O Templo de Portuno em Roma
Quando percorremos o Fórum Boário de Roma, no sopé do Capitólio, há um pequeno templo que, para mim, sempre representou a ponte entre dois mundos — o pagão e o cristão, o republicano e o imperial, o grego e o itálico.
O Templo de Portuno não impressiona pelo tamanho ou pela ostentação, como o Panteão ou o Coliseu.
Sua beleza está na modéstia e na sobrevivência. Chegou a ser conhecido como Fortuna Virilis.
Ele é um dos poucos templos da República Romana que chegaram até nós praticamente intactos, e sua história é um microcosmo da própria Roma: construído para um deus das chaves e dos portos, transformado em igreja cristã, desconsagrado e, finalmente, restaurado à sua aparência original.
Suas colunas jônicas, que se refletem nas águas do Tibre, são testemunhas silenciosas de mais de dois milênios de transformações.
Neste artigo, convido o leitor a percorrer comigo a história, a arquitetura e o legado desse que é, talvez, o mais bem preservado dos templos romanos republicanos.

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