Sempre me fascinou a figura de Zenão de Eleia. Enquanto a maioria dos filósofos tenta provar algo, ele se dedicou a mostrar o absurdo do que os outros acreditavam. Seu método não era construir sistemas, mas demolir certezas.
Discípulo fiel de Parmênides, ele foi o primeiromestre da arte da controvérsia, a ponto de Aristóteles chamá-lo de “inventor da dialética”. E o que dizer de sua morte? Preso e torturado por conspirar contra um tirano, Zenão calou a boca e mordeu a orelha do algoz, transformando seu martírio em uma última e perfeita demonstração de sua filosofia: o domínio absoluto da razãosobre o medo e a dor.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a vida, os paradoxos e o legado desse que é, sem dúvida, um dos espíritos mais originais e inquietantes da GréciaAntiga.
O nome completo do filósofo eraZenão de Eleia (em grego clássico: Ζήνων ὁ Ἐλεάτης). Sabe-se pouco sobre a sua vida, e o que se sabe, muitas vezes, se confunde com a lenda. Nasceu em Eleia, uma próspera colônia grega na região da MagnaGrécia, que corresponde à atual cidade de Vélia, na costa da Campânia, sul da Itália. Era filho de Teletágoras.
As datas do seu nascimento e morte são aproximadas, girando em torno de 490/485 a.C. e 430 a.C. , respectivamente, o que lhe daria cerca de 60 anos de idade. Embora haja registros de uma visita sua a Atenas ao lado de Parmênides — onde teria encontrado um jovem Sócrates —, a maioria dos historiadores considera este episódio uma invenção de Platão para dar dramaticidade a um dos seus diálogos.
Ao contrário de muitos de seus contemporâneos, Zenão não eraum eremita distante dos assuntos humanos. Pelo contrário, foi um cidadão profundamente engajado na vida política de Eleia. A sua biografia é marcada por um ato de coragem tão radical quanto a sua filosofia.
Segundo a tradição preservada por Diógenes Laércio, Zenão conspirou contra o tirano de Eleia, chamado Nearco. A trama foi descoberta, e Zenão foi preso e submetido a tortura para que revelasse os nomes dos seus companheiros. Diante dos algozes, o filósofo demonstrou um autocontrole exemplar. Recusou-se a entregar os seus aliados, e durante a sessão de tortura, disse que gostaria de ser tão dono do seu corpo quanto era da sua própria língua.
O tirano, indignado, ordenou que a tortura fosse intensificada. Zenão, então, simulou que iria colaborar. Pediu que o algoz aproximasse o ouvido da sua boca para lhe contar os nomes em segredo. Quando o torturador se aproximou, Zenão mordeu a sua orelha com violência. Cego pela fúria, Nearco ordenou a sua execução imediata, que foi prontamente cumprida. Ao agir assim, tornou-se, séculos antes de Sócrates, o primeirogrande mártir da filosofiaocidental.
O Método Dialético e os Paradoxos
Zenão foi discípulo de Parmênides e seu mais fiel defensor. Enquanto seu mestre provava que o Sererauno, imóvel e eterno, Zenão dedicou-se a desacreditar quem pensasse o contrário. Para isso, desenvolveu um método genial: ao invés de provar que o movimento e a multiplicidade existiam, ele mostrava que supor a sua existência levava a conclusões impossíveis. Essa técnica, conhecida como redução ao absurdo, levou Aristóteles a saudá-lo como o “inventor da dialética”.
Para ele, os sentidos são ilusórios, e o verdadeiro conhecimento só é alcançado pela razão. Ele escreveu umlivro com cerca de 40 paradoxos, hoje perdido, grandeparte dos quais conhecidos através das obras de Aristóteles e Simplício.
