Pedro, o Grande (1672 – 1725): O Czar que Abriu as Janelas da Rússia para o Ocidente
Introdução
Confesso que, antes de me aprofundar na figura de Pedro I da Rússia, eu o enxergava apenas como um nome entre tantos monarcas absolutos da Europa — importante, sem dúvida, mas talvez menos fascinante do que os imperadores romanos ou os conquistadores mongóis.
Que engano. Ao longo desta pesquisa, deparei-me com um personagem tão colossal quanto sua própria estatura física, um governante cuja energia, ambição e contradições parecem desafiar qualquer classificação simples.
Pedro, o Grande, não foi apenas um czar; foi um construtor naval, um soldado disfarçado de operário, um tirano cruel que matou seu próprio filho com as próprias mãos e, ao mesmo tempo, um reformador visionário que arrastou sua amada Rússia, à força e a golpes de tesoura nas barbas dos boiardos, para a modernidade europeia.
Sua história — a de um imperador de dois metros e dez centímetros que, depois de passar fome e trabalhar nos estaleiros da Holanda incógnito, voltou para casa e transformou seu país em uma potência mundial — é, a meu ver, uma das mais extraordinárias da história da realeza. Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória desse homem que, no século XVIII, literalmente reescreveu o calendário russo e construiu uma cidade sobre pântanos para provar que a Rússia pertencia, sim, à Europa.
Biografia
Origens e Primeiros Anos
Pedro I da Rússia — Pyotr Alexeievich Romanov — nasceu em Moscou no dia 9 de junho de 1672, filho do czar Aleixo I e de sua segunda esposa, Natália Kirillovna Naryshkina. Era o terceiro filho do czar, mas seus dois meio-irmãos mais velhos, Teodoro e Ivan, eram ambos doentes e frágeis, o que fez com que seu nascimento saudável fosse recebido com grande comemoração na corte. A
o nascer, Pedro tinha olhos negros, cabelos castanho-avermelhados e media 48 centímetros de altura — uma criança robusta que começou a andar com apenas sete meses. Foi batizado quatro semanas depois, em 9 de julho, dia de São Pedro no calendário da Igreja Ortodoxa Russa, de quem herdou o nome. Seu tutor foi Nikita Zotov, que lhe contava histórias épicas sobre o passado da Rússia e com quem Pedro manteria amizade por toda a vida.
O jovem czarevich demonstrou desde cedo uma curiosidade insaciável, mas também uma preferência acentuada por brinquedos militares — soldados, fortalezas, barcos e armas em miniatura — que prenunciavam suas futuras paixões.
A Questão da Sucessão e a Infância Traumática
Em janeiro de 1676, o czar Aleixo I faleceu, sendo sucedido por seu filho mais velho, Teodoro III, que governou até sua morte sem herdeiros em 1682. A sucessão então se tornou uma disputa feroz entre as duas famílias nobres rivais: os Naryshkin, parentes da mãe de Pedro, e os Miloslavski, parentes da primeira esposa do czar Aleixo. Embora Ivan fosse mais velho, era coxo, quase cego e fisicamente debilitado, enquanto Pedro gozava de boa saúde.
Com o apoio da Igreja Ortodoxa, Pedro foi proclamado czar aos dez anos de idade, para desagrado da poderosa família Miloslavski. A meia-irmã de Pedro, Sofia Alexeievna, fomentou uma revolta da Guarda Streltsi — um corpo de elite feroz — que invadiu o palácio e massacrou vários familiares e aliados de Pedro diante de seus olhos. Como resultado do levante, Pedro foi obrigado a compartilhar o trono com seu meio-irmão Ivan V, com Sofia atuando como regente, enquanto a mãe de Pedro e ele próprio foram relegados ao esquecimento na vila de Preobrajenskoye. Esse trauma de infância marcaria Pedro profundamente, gerando nele uma repulsa duradoura pelo Kremlin e por Moscou, e alimentando um temperamento complexo que mesclava crueldade e determinação feroz.
