História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil I de II
Vamos explorar, em dois artigos, intitulados: História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil I e II. Num trabalho de pesquisa de Samuel Victor Santos Ferreira. Neste vamos da maçonaria e estudo das origens até a maçonaria na América. No segundo artigo, este, a maçonaria brasileira.
CONFLITOS ENTRE O GRANDE ORIENTE E O SUPREMO CONSELHO
A relação entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente foi tranquila até 1815, quando o Grande Oriente quis interferir nos assuntos do Supremo Conselho ocorrendo um rompimento entre as duas corporações.
Com esse rompimento, não havia mais pessoas ingressando no Supremo Conselho e isso acabou no seu adormecimento em 1819.
Após três anos, os membros do Supremo Conselho resolveram abrir Lojas simbólicas para ter membros ingressando nos altos graus e os trabalhos voltaram em 1821. O Grande Oriente sabendo disso proibiu que seus mestres ingressassem no supremo conselho. 20 anos após esse ato, com alguns acordos foi reaberto a permissão de ingresso dos irmãos no Supremo Conselho, mas em 1845 o conde que era a figura central falece e as relações das duas corporações voltam a se abalar. Em 1862 o Supremo Conselho volta a romper com o Grande Oriente por voltarem a se intrometer nos assuntos dos altos graus.
Em 1874 eles voltam a se relacionar normalmente até 1875 quando o Congresso de Lausanne denuncia algumas atitudes do Grande Oriente da França, como não exigir uma crença em ser superior para ingressar na maçonaria. Com essa denúncia toda corporação maçônica internacional rompe com o Grande Oriente da França. Em 1877 novamente o Supremo Conselho rompe com o Grande Oriente da França e em 1780 ele funda a Grande Loja da França para abrir os trabalhos nos graus simbólicos e ingressar mais membros nos altos graus.
O relacionamento das duas corporações ia bem até 1964 quando a Grande Loja Unida da Inglaterra reconhece uma nova potência: a Grande Loja Nacional Francesa, obrigando o Supremo Conselho a quebrar o tratado com a Grande Loja da França e reconhecendo a nova potência. Essa divisão acabou enfraquecendo a maçonaria francesa, que, por muitos anos foi bastante ativa em eventos da história do mundo como a revolução francesa, mas não foi só na França que houve esses conflitos, no Brasil houveram casos parecidos com uma maneira diferente de solução.
A MAÇONARIA NO BRASIL
ERA PRÉ-INDEPENDÊNCIA
O que temos em livros relacionados à vinda da Ordem para o Brasil é a sua fundação da Loja Comércio e Artes no Rio de Janeiro, mas alguns historiadores descobriram documentos na Bahia anterior a fundação no RJ, mais precisamente da Loja Cavaleiros da Luz que chegou com a vinda de alguns franceses no território brasileiro e assim iniciaram alguns membros na virada do século XVIII para o século XIX, com a intenção de espalhar os ideais liberais que haviam se propagado pela França.
Do mesmo modo que havia Lojas antes da fundação da Loja “Comércio e Artes”, o Grande Oriente do Brasil também não foi a primeira potência no país, de acordo com alguns documentos históricos. Em 1809 havia um Grande Oriente instalado na Bahia que regia Lojas na Bahia, Minas Gerais e principalmente Pernambuco, local que também havia a Grande Loja Provincial uma potência distrital fundada em 1816, subordinada ao Grande Oriente que tinha esse título por reger quatro Lojas naquela região.
O Grão Mestre e fundador desta potência era Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, líder da Revolução Pernambucana em 1817 e irmão biológico de José Bonifácio. Um fato importante é que apesar de não obter sucesso com a revolução de 1817, o líder chamou atenção da família real, e por ser Grão Mestre de uma organização que participou deste evento, foi decretado um ato de proibição do funcionamento da Maçonaria que durou até por volta de até 1820.
A MAÇONARIA A PARTIR DE 1822 E SUAS DISPUTAS
Com a história do Brasil acontecendo nos moldes como conhecemos, volta da família real para Portugal, pedido de fazer o Brasil tornar-se colônia novamente e as batalhas no porto, o príncipe regente que ficou no Brasil recebeu em Janeiro um documento com 8.000 assinaturas onde maçons coletaram pedindo para ele não voltar à Portugal e a independência. Com isso deu o famoso dia do “Fico”.
