Marquês de Sapucaí (Cândido José de Araújo Viana)
Biografia Geral
Infância, Estudos e Formação Acadêmica
Cândido José de Araújo Viana nasceu em 15 de setembro de 1793 na antiga Congonhas de Sabará (atual município de Nova Lima, em Minas Gerais). Era filho do capitão-mor Manuel de Araújo Cunha e de Mariana Clara da Cunha. Em 1815, seguiu para a Universidade de Coimbra, onde se formou bacharel em Direito em 1821, tendo ainda assistido a algumas aulas de ciências médicas.
Carreira Jurídica e Magistratura
De volta ao Brasil, assumiu os cargos de juiz de fora em Mariana (1822) e mais tarde foi nomeado desembargador da Relação da Província de Pernambuco (1827). Chegou a ministro do Supremo Tribunal de Justiça (1850), o mais alto posto na carreira da magistratura imperial.
Carreira Política e Parlamentar
Sua trajetória política foi notável. Foi deputado constituinte em 1823 e deputado geral por Minas Gerais em diversas legislaturas (1826, 1830, 1834). Presidiu as províncias de Alagoas (1828) e do Maranhão (1829-1832), onde realizou reformas administrativas e pacificou os ânimos regionais. Serviu como ministro da Fazenda (1832-1834) e, mais tarde, como ministro do Império (1841-1843). Foi eleito senador por Minas Gerais em 1839, tomando posse em 1840, e exerceu o mandato até o fim da vida. Presidiu o Senado Imperial entre 1851 e 1853 e também presidiu a Câmara dos Deputados (1837-1840).
Professor e Conselheiro da Família Imperial
Foi escolhido pela Regência para ser professor de literatura e ciências políticas de D. Pedro II e das irmãs do imperador. Tamanha era a confiança que D. Pedro II nele depositava que, quando chegou a hora de educar as próprias filhas (Isabel e Leopoldina), o imperador novamente o chamou para ser o professor das princesas. A intimidade com a família imperial era tamanha que Cândido José de Araújo Viana testemunhou o casamento da Princesa Leopoldina com o Duque de Saxe, em 1864.
Títulos Nobiliárquicos
Em 1854, recebeu o título de Visconde de Sapucaí. Em 1872, já aposentado da vida pública, foi agraciado com o título de Marquês de Sapucaí. A escolha do nome “Sapucaí” remete ao tupi (sapucaia, árvore brasileira comum na Mata Atlântica); há um rio e duas cidades com o mesmo nome no país.
Faleceu no Rio de Janeiro em 23 de janeiro de 1875, aos 81 anos de idade.
Biografia Maçônica
Iniciação e Ascensão na Ordem
Cândido José de Araújo Viana ingressou na Maçonaria ainda na primeira metade do século XIX, tendo atingido o mais alto grau da hierarquia. Em 30 de agosto de 1837, recebeu o grau 33 (trigésimo terceiro) do Rito Escocês Antigo e Aceito e tornou-se Grão‑Mestre do Grande Oriente do Passeio.
Fusão das Potências Maçônicas
Em 1842, Cândido José de Araújo Viana foi o principal articulador da fusão entre o Grande Oriente do Passeio e o Supremo Conselho Montezuma, movimento que fortaleceu e unificou a Maçonaria brasileira num momento de grandes transformações políticas no Império.
Grão-Mestre do Grande Oriente Brasileiro
Entre 1842 e 1846, exerceu o cargo de Grão‑Mestre do Grande Oriente Brasileiro. Foi também condecorado com o título de Grão-Mestre do Grande Oriente (Maçonaria), além de cavaleiro das Ordens de Cristo e da Rosa e dignitário da Ordem do Cruzeiro.
Reconhecimento e Lojas em Sua Homenagem
A relevância de sua atuação maçônica fez com que seu nome fosse perpetuado em várias lojas espalhadas pelo Brasil, que homenageiam o Marquês de Sapucaí como patrono.
Curiosidades
Compositor musical – Apesar da intensa vida pública, o marquês cultivou a música e compôs peças famosas à época. São conhecidas as modinhas “Mandei um eterno suspiro” e “Já que a sorte destinara”, além da quadrilha “Primeiro amor” e do schottisch “Candinho”. Especialistas afirmam que as composições revelam que ele sabia tocar piano.
Pai da “Sapucaí” do Carnaval – A famosa avenida do sambódromo do Rio de Janeiro, inaugurado em 1984, foi construída na Avenida Marquês de Sapucaí por projeto de Oscar Niemeyer. O próprio Cândido José de Araújo Viana, no entanto, nada tinha a ver com o carnaval; a homenagem decorre exclusivamente de seu título nobiliárquico.
Liberal moderado e depois conservador – Na política, começou como liberal moderado até 1837, quando migrou para o Partido Conservador. Votou contra a maioridade de D. Pedro II e a favor da Lei do Ventre Livre (1871).
Pacificador de províncias – Enquanto presidente da província de Alagoas, regularizou a administração da fazenda pública e pacificou a região. No Maranhão, enfrentou agitações após a abdicação de D. Pedro I e completou a organização das câmaras municipais.
Reformas econômicas – No Ministério da Fazenda, realizou as primeiras reformas alfandegárias, substituiu a moeda de cobre em circulação e fixou os juros da dívida pública.
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Por mais de 30 anos presidiu essa importante instituição cultural, tendo vários discursos publicados na revista do IHGB.
Examinador de diplomatas – Foi examinador oficial do Colégio D. Pedro II para os candidatos à carreira diplomática.
Timidez em público, decisão no gabinete – Embora tímido nos plenários da Câmara e do Senado, era homem de gabinete de iniciativas acatadas e decisivas, orientado pela tolerância e pelo zelo pelo desenvolvimento moral do país.
Pesquisa Ivair Ximenes Lopes
Fontes
Câmara dos Deputados – Biografia de Cândido José de Araújo Viana (Visconde e Marquês de Sapucaí)
Senado Federal – Perfil do Senador Marquês de Sapucaí (página oficial)
BBC News Brasil – “Quem foi o Marquês de Sapucaí, professor de D. Pedro 2º que virou sinônimo de Carnaval” (2025)
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira (verbete “Marquês de Sapucaí”)
Wikipédia, a enciclopédia livre – Verbete “Cândido José de Araújo Viana”
Site de divulgação maçônica Adonhiramita – Lista de Grão-Mestres do Grande Oriente Brasileiro
Loja Maçônica “Obreiros de Irajá” – Relação de maçons ilustres
Folha de Sabará – “O MARQUÊS É NOSSO” (2015)

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.












