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História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil I de II

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História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil I de II

A Maçonaria nasceu na Idade Média com pedreiros operativos, mas tornou-se uma sociedade especulativa com o surgimento da Grande Loja de Londres em 1717, focada na melhoria pessoal e social, espalhando-se pelo mundo e influenciando a Revolução Francesa e a independência de países como os Estados Unidos.

No Brasil, a Maçonaria foi trazida por portugueses no século XVIII, tornando-se um importante centro de articulação política para a Independência, reunindo líderes como José Bonifácio e influenciando outros movimentos como a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. 

Vamos explorar, em dois artigos, intitulados: História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil I e II. Num trabalho de pesquisa de Samuel Victor Santos Ferreira. Neste vamos da maçonaria e estudo das origens até a maçonaria na América. No segundo artigo, a maçonaria brasileira.

Da Maçonaria operativa, que trabalhava por uma moral como um meio, à Maçonaria especulativa (os aceitos), que tomavam base dos trabalhos dos pedreiros como simbologia para um ensino moral como fim

A Maçonaria moderna tem diversas histórias de sua origem, mas há três fontes principais que marcam características do que entendemos pela instituição nos dias atuais.

ROSACRUZES

Jean Marconis de Nègre, teórico Rosacruz, diz ser a origem no ano 46 a. C. por Marcos Evangelista, sendo o precursor da Maçonaria. Fama Fraternitatis e Confessio Fraternitatis, foram textos que originaram o rosacrucianismo publicado anonimamente entre 1610 1615 na Alemanha.

Apesar de algumas teorias mostrarem a origem dos rosacruzes como mais antiga que os maçons, os maçons que criaram as “Societas Rosicruciana” em 1800.

TEMPLÁRIOS

Origem na famosa “Oração de Ramsay” em 1741, um discurso do orador Ramsay em uma cerimônia de iniciação:

“Nossos ancestrais, os cruzados (…) nossos fundadores não eram simples trabalhadores em pedra… Mas também religiosos e príncipes guerreiros que planejaram, edificaram e protegeram os Templos do Altíssimo (…). Salomão escreveu em caracteres hieróglifos nossos estatutos (…) nossas máximas e nossos mistérios (…). Esse livro foi perdido até o tempo das cruzadas. Reis príncipes e senhores retornaram da palestina para suas próprias terras e ali estabeleceram novas lojas.”

Como na antiga França havia certa resistência de nobres ingressarem na Maçonaria, Ramsay elaborou esta alegoria para tornar a Ordem Maçônica mais cavalheiresca e atrair intelectuais e pessoas na nobreza. Esta especulação não trás muito embasamento histórico, porém, sempre foi passado por gerações.

GUILDAS ROMANAS

O Império Romano dominava a Inglaterra e a Escócia entre o século I e V, surgindo neste período as guildas ou alojamento dos pedreiros, que eram contratados para edificar as construções durante o tempo que o império se expandia com a tomada de terras vizinhas.

Esta origem é a que evidencia maior teor histórico.

OS MARCOS HISTÓRICOS

Desde o primeiro documento escrito até a Era Moderna com a Revolução Industrial, vemos algumas passagens que tem extrema importância na Maçonaria durante os séculos.

Carta de Bolonha

Redigida em latim por um escrivão público do prefeito de Bolonha Bonifaci di Carlo em 08/08/1248, nele há documentado “matrícula” com nome de 371 mestres maçons.

um detalhe sobre estes mestres, pois entre 1248 e 1272 havia uma divisão desta Loja, ficando de um lado os “Mestres de Pedra” e do outro os “Mestres de Madeira” que originariam a carbonária e a maçonaria, fraternidades irmãs. Na listas dos mestres de pedra haviam nomes de clérigos e nobres, dando a entender que já nesta época eram aceitos maçons especulativos (não trabalhadores de pedra) que tinham por base ser pessoas de bons costumes.

Poema de Regius

Descoberto por James Halliwell foi publicado em 1840 com o título de “Um Poema sobre a Constituição da Maçonaria” datado de 1390. São 794 linhas de rima, contando a lenda da arte maçônica de origens do Egito, aprendida por Euclides até chegar ao Rei Athelstan, primeiro rei da Inglaterra, em 926. Essa lenda não se apega a muitos documentos históricos, sendo mais uma tradição do que uma pesquisa de real acontecimento.

Athelstan é considerado o “Pai da Maçonaria”, pois se diz que após a expulsão dos Vickings da Inglaterra, o rei convocou os pedreiros de todas as regiões para fortificar as barreiras e evitar novas invasões no país, tendo instituído regras e orientações para como deveriam se comportar. Um dos locais de origem dessas construções é a cidade de Yorkshire, uma das cidades mais antigas do mundo e berço da maçonaria inglesa.