Com o pedido concedido, os maçons que pediam a independência do Brasil sabiam que só ocorreria se Dom Pedro, o príncipe regente aceitasse e foi assim que resolveram inicia-lo na Ordem e coloca-lo como Grão Mestre do Grande Oriente, cargo máximo de uma corporação maçônica. Não somente pelo interesse de ter seus pedidos atendidos que os maçons iniciaram Dom Pedro, mas também por uma tradição onde em diversos países, o chefe do Estado era convidado simbolicamente a reger toda a organização maçônica, e seguindo esses parâmetros, no Brasil não foi diferente.
Consta em ata que foi feito uma reunião maçônica sob a presidência de Gonçalves Ledo por José Bonifácio e Dom Pedro se encontrar ausente, onde se discutiu que o Brasil deveria passar para império e não reinado oferecendo o título de príncipe regente e não rei à Dom Pedro e declarando-o como defensor perpétuo do Brasil, ocasionando na proclamação da independência em sete de Setembro.
Um fato importante é sobre a data de registro da ata e a reunião que ocorreu para discutir essa questão sobre a independência que figura como o vigésimo dia do sexto mês de 5822. Na maçonaria são utilizados alguns calendários diferentes, sendo o ano acrescentado quatro mil anterior a era cristã, pesquisa feita por James Anderson para figurar a criação do mundo, e os meses variam em alguns ritos. O rito utilizado no Grande Oriente do Brasil era o Adoniramita, e em seu calendário, consta que aquela data da reunião seria dia 9 de Setembro, passando dois dias após a independência. Então se conclui que estas decisões haviam sido tomadas depois de Dom Pedro proclamar a independência e nem ele, nem os maçons que se reuniram souberam dos acontecimentos devido a precariedade da comunicação naquela época. Como o calendário mais utilizado é o do Rito Francês ou Moderno, a data desta reunião seria como 20 de Agosto, data que ficou registrada como o dia do maçom devido essa confusão de calendários.
Por essa comprovação, a reunião sobre a independência não influenciou na decisão que havia tomado Dom Pedro, mas tempos depois ele teve conhecimento disso e influenciou na direção que tomaria, como transformando o Brasil em um império e regendo de acordo com o que foi protocolado. Após a independência concretizada, Dom Pedro ordenou que fossem fechados os trabalhos do Grande Oriente e suas Lojas por receio de influenciar algum movimento que tirasse o controle do império.
Em 1831 Dom Pedro abdica do trono e se exila na França, ponte para inauguração de uma nova potência, o Grande Oriente Brasileiro do Passeio regido pelo atual responsável de Estado, o Senador Vergueiro.
Por desaprovação de alguns maçons por não serem chamados para fazer parte da inauguração dessa nova potência, um grupo resolveu reabrir o Grande Oriente fechado por Dom Pedro e instituído José Bonifácio como Grão Mestre. Isso incomodou Vergueiro por achar irregular a regência de Bonifácio, por seu Grão Mestre ser o príncipe regente que estava exilado, e após anos de discussão, entraram em um acordo e acabaram se unindo. Vale lembrar que a primeira Loja que diz serem registrada como a primeira, Comércio e Artes, que se dividiu em três para formação de uma nova potência foi a que favorecia o Oriente do Senador Vergueiro.
No decorrer das décadas, o movimento abolicionista foi criando força e na década de 50 as Lojas optaram por fortalecer essa causa com alguns decretos que incluía a proibição de iniciar candidatos que teriam escravos, e dedicando parte de seus ganhos na compra para libertação de escravos, por exemplo.
Essa filosofia foi herança dos ideais franceses que tinham como titulo a liberdade, igualdade e fraternidade. Nesse período, um grande influente na maçonaria e na politica era Visconde do Rio Branco, que protocolou a Lei do Ventre livre em 1871, influenciada pelos dois Grandes Orientes existentes. Esses atos deixaram a igreja católica contra a maçonaria, pois a instituição era a favor do movimento da escravidão por ser vantajoso aos fazendeiros. Como nesta época a religião católica era oficial no Brasil, a maçonaria teve que sustentar a causa de um país mais laico para tirar a influencia total da igreja na política do país.