Crescimento e a Formação de um Guerreiro
Afastado das funções de Estado, Pedro teve amplo tempo livre para dedicar-se aos seus passatempos favoritos: os jogos de guerra. Aos catorze anos, formou um regimento militar próprio em Preobrajenskoye, composto por seus amigos, que mais tarde se tornaria o primeiro regimento da Guarda Imperial Russa — uma força que duraria até o fim da monarquia em 1917. Paralelamente, em 1688, Pedro descobriu um antigo barco inglês em um armazém, que despertou seu interesse pela navegação. Contratou holandeses para repará-lo e passou a navegar quase diariamente, primeiro nos rios e depois no lago Plescheievo, aprendendo a usar velas, o vento e até o sextante. Essas experiências precoces com barcos e soldados formariam a base de suas futuras paixões: a marinha e o exército.
A Consolidação do Poder e a Grande Embaixada
Em 1689, informado de que Sofia tramava seu assassinato, Pedro organizou um golpe de Estado, prendeu a meia-irmã e a enviou para um convento. Inicialmente, deixou que sua mãe governasse, assumindo o poder efetivamente apenas após a morte dela, em 1694. Nesse período, casou-se com Eudóxia Lopukhina, filha de um oficial palaciano, mas o casamento durou pouco, pois o que lhe interessava era a companhia dos amigos e a participação em aventuras — geralmente alcoolizado.
Entre 1697 e 1698, Pedro realizou a chamada Grande Embaixada, uma missão diplomática em que viajou incógnito pela Europa Ocidental. Embora o objetivo político da missão — formar alianças contra o Império Otomano — tenha fracassado, Pedro aproveitou a oportunidade única para estudar navegação, construção naval, fortificação, artilharia e ciências exatas. Trabalhou como carpinteiro nos estaleiros da Companhia Holandesa das Índias Orientais e na Inglaterra, observou hospitais, museus e fábricas, absorvendo tudo o que pudesse ser útil para modernizar sua Rússia natal.
A Ocidentalização Forçada e as Reformas
Ao retornar da Europa, Pedro percebeu que a Rússia só poderia se desenvolver se ganhasse acesso ao mar, construísse uma marinha e um exército modernos, e reformasse a administração civil, o comércio e a indústria. Com essa visão, iniciou um programa de reformas radicais que afetaram todos os aspectos da vida russa:
Reforma militar: Introduziu o recrutamento obrigatório (conscrição), criou um exército regular nos moldes europeus, fundou a Armada e os estaleiros russos (1704) e estabeleceu escolas militares e navais.
Reforma administrativa: Criou a Tabela de Classes (1722), que determinava a posição de uma pessoa com base em seus méritos e serviços ao imperador, e não em sua origem social ou procedência. Extinguiu o título hereditário de boiardo e passou a nomear nobres com base no talento.
Reforma da Igreja: Aboliu o Patriarcado, substituindo o líder tradicional da Igreja Ortodoxa Russa por um conselho de dez clérigos (o Santo Sínodo), subordinando assim a Igreja ao Estado.
Reformas culturais e sociais: Proibiu o uso de barbas e vestes tradicionais russas, impondo aos nobres o uso de roupas e costumes ocidentais. Simplificou o alfabeto russo e introduziu a impressão de livros e jornais. Determinou que os nobres russos viajassem para Inglaterra, Itália e Holanda em busca de novos conhecimentos.
Reforma do calendário: Em 19 de dezembro de 1699, Pedro decretou que 1º de janeiro de 1700 passaria a ser o primeiro dia do ano, em vez de 1º de setembro, e que a contagem dos anos passaria a ser a partir do nascimento de Cristo, e não da criação do mundo — fazendo com que o ano de 1699 durasse apenas quatro meses na Rússia.
A Grande Guerra do Norte e a Fundação de São Petersburgo
Em 1700, Pedro declarou guerra à Suécia, então a potência dominante no Mar Báltico, dando início à Grande Guerra do Norte (1700-1721). A campanha começou com uma derrota humilhante em Narva, mas Pedro reorganizou seu exército e, em 1709, obteve uma vitória decisiva sobre o rei sueco Carlos XII na Batalha de Poltava. A guerra terminou em 1721 com a derrota sueca e o Tratado de Nystad, que concedeu à Rússia acesso ao Mar Báltico e consolidou o país como uma das principais potências europeias.