Os Paradoxos da Pluralidade
Para defender que o Ser é uno, Zenão teve que destruir a noção de que existem “muitas coisas”. Sua argumentação é tipicamente matemática:
Argumento da Densidade (da Grandeza e da Pequenez): Se existem muitas coisas, elas devem ter tamanho. Se elas têm tamanho, são divisíveis ao infinito. Sendo divisíveis ao infinito, cada uma deve ser composta por partes infinitesimais. A soma do infinito (mesmo que infinitesimal) resulta em algo de tamanho infinito. Portanto, se existem muitas coisas, cada uma teria que ser ao mesmo tempo infinitamente grande e infinitamente pequena, o que é um absurdo.
Os argumentos contra o movimento são os mais famosos e fascinantes de Zenão, sobrevivendo até hoje como desafios à nossa compreensão do espaço e do tempo. Zenão queria mostrar que a suposição da existência de pontos e instantes separados torna o movimento impossível. Os mais célebres são:
A Dicotomia (A Dicotomia): Para ir do ponto A ao ponto B, o corredor deveprimeiro percorrer metade do caminho. Antes de chegar a essa metade, deve percorrer metade dessa metade, e assim por diante. Se o espaço pode ser dividido infinitamente, o corredor terá que passar por uma infinidade de pontos antes mesmo de começar. Portanto, o movimento nunca pode começar.
Aquiles e a Tartaruga: É uma versão em movimento da Dicotomia. O veloz Aquiles dá uma vantagem inicial para a lenta tartaruga. Zenão argumenta que, para alcançá-la, Aquilesdeveprimeiro chegar ao ponto onde a tartaruga estava. Quando ele chega lá, a tartaruga já avançou um pouco. Quando ele cobre essa nova distância, a tartaruga avançou mais um pouco. Este processo se repete infinitamente, e por mais rápido que Aquiles corra, a tartaruga estará sempre um passo à sua frente.
A Flecha (A Seta Voadora): Se o tempo é composto por instantes indivisíveis, neste exato instante a flecha não pode se mover, pois o movimento pressupõe duração. Se a flecha está parada em cada instante do seu voo, então ela está sempre parada, e o movimento é uma ilusão.
O “Inquilino” da Filosofia: Ao contrário de Aristóteles ou Platão, Zenão não deixou umsistema completo. Sua importância está no método. Ele mostrou que o trabalho do filósofo pode ser, muitas vezes, o de destruir as falsas certezas dos outros.
O Tirano e a Orelha: Em um dos relatos mais vívidos da história da filosofia, Zenão, após ser preso por conspirar contra o tirano Nearco, foi torturado para que entregasse os seus companheiros. Para surpresa de todos, Zenão fingiu que ia colaborar e, chamando o tirano para perto de si, mordeu a sua orelha, preferindo a morte à traição.
O Último Ato Filosófico: Para Zenão, a coerência não era apenas uma exigência teórica. A sua morte foi a demonstração prática da sua filosofia: a alma, guiada pela razão, não deve se submeter à tirania do corpo, nem mesmo sob a ameaça da dor ou da morte.
Dois mil anos de controvérsia: É impressionante como os problemas levantados por Zenão persistiram por quase dois milênios. Foram necessários os rigorosos conceitos de limites e continuidade do Cálculo, desenvolvidos por Newton e Leibniz no século XVII, para que os matemáticos pudessem finalmente começar a dissolver os paradoxos do movimento.
O legado de Zenão é imenso e transcende o contexto da sua época.
A Base da Lógica e da Dialética: Ao refutar seus adversários mostrando que suas premissas levavam a contradições, Zenão deu origem ao método dialético. Este modo de argumentar, refinado por Sócrates e sistematizado por Aristóteles, tornou-se a base da investigação racional no Ocidente.
O Desafio Matemático e Físico: Os paradoxos de Zenão não são meros truques de palavras. Eles expõem as dificuldades profundas inerentes aos conceitos de infinito, continuidade e movimento. Foram eles que forçaram os matemáticos gregos a abandonar o infinito atual em favor do infinito potencial, e que, séculos depois, estimularam o desenvolvimento da análise matemática rigorosa.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).