Com esse movimento iniciado, os maçons trouxeram diversos grupos religiosos para fortalecer a hegemonia no país, incluindo desde a criação da igreja positivista no Brasil, quanto um grupo de Batistas do Alabama que foram instalados em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, no qual também chegou com maçons norte-americanos.
Dentre esse período de brigas da igreja com a maçonaria, Visconde do Rio Branco tomou força para dar continuidade no movimento abolicionista junto com a maçonaria até 13 de Maio de 1888 quando a então regente do Brasil, princesa Isabel, na ausência de seu pai Dom Pedro II assinou a Lei Áurea extinguindo a escravidão no Brasil com três penas de ouro com o símbolo da Maçonaria, presente dado para a família real como forma de agradecimento. Destas três penas, uma se encontra em Petrópolis no museu do império, e as outras duas estão sob poder do Grande Oriente do Brasil.
A MAÇONARIA E A REPÚPLICA
Após a conquista de diversos eventos para o Brasil com força da Maçonaria, foi incentivado movimentos para ocasionar em mais mudanças, sendo a proclamação da república um forte ideal a ser implantado. Mesmo com muitos maçons sendo monarquista, o ideal republicano estava forte e muitos membros com condições para patrocinar o aumento desta causa estava crescendo.
Alguns membros do movimento monarquista diziam que por se tratar de temas “profanos”, ou seja, não era de respeito da maçonaria, então não deveriam discutir causas políticas, mas o movimento não foi freado.
Em 1889 com reuniões de maçons de grande notoriedade como Ruy Barbosa, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva o movimento estava encaminhado, mas sabiam que teriam que ter apoio de uma força militar para conseguir alcançar sucesso. Foi nesse momento que surgiu o nome de Deodoro da Fonseca, um respeitado maçom e militar, mas que era monarquista, que seria um grande problema.
Vale lembrar que apesar de muitos maçons fazerem parte do movimento republicano, a maçonaria não foi a instituição que proclamou a república, pois os membros mais influentes naquela época, letrados, de bem e poder aquisitivo eram convidados para ingressar na Ordem, e a reunião que houve na casa de Benjamin Constant não era uma sessão maçônica e sim uma reunião para discutir assuntos de cidadania, pois cada membro tinha uma influencia na vida civil também.
Com o projeto de república arquitetado e participação do Marechal Deodoro, foi anunciado que o império do Brasil havia chegado ao fim e após instituir a república, o presidente provisória, o presidente Deodoro precisava colocar um plebiscito para saber se a população aprovava a instauração da república ou quisesse o regime monárquico de volta novamente. Essa decisão colocada em 1889 só foi decidida 100 anos mais tarde depois da constituição de 1988, sendo assim, o Brasil uma república provisória por um século.
Podemos concluir que em todos os acontecimentos do século XIX a maçonaria apesar de ter proibido o seu funcionamento por diversos anos, teve participação nos maiores eventos do Brasil, mas não sendo protagonista como muitas pessoas acreditam. Isso também conclui que a participação da maçonaria no âmbito politico sempre teve más consequências para si, como depois de todas as revoluções para alcançar um objetivo, a instituição era fechada para evitar maiores problemas, mas sua participação era fundamental, pois em um período que não havia partidos políticos, a instituição tinha uma grande relevância ao ajudar em questões de cidadania.
A MAÇONARIA BRASILEIRA NO SÉCULO XX: CISÕES E DITADURAS
Com a virada do século XIX para o século XX, muitos ideais humanistas estavam repercutindo pelo mundo e na Maçonaria brasileira não seria diferente. Por conta da questão social dos escravos libertos que estavam sem parâmetro, a preocupação humanitária teve uma resposta por leituras marxistas que dirigiram os ideais do Grande Oriente do Brasil apenas três anos após a proclamação da República.
A FASE SOCIALISTA
Em 1892 o Grande Oriente do Brasil divulga o primeiro boletim a favor do socialismo pela preocupação que os escravos libertos se encontravam. Apesar de a lei impedir que fossem comercializados, eles estariam desamparados pela falta de instrução e condições para seguir com a própria vida.