Enquanto a guerra ainda estava em curso, em 1703, Pedro fundou a cidade de São Petersburgo nas terras pantanosas da Íngria, às margens do Golfo da Finlândia. A cidade foi projetada nos moldes europeus, com referências a Paris e Viena, e tornou-se a nova capital do império em 1712 — a famosa “janela da Rússia para a Europa”.
A Morte Trágica do Filho e o Fim do Reinado
O relacionamento de Pedro com seu herdeiro, o czarevich Aleixo, foi turbulento. Aleixo, filho de seu primeiro casamento com Eudóxia Lopukhina, era uma figura passional e religiosa que se opunha às reformas ocidentalizantes do pai. Em 1718, suspeitando que o filho conspirava contra ele, Pedro ordenou sua prisão e tortura. Aleixo morreu na prisão em 26 de junho de 1718, provavelmente em decorrência dos ferimentos sofridos durante os interrogatórios. O próprio Pedro teria participado das sessões de tortura.
Com a morte do filho e a perda do herdeiro varão, Pedro alterou a lei de sucessão, estabelecendo que o monarca poderia nomear seu próprio sucessor. Apenas alguns dias antes de sua morte, Pedro nomeou sua segunda esposa, Catarina I — uma camponesa lituana de nascimento humilde — como sua sucessora.
Morte e Legado
Pedro, o Grande, faleceu em 8 de fevereiro de 1725, aos 52 anos de idade, em São Petersburgo, vítima de uma infecção na bexiga. Seu corpo foi sepultado na cripta imperial da Catedral de Pedro e Paulo, na cidade que ele mesmo fundara.
O título de “o Grande” foi concedido a Pedro pelo Senado Governante da Rússia Imperial após a vitória na Grande Guerra do Norte, juntamente com a proclamação da Rússia como Império e sua própria designação como Imperador de toda a Rússia.
Feitos e Conquistas
O legado de Pedro, o Grande, é vasto e transformador:
Fundou a Armada e a marinha russas, transformando a Rússia em uma potência marítima e garantindo acesso estratégico ao Mar Báltico.
Reformou o exército russo, introduzindo o recrutamento obrigatório e criando um exército regular nos moldes europeus.
Fundou São Petersburgo (1703), projetada como “janela da Rússia para a Europa”, transferindo a capital de Moscou para a nova cidade em 1712.
Venceu a Grande Guerra do Norte (1700-1721) contra a Suécia, garantindo à Rússia acesso ao Mar Báltico e consolidando o país como uma das principais potências europeias.
Criou a Tabela de Classes, que substituiu o sistema hereditário de privilégios por uma hierarquia baseada em méritos e serviços ao Estado.
Reformou o calendário russo, adotando o calendário juliano (e posteriormente o gregoriano) e alinhando a Rússia com o resto da Europa.
Simplificou o alfabeto russo e introduziu a impressão de livros e jornais, promovendo a alfabetização.
Subordinou a Igreja Ortodoxa ao Estado, abolindo o Patriarcado e criando o Santo Sínodo.
Ocidentalizou a cultura russa, impondo aos nobres o uso de roupas e costumes europeus, a raspagem das barbas e a participação em assembleias e bailes.
Expandiu o território russo, anexando a Ingermânia (Ingria), a Carélia, a Estônia e a Livônia, além de consolidar o domínio sobre a Ucrânia e estabelecer posições no Cáucaso e no Extremo Oriente.
Curiosidades
Um gigante entre os homens: Pedro, o Grande, era extraordinariamente alto para os padrões de sua época — estima-se que media 2,02 a 2,15 metros de altura, mas tinha cabeça e mãos pequenas e, segundo relatos, sempre estava fazendo caretas. O epíteto “o Grande” refere-se tanto à sua estatura física quanto às suas realizações como estadista.
O czar que se disfarçou de operário: Durante a Grande Embaixada (1697-1698), Pedro viajou incógnito pela Europa sob o pseudônimo de “Peter Mikhailov” , trabalhando como carpinteiro nos estaleiros da Holanda e da Inglaterra para aprender técnicas de construção naval.