Há neste manuscrito a história dos Quatour Coronati, que tem origem da lenda de quatro pedreiros que se recusaram a fazer uma construção para nobres pagãos por conta de suas crenças, tendo assim sendo assassinados os “quatro mártires coroados” dando origem ao nome da primeira Loja de pesquisa inglesa no século 19.

Estatuto de Schaw

O Rei James VI da Escócia, da dinastia Stuart, em 1598, nomeou William Schaw como seu “mestre de obras” no qual publicou um estatuto para todos os maçons e Lojas que previam algumas características para seguir, como a “arte da memória” (decorar o ritual para sua prática), o uso de luvas e a existência de banquetes maçônicos.

Vale lembrar que o cargo de mestre de obras era conceituado pelo nobre, porém, como Schaw era conhecedor da arte, foi nomeado para ser o acompanhante das obras de construção publica do reino. Com o belo trabalho feito por Schaw, o rei aceita ser iniciado na maçonaria em 1601, sendo posteriormente rei também da Inglaterra e Irlanda, que incomodou a população pelo fato de serem governados por um escocês, tendo após algumas revoltas, o exílio de James VI, agora nomeado James I, para a França onde consolidaria o que viria a nascer como o Rito Escocês que conhecemos hoje em dia.

Teoria de John Locke

Em 1696, Locke encontrou, traduziu e comentou um manuscrito de origem por volta de 1530 chegando sua origem nos estudos de Pitágoras. Este manuscrito dizia que um grego havia viajado por diversos lugares, sendo iniciado em várias escolas de mistérios, ao se mudar para a Grécia magna, atual Itália, resolveu criar sua própria escola de mistérios.

Após esse período, ele resolve viajar à Inglaterra para efetuar negócios, onde foi registrado por um nome parecido pela falta de entendimento do responsável pela checagem de imigração. A partir daí, Locke prevê que a maçonaria seria levada à Inglaterra pelo próprio Pitágoras. Locke crê ser Pitágoras esta pessoa e a partir dai começa a mostrar muito interesse pela maçonaria, mas não sendo iniciado por falecer poucos anos após esses estudos.

Revolução Industrial

Neste período, muitos países europeus adotaram leis proibindo a maçonaria operativa, como uma redigida na França:

“Proibimos todos os mestres, companheiros, operários e aprendizes do direito de formar associações, ou mesmo assembleias entre eles, sob qualquer pretexto. (…) Em consequência, suprimimos todas as confrarias que possam ter sido estabelecidas tanto pelos mestres dos corpos e comunidades, como pelos companheiros e operários, das artes e ofícios”.

Como os artesãos foram substituídos pelas máquinas, eles eram obrigados a trabalhar nas indústrias para dificultar suas reuniões e produções manuais, onde para a nova linha de trabalho, seria muito mais rápido, barato, e os donos das indústrias teriam maior controle sobre seus produtos.

O governo da época via isso como uma ótima forma de aquecer sua economia e então protocolaram leis que faria a maçonaria operativa perder sua força de trabalho. Estas ideias fizeram os maçons se adaptarem à aristocracia vigente. Idealistas que não compactuavam com as ideias de trabalho operativo, orgulhando-se de não praticar o oficio manual, fazendo um declínio com os costumes dos antigos pedreiros. Assim, todo o significado das técnicas e conhecimento das construções dos

maçons operativos foi adaptado para um conceito mais filosófico, já que a linha aristocrata era mais contemplativa.

O SURGIMENTO DAS GRANDES LOJAS

Durante o século XVIII estas eram as Grandes Lojas da Grã-Bretanha sendo quatro somente na Inglaterra:

GRANDE LOJA DE YORK

Alguns autores dizem que ela não seria a primeira Grande Loja, mas por pesquisas do pesquisador William Preston, essa Grande Loja elegeu ininterruptamente Grãos Mestres desde 1558 até 1792 quando a instituição foi adormecida por força de lei.

Ela também não compunha apenas de maçons operativos, mas também especulativos. Posteriormente, seu nome foi mudado para Grande Loja de Toda a Inglaterra por rivalidade com a Grande Loja dos Modernos.

GRANDE LOJA DOS MODERNOS

Nascida como Grande Loja de Londres e Westminster, fundada em 24/06/1717 foi por fusão de três Lojas em Londres de maçons em sua maioria operativos, com uma Loja de Westminster de maçons em sua maioria especulativos.