Neste período de virada do século, além do decreto a favor do ideal marxista, no ano de 1913 o Grande Oriente promulgou que fossem abertas escolas públicas como meio de alfabetizar e instruir os ex-escravos com uma profissão. No decorrer dos anos foram abertas mais de 100 escolas e era exigido que em cada distrito que não houvesse alguma escola laica, que a Loja regional fosse responsável pela abertura. Além de escolas, bibliotecas públicas também foram abertas. Essa defesa dos ideais socialistas durou até 1922 quando a “Comintern” (Comitê da Internacional Comunista) baixou decretos de perseguição e revolta contra a maçonaria.
A INFLUÊNCIA DA RIVALIDADE INGLESA X FRANCESA
Em 1902 a Loja Eureka (Emulação) tinha membros ingleses em seu quadro e eles questionam o fato da proximidade com o Grande Oriente da França, já que eles tinham como base a Grande Loja Unida da Inglaterra que ditava algumas regras diferentes das cumpridas pelo Grande Oriente do Brasil.
Após questionarem também o ativismo político no século passado, algo que não era legalmente aprovado pela instituição maçônica, em 1909 o Grande Oriente do Brasil propõe uma nova irregularidade em seu quadro: a aceitação de membros ateus assim como no Grande Oriente da França.
Até 1911, os ingleses que eram filiados ao GOB questionaram esses atos que iam contra os princípios maçônicos ingleses até que recorreram diretamente à Grande Loja Unida da Inglaterra para denunciar os fatos.
Com a preocupação da potência inglesa após receber o anúncio, foi anunciado em 1912 que chegaria uma comitiva para avaliar estas questões no território brasileiro. Foi instituído pela Inglaterra que esses membros se desligassem do GOB e trabalhassem em uma Loja jurisdicionada pela própria potência inglesa. O então Grão Mestre do GOB Lauro Sodré, um político de grande notoriedade achou isso uma invasão por uma potência estrangeira se meter na gestão de um território que não era seu. Com algumas negociações em 1913 foi acordado que seria feito um capítulo para os maçons ingleses trabalharem sem interferência dos atos do GOB, sendo aceitas entre ambas as partes.
A PRIMEIRA CISÃO
Como o Brasil seguia as diretrizes do Grande Oriente da França, era comum o presidente eleito de a potência ser eleito automaticamente para presidir o Supremo Conselho do grau 33, sendo ele recebido o título através de comunicação, pois nem todos já estariam no último grau do rito. Em 21 de Abril de 1921 Mario Behring foi eleito como Grão Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil.
Nesta época, quem assumisse o grão mestrado da potência automaticamente assumia a presidência do Supremo Conselho como na França, algo irregular para a maçonaria fora do Brasil. Sabendo disso, Behring não aceitou ocupar o cargo de “Lugar-Tenente” (vice-presidente do Supremo Conselho). Em agosto do mesmo ano houve uma eleição para o Supremo Conselho e assim foi eleito Mario Behring que estava de acordo com essa separação na gestão das duas entidades.
Em 09 de junho do ano seguinte Tomás de Albuquerque renuncia o cargo de Grão Mestre, sendo este assumido automaticamente por Behring, que assumiria também como Soberano Grande Comendador, titulo que preside o supremo conselho.
Por Behring querer seguir as diretrizes da maçonaria universal, em 07 de julho de 1925 resolveu renunciar ao grão mestrado, ficando somente na gestão do supremo conselho deixando as duas instituições independentes. Naquele mesmo ano em 23 de dezembro Vicente Neiva é eleito como novo Grão Mestre do GOB, respeitando a exigência da separação das duas corporações, não assumindo o supremo conselho como era anteriormente.
Um ano após sua posse, Neiva falece e Fonseca Hermes assume, mantendo a independência entre as duas instituições. Depois dos três Grãos Mestres seguirem a linha de regência individual, em 06 de junho de 1927, Hermes renuncia e Octávio Kelly assume exigindo também o cargo de Soberano Grande Comendador. Mario Behring ao ver o mesmo erro cometido na França no século passado resolve romper com a potência e fundar Grandes Lojas para a aquisição de membros que ingressariam nos altos graus somente ao chegarem ao grau de mestre.