“Roubou” um ano da história russa: Ao reformar o calendário em 1699, Pedro decretou que o ano de 1699 terminaria em dezembro, e não em setembro — fazendo com que a Rússia literalmente perdesse oito meses de 1699, que simplesmente deixaram de existir nos registros oficiais.
O colecionador de “gente pequena”: Pedro tinha uma atração particular por pessoas que sofriam de nanismo, que na época costumavam divertir os czares. Chegou a manter vários anões como parte de sua corte e certa vez forçou um de seus generais a se casar com uma anã de sua escolha.
Admirador de dentistas: Pedro tinha um fascínio peculiar pela odontologia. Colecionava dentes arrancados por ele mesmo e, segundo consta, gostava de assistir a extrações dentárias.
O czar de dois metros que calçava 38: Apesar de sua estatura colossal, Pedro tinha pés e mãos surpreendentemente pequenos — calçava o equivalente ao tamanho 38 europeu, o que contrastava enormemente com seu corpo avantajado.
Criou o primeiro museu da Rússia: Em 1714, Pedro fundou o Kunstkamera em São Petersburgo, o primeiro museu da Rússia, onde exibia coleções de curiosidades naturais e humanas, incluindo fetos preservados e anomalias anatômicas — alguns deles adquiridos durante suas viagens pela Europa.
O “clube dos bêbados”: Pedro criou uma paródia da Igreja Ortodoxa chamada “Sínodo dos Bêbados” ou “Concilio dos Loucos”, da qual ele próprio era o “Protodiácono” — uma sociedade de bebedeira e blasfêmia que satirizava os rituais religiosos.
Um pai que matou o próprio filho: A relação de Pedro com seu herdeiro, o czarevich Aleixo, foi trágica. Suspeitando de traição, Pedro ordenou a tortura do próprio filho, que morreu na prisão em 1718, com o próprio czar participando das sessões de interrogatório.
A mudança de nome da cidade: Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, a cidade de São Petersburgo foi renomeada para “Petrogrado” (cidade de Pedro) para soar menos alemã, e em 1924, após a morte de Lênin, foi renomeada para “Leningrado”. Em 1991, após a queda da União Soviética, a cidade recuperou seu nome original — São Petersburgo —, mas o túmulo de Pedro permanece na cripta imperial da Catedral de Pedro e Paulo.
Obras Inspiradas no Monarca
Embora Pedro, o Grande, não tenha deixado uma obra literária de sua autoria — seus decretos e cartas são sua verdadeira produção intelectual —, sua vida extraordinária inspirou inúmeras obras históricas, literárias e artísticas ao longo dos séculos:
Decretos e Cartas de Pedro, o Grande: Embora não sejam obras literárias convencionais, os decretos, éditos e a vasta correspondência de Pedro são a “obra” que ele deixou para a posteridade, reunindo ordens administrativas, cartas pessoais e instruções militares que iluminam seu pensamento.
História do Império da Rússia no Tempo de Pedro, o Grande (1781): Obra do filósofo francês Voltaire, que narra a vida e o reinado de Pedro I. Voltaire foi um grande admirador do czar, vendo nele um exemplo de “déspota esclarecido”. O livro foi publicado em várias edições e traduzido para diversas línguas.
Pedro, o Grande: Sua Vida e seu Mundo (biografia de Robert K. Massie, 1980, vencedora do Prêmio Pulitzer): Uma das mais importantes e aclamadas biografias de Pedro em inglês, que serviu de base para muitas das informações sobre sua vida.
Pedro, o Grande: czar da Rússia — o caçador do tempo (biografia de Luiz Fernando da Silva Pinto, Editora FGV): Obra brasileira que aborda o “salto desenvolvimentista” da era petrina.
Pedro, o Grande (romance histórico de Alexei Tolstoi, 1930-1934): Um romance épico do escritor soviético Alexei Tolstoi (parente de Liev Tolstói), que narra a vida do czar em três volumes. A obra é considerada um clássico da literatura histórica russa e foi adaptada para o cinema em 1937-1938.
O Favorito Português de Pedro, o Grande (romance histórico): A história incrível de António de Vieira, um judeu português que se tornou conselheiro do czar e deixou um rastro profundo na história da Rússia.
