“O mundo está cheio de respostas óbvias que ninguém vê porque está preso dentro de um paradigma.” – Thomas S. Kuhn.
Origem e Significado do Termo
A palavra paradigma deriva do grego parádeigma, que significa “modelo”, “padrão” ou “exemplo”. Tradicionalmente, na gramática, descreve o conjunto de formas que uma palavra pode assumir.
No entanto, o uso que popularizou o termo — e que o tornou central para a compreensão do pensamento moderno — é bem mais amplo. Refere-se a um sistema ou modelo conceitual que orienta o desenvolvimento de pesquisas e está na base da evolução científica. Em sua essência, um paradigma é umfiltro cognitivo: um conjunto de crenças, valores e práticas compartilhado por uma comunidade, que define como seus membros interpretam e interagem com o mundo.
O conceito de paradigma ganhou sua estatura intelectual com a publicação de “A Estrutura das Revoluções Científicas”, do físico e filósofo Thomas S. Kuhn, em 1962. A obra, que já vendeu mais de um milhão de cópias e foi traduzida para mais de vinte idiomas, propôs uma visão inovadora e influente sobre como a ciência realmente progride.
Em vez de uma acumulação contínua de conhecimento, Kuhn descreveu a ciência como umciclo com diferentes fases.
1. Ciência Normal: O trabalho rotineiro dos cientistas ocorre dentro de umparadigma dominante. Esse paradigma funciona como um “mapa” ou uma “lente interpretativa” para explorar a natureza. Os cientistas passam a maior parte do tempo resolvendo “quebra-cabeças” (puzzles) que o próprio paradigma define. O paradigma vigente determina quais perguntas são relevantes e quais métodos são aceitáveis.
2. Crise e Anomalias: Quando resultados experimentais ou observações — as anomalias — contradizem o paradigma vigente, ele entra em crise. As falhas se acumulam, gerando insegurança e abrindo espaço para novas ideias. Uma clássica anomalia pré-revolucionária foi a órbita de Mercúrio, cuja discrepância não podia ser totalmente explicada pela física newtoniana, o que motivou a busca por uma nova teoria.
3. Revolução e Mudança de Paradigma: Eventualmente, um novo paradigma surge, oferecendo uma explicação mais abrangente. Quando a comunidade científica migra para ele, ocorre uma revolução científica ou mudança de paradigma. Esse processo é disruptivo: não é uma simples correção da teoria anterior, mas uma reorganização completa da própria visão de mundo. Como exemplificam os casos abaixo, a transição pode ser conflituosa, pois paradigmas rivais são muitas vezes incomensuráveis entre si.
O sucesso do conceito fez com que “paradigma” fosse amplamente adotado em outras áreas.
Sociologia e Educação: O paradigma não é imutável; ele também evolui. O pensamento de Jean Piagetsobreestruturas cognitivas mostra como os indivíduos, ao interagirem com o meio social, constroem e reorganizam suas próprias estruturas de conhecimento, migrando de patamares de entendimento mais simples para outros mais complexos. Na educação, por exemplo, a transição do paradigma de “escola de massas” para uma escola que se preocupa com o desenvolvimento pessoal e inclusivo de cada aluno é uma clara mudança paradigmática.
Comunicação: A própria área da Educomunicação pode ser vista como umnovo paradigma na interface entre comunicação e educação, superando modelos antigos.
Organizações e Gestão: No ambiente corporativo, paradigmas definem as práticas de gestão, as estratégias de inovação e a cultura organizacional. Questionar paradigmas ultrapassados é essencial para a inovação.
O Paradigma Maçônico entre a Tradição e a Revolução Interior
Aplicar o conceito de paradigma à Maçonaria revela um duplo movimento: externo e interno.
Externamente, a Ordem opera dentro de um paradigma institucional consolidado – seus rituais, símbolos, graus, hierarquias e princípios como liberdade, igualdade e fraternidade. Esse paradigma funciona como a “ciência normal” maçônica: oferece um mapa para a conduta do obreiro, define o que é aprendizado relevante e estabelece métodos de aperfeiçoamento (instruções, câmaras de reflexão, telhamentos). Durante séculos, esse modelo tem resistido a crises – perseguições políticas, descaracterizações, cismas – justamente porque sua estrutura paradigmática é flexível o bastante para assimilar pequenas anomalias sem se romper.
Internamente, porém, a verdadeira aplicação do paradigma dá-se no plano individual. Cada maçom, ao ingressar na Ordem, carrega seus próprios paradigmas pessoais – crenças arraigadas sobre ética, poder, sociedade e espiritualidade. O processo maçônico (as viagens, os graus, as alegorias) atua como ummotor de crises paradigmáticas no indivíduo. O aprendiz é confrontado com anomalias: “Por que devo confiar no próximo?”, “O que significa construir umtemplo interior?”, “Como agir quando a lei e a moral entram em conflito?”.
Assim como Kuhn descreveu a mudança de paradigma científico como uma gestalt – um “ver de repente” o mundo de outra forma –, a Maçonaria provoca no obreiro revoluções copernicanas pessoais:
Do egocentrismo ao centro no próximo (criando uma “comunidade paradigmática” fraterna);
Porém, a Ordem não impõe uma mudança única e final.
Diferentemente da ciência, onde um paradigma substitui o anterior, a Maçonaria propõe ciclos contínuos de crise e superação a cada grau.
O Mestre instala-se num novo patamar – mas sabe que há mais além do véu. Nesse sentido, o verdadeiro “progresso científico” maçônico não é linear: é espiralado, simbólico e sempre inacabado.
Considerações Finais
Compreender o conceito de paradigma é mais do que um exercício acadêmico; é uma ferramenta para o pensamento crítico. Seja na ciência, na educação, nas organizações ou na vida pessoal, reconhecer os paradigmas que nos guiam — e estar atento às anomalias que eles não explicam — é o primeiro passo para uma verdadeira transformação.
Conclui-se, portanto, que o maior legado da aplicação do paradigma à Maçonaria é o reconhecimento de que ser maçom é habitar, com consciência, a tensão entre o paradigma herdado e a revolução íntima.
Não se trata de abandonar os rituais (o paradigma coletivo), mas de permitir que eles fraturem, questionem e reconstruam os paradigmas pessoais. Quando o obreiro deixa de repetir gestos e passa a compreender por que os faz, ele experimenta sua própria “revolução copernicana” – e, nesse momento, a Loja deixa de ser um lugar de ensinamentos e torna-se um verdadeiro laboratório de mudanças de paradigma.
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RACHELE, N. R. A sociologia e a educomunicação no contexto do ensino médio: a integração das novas tecnologias ao universo escolar. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).