MAÇONARIA NA ERA VARGAS 1930-1945
Mais uma vez a Maçonaria sofre por problemas políticos no Brasil com o golpe militar ocorrido em 24 de outubro de 1930 liderado por Getúlio Vargas. Conhecedor da força da Maçonaria e sabendo de todos os acontecimentos que a Ordem deu como poder, ajudando a eleger presidentes da república e principalmente abraçando a causa socialista no começo do século, Getúlio ordena o fechamento de todas as Lojas maçônicas em 1937, mesmo sabendo que seu irmão era um maçom. Com a proibição do funcionamento de Lojas tendo poucas funcionando clandestinamente, houve um pedido de acordo com o governo e começaram a chegar a um consenso por volta de 1938. Uma das mudanças feitas foi o lema clássico Liberdade, Igualdade e Fraternidade mudada para Ordem, Fraternidade e Sabedoria, por se tratar mais dócil e não ter um viés revolucionário.
No mesmo ano, ainda em negociação com o governo, foi decretado a expulsão de membros com ideais socialistas da maçonaria já que a bandeira do governo imposto por Vargas era a perseguição aos comunistas por todo o acontecimento que ocorria nas grandes guerras.
Com a expulsão e entrega dos membros socialistas aos órgãos do governo, a relação com a maçonaria ficou mais estreita e em 1939 foi autorizado o funcionamento das Lojas novamente. Mesmo com todos esses acordos junto ao governo, ainda a maçonaria não tinha toda confiança e neste mesmo ano foi oferecido o cargo de Grão Mestre ao Coronel Valentim Benício, um notório militar com grande relação com o governo, mas que não era iniciado na maçonaria. Apesar do convite feito ele não aceitou o cargo, diferente do acontecimento na França quando um membro da família Bonaparte integrou à presidência da instituição sem ser iniciado.
MAÇONARIA NO GOVERNO MILITAR 1964-1985
Após a volta do funcionamento das Lojas com o acordo dos governos anteriores, em 13 de março de 1964 o então presidente João Goulart fez um discurso inflamado sobre um viés mais social como sobre a reforma agrária, voto de pessoas analfabetas, democracia, dentre outros temas, algo que incomodou as forças armadas e grupos religiosos. Apesar de atualmente ser um tema comum, para aquela época, um tempo que se vivia a guerra fria, era considerado um discurso comunista.
Os grupos que acharam que o Brasil estaria correndo perigo resolveram ir às ruas protestar pedindo uma intervenção das forças armadas para proteção nacional. Um dos grupos que ficou conhecido foi a “marcha da família com Deus pela liberdade”, um grupo de carolas e pessoas muito ligadas à igreja católica. Com isso, em 01 de Abril de 1964 os militares assumem o controle do país tendo o GOB se pronunciando a favor da intervenção dois dias após.
Apesar de muitos grupos saírem às ruas para pedir a intervenção, pessoas como as próprias carolas e religiosas eram contra a maçonaria. O apoio que o GOB deu aos militares, para alguns
maçonólogos representa um resguardo com a Ordem vendo os acontecimentos que ocorreram na ditadura Vargas quando tinham diferentes ideais do governo, fora o passado lutando por causas socialistas que seria algo de extremo perigo defender no governo atual.
A SEGUNDA CISÃO
Este episódio tem inicio em 1973 nas eleições para o novo Grão Mestrado do GOB. As chapas da campanha tinham de um lado Athos Vieira de Andrade de Minas Gerais (oposição) e do outro Osmane Vieira de Rezende do Espírito Santo (situação). É dito que a situação fez uma espécie de compra de votos com perdão de dívidas, isenção de taxas, suspenção para quem apoiar a oposição, mas ainda assim o candidato de oposição ganha com praticamente o dobro dos votos.
Apurando alguns fatos a comissão que organizava a votação tinha um sistema de controle para sempre favorecer a situação com medo de algum outro decreto como de Mário Behring no passado. Com isso a comissão anula 85% dos votos e assim torna o candidato da situação como o novo Grão Mestre eleito.
Isso revolta muitos maçons de todo o país que decidem acabar com os decretos de filiação do poder central nacional, tornando os Grandes Orientes estaduais independentes, formando posteriormente a Confederação Maçônica do Brasil.
