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Alfred North Whitehead

Alfred North Whitehead

Alfred North Whitehead

Ao longo de minha jornada pelo pensamento filosófico, sempre me fascinaram as mentes capazes de transitar, com igual maestria, entre a lógica matemática mais rigorosa e a metafísica mais especulativa. Alfred North Whitehead foi um desses raros espíritos universais.

Ele começou sua carreira como um dos maiores lógicos de seu tempo, coautor da monumental obra Principia Mathematica ao lado de Bertrand Russell.

No entanto, na maturidade, Whitehead provocou uma revolução silenciosa: abandonou o rigor das demonstrações formais para construir uma nova cosmologia, uma filosofia do processo que via a própria realidade não como uma coleção de coisas inertes, mas como um tecido dinâmico de eventos em constante devir. É essa figura paradoxal—o lógico que se fez poeta da metafísica, o matemático que influenciou teólogos e ecologistas—que exploraremos neste artigo.

Infância e Formação

Alfred North Whitehead nasceu em 15 de fevereiro de 1861 em Ramsgate, Kent, Inglaterra, o filho mais novo do reverendo Alfred Whitehead, um clérigo anglicano, e de Maria Sarah Buckmaster. Seus pais o consideravam uma criança frágil e doentia, por isso o mantiveram em casa, educado por seu pai, até os 14 anos de idade. A ironia é que, quando finalmente foi enviado para a Sherborne School, ele não apenas se adaptou, mas se destacou como atleta, capitão do time de rúgbi e chefe do corpo de alunos.

Em Sherborne, Whitehead recebeu uma educação clássica, mas demonstrou um dom especial para a matemática, ganhando o Prêmio Digby de Matemática e Ciências e a Medalha de Matemática em múltiplas ocasiões.

Em 1880, Whitehead entrou no Trinity College, em Cambridge, com uma bolsa de estudos. Ele assistia apenas a palestras de matemática, mas seus interesses mais amplos—literatura, religião, filosofia e política—eram nutridos por conversas com seus pares. Em 1884, graduou-se e foi eleito fellow do Trinity College naquele mesmo ano.

Vida Pessoal

Em 1890, Whitehead casou-se com Evelyn Ada Maud Rice Wade, uma mulher de notável inteligência e sensibilidade, que enriqueceu imensamente sua vida. Juntos, tiveram uma filha, Jessie, e dois filhos, North e Eric.

Carreira Acadêmica

A vida intelectual de Whitehead é geralmente dividida em três períodos distintos.

Primeiro Período: Cambridge (1884–1910) – Matemática e Lógica

Whitehead permaneceu no Trinity College como professor até 1910. Durante esses anos, dedicou-se intensamente à matemática e à lógica. Seu primeiro grande trabalho foi Treatise on Universal Algebra (1898), no qual se propôs a unificar a álgebra. Foi também nessa época que, junto com seu aluno mais famoso, Bertrand Russell, iniciou um ambicioso projeto: demonstrar que toda a matemática poderia ser derivada de pressupostos puramente lógicos.

Uma década de trabalho intenso culminou na publicação dos três volumes de Principia Mathematica (1910–1913), que se tornaria a obra lógica mais importante desde os dias de Aristóteles. O manuscrito da obra foi levado ao editor de maneira descuidada numa carruagem de cavalos. A publicação do Treatise on Universal Algebra lhe rendeu a eleição para a Royal Society em 1903.

Segundo Período: Londres (1910–1924) – Filosofia da Ciência

Em 1910, Whitehead deixou Cambridge em circunstâncias conturbadas. Seu amigo íntimo, o matemático Andrew Forsyth, envolveu-se em um escândalo amoroso que forçou sua renúncia. Whitehead defendeu Forsyth perante o Conselho do Trinity College, mas acabou sendo derrotado e teve seu próprio cargo rescindido. Após quatro anos sem uma posição fixa, tornou-se professor de matemática aplicada no Imperial College of Science and Technology em Londres, onde permaneceu até 1924.

Em Londres, Whitehead voltou sua atenção para questões de física, filosofia da ciência e filosofia da educação. Nesse período, escreveu obras como Enquiry into the Principles of Natural Knowledge (1919), The Concept of Nature (1920) e The Principle of Relativity (1922), que incluíam uma crítica importante ao problema da medição levantado pela teoria da relatividade geral de Einstein e apresentavam uma teoria alternativa do espaço e da gravidade.

Terceiro Período: Harvard (1924–1947) – Metafísica

Enfrentando a aposentadoria compulsória na Inglaterra, Whitehead, com 63 anos, aceitou um cargo como professor de filosofia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ali, iniciou seu trabalho mais original e influente: a construção de um sistema metafísico abrangente.

Suas principais obras desse período incluem Science and the Modern World (1925), que oferece uma crítica cuidadosa do materialismo científico ortodoxo, e sua obra-prima, Process and Reality: An Essay in Cosmology (1929), baseada nas Gifford Lectures que proferiu na Universidade de Edimburgo em 1927-28. Whitehead permaneceu em Harvard até se aposentar em 1937, e continuou a escrever até sua morte.

