No entanto, ao invés de sucumbir ao desespero, aquela perda o libertou. Ele chegou a Atenas com as mãos vazias, mas foi lá que, através da leitura e da amizade de um livreiro, encontrou a filosofia que iria mudar a história.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a fascinante trajetória do homem que fundou uma doutrina que ensina a humanidade a viver com virtude há mais de dois milênios.
Zenão nasceu por volta de 334 a.C. na cidade de Cítio (Kition), na ilha de Chipre, que corresponderia atualmente à cidade de Lárnaca. Sua ascendência é motivo de debate, sendo geralmente aceito que possuía raízes fenícias (povos oriundos da atual Síria/Líbano), embora vivesse em uma cidade influenciada pela cultura helênica. Seu pai, um mercador de sucesso, viajava frequentemente para Atenas, e foi a partir desse contato com o comércio e com livros sobreSócrates que Zenão despertou seu interesse pelo conhecimento.
Por volta de 300 a.C., o destino de Zenão foi selado por uma violenta tempestade. Ele transportava uma preciosa carga de corante púrpura, um pigmento extraído de caramujos marinhos e associado à realeza e à riqueza, quando seu navio afundou no mar Egeu. Zenão sobreviveu e chegou a Atenas como umhomem arruinado. A tradição conta que ele, então, consultou o Oráculo de Delfos, onde uma sacerdotisa lhe disse para “tomar a cor não de moluscos mortos, mas de homens mortos”, ou seja, buscar a sabedoria nos grandes pensadores do passado.
Em Atenas, sem um tostão, Zenão entrou em uma livraria e ficou profundamente impressionado com a leitura dos feitos de Sócrates nas obras de Xenofonte. Percebendo a futilidade dos bens materiais, perguntou ao livreiro onde poderia encontrar umhomem como aquele. O livreiro apontou para Crates de Tebas, um renomado filósofo cínico que passava pelo local. Crates tornou-se seu mentor, ensinando-lhe que a paz de espírito só é alcançada quando se renuncia aos desejos por riqueza e poder.
Após quase duas décadas de estudo, Zenão desenvolveu sua própria filosofia e começou a ensinar em um local público de Atenas: a Stoa Poikile, ou “Pórtico Pintado”, um mercado coberto com afrescos representando batalhas gregas. O nome de sua filosofia deriva justamente desse local: estoicismo. Zenão liderou sua escola até uma idade avançada, falecendo em Atenas aproximadamente em 262 a.C., aos 72 anos.
Para Zenão, o propósito da vida humana era“viver de acordo com a natureza” . Ele ensinava que o universo é regido por uma força divina chamada Logos (Razão Universal), e que a felicidade consistia em alinhar a vontade humana a essa razão cósmica.
Diferentemente da busca pelo prazer (como no epicurismo) ou da fuga radical das convenções (como no cinismo), Zenão propôs uma via intermediária. Ele argumentava que a virtude é o único bem verdadeiro, suficiente para garantir a felicidade. Os bens materiais e a saúde são “indiferentes”, podendo ser utilizados ou não, desde que não corrompam o caráter.
Os estoicos acreditavam que o sofrimento humano vinha menos dos eventos externos do que de como reagimos a eles. Zenão ensinava que, ao aceitar os acontecimentos como parte de uma teia racional, o homem atinge um estado de apatheia — não a “apatia” moderna, mas a imperturbabilidade, a calma da alma que resiste às paixões desordenadas.
“Fiz uma boa viagem quando naufraguei”: A maior ironia da sua vida. Após perder tudo, Zenão considerou seu naufrágio uma dádiva, pois aquela adversidade o conduziu à sabedoria. Costumava dizer aos discípulos: “Agora que sofri um naufrágio, estou em uma boa viagem”.
“Para que me chamas?”: Em seus últimos momentos, Zenão demonstrou umestoicismo impressionante. Ao caminhar, tropeçou e quebrou o dedo do pé. Caído, bateu no chão e citou um verso da peça Niobe: “Venho por minha própria vontade; para que então me chamas?” Considerando aquilo um chamado da natureza, ele foi para casa e, segundo os relatos, tirou a própria vida prendendo a respiração ou por inanição, como uma despedida racional da existência.
O Paradoxo da Personalidade: Embora sua filosofia pregasse a gentileza e o amor à humanidade (cosmopolitismo), Zenãoera fisicamente descrito como alguém sombrio, de pescoço torto e muito severo. Era conhecido por comer comida crua, beber apenas água e desprezar a chuva ou o calor, vivendo de forma tão rígida quanto pregava.
Do “Zenoniano” ao “Estoico”: Antes de serem chamados de estoicos, seus seguidores eram conhecidos como “zenonianos”. Apenas mais tarde assumiram o nome derivado do local de ensino, a Stoa Poikile.
Controle dos Desejos como Liberdade: Em uma época que valorizava muito a ostentação, Zenão defendia que a verdadeiraliberdade estava no controle dos desejos. Ao renunciar às vontades supérfluas, o homem se tornava invencível diante da fortuna.
Zenão lançou as bases do conceito de cosmopolitismo: a ideia de que todo serhumano é um “cidadão do mundo” antes de pertencer a uma cidade ou Estado. Essa visão influenciou a formação do direito romano, ao defender uma leinatural universal válida para todos.
Quando lemos hoje que um executivo enfrenta crises com “resiliência estoica” ou que um atleta treina a “mente estoica”, estamos, ainda que sem saber, celebrando o legado do comerciante arruinado que encontrou na ruína a chave para a virtude. Zenão nos deixou a certeza de que a verdadeira fortuna não está nos navios que carregam bens, mas na alma que carrega a sabedoria.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade(Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).