Marcos Santiago: O Historiador e Pedagogo da Formação Maçônica Brasileira
Introdução
No vasto panorama da literatura maçônica brasileira publicada pela Editora Maçônica A Trolha, o nome de Marcos Santiago ocupa uma posição singular e fundamental: a do pedagogo da iniciação. Diferentemente dos autores que se dedicam à história remota da Ordem ou à especulação filosófica de alto grau, Santiago concentrou seus esforços em uma tarefa mais modesta, porém igualmente essencial: preparar o candidato que deseja ingressar na Maçonaria e oferecer ao Mestre Maçom temas para reflexão e aprofundamento.
Sua produção literária, que floresceu no início dos anos 1990, permanece como um testemunho da preocupação da Editora A Trolha com a formação continuada do obreiro brasileiro. Este artigo se propõe a reconstituir, a partir das parcas informações disponíveis, a trajetória biográfica e maçônica de Marcos Santiago, apresentar seu legado literário e reunir algumas curiosidades sobre sua figura discreta, porém influente.
Biografia Pessoal
Os dados sobre a vida pessoal de Marcos Santiago são escassos, sugerindo que ele foi uma figura que preferiu que seu trabalho falasse por si, sem construir uma persona pública para além de suas obras. Seu nome completo, conforme registrado no catálogo da Biblioteca Nacional do Brasil, é Marcos Henrique de Almeida Santiago.
Com base em informações fragmentadas, podemos esboçar alguns traços de sua biografia:
Naturalidade: Marcos Santiago era natural de Niterói, estado do Rio de Janeiro.
Data de Nascimento e Falecimento: Não foram localizadas, nas fontes consultadas, referências a suas datas de nascimento ou falecimento.
A ausência dessas informações é, por si só, um dado relevante. Ela sugere que Marcos Santiago foi um autor que viveu e produziu em um período anterior à digitalização maciça de dados biográficos (possivelmente nas décadas de 1980 e 1990) e que não buscou projeção midiática ou acadêmica para além do círculo estritamente maçônico.
Biografia Maçônica: O Iniciado na Loja Amizade Fraternal
A biografia maçônica de Marcos Santiago, embora sucinta, é um dos aspectos mais bem documentados de sua vida graças a fontes da própria Ordem.
Iniciação e Loja de Origem
Marcos Santiago foi iniciado na Arte Real em 16 de dezembro de 1975, na Loja Amizade Fraternal nº 10. A data de sua iniciação — em meados dos anos 1970 — é um marco significativo, indicando que sua produção literária dos anos 1990 é fruto de uma maturação de quase duas décadas dentro da Ordem. Ele não foi um escritor precoce, mas um obreiro experiente que, após longos anos de vivência iniciática, resolveu compartilhar seus conhecimentos de forma sistemática.
Atuação como Escritor e Fundador
O mesmo documento que registra sua iniciação o qualifica como “escritor, fundador“, embora não especifique de qual instituição ou Loja teria sido fundador. É possível que tenha participado da fundação de uma Loja ou de um grupo de estudos maçônicos em sua região.
O Reconhecimento como Historiador Maçom
Marcos Santiago é frequentemente citado em trabalhos acadêmicos e em artigos da imprensa maçônica como um “historiador maçom” ou um “abalizado historiógrafo maçom”. Esta designação, repetida em múltiplas fontes, indica que sua obra “Maçonaria: História e Atualidade” tornou-se uma referência respeitada no meio, sendo utilizada tanto por pesquisadores universitários quanto por palestrantes e instrutores maçônicos.
Obras Publicadas: Dois Pilares da Biblioteca do Aprendiz e do Mestre
A produção literária conhecida de Marcos Santiago concentra-se em duas obras fundamentais, ambas publicadas pela Editora Maçônica A Trolha no início dos anos 1990. Juntas, elas formam um díptico que aborda a Maçonaria em dois momentos distintos da vida do obreiro: o momento anterior à iniciação (preparação do candidato) e o momento do amadurecimento no terceiro grau (reflexão do Mestre).
