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São Raimundo de Penaforte

São Raimundo de Penafortes

São Raimundo de Penaforte

Ao longo dos anos dedicados ao estudo da história da Igreja, poucas figuras me fascinaram tanto quanto São Raimundo de Penaforte.

Não se trata apenas de um santo entre tantos, mas de um homem que viveu quase um século — e que século! Nasceu quando os reinos cristãos da Península Ibérica ainda lutavam para se reerguer, e faleceu quando a Europa já respirava os ares do final da Idade Média.

Durante esses cem anos, Raimundo foi professor, advogado, diplomata, confessor de reis, fundador de ordens, conselheiro papal e, acima de tudo, um homem que, mesmo na velhice, não hesitou em viajar a pé pelos conventos da Europa ou em atravessar o mar sobre uma manta para repreender um rei.

A sua vida é um convite a descobrir que a santidade pode coexistir com a mais aguda inteligência jurídica, e que a humildade não impede a ousadia. Neste artigo, convido o leitor a conhecer algumas das curiosidades mais surpreendentes sobre esse extraordinário dominicano.

Biografia Resumida

Raimundo de Penaforte, em catalão Raimon de Penyafort (Vilafranca del Penedès, c. 1175 — Barcelona, 6 de janeiro de 1275), é o santo padroeiro da lei canónica e dos advogados canónicos. Nascido no castelo da família Peñafort, na Catalunha, Espanha, destacou-se desde jovem pelos estudos. Aos 20 anos já ensinava filosofia em Barcelona, e mais tarde partiu para a Universidade de Bolonha, onde se doutorou em direito civil e canónico, tornando-se professor titular da cadeira de Direito Canónico.

Em 1222, ingressou na Ordem dos Pregadores (Dominicanos), tornando-se uma das figuras mais influentes do século XIII. Foi capelão do Papa Gregório IX, confessor do Rei Jaime I de Aragão, e, em 1238, foi eleito Superior Geral dos Dominicanos, cargo que exerceu por dois anos. Faleceu em Barcelona em 1275, aos cem anos de idade, e foi canonizado em 1601 pelo Papa Clemente VIII.

Curiosidades sobre São Raimundo de Penaforte

1. O pedido a Tomás de Aquino: a origem da “Suma Contra os Gentios”

Uma das histórias mais fascinantes envolvendo Raimundo é o seu encontro com São Tomás de Aquino. Segundo a tradição, Raimundo pediu a Tomás que escrevesse uma obra apologética que servisse de guia seguro para os missionários dominicanos nas suas controvérsias com hereges e infiéis.

O resultado foi a “Suma Contra os Gentios” (também conhecida como Summa contra Gentiles), uma das obras mais importantes de Tomás de Aquino. Raimundo, já com mais de 80 anos, teve a visão e a humildade de reconhecer que a obra de um jovem frade poderia servir à Igreja de forma mais eficaz do que a sua própria.

2. O milagre da manta: como Raimundo atravessou o mar

Um dos episódios mais célebres da vida de Raimundo envolve o Rei Jaime I de Aragão.

Durante uma expedição à ilha de Maiorca, o rei teria proibido que as embarcações se dirigissem de volta à Espanha. Raimundo, indignado com a conduta escandalosa do monarca, manifestou o seu desacordo de uma forma que entrou para a lenda: estendeu a sua manta sobre a água, subiu nela e navegou até Barcelona.

Este milagre tornou-se um dos mais conhecidos associados ao santo, simbolizando a sua coragem inabalável e a sua autoridade espiritual, que se sobrepunha até mesmo à vontade de um rei.

3. O jurista que recusou o arcebispado

Apesar da sua imensa erudição e influência, Raimundo era um homem de profunda humildade. Quando o Papa Gregório IX o nomeou arcebispo da cidade de Tarragona, Raimundo sentiu-se tão indigno que adoeceu.

Recusou o cargo com tanta veemência que chegou a ficar doente em razão disso. Esta recusa não era falsa modéstia: Raimundo considerava o orgulho um dos maiores perigos para a alma, e preferiu voltar à Espanha e viver como um simples frade a aceitar honras que julgava não merecer.

4. A codificação do Direito Canónico: as “Decretais de Gregório IX”

Por ordem do Papa Gregório IX, Raimundo voltou a Roma em 1230 para uma tarefa monumental: organizar e codificar todas as leis canónicas dispersas.

