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Edward Palmer Thompson (1924–1993)

Edward Palmer Thompson

Edward Palmer Thompson (1924–1993)

 O historiador que resgatou a experiência dos trabalhadores

Sou Ivair Ximenes Lopes, maçom interessado nas interseções entre história, memória e princípios fraternais. Ao estudar as grandes transformações do mundo moderno, deparei-me com a obra de Edward Palmer Thompson – um historiador que, à sua maneira, também trabalhou para restituir dignidade e voz aos esquecidos da história. Apresento, a seguir, um apanhado de sua vida e legado.

 Do metodismo ao engajamento político radical

Edward Palmer Thompson nasceu em 3 de fevereiro de 1924 em Oxford, Inglaterra, em uma família de missionários metodistas. Seu pai, Edward John Thompson, foi poeta e admirador de Rabindranath Tagore, tendo apoiado a independência da Índia. Oriundo de uma família metodista, ele recebeu educação inicial em escolas do mesmo credo religioso, ambiente que mais tarde o levou a uma conhecida rejeição intelectual ao metodismo, que criticou abertamente em sua obra The Making of the English Working Class.

Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como comandante de uma unidade de tanques na África e na Itália, experiência que o aproximou da luta antifascista e do ideal de construção de um novo mundo na Europa do pós-guerra. Após o conflito, completou seus estudos no Corpus Christi College, em Cambridge (B.A., 1946), onde ingressou no Partido Comunista Britânico. O Partido Comunista e o ambiente intelectual pós‑guerra foram decisivos em sua formação política, alinhando‑o ao marxismo, ainda que de forma crítica e humanista.

Em 1948, casou-se com Dorothy Sale (conhecida como Dorothy Thompson), também historiadora e ativista comunista; com ela teve três filhos. A parceria intelectual e política do casal tornou-se uma marca do movimento esquerdista britânico do pós‑guerra. Thompson dedicou a maior parte de sua carreira à educação de trabalhadores adultos na Universidade de Leeds e, mais tarde, lecionou história social na Universidade de Warwick (1965–1971). Nos anos 1980, tornou-se um dos mais ativos pacifistas antinucleares da Europa, liderando o movimento de desarmamento nuclear.

Seu irmão mais velho, William Frank Thompson, oficial britânico morto em 1944 aos 21 anos enquanto auxiliava partisanos antifascistas na Bulgária, exerceu profunda influência sobre Edward, que escreveu dois livros em sua memória.

Edward Palmer Thompson faleceu em 28 de agosto de 1993, em sua residência em Upper Wick, Worcestershire, após quatro anos de saúde debilitada, aos 69 anos.

Livros escritos – Uma obra múltipla entre história, política e literatura

A produção de Thompson abrange história social, biografia, teoria política, ensaios, poesia e até ficção científica.

  • William Morris: Romantic to Revolutionary (1955) – Biografia do artista e militante socialista William Morris, escrita ainda como membro do Partido Comunista. Reeditada em 1976 com um posfácio que revisa os “moralismos políticos” stalinistas da primeira edição.

  • The Making of the English Working Class (1963) – Sua obra‑prima. Resgata a experiência vivida pelos trabalhadores ingleses entre 1780 e 1832, argumentando que a classe operária não foi passiva, mas sim agente ativo de sua própria formação. Revolucionou a historiografia social e cunhou a expressão “história vista de baixo”.

  • Whigs and Hunters: The Origin of the Black Act (1975) – Estudo sobre o “Black Act” de 1723, que criou 50 novos crimes capitais na Inglaterra. Reconstrói a luta entre a elite whig (caçadores) e os camponeses que, disfarçados de “negros”, praticavam furtos e intimidações.

  • The Poverty of Theory and Other Essays (1978) – Veemente polêmica contra o estruturalismo de Louis Althusser, defendendo um marxismo humanista, histórico e autocrítico.

  • Double Exposure (1985) – Livro de poemas.