1. Maçonaria: História e Atualidade (1992)
A primeira obra de Marcos Santiago foi publicada em 1992, quando a Editora A Trolha já se consolidava como a principal casa publicadora do segmento maçônico no Brasil.
| Especificação | Dados |
|---|---|
| Título completo | Maçonaria: História e Atualidade — Subsídios para o curso de preparação do candidato |
| Editora | Maçônica A Trolha |
| Ano | 1992 |
| Páginas | 207-212 |
| Formato | 14 x 20 cm |
| Local de publicação | Londrina, PR |
| ISBN | 9789728998349 |
| Coleção | Biblioteca do Maçom, nº 16 |
A própria estrutura do título revela a intenção pedagógica do autor. O livro não é apenas uma “história da Maçonaria”, mas sim um conjunto de “subsídios para o curso de preparação do candidato”. Trata-se, portanto, de um material didático concebido para auxiliar na formação daqueles que aspiram a ingressar na Ordem ou que estão em seus primeiros passos na Loja.
A sinopse da obra confirma essa perspectiva:
“A intenção do autor é dupla: preparar o candidato que deseja ingressar em nossa Ordem, assim…”
A obra é frequentemente citada em trabalhos acadêmicos que investigam a história da Maçonaria no Brasil. Uma dissertação de mestrado da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) se refere a ela como fonte para a afirmação de que a Maçonaria operativa estava associada às guildas de pedreiros medievais. Outro artigo acadêmico menciona a obra ao discutir a fundação do Areópago de Itambé em Pernambuco no século XVIII. O professor e pesquisador Frederico Guilherme Costa, em seu livro “A Maçonaria e a República”, também utilizou a obra de Santiago como referência em um dos capítulos.
2. Temas para a Reflexão do Mestre Maçom (1993)
A segunda e talvez mais conhecida obra de Marcos Santiago foi publicada no ano seguinte, consolidando sua reputação como autor voltado para a formação continuada do obreiro.
| Especificação | Dados |
|---|---|
| Título completo | Temas para a Reflexão do Mestre Maçom |
| Editora | Maçônica A Trolha |
| Ano | 1993 |
| Edição | 1ª |
| Páginas | 189-194 |
| Formato | 14 x 20 x 1,0 cm |
| Local de publicação | Londrina, PR |
Diferentemente da obra anterior, focada no candidato e no Aprendiz, “Temas para a Reflexão do Mestre Maçom” destina-se ao obreiro que já percorreu a jornada dos três graus simbólicos e alcançou a maestria. O título é sugestivo: o autor não se propõe a “ensinar” ou “doutrinar” o Mestre, mas sim a oferecer-lhe “temas para reflexão” — ou seja, provocações intelectuais, questões abertas, caminhos para que o próprio leitor desenvolva seu pensamento e aprofunde sua compreensão da Arte Real.
A obra é citada em múltiplas fontes como referência bibliográfica em cursos de formação maçônica. Um catálogo de livros de uma Loja maçônica a lista ao lado de obras como o “Curso de Maçonaria Simbólica” de Theobaldo Varolli Filho e o “Dicionário de Maçonaria” de Joaquim Gervásio de Figueiredo, demonstrando seu lugar no cânone da literatura de instrução maçônica brasileira.
Curiosidades sobre Marcos Santiago
A Vinculação com a Editora A Trolha: Ambas as obras conhecidas de Marcos Santiago foram publicadas pela Editora Maçônica A Trolha, de Londrina (PR), consolidando-o como um dos autores do seleto catálogo da editora ao lado de nomes como Frederico Guilherme Costa, Welington B. Oliveira e Luiz Gonzaga da Rocha.
O Reconhecimento Acadêmico: Apesar da discrição de sua vida pessoal, a obra de Marcos Santiago é utilizada como referência em trabalhos acadêmicos de pós-graduação em universidades brasileiras, como a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) , o que atesta a seriedade e a qualidade de sua pesquisa histórica.
A Citação pelo Professor Frederico Guilherme Costa: O renomado historiador e autor maçônico Frederico Guilherme Costa utilizou a obra de Santiago como referência em seu livro “A Maçonaria e a República”, demonstrando o respeito mútuo entre os intelectuais do meio maçônico e a circulação de suas ideias.
