O número dois, embora matematicamente simples, é um dos símbolos mais profundos da tradição maçônica e filosófica. Como ensina Rizzardo da Camino, “dois constitui-se no ‘dualismo’, refletindo a ‘complementação’ de todas as coisas” (Camino, 2014, p. 127). Na Maçonaria, o número dois não é um mero algarismo, mas uma metáfora para a dualidade que permeia a existência humana — entre o material e o espiritual, o ativo e o passivo, o bem e o mal. A jornada do obreiro é aprender a equilibrar esses opostos, integrando-os em uma unidade harmônica.
O número dois simboliza o dualismo, conceito inerente à própria natureza. Dia e noite, homem e mulher, matéria e espírito — os opostos são complementares, não conflitantes. Camino destaca que “alguns querem que seja considerado como sendo o símbolo da imperfeição; em absoluto, pois em nada é imperfeito na matemática” (Camino, 20127). A perfeição está na união dos contrários, como defende Pitágoras: “A dualidade é o princípio da manifestação, mas a unidade é a origem” (Pitágoras, séc. VI a.C.).
Na Maçonaria, o dualismo é parte essencial da formação moral. O maçom aprende que “o homem apresenta dois aspectos em tudo, como é na Natureza” (Camino, 2014, p. 127), e sua jornada é dominar esses polos sem cair na indecisão. Como afirma Albert Pike, “o dois é o número da oposição, mas também da mediação” (Pike, 1871).
Histórico e Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK
No REAA, o número dois manifesta-se desde o Grau 2º (Companheiro) , onde o obreiro confronta os opostos: luz e trevas, virtude e vício. O ritual inclui a alegoria das duas colunas(Jachin e Boaz), símbolos da estabilidade e da dualidade que sustentam o templo da sabedoria.
Curiosidades:
O REAA usa o número dois em estruturas como os dois guardas e os dois estandartes (branco e preto), representando os caminhos da retidão e da tentação.
O Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) explora a reconciliação dos opostos, vinculando o número dois à ressurreição espiritual e à superação dos vícios.
Em lojas do REAA, os dois pilares são adornados com inscrições como “Que a unidade nasça da dualidade” , reforçando a busca pela harmonia.
No York, o número dois está presente desde a estrutura da Loja, com dois guardiães e duas colunas(que simbolizam Moisés e Elias, protetores do Templo). O Capítulo do Arco Real associa o número dois às duas tábuas da lei , metaforizando a integração entre ética e prática.
Curiosidades:
O York celebra os dois Santos João (Batista e Evangelista), patronos da Ordem, cujo dia 24 de junho (João Batista) e 27 de dezembro (João Evangelista) marcam os ciclos de morte e renascimento espiritual.
Em rituais do Grau de Mestre , o candidato é advertido: “A unidade é Deus; o dualismo é a Natureza. A sabedoria está em ver a unidade por trás da dualidade.”
O Dois na Prática Maçônica: Entre o Material e o Espiritual
A Maçonaria ensina que o número dois deve ser vivido como complementaridade, não como conflito. Camino alerta que “a sua parte material não pode sobrepujar sua parte espiritual” (Camino, 2014, p. 127). O maçom deve ter umcomportamento definido , evitando o “dúbio dualismo de fora” que paralisa a ação ética.
A Maçonaria não se limita a reconhecer os opostos; seu objetivo é revelar a unidade que os transcende. Camino reforça que “o segredo é saber encontrar em tudo a unidade e o dualismo” (Camino, 2014, p. 127). Essa visão alinha-se ao taoísmo, onde o Yin e o Yang são opostos interdependentes.
Nos rituais, o número dois aparece em juramentos como “pelo bem e pelo mal, por tudo o que é visível e invisível” , lembrando que a jornada do obreiro não é a negação dos opostos, mas sua integração. Como diz o poeta Rumi: “A dualidade é o véu que separa; a unidade é a luz que revela.”
O número dois, na tradição maçônica, é o espelho da jornada humana — entre o material e o espiritual, o ativo e o passivo, a sombra e a luz. Seja no REAA ou no York, o obreiro aprende que a verdadeira sabedoria está em equilibrar os opostos, reconhecendo que “os números andam sempre aos pares, mas a unidade é a meta” (Camino, 2014, p. 127).
Como ensina o provérbio maçônico: “Duas mãos constroem, duas luzes guiam, mas uma é a direção.”
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem(REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).