Prize da Canadian Philosophical Association em 2013.
8. Animals and the Right to Politics (2025, com Sue Donaldson)
Seu trabalho mais recente, que aprofunda a teoria política dos direitos dos animais.
Honrarias e Prêmios
Ao longo de sua carreira, Kymlicka recebeu inúmeras honrarias, incluindo:
Ordem do Canadá (Officer, 2023)
Gold Medal do Social Sciences and Humanities Research Council of Canada (2019)
Honorary Doctorates das Universidades de Copenhague (2013) e KU Leuven (2014)
Pierre Chauveau Medal da Royal Society of Canada (2001; 2021)
Vegano há mais de 20 anos: Kymlicka adotou umestilo de vida vegano, refletindo seu compromisso com os direitos dos animais.
Corredor de longa distância: Em seu tempo livre, Kymlicka é corredor de longa distância, tendo participado da Maratona PEC County em 2025.
Casado com uma ativista dos direitos dos animais: Sua esposa, Sue Donaldson, é autora e ativista dos direitos dos animais, com quem coescreveu Zoopolis e Animals and the Right to Politics.
Pioneiro na teoria política dos direitos dos animais: Kymlicka é um dos primeiros filósofos políticos a aplicar a teoria política tradicional (cidadania, direitos, justiça) ao tratamento dos animais.
Um dos filósofos mais influentes da atualidade: É considerado um dos mais importantes representantes da filosofia política contemporânea.
Co-diretor de um programa CIFAR: Kymlicka co-dirige, com Irene Bloemraad, um programa do CIFAR sobre “Boundaries, Membership and Belonging”, que reúne cientistas sociais e teóricos para explorar como as fronteiras da pertença social e política são desenhadas.
Legado
O legado de Will Kymlicka é imenso. Ele é, antes de tudo, o principal arquiteto do multiculturalismo liberal — uma teoria que revolucionou a forma como os Estados democráticos lidam com a diversidade cultural. Sua obra influenciou políticas públicas em todo o mundo, desde o multiculturalismo canadense até os debates sobre os direitos dos imigrantes na Europa.
Kymlicka nos ensinou que a diversidade cultural não é uma ameaça à democracia, mas a sua condição de possibilidade. Ele mostrou que os valores liberais de liberdade e igualdade não apenas permitem, mas exigem o reconhecimento e a proteção das identidades culturais minoritárias.
A sua distinção entre minorias nacionais e grupos poliétnicos forneceu um quadro conceitual que permite aos formuladores de políticas públicas responder de forma diferenciada às necessidades de diferentes grupos. E a sua extensão da teoria política aos direitos dos animais abriu um novo campo de investigação que continua a crescer.
Kymlicka nos deixa uma lição fundamental: a justiça não é um jogo de soma zero, onde o reconhecimento de um grupo implica a exclusão de outro. A verdadeira justiça é aquela que encontra formas de acomodar a diversidade sem sacrificar a solidariedade — e, como ele próprio demonstrou, essa é uma das tarefas mais urgentes e nobres da filosofia política contemporânea.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).