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O Partenon de Atenas

O Partenon de Atenas

O Partenon de Atenas

Quando percorremos a história dos templos da Antiguidade, há um que, para mim, sempre se destacou não apenas pela grandiosidade, mas pela perfeição quase matemática de suas proporções. O Partenon, erguido no ponto mais alto da Acrópole de Atenas, é mais do que um edifício; é a materialização do ideal grego de harmonia, equilíbrio e beleza.

Foi concebido para ser visto de longe, para impressionar e para eternizar o poder e a cultura de uma cidade que, no século V a.C., era o centro do mundo civilizado. Suas colunas de mármore, que resistem ao tempo há mais de dois milênios, contam uma história de glória, destruição e resiliência.

Neste artigo, convido o leitor a percorrer comigo a história, a arquitetura e o legado desse que é, sem dúvida, o mais célebre dos templos gregos.

O Nome e o Significado: “A Morada da Virgem”

O nome Partenon deriva do epíteto da deusa Atena — Atena Partenos (Ἀθηνᾶ Παρθένος), que significa “Atena, a Virgem” . O templo foi, portanto, dedicado à deusa em sua qualidade de donzela guerreira, protetora da cidade que levava seu nome.

O termo “parthenos” (παρθένος) em grego antigo designava a mulher jovem, solteira e virgemum atributo essencial da deusa, que nunca se casou nem se submeteu a nenhum deus masculino. O nome do templo, assim, já anunciava a natureza da divindade que ali seria cultuada.

Origens e Construção: O Sonho de Péricles

O Antigo Partenon e a Destruição Persa

Antes do Partenon que conhecemos, existia no mesmo local um templo mais antigo, conhecido como “Antigo Partenon” ou “Pré-Partenon” , cuja construção teve início por volta de 490–488 a.C., logo após a vitória ateniense na Batalha de Maratona . Este templo, porém, nunca foi concluído. Em 480 a.C., durante a Segunda Guerra Médica, os persas invadiram Atenas e saquearam a Acrópole, destruindo o templo inacabado .

A Era de Péricles: A Grande Reconstrução

Após a vitória grega sobre os persas, Atenas viveu sua era de ouro sob a liderança de Péricles (c. 495–429 a.C.). Foi ele quem concebeu o ambicioso programa de reconstrução da Acrópole, que incluiria o Partenon, os Propileus (o portal monumental), o Erecteion e o Templo de Atena Niké .

A construção do Partenon teve início em 447 a.C. e foi concluída em 438 a.C., com a decoração externa estendendo-se até 432 a.C. . Foram apenas 15 anos de trabalho para erguer um dos mais perfeitos monumentos da história.

Os Arquitetos e o Escultor

O projeto foi confiado aos arquitetos Ictinos (ou Ictino) e Calícrates, sob a supervisão geral do escultor Fídias, que também foi responsável pela estátua de culto no interior do templo . Fídias, considerado o maior escultor da Antiguidade, supervisionou toda a decoração escultórica do edifício, incluindo os frontões, as métopas e o famoso friso .

O Material e o Financiamento

O Partenon foi construído quase inteiramente em mármore branco do Monte Pentélico, uma pedra de alta qualidade que brilha sob a luz do sol . O financiamento da obra veio, em grande parte, dos recursos do Tesouro da Liga de Delos, uma aliança de cidades-estado gregas liderada por Atenas. Segundo algumas fontes, Péricles teria desviado fundos excedentes da liga para custear a construção .

Arquitetura: A Perfeição Dórica

O Partenon é considerado o ápice do desenvolvimento da ordem dórica, o mais simples e robusto dos três estilos arquitetônicos gregos .

Dimensões e Proporções

O templo mede aproximadamente 69,6 metros de comprimento por 30,8 metros de largura, com 13,72 metros de altura . É cercado por uma colunata peripteral — ou seja, com colunas em todo o seu perímetro — com 8 colunas nas fachadas principais e 17 nas laterais . As colunas têm cerca de 10,4 metros de altura e são ligeiramente inclinadas para dentro, criando uma sensação de equilíbrio e leveza.