  • The Sykaos Papers (1988) – Romance de ficção científica satírico, no estilo swiftiano, narrando a visita de um poeta‑alienígena à Terra.

  • Customs in Common (1991) – “Sequência” de The Making, analisa a cultura tradicional inglesa e a luta das classes populares para preservar seus costumes diante da avanço capitalista.

  • Witness Against the Beast: William Blake and the Moral Law (1993, póstumo) – Estudo sobre o poeta visionário William Blake e sua rejeição ao “cristianismo da lei moral”.

  • Beyond the Cold War (1982) – Coletânea de ensaios sobre a corrida armamentista e o desarmamento nuclear.

  • There is a Spirit in Europe: A Memoir of Frank Thompson (1947, com sua mãe) – Biografia do irmão Frank, reeditada postumamente em 2024.

  • The Romantics: England in a Revolutionary Age (1997, póstumo) – Última obra concluída, aborda a Inglaterra revolucionária dos anos 1790.

Vida maçônica – Nenhum vínculo com a Ordem

Não há qualquer evidência de que Edward Palmer Thompson tenha sido maçom. As buscas por associações com a Maçonaria (termos como “freemason”, “masonic lodge”, “Mason”) retornaram apenas citações a outras pessoas homônimas – Edward T. Thompson, Edward Jackson Thompson (político americano maçom) e personagens do século XIX. A rica documentação sobre sua atuação como socialista, ativista da paz e historiador não registra qualquer filiação à Ordem.

Sua formação metodista e seu posterior distanciamento crítico do metodismo falam de uma trajetória espiritual própria, porém alheia aos rituais e símbolos da Maçonaria. Assim, conclui‑se que Edward P. Thompson não foi maçom.

Algumas curiosidades sobre Thompson

  1. “História vista de baixo” – Thompson popularizou essa expressão em 1966 (artigo para a Times Literary Supplement), referindo‑se à abordagem que privilegia a experiência das classes populares, e não apenas das elites.

  2. Romancista de ficção científica – The Sykaos Papers (1988) foi seu único romance; trata‑se de uma sátira ao imperialismo e à burocracia ocidental na qual um poeta‑alienígena tenta “tomar posse” da Terra e acaba vítima dos próprios usos e costumes terrestres.

  3. Seu papel no desarmamento nuclear – Durante os anos 1980, Thompson foi uma das figuras centrais do movimento europeu contra os mísseis nucleares, ajudando a fundar a Campanha Europeia para o Desarmamento Nuclear e editando publicações pacifistas de grande circulação.

  4. Polemista implacável – Seu ensaio The Poverty of Theory não só atacou Althusser, mas também travou um famoso debate com o próprio Perry Anderson, então editor da New Left Review, sobre o papel da teoria na história marxista.

  5. A influência de seu irmão Frank – Edward escreveu dois livros sobre Frank Thompson: a memória coletiva There is a Spirit in Europe (1947) e o póstumo Beyond the Frontier (1996). Frank, morto aos 21 anos na Bulgária, tornara‑se herói popular naquele país – episódio que marcou profundamente o compromisso antifascista de Edward.

Autor e Pesquisa  Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Pesquisa

  • Wikipédia (en). “E. P. Thompson”.

  • Wikipédia (pt). “E. P. Thompson”.

  • Britannica. “E.P. Thompson | British Historian & Social Activist”.

  • Dictionary of Methodism in Britain and Ireland – verbete “Thompson, Edward Palmer”.

  • Mediapart (Blog). “Edward P. Thompson, historien radical” (29 ago 2023).

  • Verso Books – perfil de E.P. Thompson.

  • Kiddle Encyclopedia – “E. P. Thompson facts for kids”.

  • Marxists Internet Archive – textos e perfis biográficos de Thompson.

  • Alchetron – “E P Thompson” – The Free Social Encyclopedia.

  • Google Books / WorldCat – obras de Thompson.

  • Manchester University Press – “E. P. Thompson and English radicalism”.

  • Open Library – “William Morris, romantic to revolutionary” e demais obras.

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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