As Lojas unidas foram “O Ganso e a Grelha”, “A Coroa”, “A Macieira” (Loja onde ocorriam as reuniões) e “O Copázio e as Uvas”. Em 1725 mudou seu nome para Grande Loja da Inglaterra. Na comemoração dos 300 anos de fundação da Grande Loja, algumas pesquisas por próprios membros foram realizadas para conhecer mais sobre o passado de sua história, chegando a documentos que datam sua fundação em 24/06/1721, porém a data de 1717 foi mantida pela tradição que é recorrente desde 1725.

A mudança de nome para Grande Loja da Inglaterra ocorreu em um episodio quando dois membros da Grande Loja de York foram expulsos e posteriormente aceitos na Grande Loja dos Modernos. Até essa época, as duas Grandes Lojas mantinham um bom relacionamento e reconhecimento, mas após esse fato dos membros ocorrerem, a relação foi abalada entre as duas corporações. Por ter fim com o tratado de reconhecimento, a Grande Loja dos Modernos não deveria mais obediência para a de York, assim mudando seu nome para Grande Loja da Inglaterra.

A resposta de York foi mudar o nome para Grande Loja de Toda a Inglaterra, começando assim, a primeira rivalidade entre potências.

GRANDE LOJA DOS ANTIGOS

Em 1730, em Londres só havia a Grande Loja da Inglaterra e neste momento surgiu o vazamento de informações por uma publicação de um livro com os segredos das reuniões por

Samuel Prichard, membro da Grande Loja da Inglaterra. Com o medo de qualquer pessoa pegar essas informações, foi criado novas formas de reconhecimento com sinais e toques para garantir os segredos das reuniões. Após colocar em prática o aperfeiçoamento em todas as Lojas subordinadas a esta potência, muitos maçons que viviam em outras partes da Grã-Bretanha e chegavam em Londres desconheciam essa atualização nos costumes da Maçonaria e isso acabou revoltando muitos membros por modernizarem os segredos.

Com essa mudança, todos que não concordaram acabaram montando uma nova Grande Loja na Inglaterra em 1751 mantendo as práticas e os costumes, sendo assim chamada de Grande Loja dos Antigos, apelidando a antiga potência de “Modernos” em virtude da mudança em suas práticas. Com a relação dos membros da Irlanda e Escócia com a Grande Loja dos Antigos, eles acabaram mantendo o reconhecimento e não aceitando essa modificação da Loja dos modernos.

GRANDE LOJA DE PRESTON

William Preston era considerado o maior intelectual da Maçonaria inglesa e foi convidado para ser venerável mestre da Loja de Antiguidade n° 01 da Grande Loja dos Modernos.

Com algumas desavenças com o Grão Mestre da época que o acusou de cometer infrações ritualísticas (sair revestido do avental em local público), foi expulso da instituição e outros membros não concordando com essa decisão, acabaram juntando a ele em 1779 formando a Grande Loja da Inglaterra ao Sul do Rio Trent. Foi a quarta Grande Loja formada na Inglaterra formada na época, até que em após 10 anos, a Grande Loja dos Modernos emitiu um pedido de desculpas à Preston que retornou à potencia.

Preston não só retornou como manteve boas relações deixando vários estudos como doação para a Grande Loja após sua morte, no qual teve bastante importância para a maçonaria no decorrer dos séculos.

GRANDE LOJA DA ESCÓCIA

Fundada em 1736 se declarava a maior antiguidade de práticas maçônicas. Suas Lojas mantém um alto nível de independência de sua potência com relação às outras Grandes Lojas como cada Loja usar seus rituais e paramentos sem seguir o mesmo padrão da potência. Também se denominava “Antigos” e reconheciam a Grande Loja dos Antigos na Inglaterra.

GRANDE LOJA DA IRLANDA

Seus dados apontam sua existência documentada em pelo menos 1725 e se declara a mais antiga em funcionamento contínuo. Também se denominava “Antigos” e reconheciam a Grande Loja dos Antigos na Inglaterra.

DIFERENÇAS ENTRE OS ANTIGOS E OS MODERNOS

Como vemos no Brasil, temos o mesmo rito com muitas diferenças entre Lojas de diversas potências e isso se da pelas características da divergência que ocorreu entre as primeiras Potências Inglesas.

A Grande Loja dos Modernos surgiu com apenas 2 graus, adotando o grau de mestre em torno de 1728, enquanto a Loja dos Antigos trabalhava com diversos graus além de mestre, incluindo o Real Arco.

O uso do avental era para distinguir um maçom moderno de maçom antigo e ele se dava pelo modo que era amarrado. O aprendiz na Loja dos Antigos usava a abeta para cima, enquanto os modernos usavam para baixo (como vemos nos rito escocês antigo e aceito e emulação).

