A Declaração de Independência de 1776
O Papel da Maçonaria na Gênese dos Estados Unidos
Prefácio
Quando penso no 4 de julho de 1776, não me vem à mente apenas uma data comemorativa inscrita nos livros de história. Vejo, antes de tudo, a culminação de um ideal que, há muito, habita o coração humano: a aspiração inalienável à liberdade.
Estudei e Cresci ouvindo sobre a Declaração de Independência dos Estados Unidos como um marco jurídico e político, mas foi apenas quando mergulhei nos meandros da filosofia iluminista e, posteriormente, nos estudos maçônicos, que compreendi a verdadeira profundidade daquele momento. Não se tratava apenas de uma rebelião contra a Coroa Britânica; tratava-se da encarnação prática de uma visão de mundo que colocava a razão, a dignidade humana e a fraternidade no centro da vida social.
Confesso que sempre fui tomado por uma curiosidade quase obsessiva ao tentar decifrar como um punhado de colonos, provenientes das mais diversas origens religiosas e sociais, conseguiu forjar um consenso tão coeso em torno de um documento tão revolucionário. A resposta, descobri ao longo de anos de pesquisa e reflexão, não reside apenas nos textos de John Locke ou na eloquência de Thomas Jefferson. Ela está, em boa medida, tecida nos laços que transcendiam a política contingente: os laços da fraternidade maçônica.
Ao examinar as biografias dos signatários, deparei-me com um fato que mudou completamente minha percepção dos acontecimentos: nove daqueles homens eram maçons confirmados. Nove irmãos que, sob o compasso e o esquadro, haviam jurado princípios de tolerância, liberdade de consciência e aperfeiçoamento moral. Isso não foi uma coincidência histórica, mas sim a manifestação de uma corrente subterrânea de ideias que, durante todo o século XVIII, nutriu o solo fértil da Revolução Americana.
É verdade que a filiação formal de Jefferson permanece envolta em névoas históricas — um debate que intriga os estudiosos até hoje. Mas lembrando as construbições de Benjamin Franklin e John Adams.
No entanto, ao ler a Declaração com olhos de quem conhece os rituais e os valores da Ordem, reconheço em suas linhas uma sintonia filosófica inegável. Os “direitos inalienáveis” conferidos pelo “Criador” não são meras palavras protocolares; são o eco do deísmo racionalista que ecoava nas Lojas, onde homens de diferentes credos se reuniam sob a mesma luz.
Neste texto, proponho-me a desvelar essa face menos visível, mas absolutamente decisiva, da fundação dos Estados Unidos. Mais do que relatar fatos, desejo convidar o leitor a caminhar comigo pelos bastidores da história, onde as decisões não eram tomadas apenas nos salões do Congresso, mas também nas reuniões discretas das Lojas maçônicas da Filadélfia, Boston e Nova York.
Ao final desta jornada, espero que fique claro que o 4 de julho não é apenas o aniversário de uma nação, mas também o testemunho perene do poder transformador da fraternidade quando aliada à razão. Que esta reflexão sirva como uma homenagem àqueles que, sob o signo do esquadro, ousaram sonhar com um mundo mais justo e universal.
Nota: O artigo a seguir, fundamentado em fontes históricas e filosóficas, aprofunda a análise dos fatos mencionados neste prefácio, com ênfase na atuação concreta dos maçons durante o processo de independência.
Papel da Maçonaria na Gênese dos Estados Unidos
Em 4 de julho de 1776, o Segundo Congresso Continental, reunido na Pennsylvania State House, na Filadélfia, adotou por unanimidade a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Redigida principalmente por Thomas Jefferson, com contribuições de Benjamin Franklin e John Adams, a Declaração é muito mais do que um documento político: trata-se de uma afirmação filosófica que proclamava ao mundo que todos os homens são criados iguais e dotados de direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
O documento justificou a separação das Treze Colônias da Grã-Bretanha, elencando 27 queixas contra o rei Jorge III e afirmando o direito dos povos à autodeterminação.
Ao fazê-lo, a Declaração tornou-se um marco na história dos direitos humanos e um farol para movimentos de libertação e defesa dos direitos civis em todo o mundo.
O Papel da Maçonaria na Época dos Fatos
A influência da Maçonaria sobre a fundação dos Estados Unidos não é meramente simbólica — ela está tecida na própria trama da história da nação.
Os ideais iluministas que embasaram a Declaração — liberdade, igualdade e direito à autodeterminação — ecoavam diretamente os ensinamentos maçônicos, que pregavam a fraternidade universal, a tolerância religiosa e o progresso moral da humanidade.
Os fatos históricos são eloquentes a esse respeito.