A Obra “A Formação do Maçom na Loja Maçônica”: Em algumas fontes, é mencionada uma terceira obra de Marcos Santiago, intitulada “A Formação do Maçom na Loja Maçônica”. No entanto, não foram localizados registros consistentes dessa publicação nos principais catálogos de livreiros e bibliotecas, o que sugere que pode ser um título alternativo de uma de suas obras principais ou uma publicação de menor circulação, possivelmente um opúsculo ou fascículo de instrução interna.
Autor de Textos sobre Simbologia Zodiacal: Marcos Santiago também é referido como autor de textos sobre os “Símbolos Zodiacais” na perspectiva maçônica. Um artigo publicado em 2021, intitulado “SÍMBOLOS ZODIACAIS NA VISÃO DO APRENDIZ” , cita sua obra “Temas para a Reflexão do Mestre Maçom” como uma das referências para o estudo do simbolismo zodiacal no contexto da Loja, indicando que sua obra extrapola os limites da história e adentra os domínios da simbologia e da astrologia iniciática.
Estimativa de Pré-Vida Digital: Considerando que suas obras foram publicadas em 1992 e 1993, e que não foram localizadas informações sobre sua morte, é provável que Marcos Santiago tenha desenvolvido sua atividade literária antes da popularização da internet e das redes sociais. Sua ausência nas plataformas digitais contemporâneas — não há perfis ativos em redes sociais, nem páginas em academias maçônicas ou associações literárias — sugere que ele pertencia a uma geração de autores que não precisaram (ou não desejaram) construir uma marca pessoal para além da própria obra.
Conclusão
O silêncio que envolve a biografia de Marcos Santiago contrasta com a eloquência de sua obra publicada. Em uma época em que a autoexposição é a norma, a trajetória deste autor permanece um enigma — não por acidente, mas talvez por escolha deliberada. Ele foi, acima de tudo, um obreiro que serviu à Ordem a partir da sala de estudos, da biblioteca e da cadeira de instrução.
Suas duas obras principais — “Maçonaria: História e Atualidade” e “Temas para a Reflexão do Mestre Maçom” — formam um legado modesto em extensão, mas notável em profundidade. Na primeira, ele ofereceu ao candidato e ao Aprendiz um mapa confiável do território histórico e filosófico que estavam prestes a percorrer. Na segunda, ofereceu ao Mestre não respostas prontas, mas perguntas bem formuladas — o verdadeiro combustível do pensamento iniciático.
Marcos Santiago nos lembra que, na Maçonaria, o conhecimento não se exibe, se prova. E que às vezes as vozes mais influentes são aquelas que falam baixo, apenas através da página impressa, e deixam que as ideias sigam seu curso, alcançando leitores que jamais conhecerão o rosto do autor, mas que, por suas palavras, encontraram um pouco mais de Luz.
Autor e pesquisa Ivair Ximenes Lopes
Fontes
Marcos Henrique de Almeida Santiago, BNPortal (clubenaval.bnweb.org)
*Oficio 001 Marcos Henrique de Almeida Santos de 08-04-2021*, camarapoa.rs.gov.br
Marcos Henrique de Almeida, Escavador
História da Loja Amizade Fraternal | PDF, Scribd (documento não acessado diretamente devido a bloqueios de conteúdo)
As potências maçônicas e os ritos praticados, O Ponto Dentro do Círculo (opontodentrodocirculo.wordpress.com)
*Del Rey-2004-Historia da Maconaria em Sao Caetano do Sul*, fpm.org.br
universidade estadual do norte fluminense darcy ribeiro, Dissertação de Anizio Pirozi (UENF)
A formação da Maçonaria no Brasil aos dias de hoje, Dogma Livre (dogmalivre.com.br)
ommeb (blog), menção a Marcos Santiago como “abalizado historiógrafo maçom”
Jornal O Compasso, edição nº 05, maio/junho de 2013, Itabuna/BA
Estante Virtual, catálogo de livros de Marcos Santiago
Esoteric Mundi, ficha do livro “Temas para a Reflexão do Mestre Maçom”
Livrista.com.br, ficha do livro “Maçonaria História e Atualidade”
Antiguidades do Mestre, anúncio do livro “Maçonaria – História e Atualidade”
Foco Arteal (blog), referência à obra “Prática Maçônica e Sociedade” de Marcos Santiago
I. Blanchier 3 (blog), referência a “Temas para a Reflexão do Mestre Maçon”

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