Pedro, o Grande (filme soviético de 1937-1938, dirigido por Vladimir Petrov): Filme épico baseado no romance de Alexei Tolstoi, com Nikolai Simonov no papel de Pedro. Foi um dos filmes mais caros e ambiciosos produzidos na União Soviética, recebendo elogios de ninguém menos que Joseph Stalin.
Pedro, o Grande (minissérie de televisão americana, 1986): Produção estrelada por Maximilian Schell como Pedro e Vanessa Redgrave como Catarina I, vencedora de três prêmios Emmy.
Pedro, o Grande e a Modernização Russa: Obras acadêmicas e estudos históricos em português, inclusive dissertações de mestrado discutindo a construção identitária da “nação russa” sob seu reinado.
Kunstkamera e a Coleção de Curiosidades de Pedro: O museu fundado por Pedro ainda está em funcionamento em São Petersburgo e é uma das principais atrações turísticas da cidade, abrigando uma coleção única de “maravilhas naturais”.
Arte e monumentos: Inúmeras estátuas e monumentos em homenagem a Pedro, o Grande, foram erguidos em toda a Rússia, sendo o mais famoso o “Cavaleiro de Bronze” (1782), erguido por ordem de Catarina, a Grande, na Praça do Senado, em São Petersburgo, imortalizado no poema homônimo de Alexander Pushkin.
Pushkin e o Cavaleiro de Bronze (1833): O poema do maior poeta russo, Alexander Pushkin, que narra a história de um funcionário público pobre enlouquecido pela aparição da estátua equestre de Pedro, o Grande, na enchente de São Petersburgo. É uma das obras mais importantes da literatura russa.
Considerações Finais
Ao final desta pesquisa, fica evidente que Pedro, o Grande, foi uma figura tão colossal quanto contraditória — literal e metaforicamente. Governante de um império atrasado, isolado e mergulhado em tradições medievais, ele teve a visão e a coragem de arrastar a Rússia, à força, para a modernidade europeia. Pagou um preço alto: seu reinado foi marcado por violência, crueldade e pelo sofrimento de milhões de súditos. Mas sem ele, a Rússia teria permanecido nas margens da história europeia, um gigante adormecido incapaz de competir com as potências ocidentais.
Sua maior ironia talvez seja a de que ele, um czar autocrático e absolutista, tenha feito mais pela modernização da Rússia do que muitos governantes supostamente “progressistas”. Pedro não era um democrata, nem um humanista. Era um homem duro, beberrão, violento e cruel, que não hesitou em torturar e matar seu próprio filho quando este se opôs a suas reformas. Mas também era um homem de curiosidade insaciável, um aprendiz eterno, um trabalhador incansável que, mesmo sendo imperador, sujava as mãos nos estaleiros e aprendia com os mestres europeus. Essa dualidade — o tirano e o visionário, o selvagem e o civilizado — é o que torna Pedro, o Grande, uma figura tão fascinante.
Mais de três séculos depois, seu legado continua vivo. São Petersburgo, a “janela para a Europa”, é hoje uma das cidades mais belas do mundo. A marinha russa que ele fundou ainda protege as costas do país. O sistema educacional e administrativo que ele criou pavimentou o caminho para a Rússia se tornar, séculos depois, uma das superpotências globais. E sua imagem, de gigante coroado que doma a natureza e os homens, ainda inspira e aterroriza.
Como escreveu Voltaire, “Pedro, o Grande, foi o verdadeiro criador da Rússia. Antes dele, a Rússia era apenas um corpo sem alma.” Não é uma avaliação isenta, nem inteiramente justa com o que veio antes e depois. Mas captura algo essencial: que Pedro, com toda a sua brutalidade e grandeza, não apenas governou a Rússia — ele a reinventou.
Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes
Fontes de Pesquisa
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Blogueiros diversos. “Pablo Aluísio”, 7 de julho de 2004; “Sabiam que Pedro ‘O Grande’ tinha 2,15m de altura?” 27 de julho de 2016. [pabloaluisio.blogspot.com; sabiamquegostodecuriosidades.blogspot.com]
Editora FGV. “Pedro O Grande, czar da Rússia: o caçador do tempo”. Luiz Fernando da Silva Pinto. [editora.fgv.br]

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