O resultado foi a obra conhecida como “Os Decretais de Gregório IX” (ou Decretales Gregorii IX), que se tornou a base do direito canónico por séculos e ainda hoje é referência. Esta compilação, fruto de anos de trabalho meticuloso, consolidou Raimundo como o maior canonista da sua época e justifica o título de padroeiro dos advogados canónicos.

5. Fundador da Ordem dos Mercedários

Raimundo colaborou estreitamente com São Pedro Nolasco na fundação da Ordem de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos (Ordem dos Mercedários).

Foi Raimundo quem redigiu as Constituições da nova ordem e obteve o consentimento do Rei Jaime I para a sua fundação. A ordem tinha como objetivo libertar cristãos que haviam sido escravizados por muçulmanos — uma missão que refletia o contexto da Península Ibérica no século XIII.

6. O manual para inquisidores e a “Suma de Casos”

Raimundo redigiu um dos primeiros manuais para uso de inquisidores, o “Directorium inquisitoriale” (1242).

Mas a sua obra mais usada pelos confessores foi a “Suma de Casos” (Summa de casibus poenitentiae), um manual de teologia moral que orientava os sacerdotes na administração do sacramento da penitência. Esta obra teve uma influência imensa no desenvolvimento do sacramento da penitência e continuou a ser usada por séculos.

7. Uma vida de cem anos e uma canonização tardia

Raimundo faleceu em Barcelona no dia 6 de janeiro de 1275, com a impressionante idade de cem anos. No entanto, a sua canonização só ocorreu em 29 de abril de 1601, pelo Papa Clemente VIII — ou seja, mais de três séculos após a sua morte. A bula de canonização cita alguns dos milagres ocorridos junto ao seu sepulcro, onde a fama de santidade já corria entre os fiéis.

8. O confessor que repreendeu o rei

Raimundo foi confessor do Rei Jaime I de Aragão, e não hesitou em repreender o monarca pela sua vida licenciosa. Esta coragem de dizer a verdade ao poderoso, mesmo correndo o risco de desagradar ao rei, é uma das marcas da sua santidade. Ele também alertou o rei sobre o perigo que o reino corria com os albigenses, conseguindo que fossem expulsos.

9. A viagem a pé pelos conventos da Ordem

Quando foi eleito Superior Geral dos Dominicanos em 1238, Raimundo, então com cerca de 63 anos, percorreu todos os conventos da Ordem a pé.

Durante dois anos, visitou cada comunidade, conhecendo pessoalmente os frades e fortalecendo a unidade da Ordem. Depois, reuniu o Capítulo geral em Bolonha e apresentou a sua renúncia, preferindo voltar à vida simples de ensino e oração.

10. Fundador de seminários para missionários

Aos setenta anos, já idoso, Raimundo voltou ao ensino e fundou dois seminários onde o ensino era dado em hebraico e árabe, com o objetivo de atrair judeus e muçulmanos ao Cristianismo. Em pouco tempo, segundo a tradiçãodez mil árabes teriam recebido o batismo, um feito que atesta a eficácia da sua visão missionária.

Legado

O legado de São Raimundo de Penaforte é imenso e perdura até aos nossos dias. Como padroeiro da lei canónica e dos advogados canónicos, ele representa a síntese entre a mais rigorosa ciência jurídica e a mais profunda vocação espiritual.

A sua obra de codificação do direito canónico, as Decretais de Gregório IX, permanece como um dos pilares da legislação da Igreja Católica.

Além disso, a sua influência estendeu-se à teologia, através do pedido a Tomás de Aquino para escrever a Suma Contra os Gentios; à vida religiosa, através da fundação da Ordem dos Mercedários; e à prática pastoral, através da Suma de Casos, que orientou confessores por séculos.

A sua vida é um testemunho de que a santidade não é incompatível com a inteligência, a coragem ou a liderança — e que um homem de lei pode ser, ao mesmo tempo, um homem de Deus.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Pesquisa 

  • Raimundo de Penaforte – Wikipédia, a enciclopédia livre

  • História de São Raimundo de Penhaforte – Cruz Terra Santa

  • Raimundo de Peñafort, Santo – Catholic.net

  • São Raimundo de Penafort – Arautos do Evangelho

  • São Raimundo de Peñafort – Canção Nova

  • Raimundo de Peñafort – EcuRed

  • Cambridge, Corpus Christi College, MS 247 – Summa de casibus poenitentiae

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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