As Correções Ópticas

Um dos aspectos mais notáveis do Partenon é o uso de correções ópticas (entasis). Os arquitetos gregos perceberam que linhas perfeitamente retas, quando vistas de longe, parecem curvar-se. Para compensar essa ilusão de óptica, eles introduziram sutis curvaturas no edifício: o estilóbato (a base) é ligeiramente convexo, as colunas são ligeiramente mais grossas no meio e inclinam-se para dentro, e os capitéis são ligeiramente mais largos na parte superior. O resultado é que o Partenon parece perfeitamente reto e harmonioso quando visto de qualquer ângulo .

A Decoração Escultórica

A decoração escultórica do Partenon é considerada um dos pontos mais altos da arte grega . Ela se dividia em três partes:

  1. As Métopas: 92 painéis em relevo, representando cenas de batalhas mitológicas: a Gigantomaquia (deuses contra gigantes), a Centauromaquia (lápitas contra centauros), a Amazonomaquia (gregos contra amazonas) e a Guerra de Troia.

  2. O Friso Jônico: Um friso contínuo de 160 metros de comprimento que corria ao longo das paredes internas do templo. Representava a Procissão das Panateneias, o festival religioso mais importante de Atenas, com mais de 300 figuras humanas, deuses e animais .

  3. Os Frontões: Nos frontões leste e oeste, estavam representados, respectivamente, o nascimento de Atena da cabeça de Zeus e a disputa entre Atena e Posídon pelo domínio da Ática.

A Estátua de Atena Partenos

No interior do Partenon, na cela (a câmara principal), erguia-se a colossal estátua de culto de Atena Partenos, uma obra-prima de Fídias . A estátua, com cerca de 12 metros de altura, era criselefantina — feita de uma estrutura de madeira revestida com placas de marfim para as partes da pele e ouro para as vestes e armas . O peso do ouro empregado era de aproximadamente 1.140 quilos.

A deusa era representada de pé, com uma lança na mão esquerda, um escudo apoiado ao lado e uma pequena estátua de Nike (Vitória) na mão direita. Seu capacete era adornado com esfinges e grifos. A estátua, infelizmente, foi perdida ao longo dos séculos, e dela restam apenas descrições de autores antigos e algumas cópias romanas em menor escala.

 A História Turbulenta: Igreja, Mesquita, Explosão e Saque

Ao longo dos séculos, o Partenon sofreu uma série de transformações e destruições que o transformaram no que vemos hoje.

A Igreja Cristã (século VI – 1458)

Por volta do século VI d.C., com a cristianização do Império Romano, o Partenon foi convertido em uma igreja cristã, dedicada inicialmente a Santa Sofia e, mais tarde, à Virgem Maria . Para adaptar o templo ao culto cristão, o interior foi modificado: o ábside foi construído no lado leste, e as esculturas pagãs foram removidas ou danificadas.

A Mesquita Otomana (1458 – 1687)

Em 1458, com a conquista otomana de Atenas, o Partenon foi transformado em uma mesquita . Os otomanos adicionaram um minarete, mas preservaram a estrutura básica do edifício.

A Explosão de 1687

Em 1687, durante a Guerra de Moreia entre os otomanos e a República de Veneza, o Partenon sofreu sua maior tragédia. Os otomanos usavam o templo como depósito de pólvora. Em 26 de setembro, uma bomba veneziana atingiu o edifício, detonando a pólvora e causando uma explosão devastadora que destruiu o centro do templo, derrubou muitas colunas e arruinou grande parte das esculturas .

O Saque de Lord Elgin (1801–1803)

No início do século XIX, o embaixador britânico em ConstantinoplaLord Elgin, obteve permissão das autoridades otomanas para remover esculturas do Partenon . Entre 1801 e 1803, ele retirou cerca de metade das esculturas sobreviventes, incluindo 21 figuras dos frontões15 métopas e 56 painéis do friso. Essas peças foram transportadas para a Inglaterra e, em 1816, vendidas ao Museu Britânico, onde permanecem até hoje, no centro de uma longa disputa entre a Grã-Bretanha e a Grécia pela sua repatriação .