Morte e Destruição dos Documentos

Whitehead faleceu em Cambridge, Massachusetts, em 30 de dezembro de 1947, aos 86 anos. Em um gesto que frustrou seus biógrafos, ele seguiu sua instrução de que todos os seus papéis pessoais fossem destruídos após sua morte. Por isso, muitas de suas cartas e escritos íntimos estão perdidos, e a vida de Whitehead permanece em grande parte obscura.

Obra e Pensamento Filosófico

A Filosofia do Processo

Whitehead é mais conhecido como o criador da filosofia do processo (process philosophy), uma escola de pensamento que identifica a realidade metafísica com a mudança e o dinamismo. Em vez de ver o mundo como composto por substâncias materiais inertes, Whitehead argumentou que a realidade consiste em eventos ou processos.

Como ele mesmo escreveu, o mundo é melhor compreendido como um “tecido de processos inter-relacionados dos quais somos partes integrais. A elevação do “devir” sobre o “ser” é a pedra angular de sua metafísica. Essa abordagem tem encontrado aplicações em uma ampla variedade de disciplinas, incluindo ecologia, teologia, educação, física, biologia, economia e psicologia.

As Falácias da “Concreção Mal Colocada”

Uma das contribuições críticas de Whitehead é sua identificação do que ele chamou de falácias do “concretismo mal colocado” (misplaced concreteness) e da “localização simples”. A primeira é o erro de tratar uma abstração como se fosse concretamente real. A segunda é o erro de supor que qualquer coisa que seja real deve ter uma localização espacial simples. Essas falácias, segundo Whitehead, eram as raízes do equívoco fundamental da filosofia ocidental.

A Teoria da Abstração Extensiva

Ainda durante seu período londrino, Whitehead desenvolveu uma “teoria da abstração extensiva” (theory of extensive abstraction), que é considerada fundamental no campo contemporâneo das relações espaciais formais conhecido como “mereotopologia”. Por meio dessa teoria, ele demonstrou como pontos geométricos ideais poderiam ser logicamente derivados de regiões extensas da experiência espaço-temporal.

Curiosidades sobre Alfred North Whitehead

  1. O nome do meio veio do chá: O “North” no nome de Whitehead não é um sobrenome tradicional, mas sim uma homenagem a um parente: sua mãe, Maria Sarah Buckmaster, era filha de um próspero alfaiate militar chamado North Buckmaster.

  2. O “mais citado, menos lido”: A impressionante complexidade do pensamento de Whitehead, aliada à extraordinária qualidade literária de sua escrita, fizeram dele um dos filósofos mais citados, mas menos lidos do cânon ocidental.

  3. O manuscrito em carruagem de cavalos: O manuscrito do primeiro volume dos Principia Mathematica foi levado ao editor de maneira tão descuidada que foi transportado numa carruagem de cavalos em vez de correio registrado, causando enorme ansiedade a Russell e Whitehead.

  4. Um estudante atlético e letrado: Apesar de inicialmente tratado por seus pais como uma criança frágil, na Sherborne School Whitehead se tornou chefe de sua casa e capitão dos times de rúgbi e críquete da escola. Ele foi, ao mesmo tempo, um brilhante acadêmico e um atleta talentoso.

  5. Influência sobre Martin Luther King Jr.: A filosofia do organismo de Whitehead influenciou Martin Luther King Jr. Em 1963, King citou Whitehead em sua famosa “Carta da Prisão de Birmingham“, e em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel da Paz em 1964, ele afirmou, parafraseando Whitehead: “Vivemos num dia, diz o filósofo Alfred North Whitehead, em que a civilização está mudando sua perspectiva básica”.

  6. Os papéis destruídos: Whitehead ordenou que todos os seus papéis pessoais fossem destruídos após sua morte. Por isso, muitos detalhes de sua vida permanecem obscuros para os biógrafos.

Legado de Alfred North Whitehead

O Fundador da Filosofia do Processo

O legado mais duradouro de Whitehead é, sem dúvida, a fundação da filosofia do processo. Esta escola de pensamento, que rejeita a metafísica substancialista em favor de uma ontologia do devir e do evento, continua a ser desenvolvida e aplicada em campos tão diversos quanto a ecologia, a teologia (especialmente a teologia do processo), a educação, a física e a biologia.

A Filosofia da Educação

Whitehead também deixou uma marca profunda na filosofia da educação. Em obras como The Aims of Education (1929), ele criticou o ensino de “ideias inertes”—conhecimento não utilizado, não testado e não combinado com novas ideias. “A educação com ideias inertes não é apenas inútil”, escreveu ele, “é, acima de tudo, prejudicial”.

Influência sobre Alunos e Contemporâneos

Apesar de não ter inspirado uma escola de pensamento durante sua vida, Whitehead influenciou uma série de alunos que se tornaram figuras famosas por seus próprios méritos: os matemáticos G. H. Hardy e J. E. Littlewood, os físicos Edmund Whittaker, Arthur Eddington e James Jeans, o economista J. M. Keynes, e os filósofos Susanne Langer, Nelson Goodman e Willard van Orman Quine.

Uma Metafísica para o Século XXI

Uma das aplicações mais promissoras do pensamento de Whitehead no século XXI tem sido na área da civilização ecológica e da ética ambiental. A visão do mundo como um tecido de processos interdependentes ressoa profundamente com as preocupações ecológicas contemporâneas e com a compreensão científica de sistemas complexos, dinâmicos e não lineares.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

Referências e Fontes para Aprofundamento

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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