Após todos esses acontecimentos do século XX, a Maçonaria acabou perdendo sua força de notoriedade e muitas conquistas que fez no passado não tiveram relevância depois de todos esses anos. Após o fim do período militar em 1985 e o novo Estado democrático, a maçonaria não era mais bem vista, por alguns aspectos como: o apoio dos militares em períodos ditatoriais e com a queda do regime, as figuras perseguidas e exiladas que estavam no poder viam a maçonaria como inimiga; os ataques religiosos pela desavença histórica com a igreja; a pedra do poder das escolas e bibliotecas públicas construídas para integração das pessoas; e a baixa relevância com participação em aspectos públicos e de cidadania.
CARACTERÍSTICAS DA MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA
Com dados da história da Maçonaria do século XIII até o século XX, sempre alguma diferença cultural existirá e muito há de conhecer para entender diferentes características de uma organização de séculos.
Nem tudo que sabemos como características são universais como, por exemplo, o lema usado nos países anglo-saxões é: Amor Fraternal, Amparo e Verdade (Brotherly Love, Relief and Truth), diferente do lema usado nos países latinos baseado nos ideais franceses: Liberdade, Igualdade e Fraternidade (Liberté, Égalité et Fraternité). O Lema utilizado nos países anglo-saxões é o lema original utilizado tanto nos Antigos quanto nos Modernos, diferenciado após revolução que foi herdado da França e espalhado para os países latinos.
O Lema de origem inglesa tem um viés mais centrado para ações fraternais como criação de bibliotecas públicas, auxilio de construções de escolas e direcionamento mais na cidadania. Já o lema francês veio com um viés político e revolucionário, mas com o absolutismo implantado ele não teve uma força mais material e sim no campo da filosofia e ideais.
Nos Estados Unidos da América a Maçonaria cresceu no período pós-segunda guerra mundial focado em questões de caridade, educação e diversão. No mesmo período surgiram diversas ordens fraternais com um foco mais centrado do que a própria Maçonaria simbólica. Com esse crescimento da Maçonaria norte americana, a aquisição de membros aumentava sempre e isso fazia taxas de filiações diminuírem, deixando algumas formalidades e vestimentas de lado para atrais mais membros, diferente da Maçonaria brasileira que exige grandes formalidades e é considerada ter as maiores taxas do mundo. A geração baby boomers foi importante para o crescimento da Ordem, pois a volta pós-guerra, as pessoas procuravam se unir em grupos que abraçasse alguma causa até a década de 1990 quando as próximas gerações não tinham o mesmo objetivo e assim começou a entrar em queda, mas sempre se atualizam para melhoria da própria organização.
No começo do século XXI, a Maçonaria Brasileira tem o desafio de fazer seus membros aproveitarem tudo que era mais difícil comparado a uma média datada de 1972, no qual anterior a esta data não havia tantas editoras, universidades, e dificuldade de informações, porém, com o declínio da Ordem no Brasil, o aproveitamento de informações e facilidade de conhecer seu próprio passado pode resolver o futuro como uma melhoria e mudança para voltar a um melhor status comparado a todas as corporações maçônicas mundiais. Temos as fraternidades para-maçônicas como o Shriners, Ordem Demolay, Filhas de Jó, e diversos outros grupos de ações sociais que unem membros das três potências que tiveram cisões no século XX que pode ser um grande passo para voltar aos grandes ideais de fraternidade que mantiveram os grandes acontecimentos da Maçonaria.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ISMAIL, Kennyo. História da Maçonaria brasileira para adultos. Londrina: A Trolha, 2017.
*Conteúdo elaborado a partir da aula de “Maçonologia” do Prof. Ms. Kennyo Ismail.
*SAMUEL VICTOR SANTOS FERREIRA
MAÇONOLOGIA
História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil
Sumário
ESPECULAÇÕES DE SUA ORIGEM 2
OS MARCOS HISTÓRICOS 3
O SURGIMENTO DAS GRANDES LOJAS 5
DIFERENÇAS ENTRE OS ANTIGOS E OS MODERNOS 7
A FUSÃO DA GRANDE LOJA DOS ANTIGOS E DOS MODERNOS 7
A MAÇONARIA FRANCESA E SEU RITO ESCOCÊS: BERÇO DA MAÇONARIA BRASILEIRA 8
A MAÇONARIA NO BRASIL 11
A MAÇONARIA BRASILEIRA NO SÉCULO XX: CISÕES E DITADURAS 14
CARACTERÍSTICAS DA MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA 17
ESPECULAÇÕES DE SUA ORIGEM

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