Os Terremotos e a Restauração

Em 1894, um terremoto na região causou mais danos à estrutura já fragilizada . Desde então, o governo grego tem conduzido um programa contínuo de restauração e reconstrução, buscando preservar o que resta e, quando possível, reerguer partes do edifício .

 Curiosidades sobre o Partenon

  1. O Nome que não era do Templo: O termo “Partenon” originalmente designava uma sala específica dentro do templo — a “câmara das virgens” — e não o edifício como um todo. Com o tempo, o nome passou a designar todo o templo .

  2. A Construção Mais Rápida da Antiguidade: O Partenon foi construído em apenas 15 anos (447–432 a.C.), um feito impressionante para um edifício de tal magnitude e perfeição.

  3. Nenhuma Linha Reta: O Partenon não tem uma única linha perfeitamente reta. Todas as suas linhas são ligeiramente curvadas para corrigir ilusões de óptica e criar a sensação de perfeição.

  4. O Ouro de Atena: A estátua de Atena Partenos continha cerca de 1.140 quilos de ouro, que podia ser removido em caso de emergência — uma espécie de “reserva de valor” da cidade.

  5. O Friso das Panateneias: O friso do Partenon, com 160 metros de comprimento, representava a procissão das Panateneias, um festival que ocorria a cada quatro anos e que incluía a oferta de um novo peplo (vestido) à estátua de Atena.

  6. A Explosão de 1687: A explosão que destruiu o Partenon foi tão violenta que os destroços foram encontrados a centenas de metros de distância. O edifício nunca foi totalmente reconstruído.

  7. Os Mármores de Elgin: A disputa pela devolução dos Mármores de Elgin à Grécia é uma das mais longas e acaloradas controvérsias no mundo da arqueologia e da restituição de bens culturais.

  8. Um Símbolo de Democracia: O Partenon é visto como um símbolo duradouro da democracia ateniense e da civilização ocidental .

 Legado do Partenon

O legado do Partenon é incomensurável. Ele é, antes de tudo, o símbolo máximo da arquitetura e da arte grega clássica. Durante séculos, serviu como modelo para inúmeros edifícios em todo o mundo, desde o Renascimento até os dias de hoje. Suas proporções, sua harmonia e suas correções ópticas continuam a ser estudadas por arquitetos e artistas.

Na Cultura Ocidental, o Partenon representa os ideais de beleza, razão, democracia e humanismo que a Grécia Antiga legou ao mundo. Sua imagem é reconhecida globalmente e está associada à própria ideia de civilização.

Na Arqueologia e na História da Arte, o Partenon é uma fonte inesgotável de estudo. Suas esculturas, embora muitas estejam dispersas por museus do mundo, oferecem um testemunho incomparável da habilidade e da sensibilidade dos artistas gregos.

No Debate sobre a Repatriação de Bens Culturais, o caso dos Mármores de Elgin se tornou um paradigma. A luta da Grécia pela devolução das esculturas do Partenon trouxe à tona questões fundamentais sobre a propriedade, a preservação e o direito dos povos à sua própria herança cultural.

O Partenon, apesar de todas as suas cicatrizes — a explosão, o saque, os terremotos —, continua de pé. Não como um edifício intacto, mas como um símbolo da resiliência humana e da capacidade de criar beleza mesmo em meio à destruição. Suas ruínas, que se erguem contra o céu de Atenas, são um lembrete de que a glória de uma civilização não se mede apenas pelo que ela construiu, mas pelo que ela inspira a construir.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

Fontes

  • Wikipédia, a enciclopédia livre – Partenon 

  • Wikipédia, a enciclopédia livre – Partenon (diferenças entre revisões) 

  • Britannica – Parthenon | Definition, History, Architecture, Columns, Greece, & Facts 

  • Tudo sobre Atenas – Partenon de Atenas – O edifício mais conhecido da Grécia Clássica 

  • Wikipedia, la enciclopedia libre – Mármoles de Elgin 

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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