Ao longo dos meus anos de estudosobre os gigantes que moldaram a teologia cristã, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de Gregório Nazianzeno.
Ele não foium administrador de império, nem umlíder militar; foi, antes de tudo, um poeta da fé — alguém que ousou conciliar a beleza da palavra com a profundidade do mistério trinitário, construindo pontes entre a cultura grega e a revelação cristã.
A sua vida, marcada por amizades profundas, exílios voluntários e uma vocação vivida com intensidade, é um testemunho de que a verdadeira teologia não se faz na ausência de conflitos, mas no confronto com as heresias e no serviço à comunidade.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as obras e as curiosidades que cercam este que é, sem dúvida, o mais eloquente e poético dos Padres Capadócios.
Gregório Nazianzeno (em grego: Γρηγόριος Ναζιανζηνός), também conhecido como Gregório de Nazianzo ou Gregório, o Teólogo, nasceu por volta de 329 d.C. em Arianzo, uma pequena localidade próxima a Nazianzo, na Capadócia (atual Turquia).
Pertencente a uma família da aristocracia local e profundamente cristã, era filho de Gregório de Nazianzo, o Velho, que se converteu ao cristianismo e foi consagrado bispo de Nazianzo, e de Nona, uma mulher piedosa que consagrou o filho a Deus desde o ventre.
Gregório recebeu uma educação esmerada, estudando retórica avançada e filosofia em Nazianzo, Cesareia, Alexandria e, finalmente, Atenas — o grande centro intelectual do mundo antigo.
Em Atenas, travou uma amizade que marcaria sua vida para sempre: a de Basílio de Cesareia, com quem partilhou os bancos da escola e o amor pela sabedoria. Foi também em Atenas que conheceu o futuro imperador Juliano, que mais tarde se tornaria o famoso “Apóstata”.
O Sacerdócio e a Vida Ascética
Em 361, Gregório retornou a Nazianzo e foi ordenado presbítero por seu próprio pai, que desejava sua ajuda na comunidade local. No entanto, o jovem Gregório, que considerava a vida monástica, ressentiu-se da decisão paterna, chamando-a de “ato de tirania”. Deixou a casa paterna e se encontrou com Basílio em Annesoi, onde os dois viveram como ascetas. Basílio, porém, o incitou a voltar para ajudar o pai, o que Gregório fez no ano seguinte.
Nesta época, o imperador Juliano declarou-se publicamente contra o cristianismo. Em resposta, Gregório compôs a Ofensiva contra Juliano entre 362 e 363, defendendo que o cristianismo superaria governantes imperfeitos através do amor e da paciência. Juliano resolveu perseguir Gregório e outros críticos cristãos, mas o imperador faleceu no ano seguinte.
Em 372, Gregório foi consagrado bispo de Sásima, uma sé recentemente criada por Basílio para reforçar sua posição contra bispos arianos. Gregório, porém, descreveu seu novo bispado como um “buraquinho apertado, completamente horrível; uma irrisória parada de cavalos na estrada principal”. Fez pouco para administrar sua diocese e, já no final de 372, retornou a Nazianzo para ajudar o pai, no leito de morte. Isso afetou sua relação com Basílio, que insistia que ele reassumisse seu posto em Sásima. Gregório respondeu que não tinha intenção de voltar a serum “peão” para avançar os interesses do amigo.
Após as mortes de seu pai e de sua mãe em 374, Gregório continuou administrando a diocese de Nazianzo, mas recusou ser nomeado bispo. Doando a maior parte de sua herança aos necessitados, viveu uma existência austera. No final de 375, retirou-se para um mosteiro em Selêucia Isaura, onde viveu por trêsanos. Perto do final deste período, seu grande amigo Basílio faleceu.