A Maçonaria dos Modernos implementou espadas dentro de uma Loja Maçônica enquanto a loja dos antigos proibia instrumentos de derramamento de sangue dentro das Lojas. Os modos de reconhecimento também foram mudados como os apertos de mão e sinais pelos Modernos e os Antigos faziam piadas por desconsiderar essas mudanças. A cerimônia de Instalação existia na Loja dos Antigos que não abriam mão dessa ritualística, que foi descartada pelos Modernos.

A posição do altar dos juramentos pelos Antigos era permanecida no centro da Loja, enquanto os Modernos a colocavam no Oriente junto ao Altar do Venerável Mestre.

A FUSÃO DA GRANDE LOJA DOS ANTIGOS E DOS MODERNOS

Essa divisão acabou em 1813. Muitos autores comentam que os dois Grãos Mestres, Duque de Kent e Duque de Sussex, eram primos e queriam voltar ao convívio. O que temos de conteúdo histórico diverge um pouco dessa lenda.

Conforme o Grande Secretário da Grande Loja dos Antigos, Laurence Dermott, criador da constituição dos Antigos, conta que os Modernos submeteu à câmara dos comuns que eles eram a principal Instituição e se os Antigos quisessem continuar com os trabalhos dizendo-se maçons, que deveriam pagar taxas à eles. Esse projeto teve inicio na década de 50 do século XVIII, até que por volta de 1790, os Modernos conseguiram a aprovação, obrigando a Grande Loja de York a fechar suas portas e tentar uma negociação para manter os trabalhos.

Com isso, houve um processo de fusão criando a Loja de conciliação com membros de ambas as Lojas em 1809 decidindo o que iria manter nos rituais com a aprovação de ambos os lados. Após a decisão unificada, em 1913 a Loja agora chamada de Loja de Promulgação compareceu nas diversas oficinas anunciando a nova mudança. Como os Modernos eram em maior quantidade, muitas coisas características deles foram aprovadas, sendo o seu Grão Mestre eleito para a regência da potência.

A Loja de aperfeiçoamento Imolation Lodge of Improvement surgiu em 1823, publicando seu ritual três anos após, que foi o utilizado pelo resto do mundo.

A Loja dos Antigos (York) por meio da Irlanda e Escócia foi importada para os EUA, enquanto a inglesa estava em processo de fusão dos Antigos com os Modernos até aparecer a Loja de Emulação em 1823, e com isso o ritual dos americanos são mais completos que os ingleses.

No processo de Expansão do Império Britânico, os membros das Grandes Lojas dos Modernos, Irlanda e Escócia faziam parte do movimento, tanto que nos EUA era comum ver Lojas filiadas à todas as potências Britânicas. Essa variedade causava por vezes uma mistura e confusão entre as Lojas que se resolveu depois da independência das Colônias. Como os Antigos tinham aliada a Loja de York, Irlanda e Escócia, foi mais fácil a orientação do ritual antigo para o país, diferenciando de algumas colônias que ainda tinham uma ligação forte com a Inglaterra.

A MAÇONARIA FRANCESA E SEU RITO ESCOCÊS: BERÇO DA MAÇONARIA BRASILEIRA

A Maçonaria brasileira herdou suas características e ritualística, mas também seus conflitos. O rito escocês antigo e aceito é formado por características de diversas culturas e histórias diferentes com origem escocesa, desenvolvimento na França e conclusão norte-americana.

A ORIGEM ESCOCESA

A origem vem com a iniciação do Rei James VI, da Escócia, na Loja Perth and Scone como vimos pelo Estatuto de Schaw no ano de 1601. Em 1603 ele passa a ser rei da Inglaterra e Irlanda como James I. Sua dinastia “Stuart” tem fim quando uma revolta civil faz com que os Stuarts se exilem na França em 1715. Em 1725 os escoceses começam a fundar Lojas na França.

Era comum a guarda imperial formada por súditos do mesmo país do rei para evitar algum atentado estrangeiro e assim garantir a família imperial de seguir com seu reinado seguro e fortalecido. Essa guarda imperial francesa que prestava serviço aos Stuarts facilitou a fuga para a França.

Após o exílio, tentativas de recuperar o trono Inglês não deram certo, e com isso a propagação de Lojas escocesas começou pela França.

