Progresso: Concepções Filosóficas e o Princípio Maçônico
Quando penso em progresso, minha mente, durante anos, viajou automaticamente para as conquistas materiais da modernidade – as máquinas que revolucionaram a indústria, as descobertas científicas que ampliaram os horizontes do conhecimento, o crescimento económico que prometeu bem-estar a gerações sucessivas.
Foi essa visão, herdada do otimismo iluminista, que me acompanhou durante grande parte da minha vida, até que, ao iniciar esta investigação, fui confrontado com uma inquietação que os manuais de história não conseguiam aplacar: o progresso, afinal, é realmente uma linha reta que nos conduz a um futuro melhor, ou será ele uma narrativa que a modernidade construiu para si mesma, ignorando as sombras que cada avanço projecta sobre o presente?
Ao mergulhar nas concepções filosóficas que moldaram a nossa compreensão do progresso, deparei-me com um percurso que me surpreendeu pela sua complexidade. Os gregos antigos, com a sua visão cíclica da história, dificilmente reconheceriam no progresso um valor positivo – para eles, o tempo era um eterno retorno, e a idade de ouro ficara para trás.
Foi o cristianismo que introduziu a ideia de uma história linear, orientada para a salvação e para o fim dos tempos, mas foi apenas com o Iluminismo que o progresso se tornou a crença central da cultura ocidental – a convicção de que a razão, a ciência e a técnica poderiam, passo a passo, conduzir a humanidade a um estado de perfeição. Condorcet, Kant, Hegel, Comte e Marx – cada um a seu modo – alimentaram essa fé num amanhã radiante, até que o século XX, com as suas guerras e os seus totalitarismos, veio lançar uma sombra profunda sobre essa confiança inabalável.
Foi, no entanto, ao encontrar a ideia de progresso na Maçonaria que esta investigação se tornou verdadeiramente pessoal para mim.
Percebi que o progresso maçônico não é o avanço técnico ou económico que os manuais celebram, mas algo muito mais íntimo e transformador: o progresso moral, intelectual e espiritual do indivíduo, que se traduz no aperfeiçoamento contínuo da pedra bruta que cada um de nós é.
A Maçonaria não promete um futuro melhor como um dado adquirido; ela nos convida a construí-lo, dia após dia, com o esforço silencioso de quem trabalha na sua própria alma e, através dela, na edificação de uma sociedade mais justa e mais fraterna.
Neste artigo, compartilho os frutos dessa minha jornada através das concepções filosóficas e do princípio maçônico do progresso – uma pesquisa que me levou a compreender que o verdadeiro progresso não é uma linha reta, mas um caminho sinuoso, feito de recuos e avanços, de dúvidas e certezas, e que a sua medida não está nas conquistas exteriores, mas na profundidade da transformação interior que cada um de nós é capaz de realizar.
Convido o leitor a acompanhar-me nessa reflexão, pois o progresso, quando compreendido como aperfeiçoamento da alma e não como acumulação de bens, revela-se não uma promessa do futuro, mas uma exigência do presente.

Usuário não autorizado! Você leu uma introdução! O acesso integral à este artigo e demais páginas do MS MAÇOM é reservado a membros devidamente identificados. Solicitamos que realize o login para proceder. Privacidade e discrição são pilares de nossa comunidade, e seu cumprimento é essencial!

| | |
| |