Com a morte do imperador Valente e a ascensão de Teodósio, um firme defensor da ortodoxia nicena, o partido ortodoxo pôde retornar a Constantinopla. Em 379, Gregório foi convidado a liderar a campanha para conquistar a cidade em nome da ortodoxia. Sua prima, Teodósia, ofereceu-lhe sua vila, que Gregório transformou numa igreja chamada “Anastasia” — “uma ceia para a ressurreição da fé”. Desta pequena capela, pregou cinco poderosos discursos sobre a doutrina nicena, explicando a natureza da Trindade.
Temendo sua popularidade, seus oponentes arianos invadiram a igreja durante a missa na vigília da Páscoa de 379, ferindo Gregório e matando um outro bispo. Escapando da turba, Gregório foi traído por seu até então amigo, o filósofo Máximo, o Cínico, que tentou tomar para si a posição de Gregório. A chegada do imperador Teodósio em 380 resolveu a questão a favor de Gregório, que foi entronizado como bispo de Constantinopla.
Em 381, Gregório presidiu o Primeiro Concílio de Constantinopla. No entanto, bispos do Egito e da Macedônia se recusaram a reconhecer sua posição, argumentando que sua transferência da Sé de Sásima era canonicamente ilegítima. Exausto e preocupado com a unidade da Igreja, Gregório renunciou: “Que eu seja o profeta Jonas!… Eu não estava feliz quando ascendi ao trono e com alegria eu desceria dele”.
Gregório retornou à sua terranatal na Capadócia, assumindo novamente a posição como bispo de Nazianzo. Passou o ano seguinte combatendo os apolinaristas locais e lutando contra uma doença recorrente. No final de 383, debilitado demais para continuar, consagrou Eulálio como bispo e se retirou para a solidão de Arianzo.
Gregório faleceu em 25 de janeiro de 389, deixando uma obra literária que, embora não muito abundante, brilha pela perfeição exemplar de seu estilo.
Gregório Nazianzeno é lembrado como o “Teólogo” — um título que compartilha apenas com o apóstolo João. Sua contribuição mais significativa foi a defesa da doutrina da Santíssima Trindade, especialmente no campo da pneumatologia — o estudo da natureza do EspíritoSanto. Ele foi o primeiro a utilizar a ideia de “processão” para descrever a relação entre o EspíritoSanto e a Divindade.
Gregório não escreveu comentários bíblicos ou tratados dogmáticos, mas sua produção inclui:
44 Discursos (Orationes): que abarcam sua vida de 362 a 383. Os famosos “Discursos Teológicos” sobre a Trindade estão entre eles.
249 Cartas: muitas delas dirigidas a BasílioMagno.
Poesia: dividida em Carmina dogmatica (38 poemas), Carmina moralia (40 poemas), sobre si mesmo (99 poemas), sobre seus amigos (8 poemas), epitáfios (129 poemas) e epigramas (94 poemas).
De Vita Sua: seu poema autobiográfico, composto em seus últimosanos.
O título de “Teólogo”: Gregório é um dos poucos santos a receber o título de “Teólogo”, compartilhando-o apenas com o apóstolo João e Simeão, o Novo Teólogo.
Uma família de santos: Gregório fazia parte de uma família profundamente cristã — seu pai, sua mãe, seu irmão Cesário e sua irmã Gorgônia são todos venerados como santos.
Amizade com Basílio: Sua amizade com BasílioMagnofoi uma das mais profundas da história da Igreja, mas também marcada por conflitos e desentendimentos.
O “buraquinho” de Sásima: Gregório descreveu sua diocese em Sásima como “um buraquinho apertado, completamente horrível; uma irrisória parada de cavalos na estrada principal”.
Primo de Teodósia: Sua prima, Teodósia, ofereceu-lhe a vila onde ele estabeleceu a igreja Anastasia em Constantinopla.
Renúncia voluntária: Renunciou ao cargo de bispo de Constantinopla durante o Concílio, dizendo: “Eu não estava feliz quando ascendi ao trono e com alegria eu desceria dele”.
Influênciasobre o Ocidente: Teólogos modernos como Paul Tillich atribuem a Gregório “ter criado as fórmulas definitivas da doutrina da Trindade”.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).