Santa Catarina de Sena
Biografia
Nasceu em Sena (Itália), 25 de março de 1347 (Anunciação), penúltima de 25 filhos (ou 23, conforme fontes) do tintureiro Jacopo Benincasa e de Lapa Piagenti. Desde criança teve visões e fez voto de virgindade. Aos 7 anos, consagrou-se a Deus.
Aos 16, entrou na Ordem Terceira Dominicana (as “Mantelatas”), vivendo em casa, em reclusão, dedicando-se à oração, penitência e serviço aos pobres e doentes. Teve experiências místicas profundas, incluindo o “matrimônio espiritual” com Cristo (revelado numa visão) e o recebimento dos estigmas invisíveis (que só se tornaram visíveis após sua morte).
A partir de 1370, saiu do claustro doméstico e iniciou vida pública: visitou presos, mediou conflitos, escreveu cartas a papas, reis, rainhas e líderes políticos. Teve papel fundamental no retorno do Papa Gregório XI de Avinhão para Roma (1377), pondo fim ao “Cativeiro de Avinhão”.
Durante o Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), apoiou o papa Urbano VI (legítimo) contra o antipapa Clemente VII, escrevendo-lhe cartas corajosas de exortação.
Morreu em Roma, em 29 de abril de 1380, exausta pela penitência e trabalho, aos 33 anos. Foi canonizada em 1461 pelo Papa Pio II. Declarada Doutora da Igreja em 1970 pelo Papa Paulo VI – a primeira mulher a receber este título (junto com Santa Teresa de Ávila).
Curiosidades
É conhecida como a “Doutora da Igreja” (título compartilhado com outras santas depois dela) e também como “Doutora Seráfica” (embora este título seja mais de Boaventura).
Não sabia ler nem escrever até os 20 e poucos anos; depois aprendeu, mas ditou suas obras (não escrevia com as próprias mãos).
Seus “estigmas invisíveis” (sinais da Paixão de Cristo) só foram vistos por seus diretores espirituais e se tornaram visíveis após sua morte.
Teve o dom da bilocação: apareceu a um frade em Paris enquanto estava em Roma.
Ajudou a converter inúmeros pecadores, incluindo condenados à morte, que ela acompanhou ao patíbulo.
Um de seus feitos mais conhecidos: ofereceu a cabeça ao Papa Gregório XI (numa metáfora) – “Pai, eu e meus filhos oferecemos a nossa vida pela paz da Igreja”.
Sua festa litúrgica é 29 de abril (no calendário romano geral) e 30 de abril em alguns lugares.
É copadroeira da Europa (com São Bento, São Cirilo e Metódio, Santa Brígida e Santa Teresa Benedita da Cruz) desde 1999.
É padroeira da Itália (com São Francisco de Assis).
Principais obras – todas foram ditadas:
Il Dialogo della Divina Provvidenza (O Diálogo da Divina Providência) – sua obra-prima, um diálogo entre uma alma (Catarina) e Deus Pai, tratando da perfeição cristã, obediência, oração, lágrimas, etc.
Epistolario (Cartas) – cerca de 382 cartas a papas, cardeais, reis, rainhas, religiosos, leigos, amigos. As mais famosas:
À Rainha Joana de Nápoles (exortando-a)
Ao Papa Gregório XI (pedindo o retorno a Roma)
Ao Papa Urbano VI (durante o cisma)
Ao rei da França e outros príncipes
Oração (diversas orações conservadas) – incluindo a “Oração a Deus Pai” no Diálogo.
Oráculo (pequenos textos proféticos)
Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes
Fontes consultadas
Enciclopédia Britannica, verbete “St. Catherine of Siena”
Raymond de Saint-Laurent (ed.), Sainte Catherine de Sienne – Le Dialogue (Ed. du Cerf) – tradução francesa
Jørgensen, Johannes, Santa Catarina de Sena – biografia clássica (ed. Livraria Apostolado da Imprensa)
O Diálogo de Santa Catarina de Sena (Ed. Paulus, 1983) – tradução brasileira
Cartas de Santa Catarina de Sena (Ed. Paulus, 2 vols., tradução de Frei Antônio Sérgio)

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.