A CONSAGRAÇÃO NA FRANÇA

Entre 1725 e 1750 começou a formar os graus do Rito de Heredom com os três simbólicos e mais 22 altos graus. Em 1756, alguns burgueses se juntaram para formar o Conselho dos Cavaleiros do Oriente com o intuito de dominar o Rito de Heredom formando 22 graus fora os três simbólicos. Em resposta a esse movimento, os nobres franceses que não gostavam de se submeter aos

burgueses, criaram o Supremo Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente. Então com essa resposta dos nobres, os maçons que se interessavam em ingressar nos graus chamados “escoceses” preferiam entrar em um supremo conselho, fazendo o conselho dos cavaleiros burgueses perderem a força até se dissolverem e assim o Rito de Heredom dos nobres virou o rito mais praticado da França.

A CONCLUSÃO NA AMERICA DO NORTE

Em 1764 o Rito de Heredon chega a New Orleans, sendo uma colônia francesa vizinha dos EUA. Em 1767 o rito chega a New York na cidade de Albany, e tendo alguns membros Grandes Inspetores (grau mais alto do rito), começaram a conceder altos graus aos mestres já existentes, fazendo o rito se espalhar pelas 13 colônias.

Sem uma organização regional, os Grandes Inspetores competiam entre si para a convocação de membros começando a estruturar algumas diferenças para atrair mais pessoas.

Algumas dessas coisas era uma menor taxa na aquisição dos graus ou a implementação de graus diferentes para diferenciar o mais comum já existente. Com essa disputa e mudança nos graus sem autorização, a competição só teve fim em Charleston na Carolina do Sul com os “Onze Cavaleiros de Charleston” se organizando e padronizando os altos graus do rito para criar uma lógica e um sistema padrão. Com essa formulação do sistema o Rito de Heredon havia sido modificado com 33 graus e resolveram considerar essa renovação um novo rito, com o nome em homenagem às origens dos criadores escoceses, assim nomeado o Rito Escocês Antigo e Aceito.

A águia bicéfala tem origem dos graus do Supremo Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente inspirada no símbolo do império romano, assim como alguns outros símbolos mantidos tanto do conselho dos imperadores, quanto do rito de Heredon. Além de alguns símbolos, esses foram os graus incluídos no rito:

23: Chefe do Tabernáculo 24: Príncipe do Tabernáculo
25: Cavaleiro da Serpente de Bronze 26: Escocês Trinitário
27: Grande Comandante do Templo 29: Grande Cavaleiro de Santo André 31: Grande Inspetor Inquisidor
33: Grande Inspetor Geral da Ordem

Em 1795, o Conde de Grasse-Tilly que governava a ilha do Haiti e República Dominicana, na época colônia francesa, muda-se para Charleston após uma revolta na ilha. Entre 1802 e 1803 ele é investido no grau 33. Após o fim da revolta, ele retorna à Ilha de São Domingos fundando o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito. Alguns anos depois negocia sua volta para a

França onde retorna entre 1804 e 1810 fundando o Supremo Conselho que logo é reconhecido por Charleston, e também a Grande Loja do Rito Escocês desenvolvendo os graus simbólicos. Como o supremo conselho coordena somente os altos graus, o Conde pediu ajuda às Lojas simbólicas para ajudar na formação de maçons para os altos graus, incluindo Felipe Bonaparte, que viria a ser o Grão Mestre da Grande Loja Francesa. Apesar de não concordarem com esse Grão Mestrado, os dirigentes deveriam respeitar as decisões por se tratar de um membro da Família Bonaparte, assim como o Grão Mestre do Grande Oriente da França, Joseph Bonaparte. Por esse motivo, as duas potências simbólicas se fundiram e mantiveram os dois Grãos Mestres, deixando o Conde de fora da regência da corporação.

(continua…)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ISMAIL, Kennyo. História da Maçonaria brasileira para adultos. Londrina: A Trolha, 2017.

*Conteúdo elaborado a partir da aula de “Maçonologia” do Prof. Ms. Kennyo Ismail.

*SAMUEL VICTOR SANTOS FERREIRA

MAÇONOLOGIA
História Geral da Maçonaria no Mundo e no Brasil

Sumário

ESPECULAÇÕES DE SUA ORIGEM 2
OS MARCOS HISTÓRICOS 3
O SURGIMENTO DAS GRANDES LOJAS 5
DIFERENÇAS ENTRE OS ANTIGOS E OS MODERNOS 7
A FUSÃO DA GRANDE LOJA DOS ANTIGOS E DOS MODERNOS 7
A MAÇONARIA FRANCESA E SEU RITO ESCOCÊS: BERÇO DA MAÇONARIA BRASILEIRA 8
A MAÇONARIA NO BRASIL 11
A MAÇONARIA BRASILEIRA NO SÉCULO XX: CISÕES E DITADURAS 14
CARACTERÍSTICAS DA MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA 17

ESPECULAÇÕES DE SUA ORIGEM

 

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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