Nove dos 56 signatários da Declaração de Independência eram maçons confirmados: William Ellery, Benjamin Franklin, John Hancock, Joseph Hewes, William Hooper, Robert Treat Paine, Richard Stockton, George Walton e William Whipple. Embora alguns deles não tenham sido iniciados precisamente em 1776, a presença maçônica entre os fundadores é inegável e significativa.
Entre esses signatários, destacam-se figuras de proa. Benjamin Franklin, um dos mais ativos e influentes maçons da época, foi iniciado em 1731 e chegou a ser eleito Grão-Mestre da Maçonaria da Pensilvânia. Em 1734, Franklin publicou a primeira edição americana das Constituições maçônicas, baseada na edição inglesa de 1723, disseminando os princípios da Ordem por toda a América do Norte.
Como membro do “Comitê dos Cinco” encarregado de redigir a Declaração, Franklin foi instrumental na orientação dos fundamentos morais e intelectuais da Revolução.
John Hancock, também maçom confirmado, era presidente do Congresso Continental e foi o primeiro a assinar a Declaração, com a assinatura ampla e ousada que se tornaria lendária. George Washington, embora não tenha assinado a Declaração (pois estava no comando do Exército Continental), era maçom ativo e viria a ser o primeiro presidente dos Estados Unidos, tomando posse sobre a Bíblia da Loja Maçônica São João de Nova York.
Embora a filiação formal de Thomas Jefferson à Maçonaria seja objeto de debate entre os historiadores, suas inclinações filosóficas e sua associação com maçons proeminentes indicam um profundo alinhamento com os valores da Ordem.
A própria linguagem da Declaração — com sua ênfase nos “direitos inalienáveis” conferidos pelo “Criador” — reflete o deísmo e o racionalismo iluminista que permearam as lojas maçônicas do século XVIII.
A Maçonaria, portanto, não atuou como uma organização política monolítica ou como uma “sociedade secreta” conspiratória. Sua influência se deu de forma mais sutil, porém profunda: as lojas maçônicas funcionaram como espaços de sociabilidade e debate intelectual, onde as ideias iluministas de liberdade, igualdade e governo representativo puderam ser discutidas livremente, fora do controle da Coroa Britânica.
A fraternidade reunia homens de diferentes origens religiosas, sociais e políticas sob valores compartilhados de respeito mútuo e aperfeiçoamento moral.
Mais do que isso, a influência maçônica estendeu-se para além da Declaração.
A Constituição dos Estados Unidos, promulgada em 1787, com sua ênfase em freios e contrapesos, liberdades individuais e estado de direito, reflete os valores organizacionais e a filosofia ética defendidos pela Maçonaria. George Washington, que presidiu a Convenção Constitucional, era maçom, e a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do Capitólio em 1793 foi conduzida em trajes maçônicos pelo próprio Washington.
Em suma, a Maçonaria forneceu um arcabouço filosófico e uma rede de liderança que foram decisivos para a Revolução Americana.
Os princípios maçônicos de liberdade, igualdade, tolerância e governo baseado na razão encontraram na Declaração de Independência sua expressão política mais acabada, tornando o 4 de julho não apenas uma data patriótica, mas também um tributo à fraternidade que ajudou a moldar o espírito americano.
Conclusão
A Declaração de Independência de 1776 permanece como um dos documentos mais influentes da história moderna, não apenas por seu conteúdo político, mas por sua poderosa afirmação dos direitos naturais do homem.
O papel da Maçonaria na sua gestação é um capítulo essencial dessa história — não como uma força oculta ou conspiratória, mas como um veículo de ideias iluministas e uma rede de liderança comprometida com a liberdade e a justiça. Os nove signatários maçons, e especialmente figuras como Benjamin Franklin e John Hancock, personificam a convergência entre os ideais da Ordem e os princípios que deram nascimento à primeira república moderna das Américas.
Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes
Fontes
Declaração de Independência dos Estados Unidos. Wikipedia.
United States Declaration of Independence. Wikipedia.
National Heritage Museum. Declaration of Independence – How Many Signers were Freemasons? 25 de novembro de 2010.
Bucks Provincial Grand Lodge. American Independence Day and the Legacy of Freemasonry. 4 de julho de 2025.
Biography.com. Benjamin Franklin – Quotes, Inventions & Facts. 2020.
Scottish Rite, Northern Masonic Jurisdiction. Brother Benjamin Franklin. 2022.
Freemason.pt. Maçonaria e Poder (VI) – Maçonaria e Maçon(s). 14 de novembro de 2020.
Freemason.pt. A Maçonaria e a Independência Americana. 12 de maio de 2019.
United Grand Lodge of England. Celebrating the Tercentenary of the 1723 Constitutions. 31 de março de 2022.
JSTOR Daily. The Strange History of Masons in America. 3 de agosto de 2017.

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